5 junho 2010
O Coach recordista
Publicado por: Luiz Monteiro
Parreira se prepara para a entrevista
Ele diz que a pressão é a mesma de dirigir o Brasil, por se tratar do país anfitrião. Mas qualquer um pode notar que Carlos Alberto Parreira está mais leve e solto do que nas últimas cinco Copas do Mundo, onde ele treinou o Kwait, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Brasil, por duas vezes. Talvez porque todos saibam que a África do Sul não tem tradição em futebol.
“Você liga a TV na Liga da Europa e vê jogadores brasileiros e de outros países africanos. Mas nenhum sul-africano”, costuma dizer. Agora, o Coach, como é chamado pelos atletas, vai bater um recorde. Seis participações em Copas como treinador. "Sem falsa-modéstia, isso não me importa", disse.
Mesmo com uma opinião realista sobre o futebol do país, Parreira conquistou o coração dos sul-africanos desde a primeira passagem pelo comando da seleção. Quis o destino que seu substituto, Joel Santana, sofresse com resultados negativos e perdesse o cargo a menos de 10 meses do Mundial.
Quando técnicos locais fizeram pressão para dirigir os Bafana Bafana, a Confederação sul-africana bancou o retorno de Parreira, que tinha voltado ao Brasil por problema de saúde com a esposa.
“De cada 10 negros que o veem na rua, todos os reconhecem. O mesmo já acontece com os brancos, que antes só assistiam aos jogos de Rugby”, explica Jairo Leal, auxiliar técnico, sobre a popularidade do técnico.
Perguntado sobre o fracasso de 2006, quando o Brasil não cumpriu as expectativas e ainda foi duramente criticado pela preparação na Suíça, com treinos cercados de fãs, ele recusa o ônus individual.
“Todos perderam. Eu e os jogadores”. Mesmo assim Parreira diz que não se arrepende de nada. Conta que depois do sucesso no Corinthians, foi levado quase que naturalmente ao comando da seleção.
Zagallo chegou a aconselhá-lo: “vai voltar pra quê? Você já é campeão e pode se queimar”, disse o Velho Lobo. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, precisou de 7 horas numa reunião para convencê-lo a retornar ao comando da seleção.
Na entrevista exclusiva exibida no Esporte Fantástico, Parreira relembrou a trajetória com o Brasil, afirmou que a África do Sul pode surpreender, mesmo tendo México, Uruguai e França pela frente. E falou com emoção sobre Nelson Mandela.
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