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	<title>Blog dos Correspondentes Internacionais &#187; golpe</title>
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	<description>Blog dos Correspondentes Internacionais - R7</description>
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		<title>Surge a oportunidade de dividir melhor o bolo</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 12:50:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Heloisa Villela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade social]]></category>
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		<description><![CDATA[A situação da população de Honduras muitas vezes surpreende até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A situação da população de Honduras muitas vezes surpreende até mesmo quem está acostumado a lidar com conflitos políticos e desigualdades sociais. Foi o que aconteceu com um diplomata cujo nome eu não posso mencionar. Mas ele está na capital, Tegucigalpa, procurando brechas para estabelecer algum tipo de ponte. De diálogo.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-91" src="http://noticias.r7.com/blogs/correspondentes-internacionais/files/2009/10/honduras.JPG" alt=" Surge a oportunidade de dividir melhor o bolo" width="450" height="317" title="Surge a oportunidade de dividir melhor o bolo" /><br />
Pois nesta estadia ele se sentou para jantar com um amigo americano. Conversa vai, conversa vem, ele aos poucos foi abrindo o jogo. Ficou sabendo que a Igreja Católica hondurenha, co-partícipe do golpe de estado, anda rezando, e implorando onde encontra ouvido disponível, para que a suspensão de vistos americanos para cidadãos hondurenhos seja revertida. E o quanto antes.</p>
<p>O que acontece? A classe dominante aqui – dizem os hondurenhos que são entre 10 e 12 famílias – tem muitos negócios nos Estados Unidos, passa fins de semana em Miami e gosta de esquiar em Áspen, no Colorado. "Aqui, os coitadinhos não têm neve!", explicou o diplomata.</p>
<p>Infelizmente, o governo americano andou suspendendo os vistos. E os ricos estão desesperados. Mas a grande viravolta nisso tudo é a conscientização dos miseráveis hondurenhos. Eles, claro, nunca tiveram e nunca vão conseguir visto para entrar nos Estados Unidos. Se já é difícil, muitas vezes, para a classe média brasileira, imaginem para os operários e camponeses hondurenhos...</p>
<p>Por isso mesmo, eles estão achando lindo, pela primeira vez, de certa forma, estarem em igualdades de condições com os ricos. E mais: a maior fonte de divisas do país são os dólares enviados, dos Estados Unidos, pelos imigrantes que entram no país a pé, cruzando a fronteira com o México, arriscando a vida no calor do deserto e na mira da polícia da fronteira. Pois esta é a realidade: o principal item da pauta de exportações deste país é a gente pobre, que precisa de emprego, e vai para os Estados Unidos juntar alguns dólares. E a vida deles, já sabemos como é: 7 a 10 em um apartamento pequeno. Todos trabalhando o dia inteiro a tempo de chegar em casa para jantar e dormir. E nada de sair à noite para se divertir porque é preciso juntar os dólares e enviar para as famílias, em Honduras.</p>
<p>Na conversa, no restaurante, o americano ainda estava incrédulo. Mas o diplomata se surpreendeu, e se emocionou, quando um garçom pediu desculpas, interrompeu a conversa e fez questão de apertar a mão do diplomata. Ele e vários outros funcionários do restaurante. Eles acabaram ouvindo a conversa. E sabem, ou ao menos esperam, que Honduras, este país da América Central ao qual o Brasil nunca deu muita importância, está na bica de dar uma guinada. Essa pode ser a hora de consolidar algumas mudanças que forcem uma distribuição um pouco menos injusta do bolo.</p>
<p>O diplomata, com os olhos mareados, está na torcida. Mas certeza?! Ah... isso seria pedir muito!</p>
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		<title>Honduras: camponeses recebem equipe aos gritos de “Viva Brasil!”</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 17:35:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Heloisa Villela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[golpe]]></category>
		<category><![CDATA[Honduras]]></category>
		<category><![CDATA[Manuel Zelaya]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Chegar a Tegucigalpa, capital de Honduras, foi bem mais fácil [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chegar a Tegucigalpa, capital de Honduras, foi bem mais fácil do que imaginávamos.</p>
<p>Na estrada, nada de barreira pedindo documentos. Apenas uma já bem perto da cidade.</p>
<p>Atravessamos a fronteria da Nicarágua no dia em que o governo suspendeu o toque de recolher que valia para o dia inteiro. Agora, ele vigora à noite. E preocupa os hondurenhos, porque provoca grandes prejuízos ao país. Sem falar nos problemas práticos.</p>
<p><div id="attachment_27" class="wp-caption aligncenter" style="width: 461px"><img class="size-full wp-image-27  " src="http://noticias.r7.com/blogs/correspondentes-internacionais/files/2009/09/zelaya-2.jpg" alt="zelaya 2 Honduras: camponeses recebem equipe aos gritos de “Viva Brasil!”" width="451" height="303" title="Honduras: camponeses recebem equipe aos gritos de “Viva Brasil!”" /><p class="wp-caption-text">Foto de Win McNamee/Getty Images News</p></div></p>
<p>No Hotel Clarion, onde estou hospedada, os funcionários fazem um rodízio. Uns dormem aqui um dia e voltam para casa apenas no outro, à tarde. Míriam, que preferiu não revelar o sobrenome, trabalha no restaurante do hotel e vive aflita. Dia sim, dia não, dorme aqui. Mas tem dois filhos. É separada e não tem parentes que possam ajudar a cuidar dos meninos de 10 e 15 anos. Por isso, quando ela fica no hotel, os filhos dormem sozinhos. E ela quase não descansa, preocupada com eles.</p>
<p>A divisão da sociedade é muito clara. Ontem à noite, visitamos um ginásio onde camponeses e trabalhadores que vieram do interior do país estão dormindo em colchonetes, se alimentando com a comida doada por moradores da capital. Eles nos receberam com gritos de “Viva o Brasil!”. E agradeceram porque nossa embaixada abriga o presidente deposto, Manuel Zelaya, desde segunda-feira.</p>
<p>Saindo de lá, voltei para o hotel. E me deparei com uma festa de casamento. Gente da classe média alta do país. Aparentemente, no grupo de engravatados e mulheres de vestido de gala, havia um dos melhores amigos de um parente do presidente golpista, Roberto Micheletti. Ao contrário da recepção calorosa no ginásio, quando os convivas se deram conta de que no saguão do hotel havia um grupo de jornalistas brasileiros, eles nos cercaram para defender o golpe. E dizer que o mundo se engana com Manuel Zelaya.</p>
<p>Nas ruas, observamos a mesma divisão. Na quinta-feira, houve uma manifestação chamada “Camisas Brancas”. Muita gente de salto alto, bem maquiada, defendendo o golpe de Estado. Nos outros dias todos, as ruas são do movimento de resistência. Quase todos de tênis porque, como me disse uma hondurenha, “estamos sempre preparados para correr”.</p>
<p>A imprensa brasileira, aqui, não se conforma de não poder entrar na nossa embaixada. Mas o governo de fato está irredutível. E já ficou bem claro qual é a estratégia que estão usando. Nos dizem que se alguém do governo brasileiro enviar um pedido, por escrito, para que liberem nossa entrada, tudo será resolvido. Mas os diplomatas sabem que isso seria uma forma de reconhecer, ou dar legitimidade, a um governo que o mundo não reconhece.</p>
<p>Então, o impasse, e o cerco à embaixada, continuam.</p>
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