18 março 2010
A relação entre Brasil e Israel
Publicado por: Heloisa VillelaUma foto sobre o conflito no Oriente Médio, no New York Times, chamou a atenção do meu filho mais velho. Tomas tem apenas 10 anos. Antes que ele lesse a legenda da foto, eu perguntei:
- Tomas, qual é a diferença entre as duas frases: "Palestinos mascarados participam de distúrbios em Jerusalém" e "Palestinos mascarados participam de protestos em Jerusalém"?
- Na primeira, parece que eles estão fazendo algo errado.
Pois é, até uma criança de dez anos entende a diferença que uma palavra faz.
O New York Times, não é segredo prá ninguém, escolheu um lado nesta disputa entre Israel e os palestinos faz tempo. Os grupos de lobby pró-estado de Israel são atuantes e ricos. Financiam campanhas de deputados, senadores e presidentes americanos. Também exercem influência sobre a imprensa do país que é quase toda como o New York Times. Parcial e pró-Israel. Para se ter uma idéia do que pensa o outro lado, o que passam os palestinos, é preciso ler os árabes. O site da Al Jazeera, em inglês, é, sem dúvida, o melhor contraponto. Mas duvido que um bom número de americanos busque, ali, uma visão diferente sobre o tema.
E o Brasil com isso?
Para quem está aí, talvez seja difícil perceber. Mas o país passa por um momento de muito prestígio internacional. A situação econômica e o desempenho da diplomacia brasileiras tem sido motivo de muitos elogios na imprensa do mundo rico: de direita, centro e esquerda.
Por isso, acho interessante essa investida do governo brasileiro na região. Não sei se o Brasil pode, deve ou vai conseguir mediar alguma coisa neste conflito tão antigo, tão complexo e aparentemente sem saída. Mas a iniciativa, por si só, produz algo positivo. Deixa claro que os Estados Unidos não têm condição de intermediar a disputa porque têm um lado, não são neutros. Agora, enquanto o Presidente Lula viaja pela região, surge uma aparência de desentendimento entre Israel e Estados Unidos.
Em visita ao país, o vice-presidente Joe Biden foi surpreendido pelo anúncio de que Israel vai construir 1.600 novos apartamentos em uma área de Jerusalém que os Palestinos reivindicam como parte da futura capital deles. Foi uma indelicadeza do governo de Israel fazer o anúncio durante a visita de Biden. Ou será que não? A gente nunca sabe o que acontece nos bastidores e as manobras para usar a imprensa e manipular a opinião pública. Mas uma pulga atrás da minha orelha começou a coçar... Será que os americanos estão precisando mostrar que também cobram atitudes de Israel, quando é preciso? Será que querem reconquistar o lugar de fiel da balança? Provar que são a potência capaz de pressionar os amigos, em Israel, a fechar algum tipo de acordo? Será muita pretensão achar que essa investida brasileira já apresenta alguma consequência? Ou será que nosso complexo de vira-lata não permite imaginar que a atuação verde-amarela no exterior possa ter ter tanta importância?
O que vocês acham?
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