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15 dezembro 2009

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Mandela, o Invencível

Publicado por: Luiz Monteiro

joel stransky 450 Mandela, o Invencível

Eu e Joel Stransky, o herói sul-africano de 95

Começo dos anos 90. Entrevista coletiva para o lançamento da autobiografia de Nelson Mandela, A Long Walk to Freedom. Um repórter pergunta quem Madiba gostaria que o interpretasse no cinema. A resposta veio automática:  “Morgan Freeman”, disse o líder sul-africano.

Meses mais tarde, Freeman encontrou-se com o então presidente e disse: “Se você quer que eu o interprete, preciso passar algum tempo ao seu lado”. Depois de vários almoços, jantares e muita conversa, o ator tinha a composição do personagem.

Acabei de chegar do cinema, no Shoping Sandton City, o maior de Johanesburgo. Estranhamente colocaram a fita para ser exibida numa das menores salas do complexo, com capacidade para cerca de 120 expectadores. Resultado: muita gente amontoada para assistir Invictus, dirigido por Clint Eastwood.

O filme destaca a preocupação de Mandela (Freeman) em unir o país depois de anos de Apartheid. Naquela época, o clima no país era tenso. A eleição do primeiro presidente negro da África do Sul trazia a possibilidade de uma revanche da maioria negra contra os brancos. E foi justamente o esporte considerado elitista o escolhido pelo novo lider político para unir a Rainbow Nation, ou, Nação Arco-íris, como o país é chamado. Mas a opção não foi assimilada facilmente. A primeira aparição do presidente numa partida de Rugby gerou vaias e protestos. Poucos entenderam o gesto.

Mandela foi contrariado até mesmo por assessores próximos, que tentavam orientá-lo a não se envolver com o esporte preferido dos brancos. Mas ele resolveu que chegara o momento de trabalhar intensamente para envolver todos os sul-africanos. A Copa do Mundo de Rugby de 1995, realizada no país, atrairia a audiência de 1 bilhão de expectadores mundo afora. Oportunidade única para Madiba alcançar seu objetivo. Para tanto, o presidente iniciou uma série de encontros com o capitão da equipe, François Pienaar (Matt Damon).

Freeman e seu produtor, Lory MacCreary, tentaram adaptar o livro de Mandela para as telas. Mas logo perceberam que o conteúdo resultaria numa produção de mais de 4 horas, impensável no formato Hollywoodiano atual. A solução foi comprar os direitos do livro Playing the Enemy, do escritor John Carlin, onde o foco é a conquista do campeonato e o apoio do então presidente ao time de Rugby.

O filme já rendeu a Clint Eastwood o Prêmio de Melhor Diretor, concedido pela National Board of Review, a Associação de Críticos de Cinema dos Estados Unidos. Freeman dividiu o prêmio de Melhor Ator com George Clooney, por Amor Sem Escalas. A maioria da crítica tem elogiado Invictus, que poderá concorrer ao Oscar.

“Estou muito orgulhoso”, disse Freeman ao site The Grio, ressaltando que Invictus está na lista dos 10 melhores filmes de 2009. Na entrevista, Freeman diz que tira o chapéu para o roteirista Anthony Peckham, nascido e criado na África do Sul durante o Apartheid.

Eu conversei com ex-jogador Joel Stransky, da Seleção Campeã mundial de 1995. Foi dele – digamos assim – o gol que deu o título à África do Sul. Stransky, de 42 anos, é conhecido como o herói de 95. Hoje gerencia uma grande empresa de rastreamento de veículos por satélite. Simpático e humilde, recusa o título de herói e lembra que iniciou a partida no banco de reservas. Credita o campeonato ao grupo e ao apoio dos sul-africanos.

A julgar pela reação da platéia, brancos e negros, Freeman fez o dever de casa e convenceu no papel de Madiba. O público aplaudiu ao final do filme. Filas enormes do lado de fora indicavam que as sessões seguintes seriam concorridas e o sucesso, garantido. Durante o filme foi impossível não pensar na Copa do Mundo do ano que vem. Fiquei imaginando Mandela, debaixo de seus 91 anos, chegando na tribuna do Soccer City, em Johanesburgo, reverenciado pela torcida, acompanhando a partida de abertura do mundial. Deverá ser um show à parte. Afinal, invencibilidade é com ele mesmo.

Mandela, o Invencível.


Começo dos anos 90. Entrevista coletiva para o lançamento da autobiografia de Nelson Mandela, “A Long Walk to Freedom”. Um repórter pergunta quem Madiba gostaria que o interpretasse no cinema. A resposta veio automática: “Morgan Freeman”, disse o líder sul-africano.

Meses mais tarde, Freeman encontrou-se com o então presidente e disse: “Se você quer que eu o interprete, preciso passar algum tempo ao seu lado”. Depois de vários almoços, jantares e muita conversa, o ator tinha a composição do personagem.

Acabei de chegar do cinema, no Shoping Sandton City, o maior de Johanesburgo. Estranhamente colocaram a fita para ser exibida numa das menores salas do Complexo, com capacidade para cerca de 120 expectadores. Resultado: muita gente amontoada para assistir “Invictus”, dirigido por Clint Eastwood.

O filme destaca a preocupação de Mandela (Freeman) em unir o país depois de anos de Apartheid. Naquela época, o clima no país era tenso. A eleição do primeiro presidente negro da África do Sul trazia a possibilidade de uma revanche da maioria negra contra os brancos. E foi justamente o esporte considerado elitista o escolhido pelo novo lider político para unir a Raibow Nation, ou, Nação Arco-iris, como o país é chamado. Mas a opção não foi assimilada facilmente. A primeira aparição do presidente numa partida de Rugby gerou vaias e protestos. Poucos entenderam o gesto.

Mandela foi contrariado até mesmo por assessores próximos, que tentavam orientá-lo a não se envolver com o esporte preferido dos brancos. Mas ele resolveu que chegara o momento de trabalhar intensamente para envolver todos os sul-africanos. A Copa do Mundo de Rugby de 1995, realizada no país, atrairia a audiência de 1 bilhão de expectadores mundo afora. Oportunidade única para Madiba alcançar seu objetivo. Para tanto, o presidente iniciou uma série de encontros com o capitão da equipe, Francois Pienaar (Matt Damon).

Freeman e seu produtor, Lory MacCreary, tentaram adaptar o livro de Mandela para as telas. Mas logo perceberam que o conteúdo resultaria numa produção de mais de 4 horas, impensável no formato Hollywoodiano atual. A solução foi comprar os direitos do livro “Playing the Enemy”, do escritor John Carlin, onde o foco é a conquista do campeonato e o apoio do então presidente ao time de Rugby.

O filme já rendeu a Clint Eastwood o Prêmio de Melhor Diretor, concedido pela National Board of Review, a Associação de Críticos de Cinema dos Estados Unidos. Freeman dividiu o prêmio de Melhor Ator com George Clooney, por “Amor Sem Escalas”. A maioria da crítica tem elogiado Invictus, que poderá concorrer ao Oscar.

“Estou muito orgulhoso”, disse Freeman ao site The Grio, ressaltando que “Invictus” está na lista dos 10 melhores filmes de 2009. Na entrevista, Freeman diz que tira o chapéu para o roteirista Anthony Peckham, nascido e criado na África do Sul durante o Apartheid.

Eu conversei com ex-jogador Joel Stransky, da Seleção Campeã mundial de 1995. Foi dele – digamos assim – o gol que deu o título à África do Sul. Stransky, de 42 anos, é conhecido como o herói de 95. Hoje gerencia uma grande empresa de rastreamento de veículos por satélite. Simpático e humilde, recusa o título de herói e lembra que iniciou a partida no banco de reservas. Credita o campeonato ao grupo e ao apoio dos sul-africanos.

A julgar pela reação da platéia, brancos e negros, Freeman fez o dever de casa e convenceu no papel de Madiba. O público aplaudiu ao final do filme. Filas enormes do lado de fora indicavam que as sessões seguintes seriam concorridas e o sucesso, garantido. Durante o filme foi Impossível não pensar na Copa do Mundo do ano que vem. Fiquei imaginando Mandela, debaixo de seus 91 anos, chegando na Tribuna do Soccer City, em Johanesburgo, reverenciado pela torcida, acompanhando a partida de abertura do mundial. Deverá ser um show à parte. Afinal, invencibilidade é com ele mesmo.

Legenda para foto: Joel Stransky, o herói sul-africano de 95

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