27 maio 2010
Seleção em casa
Publicado por: Luiz MonteiroDepois das oito horas e meia de vôo entre Brasília e Johanesburgo, a Seleção finalmente desembarcou no país da Copa. Com uma bola de futebol pintada no nariz, o avião da TAM tocou a pista do aeroporto Oliver Tambo às 7h09 da manhã desta quinta-feira de céu claro, sol e um friozinho de 13 graus.
Para evitar tumulto e empurrões na passagem dos jogadores entre os torcedores, o desembarque foi feito no terminal de cargas. Curiosamente, o deslocamento do aeroporto até o hotel The Fairway foi feito em ônibus executivo comum, no lugar dos veículos oficiais cedidos por um dos patrocinadores do Mundial. 11 BMWs da polícia sul-africana fizeram a escolta durante os 35 quilômetros de trajeto. A ajuda da polícia facilitou o deslocamento. Foram apenas 20 minutos até a concentração. Até porque não foi necessário perder tempo nos inúmeros e irritantes semáforos de Johanesburgo que não são sincronizados, fazendo o motorista parar em cada esquina da cidade.
Eu levei mais de uma hora para chegar à casa da Seleção. Em um ano e meio vivendo aqui, sempre tive esperança que as “autoridades” de trânsito perceberiam essa falha no sistema. Mas como até agora nada foi feito, imagino que o tráfego vai ficar pior com a chegada dos 370 mil turistas esperados. Até porque estão fazendo blitz na hora do almoço, quando muitos motoristas estão se deslocando. Não custava nada usar o bom senso e facilitar o tráfego. Mas pensar dói e dá dor de cabeça.
Quem pensou e facilitou o trabalho da imprensa foi a CBF, que organizou uma coletiva momentos depois da chegada da equipe. A entrevista foi liberada para todos os jornalistas, mesmo quem não estava credenciado. Situação oposta ao que ocorreu na última semana quando cartolas sul-africanos resolveram encerrar o credenciamento de uma final de torneio local 5 dias antes do jogo. Como se o futebol do país estivesse com a bola cheia. Mas por aqui é comum confundir burocracia com segurança. E o resultado é que algumas emissoras de rádio e tv internacionais deixaram de divulgar a final do campeonato para alguns países interessados em esporte.
No encontro de hoje, Dunga e o auxiliar Jorginho responderam todas as perguntas dos repórteres. Pareciam até bem humorados. Nada mal para o primeiro dia de trabalho numa cobertura que poderá durar quase 50 dias, caso o Brasil chegue à final.
A seleção foi o segunda equipe a desembarcar na África do Sul, depois da Austrállia, que chegou um dia antes, quase sob anonimato. Nesta quinta-feira, a edição do principal jornal de Johanesburgo estampou na primeira página uma foto que mostrava Kaká cumprimentando funcionários do aeroporto durante o desembarque. A manchete dizia que os melhores jogadores do mundo estavam achando tudo maravilhoso.
Como eu disse uma vez numa reportagem para o Jornal da Record, o amarelo dita a moda na África do Sul. É a cor principal dos Bafana Bafana e do segundo time do coração deles. Uma pesquisa feita por empresa de consultoria do país revelou que de cada 10 sul-africanos, 6 irão torcer pelo time de Parreira por questões de patriotismo. E 3 vão torcer pelo time de Dunga logo de cara, reconhecendo que os Bafana não devem ir muito longe na competição. Por isso é comum vermos tantos torcedores usando camisas do Brasil nas ruas do país. Se depender do carinho das arquibancadas, nossos jogadores já estão se sentindo em casa.
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