A atuação do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foi determinante para evitar a manutenção de um privilégio a uma parte da categoria de servidores públicos federais. Nesta terça, o relator, Arthur Maia, foi forçado a recuar e declarar publicamente que para receber o benefício integral, corrigido pela regra dos funcionários da ativa, os servidores terão de cumprir a idade mínima de 62 anos, a mulher, e 65 anos, o homem. A regra vale para os contratados até 2003.

Meirelles, que esteve por 6 dias em Washington na semana passada, recebeu mal as alterações à emenda promovidas na sua ausência. Considerou "pouco sério" o tratamento dado pelo relator ao texto, ao anunciar que haveria "surpresinhas", no momento da leitura do relatório na Comissão Especial da Câmara, na última terça. No mesmo dia, Maia ainda divulgou uma errata suspendendo a barreira de idade dos servidores à integralidade e à paridade.

Meirelles antecipou o retorno dos Estados Unidos e foi da base aérea em Brasília diretamente a Temer, no Jaburu. O ministro quis tirar a limpo um detalhe: Maia apresentou a mudança aos técnicos da Fazenda como tendo tido o aval do presidente Temer - o que nunca aconteceu. Feitas as contas, a alteração custaria R$ 23 bilhões aos cofres públicos em 10 anos.