1 novembro 2010
Dilma votaria em Serra
Publicado por: Vinícius DônolaDilma não votou. Estava a sete mil e quatrocentos quilômetros da seção eleitoral – Belo Horizonte, de onde preferiu não transferir o título. Acredita que a permanência em Nova York esteja com os anos contados. Dois anos e nada mais.
Dilma, housekeeper, não votaria em Dilma. – O Serra, a gente conhece, ela diz. Há quatro anos, quando se mudou para o Queens, Dilma Abreu conhecia pouco ou quase nada da xará, então recém chegada das Minas e Energia, no segundo ano à frente da Casa Civil. José Serra, por sua vez, acabara de se eleger, em primeiro turno, governador de São Paulo.
Dos oito mil e quinhentos eleitores que votaram em Nova York, 67,1% optaram pelo candidato do PSDB. Um dos votos foi depositado pela também mineira Cláudia Leroy – housekeeper, como Dilma. – Gostei mais das propostas dele, argumenta. Considerando os votos válidos, o ex-governador obteve 71% da preferência do maior colégio eleitoral fora do Brasil. 3% preferiram anular.
Juliana Dutra pensou como os 21% restantes que optaram por Dilma, a presidente. Fantasiada para o Halloween, a estilista torcia pela candidata do PT, coberta pelo lenço de “noiva gótica”: - Espero que dê Dilma para continuar a levar o Brasil, you know, para ser o país rico e maravilhoso que é. Juliana, de fato, ficou só na torcida. Como chegou à seção de lenço, mas sem documento, engrossou a lista de abstenção.
Em Nova York, três de cada cinco eleitores não compareceram às seções. Dentre os quais, a esperada top model Gisele Bündchen. – Alguns se queixam da distância, argumenta o cônsul-geral do Brasil, Osmar Chohfi.
Maria Efigênia, professora aposentada, foi caminhando ao Metropolitan Pavilion, ora apoiada na muleta, ora no braço do marido. - Eu gostei dos dois (candidatos), você entendeu? Eu não posso dizer em quem eu votei, mas eu acho que o Brasil está bem representado, disse, saindo da zona eleitoral, onde, às sete da noite (hora de Brasília), os duzentos e sessenta e cinco mesários deram por encerrada a votação.
Dilma e Dilma têm muito trabalho a fazer. A Abreu, ganhando trinta dólares a hora para limpar a casa da clientela. A Rousseff, preparando-se para a transição e quatro anos de mandato. Que a housekeeper encontre, quando voltar a Minas, um país melhor sob o comando da Dilma que ainda pouco conhece.
Veja mais:
+ Tudo sobre as Eleições 2010 no R7
+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7











