17 dezembro 2010
Voltando ao Rio de Janeiro
Publicado por: Heloisa VillelaDa porta da minha casa, essa é a cena nesta manhã de sexta-feira, dia 17 de dezembro. Natural, aqui já é inverno e no Hemisfério Norte, neve e inverno andam juntos, quase sempre. As árvores, peladas, ficam quase emolduradas pela neve branquinha. Lindo de ver, de dentro de casa, no quentinho. Lá se vão mais de 20 invernos. E confesso: não dá prá acostumar. É tando frio que na primeira respirada, lá fora, o nariz dói por dentro. Sabe lá o que é isso?
Mas nem tudo é frio e tristeza nesta sexta-feira. As malas estão quase prontas. Falta apenas colocar dois brinquedinhos (as famosas encomendas...) e umas duas camisetas. Hoje, os meninos (os meus) aprenderam o “Samba do Avião”. Tem coisa mais cafona do que cantar essa música linda do Tom Jobim no dia de embarcar rumo ao Rio?
Pois eu não tô nem aí. Canto mesmo. Ele, o Tom, que manteve um apartamento em Nova York por tantos anos, morou lá e cá, sabia melhor do que ninguém. E imortalizou o comentário: “Nova York é bom, mas é uma droga. O Brasil é uma droga, mas é boooooooommmmmm!”. O que será que ele diria hoje, diante de todas as mudanças que o Brasil passou nos últimos anos e o respeito que conquistou no exterior? Acho que ele ía inventar uma outra maneira de falar disso...

Voltando ao Rio, prá onde me mando dentro de algumas horas, a cidade é a minha casa e sempre vai ser. Sol, calor humano, aquela família gigante e divertidíssima. Não é à toa que fico rindo sozinha. Além do meu pai e da minha mãe, já na casa dos 80 anos, são quatro irmãos e três irmãs, doze sobrinhos, um sobrinho-neto (socorro!) e uma porção de cunhados, cunhadas e agregados em geral. Amigos da adolescência e da fase adulta de cada um de nós que foram se tornando parte da grande família.
Tenho pena dos meus filhos que estão crescendo aqui, longe de tudo isso. Duas visitas por ano não é o suficiente. Mas hoje, vamos levando shorts, camisetas e chinelos na mala. Deixamos prá trás a neve, esse país que continua insistindo nas guerras como forma de se afirmar como potência e movimentar a economia. Um Congresso que acaba de aprovar um programa de corte de impostos que vai aumentar ainda mais a concentração de renda no país e engordar bastante o déficit público, um governo que se prepara para processar e tentar trazer prá cá e julgar em solo americano o australiano Julian Assange que teve a coragem de divulgar as primeiras imagens de um helicóptero militar americano atirando e matando civis e jornalistas em Bagdá e, mais recentemente, teve acesso, e está publicando aos poucos, um calhamaço de e-mails diplomáticos confidenciais dos Estados Unidos. Por conta disso, políticos americanos pedem que ele seja sumariamente executado. Por lei ou na moita.
Não é mesmo pra querer sair correndo? Rio, tô chegando!

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