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19 julho 2010

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Minha melhor Nova York

Publicado por: Adriana Araújo

timesquare novayork Minha melhor Nova York

Times Square, Nova York / Getty Images

Costumo dizer que nasci com o chip das pessoas facilmente adaptáveis. Belo Horizonte, Brasília, Sāo Paulo, Nova York...

Sempre que preciso partir penso que a próxima parada da viagem vai ser super-interessante, cheia de novidades  e, assim, fica mais leve se despedir dos lugares, dos amigos e seguir adiante.

Mas me despedir de Nova York foi diferente. Bem mais difícil do que o habitual. Você vai pensar: "claro! Nova York ė Nova York. Quem não sairia com o coração apertado?" Verdade. A cidade tem milhões de encantos - a arquitetura maravilhosa, os museus, todo tipo de atração cultural, o Central Park, as pechinchas sedutoras e humm... - a gastronomia.

A chef frustada que vive aqui dentro de mim diz que os restaurantes nova-iorquinos vão me fazer muita falta. Mas a minha melhor Nova York, aquela que vai deixar saudade pra sempre, é outra. Vou sentir falta da cidade que me permitiu viver um ano com mais liberdade. E me deu várias lições de respeito ao próximo.

A cidade que tem calçadas rebaixadas, em todas as esquinas, pra quem precisa de cadeira de rodas. A cidade que tem ônibus adaptados para todos com alguma dificuldade de locomoçāo. E motoristas preparados para recebê-los. A cidade que me devolveu um direito elementar, tantas vezes esquecido aqui no Brasil.

Recuperei em Nova York a tranquilidade de poder sair de um restaurante-balada com os amigos às 3 horas da madrugada, pegar o metrô sozinha e seguir mais alguns quarteirões a pé até em casa. E sem pensar nas hipóteses assalto ou sequestro-relâmpago. Vivi em Nova York a experiência de deixar a minha filha de 12 anos andar sozinha até a escola, pegar o metrô sozinha pra se encontrar comigo em algum lugar.

Nāo tem assaltos em Nova York? Claro que tem. Não como aqui. Segurança é a regra. Não a exceção. A cidade das estações de metrô cheias de ratos, sujas e quentes vai me fazer uma falta danada. Pois foi ali que redescobri o direito de ir e vir. A qualquer hora e de qualquer jeito.

Brincava com minhas amigas que um dia iríamos passear pela cidade com um figurino do tipo "louca por um dia" - calça roxa, blusa prateada, bota amarela, maquiagem berrante, cabelos de maria chiquinha e por aí vai. A brincadeira não vingou... mas encontramos muitos tipos assim por lá.

E eles nos lembravam que a cidade te permite viver ao seu modo, com suas manias, crença, sotaque, tempero... sem que te incomodem por isso. Isso se chama respeito ao indivíduo. Viver numa grande metrópole com liberdade e respeito ė, sem dúvida, uma experiência inesquecível.

Aquela Nova York do 11 de Setembro, atacada tão brutalmente e temerosa de que o horror se repita, poderia ter se tornado menos receptiva ao estrangeiro. Mas não. Continua sendo um maravilhoso mundo mix. 

"Bye bye New York" é impossível dizer. Será sempre  "Até a próxima!". 

adriana araujo ok Minha melhor Nova York

Vida de repórter: eu e a produtora Flávia Duarte fechando mais uma matéria no saguão de um aeroporto. A foto é do cinegrafista Fernando Saviolli. Claro, a experiência profissional também foi inesquecível. Assumo novas missões agora no Brasil. Acompanhe as novidades aqui pelo R7.

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