Daniel Castro

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Daniel Castro é jornalista desde 1988. Durante 18 anos, trabalhou no Grupo Folha. Em 1996, passou a fazer reportagens sobre televisão.

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4 de dezembro de 2012 - 04:00

Nova versão de Saramandaia troca ditadura por crítica à corrupção

soniabraga e1354562118772 Nova versão de <i>Saramandaia</i> troca ditadura por crítica à corrupção

Sonia Braga novela Saramandaia, de 1976 (Foto: Reprodução)

Exibida pela Globo em 1976, Saramandaia foi uma novela sobre os hatitantes de uma cidade dividida entre manter ou mudar seu nome.

Muitos moradores de Bole-Bole tinham vergonha o nome do local ser referência a uma aventura amorosa de dom Pedro 1. Queriam chamá-la de Saramandaia.

Essa cidadezinha baiana era o Brasil dos anos 1970 em miniatura. Alguns de seus personagens, dotados do realismo mágico muito apreciado na época, serviam de metáfora aos cidadãos de um país governado por militares que se achavam no direito de censurar novelas.

Coautor de Insensato Coração (2011) e Paraíso Tropical (2007), ao lado de Gilberto Braga, Ricardo Linhares terá em 2013 a missão de atualizar Saramamdaia para uma época em que tudo é muito explícito e exposto, e o Brasil, uma democracia. O remake ocupará a faixa de novela das onze a emissora.

Linhares diz que manterá o aspecto realista-mágico da Saramandaia de Dias Gomes, mas mudará o contexto. Sai a ditadura militar, entra a ditadura da intolerância.

A seguir, Linhares responde a cinco perguntas do blog (ou melhor, quatro):

 

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Ricardo Linhares (Foto: Renato Rocha Miranda/TV Globo)

R7 - O que muda em relação à história original?

Ricardo Linhares - Muita coisa vai mudar. Uma parte da história vem da obra do Dias; outra parte, eu criei especialmente para esta novela, com novos conflitos e novos personagens, alguns com características de realismo mágico.

 

R7 - Será mantida a metáfora à ditadura militar?

Ricardo Linhares - Eu tirei as tramas datadas e inventei novos núcleos. Mantive a essência dos personagens emblemáticos (Gibão, Zico Rosado, dona Redonda), mas eles vivem em outro contexto. Não existe mais ditadura militar. Mas existe a ditadura da intolerância. Embora a sociedade tenha avançando bastante, existe a falta de aceitação do outro, do que foge aos padrões estabelecidos, a falta de respeito ao que é peculiar, diverso e diferente do que é entendido como a norma. Nesse novo contexto, Gibão, que esconde as suas asas, e o lobisomem Aristóbulo, por exemplo, continuam sendo metáforas, dessa vez do desejo da liberdade de serem como são.

 

R7 - Em tempos de julgamentos de casos de corrupção, como fazer para atualizar a temática de Dias Gomes?

Ricardo Linhares - Na primeira versão, não havia corrupção alguma, a censura provavelmente não permitiria. Agora, eu exploro todos os assuntos do noticiário. A novela é contemporânea.

 

R7 - Como "apimentar" o realismo mágico?

Ricardo Linhares - É curioso observar como existem algumas “lendas” equivocadas sobre o realismo mágico na novela do Dias. Dona Redonda, por exemplo, que é uma das personagens mais citadas quando se fala na novela, explodiu no capítulo 26 de um total de 160. No entanto, todos falam da personagem como se tivesse participado da novela inteira. Gibão mostra as asas uma única vez, na última cena do último capítulo. Enfim, a novela não é só realismo mágico ou efeitos especiais. Também existem disputas amorosas, comédia, romances complicados, situações folhetinescas, conflitos familiares, grande parte dessas tramas inventei para a minha novela. Se houver necessidade da história, posso usar situações mais apimentadas, já que o horário permite mais liberdadade, mas esse não é o foco.

 

R7 - Já tem elenco?

Ricardo Linhares -  Por enquanto, eu prefiro não falar de nomes.

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