Daniel Castro

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Daniel Castro é jornalista desde 1988. Durante 18 anos, trabalhou no Grupo Folha. Em 1996, passou a fazer reportagens sobre televisão.

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6 de outubro de 2011 - 06:00

Nova classe média muda novelas e jornais da Globo, afirma diretor

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Caio Castro, Lilia Cabral e Adriana Birolli em cena de Fina Estampa, novela que retrata a nova classe C (Foto: Alex Carvalho/TV Globo)

A ascensão social ocorrida nos últimos anos já reflete diretamente na programação da Globo. Seus telejornais ficaram mais informais e, com personagens como a Griselda (Lilia Cabral) de Fina Estampa, suas novelas tentam retratar a emergente classe C, que representa mais da metade da população brasileira, ou mais de 100 milhões de pessoas.

A constatação foi feita ontem, durante entrevista no evento Maximídia, em São Paulo, por Octavio Florisbal, diretor-geral da Globo.

"Nossas novelas hoje refletem os anseios da nova classe média", afirmou Florisbal, lembrando que o humorístico Tapas e Beijos e a próxima novela das nove, Avenida Brasil, de João Emanual Carneiro, vão na mesma toada.

"Temos de ser mais populares, mais abrangentes, mas sem perder de vista as classes superiores, A e B", disse Florisbal.

Segundo o principal executivo da Globo, as classes mais populares (C, D e E) representam entre 80% e 85% da população.

"Elas sempre existiram, mas no passado tinham um perfil mais de seguidoras. Mais recentemente, com mais empregos e maior renda, essas pessoas das classes C, D e E passaram a consumir mais e apresentaram um novo comportamento. Elas não querem migrar, querem ficar onde estão e serem reconhecidas", contou.

Em outras palavras, os mais pobres de hoje não sonham mais serem como os ricos. De acordo com as pesquisas feitas pela Globo, eles querem consumir, mas sem a fantasia de deixar o bairro da periferia para morar em bairro grã-fino. Ou seja, novelas como Vale Tudo (1988) estariam em baixa.

Respondendo a uma pergunta do publicitário Roberto Justus, Florisbal negou que a popularização dos telejornais e telenovelas indique para uma queda no padrão Globo de qualidade. "O fato de ser mais popular, mais abrangente, não significa menos qualidade", resumiu.

Concorrência

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O diretor-geral da Globo, Octavio Florisbal (Foto: Zé Paulo Cardeal)

No Maximídia, evento anual dirigido ao mercado publicitário, Florisbal também falou da concorrência. Afirmou que a concorrência é saudável e ajuda a líder a se manter sempre alerta e tensa.

A concorrência da Record e da Rede TV! na disputa dos campeonatos brasileiros de futebol de 2012 a 2015, no entanto, tornaram mais difícil a obtenção de lucro com as transmissões esportivas.

Segundo Florisbal, mesmo com um aumento de mais de 30% sobre as cotas de patrocínio de 2012 (vendidas a quase R$ 180 milhões), o futebol não deixará "margem substancial" de lucro.

"Praticamente dobramos os valores que vínhamos pagando", disse Florisbal, referindo-se à disputa pelos direitos de 2012 a 2015, em que se viu obrigada a negociar separadamente com cada clube.

Londres-2012

Florisbal anunciou que a Globo fará uma cobertura "jornalística"  da Olimpíada de 2012, a primeira em que não terá os direitos para TV aberta.

Segundo ele, pelas regras do COI (Comitê Olímpico Internacional), a Globo poderá usar em seus telejornais de "dois a três minutos de manhã, dois a três minutos à tarde e de dois a três minutos à noite" de imagens das competições.

"Vamos ter também uma cobertura fora das arenas", disse, referindo-se a entrevistas com atletas e reportagens em Londres.

De acordo com Florisbal, o aumento de faturamento publicitário da Record com a Olimpíada não terá impacto no mercado publicitário.

"Não tenho dúvidas de que a Record terá bons resultados com Londres-2012, mas isso não afeta o mercado como um todo, não vai diminuir a participação da TV Globo. Geralmente, os anunciantes injetam mais dinheiro em eventos como Copa e Olimpíada, mas nada que altere o resultado", disse.

Crescimento

Florisbal disse que a Globo terá um crescimento nominal entre 7% e 8% neste ano, o que, descontada a inflação, resultará em uma alta de faturamento de 3%. Ainda assim, ficará acima da média das outras redes.

Para 2012, o executivo projeta um crescimento de 6% a 7%.

Renascimento da TV

Florisbal referiu-se à TV aberta como uma "supermídia", por deter a maior penetração entre todas as mídias e o maior faturamento (no Brasil, a TV aberta fica com 63% de todos os investimentos publicitários).

"Há 15 anos, todos viam a TV como a TV aberta como algo ameaçado pelas novas mídias", lembrou. "Talvez hoje a TV aberta viva seu melhor momento histórico", ressaltou.

Para Florisbal, um dos motivos do "renascimento" da televisão foi a aposta na TV digital, que permitiu à TV aberta se diferenciar da internet com uma imagem de alta qualidade. "A televisão voltou para o centro das casas".

Para Florisbal, contudo, o crescimento da internet é inevitável. Para ele, em alguns anos a internet será a segunda maior mídia, com mais público e faturamento do que jornais e revistas.

 

 

 

 

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