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14 junho 2010

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O sofrimento do torcedor

Publicado por: Luiz Monteiro

de Johanesburgo

Mal a Copa começou e algumas teorias estão comprovadas. A primeira delas, verificada na partida entre Holanda e Dinamarca, é que a logística de acesso ao Soccer City é equivocada. As poucas ruas ao redor foram fechadas pela polícia num perímetro bem distante da arena. Apenas veículos credenciados passavam. Com isso, o sistema de Park and Walk (estacione a caminhe) abusa da boa vontade do torcedor que paga caro por um ingresso e ainda é obrigado a andar quase 3 quilômetros até o estádio. Por mais que a prática da caminhada faça bem, o trajeto foi mal finalizado. Quando há calçada, o espaço é estreito. E em boa parte as pessoas não têm alternativa que não a de andar em trilhas de barro vermelho, quase sumindo na poeira. Sem contar que para os jogos noturnos, o caminho estará muito mal iluminado/. O prezado torcedor terá que penar na gelada noite do inverno de Johanesburgo sofrendo com o frio e torcendo para não pisar em falso num buraco ou tropeçar numa pedra. Fico imaginando a via crucis para senhoras idosas ou crianças que se aventurem em assistir a um jogo no Soccer City. Os ônibus que deveriam conduzir os passageiros até a porta do Soccer City são raros.

estadio ok O sofrimento do torcedor

Foto por Constâncio Coutinho

Outra cena que intrigou a maioria das pessoas foi a grande quantidade de terrenos sem nenhuma finalidade ao redor do estádio. Áreas enormes foram cercadas para guardar nada. Estão ali para  dificultar o acesso direto, quando ao menos podiam servir como estacionamento para os pobres mortais. Parece que os engenheiros, com a chancela da Fifa, seguiram a irônica frase que diz “se podemos complicar, pra que facilitar?”. Situação semelhante acontece no Ellis Park, no centro de Johanesburgo, onde o Brasil enfrenta a Coréia do Norte nesta terça, 15. Encravado no meio dos prédios comerciais e residenciais, simplesmente não há estacionamento algum ao redor do estádio. É um cenário que me lembra as críticas de especialistas feitas ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo. É uma pista de pouso curtinha que surge, do nada, no meio de uma selva de pedra.

Voltando ao jogo do Soccer City, quem lamentou ainda a viagem ao estádio foram os torcedores que acreditaram que o deslocamento por via férrea seria a melhor opção. Numa espécie de promoção, foi oferecida até o estádio viagem gratuita até a Estação Nasrec aos que possuiam tickets. Em lugar de comodidade, o que se viu foi uma sequência de atrasos das composições. O resultado é que muita gente só entrou no Soccer City quando a partida já estava no intervalo. Em um ano e meio que vivo em Johanesburgo arrisco dizer que ninguém tomará nenhuma providência para aliviar os transtornos causados, repito, a quem pagou ingressos caros para assistir aos jogos. Os policiais vão continuar observando o caos no trânsito, muitas vezes causado por eles mesmos. A prefeitura vai continuar fingindo que oferece conforto ao torcedor, e a Fifa vai intensificar a “operação vista grossa para a Copa na África do Sul”. Lembrem-se do que disse o sincero secretário-geral da entidade, Jerôme Valcke: “não teremos com o Brasil a paciência que tivemos com a África”. Ou seja, o que está incorreto aqui não será corrigido.

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