O governo federal deve anunciar ainda hoje as novas metas fiscais para 2017 e 2018. Após longa discussão interna, o déficit deve ser ampliado, nos dois casos, para acomodar o buraco nas contas causado pela frustração de receitas e evitar alta ainda maior de impostos. Em reunião no final da manhã no Planalto - continuação do encontro de quatro horas ocorrido nesta quarta - o presidente Temer vai bater o martelo sobre novas projeções.

Estima-se que a meta de 2017 seja recalculada para déficit de até R$ 158 bilhões, muito superior aos R$ 139 bilhões encaminhados ao Congresso em 2016. Já a meta para 2018, inicialmente estimada para déficit de R$ 129 bi, pode chegar a R$ 170bi. O maior temor da área econômica é que o recálculo cause um rebaixamento da nota de crédito do Brasil pelas agências internacionais de risco.

Com a mudança, o governo também perde parte do discurso de que as contas públicas estão sob controle e se prepara para enfrentar críticas. Após denúncias contra Temer, ocorridas em meados de maio, o Planalto perdeu apoio político e assistiu à interrupção das votações das reformas, almejadas pelo mercado.

Mas a dura reação de vários setores, ocorrida em ata semana, à possibilidade de aumento de impostos consolidou no governo a percepção de que não havia outra alternativa a não ser flexibilizar a meta. Temer adotará o discurso de que "este é um governo que não mente nem maqueia números" e utilizará o episódio para demonstrar que as reformas são cada vez mais urgentes, para permitir o re-equilíbrio das contas públicas e a retomada dos investimentos.