O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), está fazendo uma limpeza prévia em sua equipe para evitar a contaminação com o episódio que em menos de um mês aniquilou com a carreira de um dos mais representativos políticos goianos: o senador Demóstenes Torres, ex-democrata, pilhado em suas relações impróprias com o bicheiro Carlos Cachoeira. Perillo tem deixado claro que sacrificará cabeças coroadas para evitar que elas arrastem seu governo para o escândalo. O combinado é que os citados no inquérito da polícia federal se demitam antes desgastar o governo.
Foi exatamente o que aconteceu nos últimos dois dias: a chefe de gabinete do tucano, Eliane Pinheiro, e o diretor do Detran, Edivaldo Cardoso, se anteciparam e entregaram logo os cargos, deixando claro que o gesto era em defesa do governo. "Não posso colaborar em transformar o Governo do Estado, a que servi com dedicada abnegação, em alvo de especulações da mídia." - declara Pinheiro, que tornou pública sua carta de demissão horas depois de Perillo declarar à reportagem da TV Record/Goiania que qualquer pessoa envolvida com o caso seria "exonerada imediatamente".
O mesmo roteiro seguiu o diretor do Detran, Edivaldo Cardoso, que admite que a associação de seu nome com o caso Cachoeira traz problemas ao governador. "É claro que isso cria a possibilidade de constrangimentos ao Governo de Vossa Excelência" - declara Cardoso na carta de demissão dirigida a Perillo nesta quarta - "não me restando alternativa que não aguardar o desenrolar dos fatos até que a sanha de uns se satisfaça e volte a prevalecer o verdadeiro Estado democrático de Direito", completa.
Não se sabe se Perillo vai conseguir se livrar do problema com esta estratégia. Nem se terá uma Páscoa mais tranquia. O nome do próprio governador é citado em conversas de Cacheira grampeadas pela polícia. Um dos diálogos dá a entender que o bicheiro palpitava em nomeações para o governo.
O inquérito da operação Monte Carlo tem cerca de 50 DVDs e 15 volumes de documentos. O conteúdo deste material tem espalhado nervosismo em Goiania, onde Cacheira, antes de virar alvo de investigação policial, mantinha relações estreitas com a alta sociedade, financiava campanhas de políticos e emprestava dinheiro, criando relaçoes de vassalagem por todo canto. As revelaçoes de menos de 5% desta documentação já afetaram seis parlamentares federais e dois governadores. Ninguém sabe mais qual é o fundo do poço do escândalo.












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