Ao final de um clássico dia de pré-candidato, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não mostrava o menor sinal de cansaço. Ao contrário, se dispôs a tirar selfies e até a gravar vídeos pelo celular com vários dos micro-empresários que compareceram à solenidade no Planalto. E voluntariamente se apresentou aos jornalistas para a enésima entrevista do dia.

O neo-emedebista também está disposto a apresentar  “seu legado” na Fazenda como principal plataforma eleitoral. Perguntado se seria capaz de encarar o corpo-a-corpo, como o ex-presidente Fernando Henrique, que, em visita ao Nordeste, chegou a montar em jegue e comer buchada de bode, para agradar eleitores, Meirelles diz que este tipo de contato não o assusta.

“Quando fui candidato em 2002, ao Congresso, por Goiás - aliás fui o mais votado na história do estado - eu percorri quase todas as cidades, mais de 200 municípios e gostei muito. Achei que foi uma experiência extraordinária, de contato com a população, de troca de experiência. E foi muito gratificante. Se me mete medo? De maneira nenhuma, me deixa motivado!”

O ministro - que deixa o cargo nesta sexta - diz que não se sente “sob teste” pelo MDB. O comando da legenda aguarda o desempenho de Meirelles no corpo a corpo com eleitores, para avaliar sua viabilidade eleitoral. Por enquanto, Meirelles funciona como “quadro que agrega confiabilidade ao governo e ao partido” - na explicação sintética do presidente do MDB, senador Romero Jucá.

O ministro também nega que seja o plano B do partido, caso Temer não decole como cabeça de chapa. “Não existe esta questão de ser plano A ou plano B de nada. O que existe é um processo decisório. O presidente ainda não decidiu se será de fato candidato ou não e eu também não tomei a minha decisão final” - declara.