
Iggy Pop durante o Planeta Terra (Foto Reinaldo Marques/Terra)
Ele canta, pula, dança, se joga no chão, serpenteia pelo palco, atira o pedestal do microfone, desce até a grade onde está o público, volta para o palco, convida o público para subir ao palco, é cercado pelos fãs no palco. E não para. Paga cofrinho. Termina o show quase nu.
Essas cenas seriam muito "normais" se quem estivesse no palco fosse um roqueiro de 20 e poucos anos. Mas não. Quem comanda este show é James Newell Osterberg, de 62 anos. E ele esbanja toda essa vitalidade apesar de uma leve deficiência física.
Osterberg é Iggy Pop, uma lenda viva do rock'n'roll. A banda que o acompanha, The Stooges, foi formada há 40 anos. Iggy Pop & The Stooges foram a grande atração do terceiro Planeta Terra Festival, que reuniu 15 atrações musicais (em dois palcos e durante 12 horas) e 17 mil pessoas ontem à noite no Playcenter, em São Paulo.
O momento alto do show de Iggy Pop, baseado em um álbum lançado em 1973, foi quando o cantor convidou gente da plateia para subir ao palco, ritual que sempre repete em suas apresentações. Ele pediu "ajuda", e somente de "alguns caras". Mas logo o palco foi todo invadido. A desocupação não foi das mais pacíficas. Vários fãs foram agredidos por seguranças. (Veja aqui o vídeo da invasão do palco).
Iggy Pop roubou a cena em um festival que teve ainda Sonic Youth e Primal Scream, ambas formadas no início dos anos 1980, e a nova The Ting Tings. Primal Scream fez um show frio, quase no escuro. A falta de iluminação no palco era tanta que mal dava para ver o vocalista da banda. A economia na iluminação e no cenário do palco principal (e o predomínio de bandas antigas), aliás, foram características marcantes deste Planeta Terra.
Como nas duas outras edições (realizadas em galpões fabris em Santo Amaro), os sh0ws foram pontuais. Pena que bandas interessantes fizeram shows simultaneamente, como Iggy Pop e The Ting Tings.
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