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26 agosto 2010

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Bateu saudade no repórter

Publicado por: Luiz Monteiro

Vinícius Dônola é o novo correspondente da Rede Record em Nova York. Não o conheço pessoalmente. Trabalhar numa empresa grande tem dessas coisas. Muitas vezes, você não tem contato com um colega de trabalho. Mas sei que Dônola é um profissional competente que substitui à altura minha colega Adriana Araújo, que está de volta ao Brasil.

O novo integrante do escritório da Record nos Estados Unidos não esconde a empolgação com o novo desafio. Seus textos neste blog me fizeram lembrar o final de novembro de 2008, quando eu e o cinegrafista Douglas Oliveira embarcamos em Guarulhos rumo à Johanesburgo. Tínhamos duas semanas para preparar uma série de reportagens para o Jornal da Record. Era o início de um longo trabalho na África do Sul. Fomos os primeiros correspondentes de uma emissora privada do Brasil a fixar endereço no continente africano. Mal desembarcamos e partimos para uma reserva na província de Limpopo, a pouco mais de 3 horas de viagem partindo de Joburg. Estivemos também na belíssima Cidade do Cabo e em tantas outras cidades da Nação arco-íris.

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Celso Freitas, titular do Jornal da Record

Com a competência e a paciência da editora Cristina Amaral, levamos ao ar na noite de 15 de dezembro daquele ano, seis reportagens sobre a história e o costume dos sul-africanos. Dias antes, o coordenador de internacional Everton Holtz veio pessoalmente à Johanesburgo para ajustar os detalhes de nossa entrada ao vivo no JR, como chamamos o principal noticiário da Record. Escolhemos como local da transmissão o terraço de um prédio onde teríamos uma visão panorâmica do centro da cidade, com seus prédios iluminados à noite. Também escrevemos com antecedência os textos das duas entradas que faríamos no jornal.

Mas jornalismo é diferente de uma produção gravada. Não há como planejar detalhes técnicos nem controlar a natureza no momento em que vamos entrar no ar. E nosso cenário natural desapareceu com uma forte chuva que caiu na cidade naquela noite. O texto que deveria ser mostrado no “teleprompter”, um projetor invisível colocado na direção da câmera, evitando que o apresentador ou repórter precise decorar ou abaixar a cabeça para passar as informações, simplesmente pifou minutos antes do jornal entrar no ar. Mesmo assim, o imprevisto foi superado. Às 20h15 em Brasília, 1h15 da madrugada de Johanesburgo, pudemos conversar sem problemas com Celso Freitas e Adriana Araujo, a dupla que apresentava o jornal naquela noite.

Depois da estreia, foram muitas histórias contadas e mostradas na tela da Record. Viajamos e aprendemos um pouco mais sobre o continente. Em Ruanda, mostramos no Domingo Espetacular como estava o país 15 anos depois do genocídio de 1994, quando cerca de 800 mil nativos da etnia Tutsi morreram num conflito étnico. Numa vila próxima à Maputo, capital de Moçambique, mostramos o costume da população local de comer ratos assados. A história surpreendeu milhares de brasileiros que assistiram a matéria no Câmera Record.

No mesmo programa, mostramos o contato que nossa equipe teve com um Guepardo, aqui chamado de Cheetah. A proximidade com o animal mais rápido do mundo – pode chegar a 100 quilômetros por hora em três segundos – me fez suar um pouco antes de entrar na jaula para gravar. Também no Câmera, mostramos o veterinário que faz massagens em Leões adultos. Lembro que o cinegrafista, posicionado dentro de uma caminhonete, insistia para que eu, do lado de fora do carro, gravasse várias vezes de costas para um leão enorme que estava a cinco metros de mim. O engraçadinho ainda curtia com minha situação: “veja que legal, se o leão te atacar, você vai ficar famoso no mundo inteiro”, dizia.

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Gravação com leões na savana: aventuras de repórter na África

Outro momento inesquecível foi durante as eleições presidenciais de 2009, quando estive a menos de três metros de Nelson Mandela. Na confusão e correria de minutos antes da chegada do ex-presidente ao Colégio de Houghton, onde Mandela fez questão de votar aos 91 anos, dei a sorte de me posicionar exatamente no local onde o carro dele parou. Consegui gravar uma “passagem” – momento em que o repórter aparece no vídeo passando a informação – com “Madiba” bem atrás de mim, descendo do carro. Com dezenas de seguranças distribuindo empurrões “carinhosos” nos jornalistas que tentavam se aproximar de um dos maiores ídolos mundiais, aquilo foi realmente inusitado. Há pouco tempo, encontrei o chefe da segurança de Mandela enquanto gravava perto da casa de Mandela. Ele se aproximou e disse, sorrindo: “eu lembro de você, quase te dei um tiro naquela dia”.

Recentemente, tive a honra de cobrir minha primeira Copa do Mundo. Durante 50 dias, uma grande equipe de técnicos e jornalistas vinda do Brasil se juntou a mim e ao cinegrafista Constâncio Coutinho para levar ao telespectador da Record uma cobertura alternativa da maior festa do futebol. Reencontrei minha colega Mylena Ciribelli, locutora de rádio FM, como eu, no fim da década de 80. E não pensem que eu e Mylena somos velhos, seus engraçadinhos. Apenas começamos cedo (risos). Ainda tive o prazer de trabalhar com Roberto Thomé, Rodrigo Viana, Adriana Bittar, Rogério Olmo, além de tantos outros profissionais conceituados que “deram o sangue” durante o mundial.       

Record Copa blog Bateu saudade no repórter

Equipe da Rede Record na cobertura da Copa da África

Muitos telespectadores e até mesmo colegas de profissão me perguntam como é a rotina de um correspondente internacional. Foram aventuras deliciosas como esta que acabei de narrar, posso dizer que nosso dia a dia tem de tudo um pouco: realizações, decepções, sucessos, falhas. Mas pra mim o mais importante é contar histórias e fazer amigos.

No Brasil, tenho um amigão chamado João Santos. Apresentador da Record News e do JR, Jhony é companheirão de todas as horas e me mata de rir com suas piadas e comentários sempre que vou à sede da Record, em São Paulo. Celso Freitas, titular do JR,  “monstro” da locução, me fez a gentileza dias desses de ligar para saber notícias. Celsão, como é chamado na Record, fez e faz história como um dos melhores apresentadores da TV brasileira. Heloísa Vilela é outra pessoa especial. De Washington, ela me enviou e-mails carinhosos durante a Copa. Minha querida Thaís Furlan é outra de quem tenho saudade e não nos encontramos desde que ela se tornou correspondente em Londres. Sinto falta da Catarina Hong, que sopra velinhas no mesmo dia que eu. Faz tempo que não trocamos e-mail. Catarina “arrebentou” como correspondente no Japão.

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O apresentador João Santos: amigo para todas as horas

A Copa serviu também para matar saudade de vários amigos da Record e de outras emissoras que vieram à África do Sul. E a estreia de Vinícius em Nova York me fez relembrar tantas histórias e pessoas interessantes que conheci nas redações. A essas figuras queridas, o meu saudoso abraço. Ao Dônola, o meu recado: aproveite, fé em Deus e bom trabalho.

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