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3 maio 2010

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Decepcionada com o Brasil, Fifa cobra compromisso do país

Publicado por: Luiz Monteiro

Em tom de irritação, o Secretário-geral da Fifa mandou um recado direto às autoridades brasileiras nesta segunda-feira, durante uma cerimônia no estádio Soccer City, em Johanesburgo: “Vocês assinaram um compromisso. Passou da hora de cumpri-lo”. O francês Jerome Valcke foi irônico ao cobrar agilidade do país sede do mundial de 2014. . “Esse ano tem eleições e ano que vem carnaval. Quando o Brasil vai começar a trabalhar?

Valcke participou de uma cerimônia de distribuição de ingressos para operários que trabalharam na construção e reforma dos 10 estádios da Copa da África do Sul. Ao todo, serão doados 120 mil tickets, comprados por empresas que patrocinam a Fifa. 54 mil vão para os trabalhadores, que terão direito a um acompanhante. E 66 mil vão beneficiar crianças carentes que participam de programas sociais da entidade.

Jerome Valcke1 Decepcionada com o Brasil, Fifa cobra compromisso do país

O secretário Jerome Valcke: "Quando o Brasil vai começar a trabalhar?"

Conhecido pelo estilo educado e sem meias palavras, o francês afirmou que o Brasil está incrivelmente atrasado. “Recebi um relatório que mostra um monte de pontos vermelhos”, referindo-se a cronogramas não cumpridos pelas autoridades brasileiras. “Vão ver se ganham a Copa de 2010 para começar a trabalhar?”, quis saber dos repórteres.

De acordo com as notícias enviadas por representantes da Fifa no Brasil, apenas metade das 12 cidades que vai sediar os jogos de 2014 iniciou as obras de infra-estrutura. O Secretário não deu detalhes sobre quais cidades ou problemas o incomodavam. Mas informou a data em que as cobranças ganharão mais peso: 12 de julho de 2010, um dia depois do fim da Copa da África do Sul. “Há um ano eu disse que o Brasil não tinha tempo a perder, mas a advertência não foi levada a sério”, lamentou, referindo-se a uma entrevista concedida à imprensa brasileira durante a Copa das Confederações, em junho do ano passado.

Perguntado se o mundial de 2014 corria o risco de mudar de sede, Valcke misturou diplomacia com ameaça. “Não vamos chegar a tanto, mas uma luz vermelha foi acesa no Brasil”. O Secretário-geral da Fifa disse que se tranqüilizou com um telefonema do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que anunciou um plano de modernização dos aeroportos no país. Mas cobrou agilidade de todas as esferas de governo envolvidas na Copa, sejam municipais, estaduais ou federal.  “A Copa é um pacto entre o governo, o Comitê Local e a Fifa, e o país de vocês está parado”, disse, referindo-se aos correspondentes brasileiros.

Após a entrevista, o Secretário da Fifa deu mais uma demonstração, ao seu estilo, de que estava irritado. Ao passar por um repórter brasileiro que falava ao celular, perguntou, sorrindo: “já está passando minhas reclamações para o Brasil?”.

Cantos e vuvuzelas no Soccer City Decepcionada com o Brasil, Fifa cobra compromisso do país

Operários comemoram doação de ingressos para a Copa

A cerimônia no Soccer City reuniu cerca de 300 operários que trabalharam na construção do estádio. Em clima de festa, eles entoaram “Shosholoza”, uma canção tradicional na África do Sul. “É um reconhecimento ao nosso trabalho simples, mas pesado”, disse o carpinteiro Dalson Machaba, que ganha o equivalente a 400 Reais por mês e vai poder levar o filho de 10 anos ao estádio.

O carpinteiro Dalson Machaba Decepcionada com o Brasil, Fifa cobra compromisso do país

Satisfeito com o ingresso, o carpinteiro Dalson Machaba sopra a vuvuzela: "Nosso trabalho é simples, mas duro"

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