Causou revolta entre os integrantes da audiência pública na Câmara dos Deputados nesta terça a frieza com que o representante da entidades hospitalares, Emanuel Araújo, tratou as mortes em hospitais privados provocadas por erros médicos ou de procedimentos das instituições de saúde. "As pessoas precisam entender que hospital é um lugar onde morre gente" - disse Araújo.

"Ele deveria completar: e onde se mata gente!" - declara o ex-deputado e presidente da Embratur Flávio Dino, que perdeu um filho de 13 anos em fevereiro, internado de emergência no Hospital Santa Lúcia, em Brasília, em circunstâncias que levam a suspeitar de erro médico. Na audiência pública, a deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ) pediu a interdição do Santa Lúcia.

Nesta quinta-feira, Flávio Dino tem reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto, para apresentar proposta de criação de varas e juizados especializados em causas referentes a questões de saúde, inclusive negligencia médica. "São milhares de casos que caem na vala comum e terminam em impunidade" - diz Dino.

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Esta manhã, na Câmara dos Deputados, a ministra Míriam Belchior, do Planejamento, está convocada a dar explicações sobre a suspensão de concursos públicos federais, determinada há um ano. Ela será ouvida às 10h na Comissão de Trabalho. Belchior deve anunciar que não há previsão para a retomada de concursos ou contratações na esfera federal.

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Publicada no final de março de 2011 no Diário Oficial da União, a portaria 39/11 do Planejamento, também suspendeu por tempo indeterminado a ocupação de vagas por concursados na administração pública federal direta e indireta. É o que tecnicamente se chama de "autorização para provimento de cargos".

A suspensão foi incluída no pacote de austeridade baixado pela presidente Dilma logo no início do governo, como forma de enfrentar os efeitos da crise econômica internacional. No último ano, a posição do governo federal não mudou quanto à necessidade de contenção de gastos para formar caixa. A expectativa é que a ministra não apresente data para o fim da suspensão.

A medida é criticada pela autora do requerimento de convocaçao de Belchior, a deputada Andréia Zito, do PSDB do Rio. Para a parlamentar, a iniciativa do governo federal apenas favoreceu a contratação de funcionários terceirizados - método freqüentemente condenado pelo PT, quando oposição, que o chamava de "desmonte da máquina pública".

Levantamento de 2011 indica 129.213 terceirizados na administração federal - número que a deputada considera muito aquém da realidade.

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Quem pensa que Brasília é só o eldorado de políticos, na maioria corruptos, nem imagina a injustiça que comete com a cidade. A imagem da capital acaba afetada pela péssima fama de maus dirigentes, de parlamentares venais e de autoridades que não honram a atribuição pública que lhes foi entregue. Mas aqui é o único lugar onde o rei está realmente nu - isto é, onde a verdade vem à tona e é exposta a todo o país. É, acima de tudo, uma cidade feita de gente normal, que aprecia a vida.

Onde mais você encontraria um ministro de Estado na fila da padaria, esperando pacientemente a sua vez, como qualquer cidadão educado? Basta chegar no final da tarde na padaria Bellini, para deparar-se com o ministro Jorge Hage, da Controladoria Geral da União, voltando do expediente e comprando pão fresco para o jantar.

Numa caminhada pelas entrequadras inventadas por Lúcio Costa e Niemeyer, na Asa Sul, é possível trocar um cordial "bom dia" com o agora presidente do Supremo, Ayres Britto - uma das três autoridades mais importantes do país - vestido no seu moleton de ginástica, ensaiando uma corridinha. Ou ainda bater um papo matinal, caminhando ao lado do senador Eduardo Suplicy, que desfila seus músculos de ex-pugilista, em ótima forma aos 71 anos. Mas, trate de agüentar a passada firme e larga do paulista!

Se escolher um bom filme para assistir, no domingo, um daqueles que a capital brasileira do cinema oferece para iniciados - e cada brasiliense é um crítico feroz da sétima arte! - não se surpreenda se encontrar o eterno chanceler e hoje ministro da Defesa, Celso Amorim, cinéfilo inveterado, que tem orgulho de trazer no currículo a passagem pelo comando da Embrafilme, extinta em 1990 por Collor. Lá estará ele de braço dado com a esposa, Ana Maria, na fila e de bilhete na mão.

Nesta cidade, onde as autoridades de bom senso também são simples cidadãos, também é possível assistir a uma cena tipicamente brasiliense, mas comum a qualquer centro urbano que ofereça alguma qualidade de vida a seus habitantes: um casal com seus dois filhos e dois cães, que aproveita o belo pôr do sol à beira do Lago Paranoá, para fechar o domingo com uma caminhada, numa fresca tarde de abril.

Eram o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a mulher, Gleisi Hoffmann, ministra da Casa Civil, e seu casal de filhos. Simpáticos, cumprimentam quem os aborda e param para trocar uma palavrinha com conhecidos, como qualquer cidadão. Detalhe: os cães, dois labradores, são filhos do cachorro da presidente Dilma Rousseff, o Nego, que, passeando na mesma beira de lago ao lado da dona, estrelou o último filme da campanha eleitoral que a levou à vitória.

Cenas de Brasília, cidade onde o rei está nu. E isto é ótimo.

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A propósito do aniversário de Brasília, por sugestão do jornalista Márcio Motta, revisitei parte da história da nossa cidade. E encontrei no Youtube o memorável documentário “Brasília: contradições de uma cidade nova” do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, rodado quando a capital tinha apenas 7 anos de vida. A narração é do poeta Ferreira Gullar e a trilha musical traz a vigorosa voz da jovem Maria Bethania.

As imagens são espantosas para quem vive na Brasília de hoje. Os depoimentos, ainda mais pungentes, revelam a esperança de vida nova, o espírito de aventura dos candangos, e a desilusão de muitos que só encontraram sofrimento no eldorado do Planalto Central.

Vale a visita ao link:

Brasília - Contradições de uma Cidade Nova por perolasblogs no Videolog.tv.

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Experimentei 32 dos 52 anos desta cidade que hoje aniversaria. Tinha apenas 20 anos a cidade que me recebeu e que, então, era uma larga avenida de oportunidades para uma jovem de quatorze anos que teria sua vida definitivamente vinculada e até ditada por Brasília. Esta menina mineira estava apenas repetindo a história tão comum dos brasilienses por adoção, mas que também é única, individual e intransferível.

Nestas mais de três décadas, a cidade, desde cedo batizada de Capital da Esperança, foi se revelando o espelho perfeito de um país também em construção. Por alguma razão, aqui, a céu aberto, neste pedaço de Planalto escolhido por JK, as agudas diferenças do Brasil ficam mais expostas, mas também sua capacidade de superação, pela criatividade e persistência dos brasileiros de todas as cepas que aqui se reúnem.

Mazelas como a trágica miséria que se empilha nos arredores da cidade, e que nos garante a bofetada diária em cada semáforo ou praça; como as dificuldades ainda elementares de atendimento decente nos serviços públicos; como a violência urbana, que promove espetáculos cotidianos absurdos, como se nos despertasse para o tamanho da tarefa ainda a ser cumprida.

Mas persistimos sempre. Vamos buscando soluções, instalando e depondo governos, acertando e errando, mas expondo às claras para o restante do Brasil essa sua cara brasileira e brasiliense, que se transforma junto com o País.

Agora, a senhora de 52 anos, mais que nunca experimenta com entusiasmo os efeitos da estabilidade econômica. Faz vista grossa para a escalada sem sentido dos preços de bens e serviços, para a proliferação inacreditável de automóveis, para o inchaço doentio de sua periferia, para as agressões ao seu plano arquitetônico e ao seu meio-ambiente.

Esta senhora vive a euforia do crescimento. Olha para frente, confiante que depois de resolvidas as carências elementares, encontrará tempo e saída para os demais problemas. Repete o Brasil em tudo. É espelho, mas também corpo e alma deste País.

Já não somos mais tão jovens, eu e você, minha cidade querida. Mas persistimos. E deve ser isso que nos mantêm vivas.

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De Cartagena, Colômbia

A cena em si foi a comprovação de que algo de novo está acontecendo no cenário mundial. No palco pomposo da Cúpula Empresarial de Cartagena, com bandeiras gigantes de seus países ao fundo, Dilma e Obama pareciam destacados do grupo de 33 chefes de estado e de governo presentes na VI Cúpula das Américas.

Na platéia, a presidente argentina, com o sempre sombrio traje preto, acompanhou com ar de fastio. Os mexicanos citados por Obama de passagem apenas uma vez, viram o Brasil assumir um discurso que jamais ousaram fazer e que pode nao ter tido consenso entre os empresários, mas fez vibrar parte da mídia que acompanhou o evento.

Dilma disse com todos os efes e erres o que pensa do protecionismo disfarçado de política monetária dos americanos, reforçou a necessidade de negociações de igual para igual, sem o ranço arrogante dos ricos.

Obama vestiu a carapuça. Bateu de volta com sutileza, lembrando que é bom para todos que os Estados Unidos vençam a crise, porque lá está o principal mercado dos irmãos latinos. E ainda tentou pespegar em Dilma e nos colegas bolivarianos a imagem de retrógrados, ao mencionar que esquerda e direita não resolveram todos os problemas e que nao dá para culpar os velhos "yankees" por tudo de errado que acontece no mundo.

Obama, mais do que nunca, falou para seu eleitorado em casa, e nao esboçou movimento ao ser cobrado explicitamente pelo anfitrião, Juan Manuel Santos, quanto ao fim do bloqueio a Cuba. O americano estava visivelmente desconfortável na situação de completo isolamento entre seus pares. "O discriminado que discrimina", atirou Evo Morales, da Bolívia, em declaração à imprensa.

A desenvoltura de Dilma surpreendeu. Para alguém que há um ano sequer discursava de improviso, foi um salto vertiginoso. Disse o que pensa sem provocar crise. Concorde-se ou não com o mérito de suas colocações, o desempenho da presidente marcou ponto para o Brasil, agora no papel de interlocutor da "América não-yankee".

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De Cartagena, na Colômbia

O presidente dos Estados Unidos não é um estranho no ninho, como George Bush ao lado de seus 33 parceiros latinos da VI Cúpula das Américas. Mas encontrará um grupo cada vez mais altivo em suas convicções, e disposto a dizer certas verdades que o americano terá de ouvir sem torcer o nariz. Não por temor aos seus pares, mas por razões eleitorais. Obama-candidato vai a Cartagena, sede da Cúpula, disposto a mostrar intimidade com os latinos e esbanjará simpatia e sorrisos largos, de olho no voto do eleitorado de origem cucaracha nos Estados Unidos.

Mas enfrentará contradições. Cumprindo a tradição, Cuba protagonizará a ausência mais presente da Cúpula. O país é vetado no evento por causa do embargo americano, que completa 50 anos, à ilha de Fidel. "Esta é a última Cúpula as Américas sem Cuba" - disse a presidente Dilma, há poucos dias, ainda em solo americano, em mais uma de suas "dilmices" - como se diz em Brasília, quando a petista abusa no tom e na autoridade. Ainda assim, refletiu o estado de ânimo de seus colegas latinos, ao expressar que a paciência e a tolerância ao embargo estão chegando ao fim.

Obama vai ter de engolir mais uma vez a reclamação, que é quase unânime entre os colegas e que desta vez até virou protesto: o presidente do Equador, Rafael Correa, se negou a comparecer ao encontro por considerar "absurda e desumana" a manutenção do veto a Cuba. Até Hillary Clinton, Secretária de Estado americana, que acompanha Obama na missão, considera o embargo "um grande equívoco".

Dólar - Outra cobrança que deve turvar o desejado mar de rosas da viagem de Obama a Cartagena é a discussão em torno da desvalorização artificial do dólar. Para Dilma, os Estados Unidos estão "exportando" a crise e afetando a competitividade dos emergentes ao adotarem tal política.

Antes mesmo da abertura da conferência, Dilma e Obama, acompanhados do anfitrião, Juan Manuel Santos, testarão suas chances junto a representantes de 500 multinacionais, que vão do setor bancário à mineração, presentes à Cúpula Empresarial. Ambos vão vender o próprio país como Meca de bons negócios.

Pela primeira vez, a presidente Dilma vai dividir a cena com o americano numa arena que é das suas preferidas - um teste de maturidade na vitrine internacional e diante das câmeras e dos teclados de mais de mil e trezentos jornalistas estrangeiros.

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De todos os aspectos atípicos do escândalo que arrasou com a reputação do senador Demóstenes Torres, um, em particular, chama a atenção: a demora do parlamentar em apresentar sua defesa. Há dezoito dias o ex-democrata não se refere ao episódio, seja a partir da tribuna do senado, seja por entrevista, seja pelo twitter ou blog pessoal.

Também nao há registro de interlocutor com o qual Demóstenes se abra ou de assessor próximo a quem manifeste o que pretenda fazer. O único a quem o senador se reporta com fequência tem sido o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Nos dias críticos, como a segunda-feira, dia 2, as ligações passam de uma dezena. Nestes casos, ambos discutem tecnicamente medidas a serem tomadas perante a Justiça. Com sólida formação jurídica, Demóstenes dialoga em pé de igualdade com Castro, mas costuma acatar as ponderações do advogado, experiente em casos de políticos enrascados.

O sumiço estratégico do senador já precipitou uma conseqüência política e prática: a ameaça de processo expulsão do DEM, que acabou se transformando em ruptura do parlamentar com o partido. O comando do Democratas esperou pelas explicações de Demóstenes, mas, diante da demora, decidiu abandonar o correligionário antes de ser também arrastado pelo escândalo.

Com a iminência do processo de cassação por quebra de decoro, aproxima-se o momento de Demóstenes quebrar o silêncio. Anda que no Conselho de Ética do Senado deva ser provavelmente um dos últimos a ser ouvido, precisará apresentar explicações ao colegiado e ao senado como um todo.

Embora seu advogado tenha ressaltado que Demóstenes só vai se pronunciar quanto tiver conhecimento amplo do inquérito e, principalmente dos grampos - passam de 50 os DVDs com gravações da investigação, que durou três anos - o "tempo da política é diferente do tempo jurídico", como bem lembrou o próprio Castro.

Vai passando a hora do senador Demóstenes apresentar sua defesa. A não ser que não tenha explicações a dar. Ou que esteja escolhendo outro caminho, que o leve a prestar esclarecimentos apenas perante a Justiça. Ainda assim, ficará devendo à tribuna que o acolheu de boa fé por nove longos anos.

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Um simples sorteio entre os 18 membros do Conselho de Ética do senado escolherá, amanhã, o relator da representação apresentada pelo PSOL contra o senador Demóstenes Torres (Ex-DEM/GO). A instalação da investigação é dada como certa. O PMDB faz os últimos acertos políticos para que o senador Vital do Rego (PMDB/PB) assuma a presidência do órgão de investigação.

"Até esta noite teremos a confirmação do nome" — diz representante do partido, que considera certa a escolha do peemedebista. Vital do Rego é o atual Corregedor do Senado e deverá deixar a função para exercer a presidência do Conselho de Ética. O PMDB descarta a hipótese de o cargo — estratégico na Casa — ser entregue ao PT, que, por sua vez, sugere o nome de Wellington Dias (PT/PI) para pressionar os peemedebistas e acelerar o processo de escolha.

Estão em andamento as conversações para que o presidente Sarney nomeie outro corregedor para a vaga de Vital do Rego - última pendência para a definição do titular do Conselho. A decisão é fundamental para a definição do destino político de Demóstenes Torres.

A reunião do Conselho de Ética está marcada para as 14h desta terça. Depois de eleito o presidente, deve haver a leitura da representação do PSOL, que pede cassação do mandato de Demóstenes Torres por quebra de decoro parlamentar. O presidente do Conselho decide se acata a representação. Em seguida, sorteia-se o nome do relator, obedecendo à mudança no regimento do Conselho. Após a escolha, o colegiado discute e aprova um cronograma de trabalho que deve prever a tomada de depoimento de testemunhas. Há prazos a serem respeitados nesta etapa.

Salvo o surgimento de um fato novo no escândalo Cachoeira, ou a apresentação de um trunfo inesperado na defesa do senador, politicamente Demóstenes Torres, que mantém silêncio sobre as denuncias há mais de 15 dias, é considerado virtualmente cassado.

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Deixando de lado, mas mantendo intocada a nossa sacro-santa indignação, há que se fazer uma pausa para observar o caráter absurdo e até cômico do escândalo Cachoeira. Que sirva como exercício para a nossa sanidade mental.

Senão vejamos: muitos sao os indícios deixados pelos grampos telefônicos feitos pela polícia federal de que o bicheiro Cachoeira apreciava ouvir cascata - com o perdão do trocadilho -, principalmente se o autor da empulhaçao fosse o senador Demóstenes Torres, a quem Cachoeira atribuía poderes sobrenaturais.

Basta uma audição mais atenta dos insólitos diálogos gravados para perceber que o senador, com diplomacia inédita, promete o que nao pode entregar, aparenta atender ordens que sabe nao poder cumprir, e dá asas a idéias e projetos sem qualquer relação com o factível.

Deixemos também de lado o fato de Cacheira soar como um perfeito Jeca-tatu nos diálogos que trava com seus companheiros de armação, utilizando-se de um linguajar mais próximo ao de um peão de rodeio goiano que de um empresário milionário do jogo ilegal.

Cachoeira se presta a acreditar que Demóstenes Torres pudesse, por exemplo, deixar o Dem para migrar para o PMDB - quando até os pombos da Esplanada sabem que, além de absurda do ponto de vista político, a troca levaria à cassação de mandato do senador por infidelidade partidária. Demóstenes, no entanto, dá corda para a fantasia e para a ambição do bicheiro ao faze-lo acreditar que a presidente Dilma teria interesse em recebe-lo, ainda que um democrata no vigor da sua forma.

Ambos tratam do assunto como se a entrada de Demóstenes num partido governista tivesse o condão de lhe franquear imediato acesso ao gabinete de Dilma. Integrantes da base aliada sabem que é possível contar nos dedos os parlamentares que tem transito com a presidente.

Aliás, a migração de Demóstenes tinha de ser para o PMDB, claro! Afinal, no partido, cabe todo mundo. Suprema ironia!

Chega a ser ridícula a crença de Cachoeira de que Demóstenes seria capaz de influenciar na decisão de um ministro do Supremo em favor de qualquer de seus protegidos ou potenciais sócios, como o ex-governador de Tocantins, Marcelo Miranda. Ou ainda, que o senador pudesse influir no processo de votação de um projeto sobre a criminalizaçao do jogo, sendo que o texto estava em votação numa comissão da Camara. "Manda brasa!" - diz Cachoeira a Demóstenes, dando-lhe ordem para agir em favor de uma lei que tramitava na outra Casa.

Todavia, em todas estas ocasiões, o senador se mostrou solicito e incapaz de dizer nao ao chefe da máfia do jogo ilegal, fazendo-o acreditar que seu desejo seria satisfeito, reforçando a crença do bicheiro em seus super-poderes. Pois, sao estes mesmos diálogos que agora o estão levando à ruína.

E o que dizer de um escândalo cujos atores coadjuvantes sao deputados que atendem pelos inacreditáveis nomes de Leréia e Sandes Júnior?

Caros leitores, vivemos tempos miseráveis, em que até os escândalos desceram de patamar. Perdoem a rima, mas, também neste caso, antes rir do que chorar.

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