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13 outubro 2009

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Dirigente sul-africano se irrita e defende Joel Santana

Publicado por: Luiz Monteiro

dirigente Dirigente sul africano se irrita e defende Joel Santana

Hamymond Hack defende Joel, em entrevista

A imprensa sul-africana iniciou esta semana, e dessa vez com força total, as pressões para a saída do técnico Joel Santana do comando da seleção. Não querem nem mesmo esperar o resultado do amistoso desta noite (15h10, pelo horário de Brasília, 20h10, pelo horário sul-africano) quando os Bafana Bafana enfrentam a Islândia, na casa do adversário. Os nórdicos estão na posição 96 do Ranking da Fifa. A África do Sul está na septuagésima segunda colocação. O clima por aqui ficou ainda mais pesado depois da derrota de um a zero para a Noruega, no último sábado, em Oslo.

Todos os jornais são unânimes em especular sobre a volta de Carlos Alberto Parreira ao comando da equipe. E dizem que o amistoso desta terça será decisivo para o futuro de Joel. O tablóide Sowetan estampou na primeira página: “Parreira está a caminho”. Em letras menores, o texto informa que o anúncio pode ser feito na próxima sexta-feira. Outra manchete é a seguinte: “Até logo Santana, Olá Parreira”.

A reportagem do Sowetan diz que Parreira já foi contactado por representantes da Federação sul-africana de futebol – Safa – e aguarda apenas pelo retorno da delegação. O Jornal chega a divulgar o salário oferecido ao brasileiro. Seriam 1,8 milhão de Rands, o equivalente a R$ 500 mil por mês. Valor superior aos atuais R$ 400 mil pagos a Joel.

Hamymond Hack Dirigente sul africano se irrita e defende Joel Santana

O dirigente se irrita com especulações da imprensa

Nossa reportagem apurou que o contrato de Joel inclui outros benefícios como moradia em hotel 5 estrelas, carro com motorista vinte e quatro horas e passagens de primeira classe entre São Paulo e Johanesburgo para o treinador e a família.

Conversei com Mazola Molefe, editor de Esportes do Sowetan. O jornalista disse que a permanência de Joel é insustentável porque “ficou clara a queda de rendimento da seleção sul-africana depois que Joel assumiu o comando do time”. Joel foi indicado pelo próprio Parreira, que voltou ao Brasil depois que sua esposa teve problemas de saúde. Já com a situação contornada, Parreira, segundo Molefe, já declarou estar pronto para voltar. “Joel é retranqueiro”, explica. Outra desvantagem de Joel em relação à Parreira é que o primeiro não é fluente em Inglês.

Observando o histórico de jogos da seleção da África do Sul sob o comando dos dois brasileiros, verifica-se que Joel perdeu mais, mas jogou mais. Com Parreira foram 21 jogos: 9 vitórias, 6 empates e 6 derrotas. Com Joel, os Bafana Bafana fizeram 26 jogos. São 10 vitórias, 3 empates e 13 derrotas.

As especulações sobre a troca de comando na seleção têm tirado a paciência de alguns cartolas do futebol sul-africano. Coincidentemente, eu tinha agendado para esta terça-feira uma entrevista com  Raymond Hack, Diretor-executivo da Safa, para falar sobre os preparativos dos “Bafana” para a Copa do Mundo. Quando entramos em sua sala, Hack nem deu boa tarde. Já foi esbravejando: “não me façam perder tempo dizendo que estão aqui pra falar da Copa. Vocês querem falar de Santana e Parreira, não é isso?”

jornal Dirigente sul africano se irrita e defende Joel Santana

Jornal sul-africano garante volta de Parreira

Surpreso com o tom mal-educado, argumentei que tínhamos outro interesse também. No caso, a preparação da África do Sul para a Copa. E que se fosse pra falar apenas sobre demissão ou contratação de alguém, eu teria esperado o resultado do jogo contra a Islândia. Não adiantou. Foram mais uns 5 minutos de discussão. Depois, mais calmo, ele se desculpou. Aproveitei que ele estava de cabeça quente com o assunto e disse que começaríamos a entrevista falando sobre Joel. Hack confessou que está chateado com a pressão da imprensa. E partiu em defesa do atual treinador e do auxiliar técnico, Jairo Leal. “Santana é um trabalhador, tem família, tem um contrato a cumprir. Como podem fazer isso com ele? O Jairo também faz um excelente trabalho”, disse em relação às manchetes.

Quanto aos resultados (7 derrotas nos últimos 8 jogos), o dirigente disse que não está preocupado. “O que vejo é uma evolução técnica e tática da equipe. Caso contrário, aí sim, teríamos feito mudanças”.

Pergunto a Hack se ele tem conversado com Carlos Alberto Parreira (aqui eles pronunciam o sobrenome do brasileiro de uma forma que soa como Pereira). “Gostamos muito de Parreira. Mas a última vez que liguei pra ele foi no Natal”.

Então não vai haver demissão de Santana em caso de derrota esta noite, perguntei. “É claro que não. Vocês vão demitir o Dunga por ele ter perdido pra Bolívia? É claro que não. Santana continua”, assegurou o dirigente.

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