12 agosto 2011
A crise e o consumismo
Publicado por: Mauro TagliaferriExiste quase um consenso entre economistas e comentaristas, em referir-se a esta crise econômica como uma “crise de crédito”. Até 2008, bancos e instituições financeiras com os cofres cheios emprestavam dinheiro a quem lhes batesse às portas. Só que as pessoas contraíram tantos empréstimos que as dívidas começaram a ficar impagáveis.
Aí, os bancos e instituições financeiras passaram a emprestar dinheiro para que as pessoas pagassem suas dívidas. Até que soou o alarme: era preciso acabar com a bola de neve, antes que ela levasse os bancos à falência (em alguns casos, levou). E, assim, do dia para a noite, o crédito sumiu. Quem tinha dinheiro (poucos) o recolheu no cofre. Quem não tinha (muitos) quebrou, endividado.
Isto é só um resumo, simplista, raso. Não vou falar da irresponsabilidade de quem emprestou dinheiro a quem não tinha como pagar. E nem de governos que ignoraram os alertas. Muito menos das avaliações desastrosas das agências de notação de risco. Fim do crédito, começo da crise. Daí, dizer-se que é uma “crise de crédito”. Correto.
Mas, e antes do crédito? O que levou tanta gente a pedir tanto dinheiro emprestado? Em primeiro lugar, o consumo. Ok, havia uma demanda represada por bens duráveis, e as pessoas, com toda a justiça, saíram comprando casas, automóveis, mobília e maquinaria. Mas, em segundo lugar, o consumismo. O tênis de marca, a bolsa de grife, o celular mais moderno, o videogame, o produto eletrônico recém-lançado.
É uma prestação aqui, uma mensalidade ali e, no fim do mês, a conta não fecha. Em poucas palavras, as famílias compravam o que precisavam comprar; mas também comparavam aquilo que poderiam ter esperado para comprar.
E, com as bênçãos dos bancos, do mercado (que viam os lucros crescerem) e dos governos (que viam a economia crescer), criaram uma crise de crédito com origem numa crise de consumo. Para não dizer uma crise de consumismo.
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