Por Equipe Cão Cidadão

broncas 1024x682 Bronca despersonalizada: o que é, e quando usar?

A utilização de broncas para reprimir alguns comportamentos indesejados dos peludos tende a ser um assunto polêmico. Isto porque muitos confundem “bronca” com crueldade ou castigos físicos.

Fica aqui o alerta: nunca, em hipótese alguma, deve-se utilizar de força física, brutalidade ou violência para com um cão ou qualquer outro animal. Nem mesmo quando o comportamento deixa consequências muito desagradáveis, como móveis e objetos estragados, ou mesmo quando o cão se mostra agressivo.

Na verdade, as broncas devem ser utilizadas quando se deseja interromper um comportamento indesejado, através de um desconforto que o cão sente no momento em que age daquela forma. Por exemplo: se o cão pula insistentemente nas pessoas para chamar a atenção, no exato momento em que ele adota este comportamento, utiliza-se um jato de spray para repeli-lo. Caso, passado algum tempo, ele não pule, mas se sente em frente a pessoa, deve ser muito recompensado. Pronto: aprendeu que, mantendo-se sentado, ganha atenção e carinho e, ao pular, tem um desconforto como consequência.

Mas o que seria bronca despersonalizada?

O exemplo acima demonstra uma situação onde o cão associa a bronca com a pessoa. Da mesma forma ocorre quando ele tenta pular na mesa da sala de jantar no momento em que a família está comendo. Ao ouvir um firme “NÃO” acompanhado de um chacoalhar de uma lata com moedas, passa a associar que este comportamento não gera coisas boas na hora do jantar.

Mas, e quando não há ninguém por perto e em cima da mesa há um apetitoso sanduíche? Os cães são mestres em observar os seres humanos e situações: rapidamente, notam que, sem alguém por perto, o limite não existe e pronto!

É exatamente para estas situações que são utilizadas as broncas despersonalizadas: para que o cão não associe a presença de alguém ao desconforto e, consequentemente, não queira mais agir daquela forma.

No exemplo da mesa com comida, sem ninguém por perto, poderia ser criado um mecanismo que disparasse um barulho alto quando o cão puxasse o sanduíche (um barbante amarrado a uma lata de alumínio barulhenta, por exemplo). Assim, o cachorro associa que o comportamento gera o desconforto e não o fato de haverem pessoas por perto.

Outro exemplo: espirrar spray amargo (próprio para treinamento e vendido em pet shops e lojas especializadas) nos móveis e objetos que o cão costuma roer ou mastigar. O gosto ruim poderá fazer o comportamento ser interrompido mesmo que o cão esteja sozinho em casa.

Algumas dicas importantes

O reforço positivo é o que, efetivamente, muda o comportamento de um cão. Assim, não se deve pensar que broncas o tempo todo serão suficientes, já que o cão somente irá aprender quando for constantemente recompensado (com petiscos, carinhos, atenção, brinquedos) pelos comportamentos desejados e esperados.
Broncas nunca devem apavorar um cão. A gradação de uma bronca deve levar em conta a sensibilidade do peludo e não o nível da “peraltice’. Se o cão for medroso ou muito inseguro, não deve levar uma bronca que utilize barulhos fortes, por exemplo.

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Texto: Cassia Rabelo Cardoso dos Santos (Adestradora Cão Cidadão)
Revisão e Edição Final: Alex Candido

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Para saber mais sobre os serviços de adestramento e consultas comportamentais da Cão Cidadão, acesse o site www.caocidadao.com.br.

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