Avessa à publicidade e auto-promoção, a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia deixou claro que apenas cumpre a determinação constitucional ao substituir o presidente Michel Temer no Planalto por cerca de 32 horas, a partir das 11h da manhã desta sexta-feira. A ministra não autorizou fotos ou filmagens enquanto permaneceu no gabinete do terceiro andar do Planalto e sequer sentou-se na cadeira presidencial. Trabalhou todo o tempo instalada à uma mesa redonda, de reuniões.

Temer viajou à Lima, no Peru, para participar da VIII Cúpula das Américas e retorna no início da noite deste sábado. O líder emedebista é investigado pelo Supremo e foi denunciado pelo ex-procurador Rodrigo Janot no inquérito que apura corrupção nas relações entre o MDB e a JBS, de Joesley Batista. A ministra participará do julgamento da ação - razão adicional para que opte por manter atuação discreta e protocolar nas situações em que deverá substituir Michel Temer no Planalto.

Carmen Lúcia deverá assumir a presidência interina da República em pelo menos outras quatro ocasiões. Em uma delas, ficará no cargo por mais de uma semana. Temer tem viagem prevista para a Ásia no início de maio, quando passará por quatro países: Singapura, Tailândia, Indonésia e Vietna.

Ao final de maio, Temer viajará a Paris, para evento em que o Brasil anunciará estar livre da febre aftosa. Ao final de julho, irá à África do Sul para a reunião dos Brics. E em setembro, participa da Assembléia Geral da ONU, em Nova Iorque.

Em todas estas ocasiões, terão de deixar o país os presidentes da Câmara e do Senado. Rodrigo Maia e Eunício Oliveira são candidatos nas próximas eleições e, embora sejam respectivamente o segundo e o terceiro na linha sucessória da Presidência da República, não podem assumir na vaga de Temer, para não se tornarem inelegíveis