30 setembro 2009
Mudança de rumo?
Publicado por: Herbert MoraesA apenas um dia do encontro entre o Irã e os países que compõe o Conselho de Segurança da Onu, Israel mudou a estratégia e adotou um tom mais ameno, de apoio à sanções mais rigorosas que devem desestabilizar a já abatida economia iraniana.
O discurso que Israel divulgou nos últimos dias para jornalistas do mundo inteiro é que abalando ainda mais o frágil sistema financeiro do Irã, comprometeria também o regime dos ayatolás - que enfrenta, desde a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, ondas de protesto. Jornais americanos como o The New York Times divulgaram hoje que o Primeiro Ministro de Israel, Benyamin Netanyahu está, fazendo lobby no congresso americano e tenta impor a decisão por sanções severas ao Irã.
A mudança de rumo da diplomacia israelense provocou um certo alívio na comunidade internacional, já que poucos dias atrás o governo falava apenas em um ataque às instalações nucleares do Irã e cinicamente criticava a tentativa americana de solucionar a questão através do diálogo. Mas há uma explicação para isso, caro internauta. E está intimamente ligada a aposta que o governo Obama fez ao anunciar o fim dos planos de um escudo anti-mísseis no Leste Europeu, e que a Rússia entendia como uma ameaça.
Com o fim da idéia implantada pelo governo Bush, os russos poderiam apoiar as sanções que serão colocadas contra o Irã. Os ayatolás contam com o apoio da china e da rússia nas decisões do G6. Os dois países já anunciaram que são contra novos embargos. Mesmo assim o presidente Obama acredita numa virada.
O diálogo que começa esta semana deve durar até dezembro quando as novas sanções deverão ser implementadas. Encontros intermináveis devem acontecer até lá. E todos sabem que esta é a última parada antes da formação de um cenário militar de ataque às intalações nucleares do Irã. E pelo andar da carruagem, Israel agora deve mostrar a Obama e à comunidade internacional que está pronto para discutir a exaustão todas as opções não-militares. Os israelenses entenderam que o momento é de negociação.
A bola agora está com os EUA. A revelação de que o Irã possui outra instalação nuclear em Qom, ao norte de Teerã, inflamou o discurso do Secretário de Defesa Robert Gates que disse claramente que o programa nuclear iraniano tem outros fins, e não são pacíficos. Os EUA começam a mostrar as cartas e entre as sanções mais severas deverá pedir a suspensão de investimentos estrangeiros na indústria de petróleo e gás do Irã, além de novas restrições bancárias. Mas mesmo que aprovem o embargo, será que o Irã, depois de 15 anos em busca da energia atômica, irá suspender o projeto que vai transformar o país dos ayatolás numa potência nuclear?














