O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já se tornou a noiva mais difícil da Esplanada. E está a ponto de desistir do projeto pré-eleitoral que o levou a mudar do PSD para o MDB no início da semana. Os graves desdobramentos das investigações envolvendo os emedebistas e os baixíssimos índices de intenção de voto desaconselham o cauteloso Meirelles a lançar-se na disputa.

O presidente e ministros próximos perceberam o movimento e tentam manter Meirelles como potencial vice, numa chapa encabeçada por Temer. Para esperar pela decisão de Meirelles, Temer adiou para a semana que vem as trocas de ministros. Se desistir de concorrer, o comandante da economia não precisa cumprir o prazo da desincompatibilização, que expira no dia 7.

O cerco ao ministro inclui o convite para acompanhar o presidente, nesta sexta, no final do dia, a Salvador, na Bahia, para posse da nova diretoria a FIEB - Federação das Indústrias da Bahia. As viagens lado a lado no avião presidencial possibilitam a proximidade que Temer deseja para levar Meirelles a se decidir.

Quem conhece bem o ministro diz que não se supreenderá se ele desistir da empreitada eleitoral no último minuto. Meirelles preza acima de tudo a própria imagem e é particularmente avesso a aventuras que podem resultar em desgaste. Controlador obsessivo, desagradou o ministro a “excessiva desenvoltura” da cúpula do MDB, que o teria atropelado durante o processo de sua filiação à legenda.