Em jantar nesta terça a ministra saboreou uma conquista previsível. Mamão com açucar. O PDT vai com Dilma, que pediu abertamente o apoio do partido - registre-se: primeiro movimento de verdadeira candidata. Assumiu ela mesma o comando da cena, que só dividiu com o deputado Paulo Pereira da Silva. Para colegas, Paulinho "fez boa figura" ao ressaltar a importância da aliança histórica entre petistas e trabalhistas. Estava presente também o velho pedetista de guerra Miro Teixeira, ex-ministro de Lula, é claro.

O líder do partido na Câmara, Dagoberto Nogueira, por dever de ofício, lembra que 90% da bancada estão com Dilma. Cauteloso, declara: "esta estratégia tem de avançar de baixo para cima, isto é, das bases, onde Dilma é pouco conhecida". É apenas uma salvaguarda para um improvável recuo.

A promessa é formalizar a aliança até março. Até lá, há tempo para o senador Cristóvam Buarque (PDT/DF) meditar sobre comparecer aos próximos jantares.

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É ver para crer. O senado pode decidir na semana que vem se acata sugestão da FGV de cortar 40% das vagas para servidores. A decisão deve entrar na pauta da próxima reunião da Mesa Diretora da Casa. Se os sete senadores que administram o Senado aprovarem a medida, ela irá à votação no plenário.

O problema é que a degola proposta atingiria também as vagas preenchidas por funcionários concursados. Como eles têm estabilidade, seria proposto um plano de demissão voluntária – algo fora da realidade. As vagas do senado são hoje das mais cobiçadas da Esplanada. Aliás, levantamento recente apontou que cerca de 350 dos servidores ganham acima do teto do funcionalismo – que é o salário dos ministros do Supremo, de R$ 24.500.

 Os sindicalistas que representam os funcionários estão em pé de guerra. Acreditam que a proposta vai aprofundar uma distorção: a que privilegia a ocupação das vagas por gente de confiança dos senadores.

 Hoje, os funcionários concursados do Senado são 3.300, contra 6.100 servidores em cargos de confiança e terceirizados. Uma conta rápida indica que são 116 servidores por senador. Tem razão a FGV quando pede o enxugamento, resta saber se a tesoura não está apontada para o alvo errado. E se o senado será capaz de usá-la.

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ciro gomes christina Ciro: PMDB pratica a pedagogia da chantagem

Ciro Gomes (PSB/CE)  reage ao veto dos pemedebistas à possibilidade de ser ele o vice numa chapa com Dilma Roussef. Numa entrevista nos estúdios da RecordNews Centro Oeste esta manhã, Ciro disparou: "o PMDB faz a pedagogia da chantagem". Os pemedebistas querem a vaga de vice para Michel Temer e ameaçam não compor a aliança com Dilma se for Ciro o escolhido.

O deputado reforça: "não falo mal do PMDB, que é um partido tão bom e tão mal quanto qualquer outro", mas declara que não teme dizer o que pensa neste momento: "Eu não vou transigir agora. A hora de transigir é depois. Quem transige na véspera, depois tem de entregar a alma".

Pré-candidato declarado, Ciro vem ultrapassando Dilma Roussef nas sondagens de intenção de voto para 2010. O deputado deixa claro que seu projeto não concorre com o da ministra. Se é assim, por que então simplesmente não adere à candidatura de Dilma? Outra vez, a explicação está na aliança preferencial com o PMDB: "o arco de forças preferencial que hoje sustenta a candidatura Dilma é assentado numa aliança do PT com o PMDB. Repito que a hegemonia moral e intelectual dessa coalizão é frouxa. A caricatura [desta situação] foi a crise do Senado" , declara.

Como qualquer político, Ciro não desconhece a importância da aliança do governo com o PMDB, maior partido do país: "eu não condeno a aliança. Aliança é um imperativo. Estou criticando não é a aliança. Quando a gente se reúne a gente faz o quê? Se nossa conversa puder ser assistida pelo povo, tudo bem."

A estratégia do deputado é de alto risco. Uma eventual candidatura Ciro certamente precisará contar com o PMDB. Sem falar no prejuízo para os planos de Lula se houver uma debandada de pemedebistas para o barco de José Serra. Mesmo assim, Ciro mantém o tom da crítica: "Dilma tem muito mais méritos s serem realçados do que esta tentativa de se valorizar escorado na crítica ao outro. Eles nem percebem o cacoete: o cachimbo está tão usado que está lá a marca [na boca]. Por essa ou por aquela razão eles podem mudar, saltar do Lula para o Serra. Já eu não posso. Por quê? Porque minha ética, meu compromisso com a população não me dá esta alternativa. Então eu não valho nada como aliado. Eu já tenho lado!"

(Veja íntegra da entrevista hoje, à meia noite,  no programa Brasília ao Vivo, da RecordNews)

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O senador Cristóvam Buarque (PDT/DF) está como Dorival Caymmi naquele samba: não vai “nem amarrado”. E olha que, na atual conjuntura, não há quem recuse um jantar com a ministra Dilma Roussef, que acaba de se abrir à articulação da pré-candidatura à presidência.

 Cristóvam quer ser candidato pelo PDT. Acaba de pôr seu nome à disposição do partido. Arrisca ficar sozinho em casa esta noite, enquanto os colegas de partido saboreiam o cortejo governista. Depois que Ciro Gomes cogitou ter o PDT, do ministro Lupi, na chapa, os trabalhistas viraram a noiva da vez.

 O senador é dado ao vôo solo – o que em política não termina em aterrissagem tranqüila.

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O presidente da Câmara, Michel Temer, não passou recibo na discussão sobre os salários-duplex – aqueles que estão muito acima do teto do funcionalismo. (O máximo que funcionários, magistrados e políticos podem ganhar dos cofres públicos é R$ 24.500,00 - salário máximo dos ministros do Supremo.)

 Temer, que acumula o salário da Câmara e o da Procuradoria do Estado de São Paulo, reagiu assim à pergunta sobre o tema: "Sou [beneficiário] e certamente, 5 mil, 10 mil, 15 mil servidores. Agora, vejo que vocês [jornalistas] deram especial preferência à Câmara ou ao Senado e se esqueceram de todas as instituições do país que também estão na mesma prática, onde ocorre a mesma coisa, na qual
não se aplica o teto porque não há regulamentação", afirmou.

Uns perseguidos, estes nossos parlamentares. Sarney, por exemplo, ganha R$ 52 mil dos cofres públicos, ao acumular salário e aposentadorias.

De fato, como destacou Temer, o problema de excesso de dinheiro na conta afeta todas as esferas de poder e todos os níveis do funcionalismo.

 

“Alguém tem de propor como executar a proibição constitucional e dizer como é que se cortam os salários” – argumenta Junnius Marques Arifa, secretário de Recursos do TCU, confirmando os ministros do Tribunal, que acham que falta lei.

 

O ministério público acha que não falta lei e que a constituição é auto-aplicável. Pelo visto vão faltar “alguéns” para propor o uso da tesoura.

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O chamado "salário duplex" - que, no serviço público, alcança cifras como R$ 40 mil, R$ 50 mil ou R$ 60 mil, somando vencimentos com aposentadorias - está por um fio.

Inconformado com a recente decisão do Tribunal de Contas da União, que oficializou a vista grossa aos supersalários, o Ministério Público vai por às claras o abuso e a afronta à Constituição.

Será feito um cruzamento de dados entre dois megacadastros públicos: o RAIS, Relatório Anual de Informações Sociais, e o CIAP, Cadastro dos Funcionários da Administração Pública.

Os procuradores já calculam que vão encontrar milhares de casos de salários que extrapolam os R$ 24,5 mil, atual teto do funcionalismo.

A malha fina deve alcançar gente graúda, como integrantes de tribunais, governantes e parlamentares.

Os dados serão levados ao Ministério do Planejamento, como provocação para o enquadramento dos supersalários à Constituição.

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Tem a resposta na ponta da língua e quer influir no debate sobre a questão ambiental? Então, chegou a hora. E vai ser pela internet - uma plataforma eletrônica, onde qualquer pessoa poderá dizer o que pensa sobre as mudanças climáticas e sobre o que espera do novo acordo climático global . A novidade faz parte do programa Visões Globais do Clima, criado pelo Comitê Dinamarquês de Tecnologia e desenvolvido no Brasil em parceira com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV.

O programa já ouviu 100 moradores de São Paulo sobre o tema mais quente da atualidade. Foi durante uma consulta que envolveu ao todo 39 países simultaneamente. O sucesso da iniciativa levou a FGV a ajudar a manter a plataforma no ar até o final da Conferência do Clima, no mês de dezembro em Copenhagen. A idéia é fazer com que a opinião popular influa sobre o que os governantes vão decidir. Se é que vão decidir.

E caiu a ficha da população: a consulta revelou que cerca de 90 % dos entrevistados consideram as mudanças climáticas uma questão urgente e querem um acordo climático como resultado da Convenção do Clima, no final do ano.  Parte dos entrevistados, 23%, acha que preço dos combustíveis precisa ficar mais caro. Mas, 43% consideram que essa medida deve valer apenas para os países que queimam mais combustíveis fósseis e  emitem poluentes.

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O prazo de filiações para a eleição de 2010 terminou no último sábado e o que se viu foi uma espantosa revoada de políticos em busca de um ninho mais seguro para a disputa. Exatamente um ano antes do pleito, 3 de outubro, a maioria confiou na manutenção do mandato. Mas corre risco. A justiça eleitoral reforçou a importância da fidelidade partidária ao estabelecer que o mandato pertence ao partido. Portanto, mudou de ninho, perdeu o aconchego!

Democratas e PDT já avisaram que vão à justiça tomar os mandatos dos infiéis. O Dem, partido em franco processo de extinção, não só não ganhou nenhuma filiação, como perdeu quatro deputados. O PDT também encolheu, perdeu três e ganhou apenas um.

O PMDB sofreu uma verdadeira lipo-aspiração: perdeu nada menos que 8 deputados, de uma bancada de 96. Mas não vai brigar na justiça. É grandioso, esse pemedebe.

A onda verde de Marina Silva arrastou do PT dois deputados rumo ao PV. O comando petista ainda não decidiu se vai atrás dos mandatos dos ecologistas neo-natos. É provável que deixe por isso mesmo. O partido do presidente Lula, surpreendentemente, não atraiu nenhum deputado.

Proporcionalmente, o nanico PSC foi o que mais lucrou. O partido recebeu 5 adesões, saltando de 12 para 17 deputados.

Ao todo, o troca-troca envolveu 28 deputados de diversos partidos.

As mudanças também afetaram as forças do Senado. De agosto para cá foram 4 mudanças de partido. Assim, o PMDB ficou com 17 senadores, o PSDB com 15, o DEM com 13 e o PT com 11. (Com apuração de TACIANA COLLET e ÂNGELA DE OLIVEIRA, TV Record)

Para ver a lista completa dos deputados e senadores que aderiram ao troca-troca, clique aqui.

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O ministério da Educação acaba de anunciar a ruptura do contrato com o consórcio Connasel, que permitiu o vazamento do Enem - o Exame Nacional do Ensino Médio. Mais de 4 milhões de estudantes deixaram de fazer a prova no último fim de semana. O exame é um dos pré-requisitos para a entrada no ensino superior. O presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, afirmou que com o "distrato bilateral" o ministério pretende dissociar a questão da apuração do vazamento com a da realização da nova prova.

O consócio, antes privado, agora será substituído por um público, que reúne Cespe (da Universidade de Brasília) e Cesgranrio. O ministério trabalha com a hipótese de aplicar a prova na primeira semana de dezembro.

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As contas são da ONU e são assustadoras. A desigualdade social ainda é o grande desafio brasileiro. Com todo o esforço de inclusão que se fez no país nos últimos anos, ainda há um abismo inaceitável entre os brasileiros. Os 10% mais ricos se apropriam de 43% da riqueza nacional. No outro extremo, os dez por cento mais pobres ficam com apenas 1%!

Para se ter uma idéia do que isso significa, veja o índice da Noruega, país número um no mundo para se viver, segundo a ONU: os 10% mais ricos detém 23% da riqueza. A parcela correspondente da população mais pobre tem 4%.

Os dados espantam porque no intervalo de cinco anos (de 2003 a 2008) nada menos que 31 milhões de brasileiros subiram de classe social. Destes, quase 20 milhões deixaram a classe mais pobre, a "E", que tem renda inferior a R$768,00. E também ascenderam na escala social, deixando a classe "D", que tem renda até R$1.114,00, outros 1,5 milhão de cidadãos.

Neste período, 43% dos realmente pobres deixaram de ser pobres - segundo classificação em estudo Fundação Getúlio Vargas, com base em dados do IBGE.

Ainda assim, o Brasil ficou estático na posição de número 75 no hanking dos 182 países analisados pelas Nações Unidas. Estes países são comparados entre si, observando-se três aspectos: saúde, educação e renda per capita. O IDH brasileiro está em 0,813. O da Noruega, 0,971. Olhando assim os números, não parece nada. Olhando para nossos hospitais, escolas e para a condição de vida do povo, vê-se que é um abismo.

Para completar, entre os "brics" - o grupo de emergentes que inclui Brasil, Rússia, Índia e China - o Brasil acaba de perder a liderança para a Rússia, que está na posição 71 no hanking de desenvolvimento humano.

Pergunta aos navegantes de 2010: deu para entender o tamanho do dever de casa?

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