Na véspera da votação no plenário da Câmara da denúncia contra Temer pelo crime de corrupção passiva, a articulação política do presidente garante que avançou na conquista do apoio de deputados de partidos que estavam na linha de frente da dissidência governista: PSDB e PSB - este último, rompido com a aliança.

Na bancada tucana, líderes do Planalto estimam que, dos 46 integrantes, entre 20 e 23 deputados estariam com Temer. No PSB, dos 36 representantes do partido, a conta governista indica que 15 ou 16 deputados - que seguem a orientação da líder da bancada na Câmara, Tereza Cristina (MS), ou do ministro Fernando Coelho Filho, de Minas e Energia - também rejeitarão a denúncia contra Temer.

A mudança de cenário aconteceu ao longo do recesso, quando o governo liberou mais de R$ 10 milhões em emendas para o Ministério das Cidades, comandado pelo tucano Bruno Araújo, atendendo a pleitos de diversos partidos. Segundo líderes, a baixa mobilização contra Temer também poupou integrantes da base da pressão popular, que potencialmente poderia levar ao voto a favor do andamento da denúncia.

Além dos votos “sim” ao relatório do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB/MG), que é pela rejeição à denúncia,  o Planalto conta as abstenções e as ausências em plenário - que na prática conta como votos pró-Temer. Alguns integrantes da base informaram a líderes e ao próprio presidente que para não desagradarem as bases ou afetarem acordos regionais, devem evitar que seu nome conste no painel de votação. Pelas regras, para mandar para arquivo a denúncia, os governistas precisam de apenas 172 votos.