O presidente Michel Temer determinou ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que anunciasse ainda nesta terça a nova meta fiscal e evitasse mais um adiamento, como Meirelles chegou a prever pela manhã. A ordem vinda do Palácio causou grande corre-corre na Fazenda e no Planejamento.  A equipe acabou se atrasando em uma hora e meia, levando-se em conta a hora marcada para o anúncio, porque a exposição de motivos não estava pronta.

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, chegou à Fazenda quase uma hora depois do horário combinado e todos acabaram atropelados pelo líder do governo no senado, Romero Jucá, que confirmou números e medidas de ajuste antes da equipe econômica. Informado por assessores, só então Meirelles finalmente entrou no auditório, onde era esperado por dezenas de jornalistas.

Ao fazer a exposição, o ministro mostrou rara desorientação e insegurança, já que esperava ainda alterar estimativas para reduzir o rombo adicional de R$ 20 bi. Temer avaliou que a demora era negativa para o governo por, a um só tempo, passar a impressão de vacilação e permitir novas pressões por mais margem para gastar. Avaliou-se também que era inútil alterar para baixo a meta, baseado novamente em projeções de receitas ainda muito incertas, como projetos em negociação com o Congresso.

Ponderou-se que era preferível apresentar um resultado aquém da meta, no futuro, em caso de confirmação da receita, como ocorreu na em 2016. Agora o governo se prepara para eventual rebaixamentanto das agências de risco - fator que mais preocupa Meirelles, e para a dura reação dos servidores federais, afetados pelos cortes de despesas.