Daniel Castro

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Daniel Castro é jornalista desde 1988. Durante 18 anos, trabalhou no Grupo Folha. Em 1996, passou a fazer reportagens sobre televisão.

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22 de janeiro de 2012 - 06:00

Alcatraz prende espectador, mas não é à prova de controle remoto

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Sarah Jones e Jorge Garcia em cena de Alcatraz, no série do Warner (Fotos: Divulgação)

(Atenção: este texto contém spoilers)

Em 21 de março de 1963, o presídio de Alcatraz, fincado numa pequena ilha da baía de San Francisco, foi oficialmente desativado devido aos altos custos e às más condições de suas instalações. Todos os prisioneiros foram transferidos para outras prisões nos Estados Unidos.

"Mas não foi isso o que aconteceu. De forma alguma", acrescenta Alcatraz, logo em seu primeiro minuto. A série, uma das mais esperadas do ano, estreia hoje, às 22h, no Warner Channel. Tem a produção-executiva de J.J. Abrams, das televisivas Lost (2004-2010) e Fringe (2008-2012) e dos filmes Star Trek (2009) e Super 8 (2011).

O telespectador, no entanto, não deve comprar a propaganda de que Alcatraz é um novo Lost.

A série tem cenografia impecável, direção competente (com planos fechados alternados com planos abertos e planos-detalhe) e trata de misteriosos desaparecimentos e da noção de tempo e espaço, com uma narrativa que vai e volta no tempo _entre 1960 e os dias atuais. Repete alguns nomes de Lost (além de Abrams, a roteirista Elizabeth Sarnoff e o ator Jorge Garcia, o gorducho Hurley).

Mas Alcatraz, a julgar pelos dois primeiros episódios, é muito mais simples e não tem o impacto inovador de Lost. É uma série policial com suspense. Feita para o sucesso, aposta em clichês (o que não é ruim), como o dos desaparecidos. E irrita ao tratar o telespectador como ingênuo, repetindo a figura do policial que soluciona crimes como se fosse mágico.

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O ator Sam Neil, que faz um personagem dúbio

No primeiro episódio, sabemos que 302 pessoas sumiram misteriosamente de Alcatraz em 21 de março de 1963, 46 guardas e 256 prisioneiros. Ao contrário do que dizem os registros oficiais, eles não foram transferidos para outras cadeias.

Inexplicavelmente, estão reaparecendo agora, quase 60 anos depois, igualzinho ao que eram nos início dos anos 1960. Não só não envelheceram como preservam seus perfis criminosos e os mesmos sentimentos da época.

Jack Sylvane, um ladrão de mercadinho que foi parar no lendário presídio federal, é o primeiro a se revelar. Ele acorda em um corredor de Alcatraz (o presídio) no momento em que um grupo de turistas visita a pequena ilha, hoje uma atração turística.

Sylvane vai para San Francisco vingar o guarda que o perseguiu na prisão, E.B. Tiller, levando-o injustamente para a solitária. É na cena do crime de Tiller que a espertíssima policial Rebecca Madsen (Sarah Jones) descobre as digitais de Sylvane. Numa simples busca no Google, Rebecca resolve tudo: certifica-se de que Sylvane é o criminoso e ainda encontra um novo parceiro de investigações, o expert em Alcatraz e escritor de história em quadrinhos Diego Soto (Jorge Garcia).

Ainda no primeiro episódio, Rebecca terá outra grande revelação. Seu avô não era guarda de Alcatraz, mas prisioneiro. E foi ele quem, três meses atrás, matou seu parceiro de combate ao crime.

Rebecca e Diego passam a integrar a equipe de Emerson Hauser (Sam Neil). De caráter ambíguo, Hauser foi um dos primeiros policiais a detectar o misterioso desaparecimento dos prisioneiros e guardas de Alcatraz.

Hoje, ele trata de manter o segredo do sumiço dos prisioneiros e de caçar os que ressurgem, que enjaula em uma réplica de Alcatraz escondida numa floresta.

Aparentemente, Hauser, Rebecca e Soto caçarão um bandido por episódio de Alcatraz _o que pode render pelo menos dez temporadas.

A série é tensa e prende o telespectador. Mas, ao contrário do que diz a lenda (de que nunca alguém conseguiu escapar vivo do presídio), não é à prova de fugas. O telespectador pode achar coisa mais interessante para fazer do que assisti-la.

 

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