21 Jun as 17h32
Cheiros e seus efeitos sobre o comportamento dos gatos
Por Equipe Cão Cidadão
O olfato dos bichanos, embora não seja tão apurado quanto dos cães, ainda é muito superior ao humano. Isso não significa que seja pouco desenvolvido, pelo contrário, o gato faz parte das espécies denominadas macrosmáticas: a zona olfativa do cérebro representa uma importante parcela no conjunto do cérebro desenvolvido.
Ser capaz de detectar um odor e reagir a ele, seja de maneira aprendida, seja instintivamente, pode garantir a sobrevivência, a alimentação e a reprodução.
Caça
Os cães costumam farejar rastros para perseguir sua presa. O gato quase não usa seu olfato para caçar, usa muito mais sua audição e visão. Mas ainda assim ele é capaz de identificar a presença de suas presas na região e até esperar por horas que elas saiam de suas tocas.
Comunicação
O olfato entra em jogo como um meio de comunicação para ler as mensagens deixadas por seus colegas felinos e por outros animais ou pessoas. Para ajudar nessa comunicação, os gatos possuem um órgão sensorial no céu da boca chamado vomeronasal ou órgão de Jacobson, que capta odores como os dos feromônios (odores que influenciam o comportamento dos outros animais). Estes cheiros sinalizam os parceiros sexuais, demarcam território e até revelam quando o animal tenta ser amistoso ou sente medo.
Gatos são obsessivos por controlar seus territórios. Cheiros conhecidos os relaxam, enquanto que cheiros novos e diferentes deixam-nos excitados ou estressados. Sempre algo novo é introduzido na casa o gato analisa com muito cuidado. Muitas vezes se esfrega ou urina sobre esse objeto novo. Uma dica é para evitar que ele faça isso é, ao introduzir um objeto novo na casa, passar sua mão deixando um cheiro conhecido, ou ainda incentivando o gato a se esfregar no objeto.
Reprodução
As fêmeas no cio usam os feromônios presentes em sua urina para atrair os machos. Ela urina mais vezes e em mais lugares. O macho que percebe fêmea no cio torna-se mais agressivo e agitado. Machos não castrados que vivem numa mesma casa podem começar a brigar ao detectar o cheiro de uma fêmea no cio, mesmo que ela esteja em outro prédio próximo ou em outro andar. Alguns machos também passam a demarcar a casa com urina, para infelicidade dos moradores. Essa alteração comportamental não costuma ocorrer com machos castrados, mesmo se a castração ocorrer depois de adultos. Por isso, para evitar marcações com urina ou até por fezes, recomenda-se castrar, principalmente os machos.
Olfato e paladar
O olfato está intimamente envolvido na alimentação. As moléculas que produzem o odor chegam ao bulbo olfatório, através da inspiração ou pela passagem retronasal,durante a expiração. Se houver alimentos na boca, este processo contribui para a percepção do paladar. Qualquer perturbação do olfato leva o animal a recusar a ingestão de alimentos.
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Texto Claudia Terzian (adestradora e consultora comportamental da Cão Cidadão)
Revisão Alex Candido
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