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26 outubro 2010

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Tá ruim, mas tá bom!

Publicado por: Vinícius Dônola

Uma cortina azul escuro - mais feia do que a crise de 2008 - é o pano de fundo do debate. O palco lembra o de uma escola pública de periferia. À frente, meia dúzia de cadeiras sobre as quais está a meia dúzia de candidatos para o governo de Nova York. Um deles será o herdeiro do trono de Elliot Spitzer, democrata, ex-procurador-geral do Estado. Eleito governador com dois terços dos votos e esperança de lisura no trato da coisa pública, Spitzer foi cassado por envolvimento com garotas de programa.

Rei morto, eis que assume, em março de 2008, o vice, David Paterson. Pego de supetão pelo escândalo alheio, Paterson, deficiente visual, virou alvo da acidez dos comediantes de TV. Pululam na Internet vídeos em que o governador é vítima de chacota. Ele próprio foi ao Saturday Live Night, programa da NBC, encontrar-se com Fred, o conhecido algoz que o imita. Tentou demonstrar que nada tem contra o humorista, mas fato é que o vídeo não se encontra mais disponível no site da emissora.

O provável sucessor será o também democrata Andrew Cuomo, filho do primeiro governador de Nova York de origem italiana, Mário Cuomo, e, assim como Spitzer, ex-procurador do Estado. Boa pinta e líder absoluto das pesquisas, Andrew engoliu a seco para não perder a cospostura diante da cortina azul escuro, no dia do debate. Teve a masculinidade desafiada pelo candidato da oposição: - Você não é macho para debater comigo, provocou o Republicano Carl Paladino, reportando-se a fatos da vida privada de Cuomo, o filho. Dois anos atrás, o democrata foi deixado pela mulher, que o trocou por outro advogado.

Paladino, milionário da construção civil, parece ter especial apreço pela baixaria. Dias antes, foi a público ler um manifesto contra os gays. Sem o desconto dado aos discursos de improviso, afirmou: - Eu não quero que nossas crianças passem por uma lavagem cerebral para acreditar que o homossexualismo é uma opção válida e de sucesso. Conseguiu, assim, implodir a campanha republicana, num estado já tradicionalmente progressista e democrata.

Na outra ponta do cenário, com votos insuficientes para se eleger síndico de prédio, ouvia-se o tonitruante Jimmy McMillan, candidato do “The Rent is too Damm High Party”.  Em português, algo como “Partido do Aluguel Desgraçadamente Caro”. Detalhe: Jimmy não paga aluguel. Mora de graça no Brooklyn. Diz que o dono do imóvel gosta demais dele... Gente fina esse senhorio, não?

Caso o eleitor não tenha se decidido pelos postulantes acima, pode optar por alguém com peito para mudanças: a siliconada Kristin Davis, do Partido Anti Proibição. Kristin ganhou notoriedade quando vieram à tona os serviços que prestava à comunidade masculina americana. A Sra. Davis promovia a interface entre homens dispostos a pagar por sexo e mulheres ávidas por dinheiro. Tinha como cliente o deposto Elliot Spitzer, hoje na CNN, astro de um programa no horário nobre: 8 da noite.

497 Tá ruim, mas tá bom!

Foto: celebgalz.com

Diria um amigo meu, comparando o nível da campanha brasileira com a baixaria na América: - Sabe, tá ruim, mas tá bom. Tá ruim, mas tá bom

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