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Daniel Castro é jornalista desde 1988. Durante 18 anos, trabalhou no Grupo Folha. Em 1996, passou a fazer reportagens sobre televisão.

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15 de agosto de 2010 - 06:00

Mudanças na TV Cultura preocupam conselheiros

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Cadão Volpato, que voltará a apresentar o Metrópolis (Foto: Catherine Ferraz)

Conselheiros da Fundação Padre Anchieta estão apreensivos com as mudanças em curso na TV Cultura, emissora parcialmente mantida pelo governo do Estado de São Paulo.

O último motivo de preocupação envolve o programa Metrópolis. Na semana passada, a Cultura anunciou a contratação do jornalista Cadão Volpato, que a partir de meados de setembro deverá ser seu apresentador e, especula-se, diretor. Helio Goldsztejn, que comandou o Metrópolis durante 18 dos 22 anos de existência da revista cultural, terá novas funções: irá reestruturar o Vitrine.

Ex-presidente da fundação e conselheiro vitalício, Jorge da Cunha Lima protestou: "Consideramos ainda que o Metrópolis é o melhor programa de informação cultural da emissora e que nós víamos com apreensão a perspectiva de mudanças", escreveu em seu blog, referindo-se a intervenção feita em reunião do conselho curador, na última segunda-feira. No encontro, João Sayad, atual presidente da fundação, apresentou seu plano de reestruturação.

A longo prazo, o projeto de Sayad visa reduzir a TV Cultura a uma simples compradora de programas, realizados por produtoras independentes ou por emissoras estrangeiras. Conforme este blog publicou em primeira mão no último dia 4, sua meta é demitir até 1.400 dos 1.925 funcionários, enxugando os custos da emissora dos atuais R$ 230 milhões por ano para R$ 80 milhões. Sayad pretende até vender os estúdios da Cultura.

Isso é o que ele planeja. Se vai conseguir, são outros 500. Neste ano, devido a restrições legais (funcionários celetistas não podem ser demitidos até dezembro), Sayad deverá cortar cerca de 450 profissionais, que trabalham como pessoas jurídicas (são contratados como se fossem empresas). A prestação de serviços para terceiros (Assembleia Legislativa, Poder Judiciário), que rendia R$ 60 milhões ano, não será mais realizada. Para tapar um rombo de mais de R$ 10 milhões, programas como o Login serão extintos. O Manos e Minas, sobre a cultura da periferia, já deixou de existir.

Sayad queria também cortar as transmissões das apresentações da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp, mas encontrou resistência da elite. Assim escreveu em seu blog Jorge da Cunha Lima, sobre a reunião do conselho na última segunda-feira:

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Jorge da Cunha LIma, em foto de 1995

"Eu, representando o comitê de programação [da TV Cultura], fiz ressalvas quanto à idéia de eliminar as gravações e transmissões ao vivo dos concertos da Osesp, a melhor orquestra sinfônica do Brasil, em favor da divulgação de concertos da Filarmônica de Berlim, cujos direitos de transmissão podem ser comprados a dois mil dólares. Da mesma forma, embora elogiando o acerto de transmitir os documentários do É Tudo Verdade, não aceitávamos a eliminação da transmissão dos documentários do Doc TV, o melhor projeto cultural do MinC [Ministério da Cultura]".

Volta ao passado

Para Cunha Lima, a troca da Osesp e de documentários brasileiros por concertos de orquestras europeias e filmes estrangeiros representa um retrocesso, mais exatamente "uma volta ao conceito da grande cultura erudita, praticada no fim do século XIX". Essa é a sensação, aliás, de boa parte das pessoas que trabalham na Cultura.

Profissionais mais antigos da emissora vêem a contratação de Maria Cristina Poli e de Cadão Volpato, além do retorno do jornalista Alexandre Machado, como uma "volta ao passado". Poli apresentou o Vitrine nos anos 1990. Volpato, vocalista da Fellini, banda cult dos anos 1980, também já trabalhou na Cultura _foi apresentador do próprio Metrópolis, por um curto período, demitido que foi.

A propósito, as manifestações de Cunha Lima sobre as mudanças na TV Cultura integram um texto em que ele rebate o secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo. Em entrevista publicada pelo blog Poder Online na última quinta-feira, Matarazzo afirmou que a Cultura "é uma ficção".

"A TV Cultura é uma ficção. É cool gostar da TV Cultura, mas ninguém assiste. A programação não está na grade de ninguém", disse o responsável pela política cultural de São Paulo, evidenciando um racha no PSDB.

Cunha Lima reagiu: "A TV Cultura não é o caos que se deseja vender. Ainda é a melhor televisão pública do Brasil".

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