O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, segue emitindo sinais de afastamento estratégico do governo Temer. Nesta terça-feira, o deputado do Democratas não compareceu à solenidade no Planalto onde era esperado. O evento constava de sua agenda oficial e da lista do cerimonial da Presidência. A assessoria de Maia diz que não sabe explicar a ausência. Tampouco esclarece porque o presidente da Câmara cancelou a audiência com Rachel Dodge, indicada de Temer para a Procuradoria Geral da República.

Silêncio também de Maia e de Henrique Meirelles, da Fazenda, sobre o encontro reservado de ambos, na residência oficial do presidente da Câmara, na noite de segunda. A justificativa oficial é frágil: a crise fiscal do Rio de Janeiro. Os movimentos do deputado, virtual substituto de Temer na presidência, aumentam a desconfiança no Planalto. Ainda pela manhã, não por acaso,  o presidente fez uma advertência, em discurso: “ah, [dizem] se a economia vai bem, não precisa de governo. Precisa sim, porque foi este governo que botou a economia nos trilhos!”

Horas depois desta declaração, Maia saiu em defesa da celeridade no desfecho na Câmara do caso da denúncia contra Temer. Sinalizou que vai evitar o adiamento para agosto da votação, em plenário, da autorização ao Supremo para processar o presidente. Mas deixou claro que não tem lado na questão: “se nós atrasarmos esta votação, quem perde é o Brasil, independentemente do resultado”.