28 setembro 2010
Obama, o presidente da mudança
Publicado por: Heloisa VillelaAqui em Bethesda (subúrbio da capital americana), um bairro de casas com gramados bem aparados, ruas seguras e vizinhos que passam a te dar um “bom dia” quando uma coleira com um cachorro na ponta se somam à cena, tudo parece o retrato fiel e perfeito do sonho da classe média americana. Criancinhas indo em bando para a escola pública, mães dirigindo aqueles utilitários gigantes e nenhum barulho com relação às guerras que o país inventou ou à crise econômica que os Estados Unidos enfrentam e que, segundo o Censo, incrementou a concentração de renda elevando a diferença entre ricos e pobres ao pior patamar da história. Agora, os 20% mais ricos do país levam para casa mais de 50% da renda americana.
Enquanto isso, o FBI se desdobra em uma operação de suma importância para a segurança nacional: promove uma batida em residências de Chicago e Mineápolis em busca de documentos que comprovem a relação de alguns cidadãos com grupos terroristas. Foram seis mandados de busca em Mineápolis e dois em Chicago. Todos contra pessoas que participam ativamente, ou lideram, grupos de protesto contra as guerras do Iraque e do Afeganistão. É a democracia em ação. Grite à vontade. Depois, bata um papinho com o FBI.
Como se não bastasse, o governo democrata do presidente da mudança Barack Obama decidiu manter e ampliar o programa secreto de assassinatos adotado no Governo Bush, que autoriza agentes da CIA a prender, em qualquer lugar do mundo, e executar, sem processo legal, os cidadãos considerados terroristas. O assunto veio à tona porque o pai de um alvo do programa decidiu contestar o programa na justiça.
O clérigo Anwar al-Awlaki nasceu nos Estados Unidos e, aparentemente, vive escondido no Iêmen. O pai dele pediu a um Juíz Federal que obrigue o governo a apresentar os critérios usados para decidir quem deve ser assassinado. Os assessores de Obama alegaram a necessidade de defender segredos de Estado para pedir que o caso seja arquivado. Aqui, segue um trecho da nota do Centro de Direitos Constitucionais: “a ideia de que os tribunais não devam ter papel algum na determinação dos critérios através dos quais o Poder Executivo pode matar seus próprios cidadãos é inaceitável em uma democracia” (para não falar o que eles podem fazer com os cidadãos de outros países... mas isso é uma outra história, certo?)
A lista de semelhanças entre o atual governo e o anterior vai aumentando. A administração Obama quer ampliar o poder de vigilância do Estado sobre os cidadãos. E está redigindo uma emenda ao chamado Ato de Privacidade das Comunicações Eletrônicas para dar ao FBI o direito de bisbilhotar mais livremente os e-mails e páginas de redes sociais, na internet. Uma medida que contraria, abertamente, a promessa de campanha do candidato Barack Obama, que jurou combater esse tipo de abuso se chegasse ao poder.
E assim a vida segue, nos subúrbios americanos. Como diz uma amiga minha, que nasceu e cresceu na Macedônia:
- Quem foi que disse que a vida, na era Big Brother, seria cinza e sem vida? Ela é psicodélica, toda colorida, como as telas dos cada vez mais incríveis jogos eletrônicos!
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