8 junho 2010
Vovó Zela
Publicado por: Mauro Tagliaferri
Foto: Reuters
Na época, a tal corneta nem tinha nome. Hoje, eu a chamaria de “vovó Zela”, pois essa história tem mais de vinte anos.
Morava com meus pais, e tínhamos um vizinho que torcia para um time detestável. Qualquer gol de qualquer equipe contra o time dele me bastava como pretexto para correr até a janela e assoprar a corneta com toda força. Para ajudar, nossos prédios formavam um corredor que amplificava aquele som de berrante. As persianas chegavam a tremer. Era a glória!
E havia muitas daquelas cornetas nos estádios do Brasil. Depois, sumiram. Desconfio que foram proibidas, não pelo barulho, mas porque poderiam acabar, de cima para baixo, na cabeça de alguém durante um desentendimento futebolístico.
Outro dia, ouvi a entrevista de um empresário, na África do Sul, dizendo que ele tinha inventado a “vuvuzela”. O sujeito reivindicava a patente do instrumento. E tem gente que acredita nessas lorotas.
Chacrinha deu o alerta: “tudo se copia”. E Cazuza explicou: “eu vejo o futuro repetir o passado, vejo um museu de grandes novidades”.
Um abraço,
Mauro Tagliaferri
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