Daniel Castro

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Daniel Castro é jornalista desde 1988. Durante 18 anos, trabalhou no Grupo Folha. Em 1996, passou a fazer reportagens sobre televisão.

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20 de março de 2010 - 15:56

Propaganda perdeu o humor

Começou ontem o Risadaria, festival de humor que segue até amanhã no Pavilhão da Bienal, no parque Ibirapuera, em São Paulo. O evento tem curadoria de Marcelo Madureira (Casseta & Planeta), Marcelo Tas (CQC), Caco Galhardo (Folha de S.Paulo), Paulo Bonfá (MTV), Wellington Nogueira (Doutores da Alegria) e Diogo Portugal (Zorra Total).

O festival reúne shows de humoristas (em dois palcos), debates, filmes, programas de TV (como o TV Pirata) e de rádio, produções para internet, cartuns e uma exposição de figurinos de personagens de Chico Anysio. Tudo ocupando uma área de 9 mil metros quadrados, com ingressos de R$ 30 a R$ 100. A programação começa às 10h e vai até quase meia-noite.

Ontem, apresentaram-se no principal palco, na série Encontros Gozados, os integrantes do Casseta & Planeta, os Barbixas (do É Tudo Improviso, da Band), Léo Lins (stand up), Rafinha Bastos (stand up) e a dupla de mímicos The Umbilical Brothers. Márcio Ballas (apresentador do É Tudo Improviso) foi o mestre-de-cerimônias.

A apresentação dos cassetas teve valor histórico. As piadas eram as mesmas da TV, com mais peso no conteúdo sexual. Ou seja, a velha sacanagem do grupo, que, no palco, até lembravam uma versão animada da banda alemã Kraftwerk, os vovôs do pop eletrônico.

O público, principalmente o mais jovem, vibrou mesmo foi com os representantes da nova geração: os Barbixas e Rafinha Bastos _que não perdeu a oportunidade de fazer piada com o alto preço dos ingressos (R$ 100), para, no caso de quem estava no "fundão" ou atrás de pilastras, ver o show pelo telão.

Pouco antes do principal show, no auditório da Bienal, a jornalista Barbara Gancia comandou um debate com os publicitários Aaron Sutton (da agência MOOD) e Fernando Campos (da SantaClaraNitro). O tema? Humor na Propaganda. O tom? A propaganda está perdendo a graça por causa das restrições impostas por agências governamentais, como a Anvisa, ou pelo Conar, que recentemente censurou um comercial, estrelado por Paris Hilton, da cerveja que patrocina o Risadaria.

"Hoje está difícil fazer comercial. Você não pode falar que remédio cura dor de cabeça. Não pode mais falar que 'tomou Doril, a dor sumiu'. A Anvisa não deixa", protestou Sutton. "O único lugar em que sobra humor na propaganda é na propaganda de governo e na propaganda eleitoral", concluiu, irônico.

O patrulhamento do "politicamente correto" também foi abordado no debate. A censura ao comercial com Paris Hilton foi visto como um prêmio, porque levou a marca de cerveja às rodas de conversa. "O Conar deu um presente para a Devassa", disse Fernando Campos.

Clique nas imagens que abrem e encerram este texto e veja dois exemplos de comerciais com humor apresentados no debate de ontem.

Hoje, às 17h, a discussão será sobre "O Humor e a Liberdade de Expressão".

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