23 abril 2010
Voo rasante
Publicado por: Mauro TagliaferriO maior problema é a indecisão. Você chega ao aeroporto, e a mocinha do guichê da TAP – ela mal fala inglês – informa que o seu voo para casa foi cancelado, que não há qualquer previsão de nova decolagem e que a companhia aérea não vai devolver seu dinheiro e nem pagar suas despesas extras de hospedagem e alimentação porque não tem culpa se um vulcão resolveu encher o céu da Europa de cinzas.
Tudo isso é chato. Mas o maior problema é a indecisão: e agora? Encarar 60 horas de trem, sete trocas de composição, carregando mulher, filho e bagagem? Apelar para 26 horas de ônibus até o aeroporto aberto mais próximo? Esperar o vulcão acalmar? E se não acalmar?
Foram quatro dias assim, até que surgiu um voo caríssimo que nos levou de volta para Lisboa.
E seria apenas uma aventura de férias a mais para contar aos amigos se meu “caos aéreo” não houvesse começado bem antes de o tal vulcão despertar. A British Airways me deixou dois dias sem uma de minhas malas. A húngara Malev me vendeu um bilhete aéreo de Budapeste para Viena, mas no aeroporto, descobri que se tratava de passagem de ônibus! Aliás, de van! (cuidado ao comprar seu bilhete pela internet…) E a Iberia, alegando que o voo estava lotado, me fez comprar assentos na classe executiva. Ao embarcar, surpresa: o avião estava vazio.
Sem citar o ritual de segurança: tira casaco, cinto, sapato, moeda, celular – e o detector de metais ainda apita! Não contente, o agente pede que você abra e experimente todas as papinhas de bebê que leva na bolsa. Quem aguenta?
Serviço de bordo, então, é algo que não existe mais. Quer comer no avião? Pague! Na próxima vez, levo uma marmita. E sorte minha que tenho esse mísero 1,75 metro de altura. Uns cinco centímetros a mais, e meus joelhos bateriam na poltrona da frente.
Agora, as empresas aéreas pensam em pedir ajuda financeira aos governos europeus para compensar as perdas que tiveram na última semana. O contribuinte, que já salvou alguns bancos (e os bônus de seus executivos) na última crise econômica, talvez tenha de desembolsar mais algum para ajudar essa gente que nos trata como gado.
Se depender de mim, não pago um centavo. Ao contrário: quero meu dinheiro de volta.
Só para constar: o resto das férias foi ótimo!
Um abraço,
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