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16 outubro 2009

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Joel Santana: “não tenho o melhor time do mundo”

Publicado por: Luiz Monteiro

Quinta-feira, 11h10 da manhã em Johanesburgo. Ligo para o técnico Joel Santana pedindo uma entrevista para a Rede Record. Joel atende com voz de cansaço. “Luiz, acabei de chegar da Islândia, 16 horas de viagem, nem passei em casa ainda. Me liga na segunda que eu atendo vocês com prazer.” Argumentei que precisava de informações o quanto antes, uma vez que a semana foi intensa de especulações sobre uma eventual demissão do treinador. Joel disse que retornaria se mudasse de idéia.

Joel Santana Joel Santana: não tenho o melhor time do mundo

Joel Santana: África do Sul vai se preparar no Brasil

À noite, quando cheguei em casa, vi duas chamadas não-atendidas no celular. Era o treinador. Liguei de volta e ele brincou: “Não quer falar comigo?”. Respondi que tinha ido à academia e deixado um dos telefones em casa. Joel fez graça outra vez. “Academia? Então deve estar forte. Vou te contratar pra ser meu segurança”.  

Percebendo o bom-humor, imaginei que ele tivesse reconsiderado. E foi o que aconteceu. Convidou nossa equipe para uma entrevista no dia seguinte em seu apartamento, na região mais nobre de Johanesburgo. O brasileiro estava solto, tranqüilo. “Vamos embora, filho, liga isso aí”, disse ao cinegrafista Douglas Oliveira.

Câmera ligada, o treinador reconheceu que a semana em que perdeu dois amistosos fora de casa – Noruega e Islândia – foi turbulenta. “A tsunami passou”, disse em relação à ameaça de demissão por conta dos resultados. A imprensa sul-africana pressionou pela saída de Joel. Deram como certa a volta de Carlos Alberto Parreira. Mesmo assim, a Safa, Federação Sul-africana de Futebol, manteve Santana no cargo, como o Blog dos Correspondentes adiantou na última terça-feira. Na entrevista gravada para a Rede Record hoje, 16 de outubro, o técnico disse que não tinha o melhor time do mundo, mas que o trabalho vai render frutos. E informou que a África do Sul deve se preparar para a Copa do Mundo na Granja Comary, casa da Seleção brasileira, em Teresópolis. 

Veja os principais momentos da conversa:

Repórter - Você fica?

Joel Santana – Foi muita pressão, né? A Tsunami passou. Mas agora as coisas estão tranquilas.  Conversei com meu gerente geral (Raymond Haack, diretor da Safa). Ele disse que não ligou pra ninguém, que eu continuo no cargo. Falou o mesmo que disse quando eu vim pra África: “Esquece os jornais, esquece a televisão. O que você tiver que saber, vai saber por nós". Ele sabe o que está acontecendo.

Repórter – O que está acontecendo?

Joel Santana – Quando cheguei aqui, há um ano e quatro meses, percebi que faltava experiência internacional à equipe. Pedi pra fazer jogos difíceis, em situação adversa, fora de casa, com times de expressão. Sabe o que eu podia fazer depois da Copa das Confederações? Podia ficar quietinho aqui, jogando contra equipes locais. Mas preferi dar experiência aos meus jogadores.

Repórter – Como é sua relação com a imprensa sul-africana?  

Joel Santana – Semana passada um repórter fez uma pergunta muito pesada. Eu disse que ele estava sendo infeliz, baseado com a qualidade de informações que ele tem acesso. Depois disso ele foi mais ameno. Ele me disse que eu deveria conversar mais com a imprensa sul-africana. A partir da próxima semana vou arranjar um encontro de meia hora a cada duas semanas para explicar melhor o nosso trabalho.

Repórter – O Maradona xingou a imprensa argentina essa semana. O que você achou disso?

Joel Santana – Eu respeito. Respeito o direito de expressão. Cada um reage de uma maneira. Sabe o que acontece? Sai muita informação errada nos noticiários. Eu não faria isso, mas respeito. Acho que a imprensa aqui na África do Sul faz o papel dela.

Repórter – Até porque é natural cobrar vitórias, não?

Joel Santana – Claro, minha profissão vive de resultados. E eu não estou feliz com as derrotas. É compreensível, mas não é aceitável. É até difícil eu dizer isso, bem contra várias equipes e perdemos. Foi assim contra a Alemanha, contra a Islândia, contra a Noruega. Fomos melhores em muitas situações.

Repórter – O que está havendo dentro de campo?

Joel Santana – Muitos dos meus jogadores não estão jogando em seus clubes. Estão no banco. Ficam duas, três semanas sem jogar. Aí chega aqui e não estão na melhor forma. Estou trabalhando com o quinto goleiro. Meu goleiro principal que jogou a Copa das Confederações está com o dedo quebrado. Um dos meus principais zagueiros, o Booh, fez cirurgia no tornozelo. Não tenho o melhor time do mundo. Mas também não tenho o pior. Tenho me surpreendido positivamente com muitos jogadores. Estamos trabalhando e vamos conseguir nossos objetivos.

Repórter – Os anfitriões da Copa vão se preparar no Brasil?

Joel Santana – Está quase tudo certo. Fechamos o ano com a lista de 80, 90% dos jogadores para 2010.   Vou passar meu aniversário no Brasil (Joel Natallino Santana faz aniversário em 25 de dezembro) e volto pra preparar os últimos detalhes. Passaremos uma temporada na Granja Comary (Teresópolis). Vai ser bom pra nós e pro Brasil. Em março vamos ao Chile fazer um amistoso e depois voltamos para o Rio.

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