Ir contra toda tendência pode ser uma certa teimosia, burrice ou um ponto de vista além do da maioria cega.
Não celebrar a vida das celebridades, não saber quem é o tal cantor ou tal participante de programas é quase um sacrilégio. E cultuar celebridades para quem trabalha com comunicação é o mesmo que falar de faturamento, de dinheiro, de audiência e de poder dentro de uma empresa.
Agora os portais, sites, revistas e até jornais ganham dinheiro falando da vida boba dessas pessoas, como se isso fosse mudar o rumo das coisas. Mas não dá para fugir disso.
Os maiores salários hoje nos meios de comunicação estão entre os que falam sobre as celebridades e candidatos a isso. Ser celebridade é ser o herói da vez, nem precisa saber fazer nada. É ser famoso pela própria fama. Aliás, as celebridades dizem ter muita personalidade, mas na verdade acabam ficando todas com a mesma cara. Os homens com o mesmo corpo, tipo de cabelo e barba e as mulheres que fazem o mesmo tipo de plástica. Barriga tanquinho e peito grande de silicone são as estrelas da nossa era.
Afinal o que interessa para o universo das celebridades é a audiência e número de seguidores, não querem saber de personalidade ou inteligência.
Obviamente é bem melhor cultuar uma celebridade do que um ditador, mas lá na frente, num futuro próximo o resultado vai ser parecido. Claro que o ditador tem um efeito de violência absurdo e a celebridade conquista pela superficialidade e mercado. Mas o nivelamento do intelecto é bem parecido no final das contas.
O ditador não quer ninguém pensando muito e a celebridade quer que as pessoas comprem muito e pensem menos ainda.
Infelizmente as celebridades tomaram conta do mundo e num mundo onde poucos pensam, os ditadores surgem com facilidade num momento de crise. Imagine se a situação financeira começar a ficar ruim no país, quem vai ganhar as próximas eleições? Vai ganhar o candidato que falar com mais força e demostrar que a força resolve tudo através da repressão. O discurso dele vai inventar um inimigo em potencial
Como esses candidatos que já surgem hoje. Alguns pregam coisas religiosas não pelo amor, que deveria ser a base de qualquer religião, mas pela falta de adequação a seus ideais de humanidade de alguns que eles entendem como inimigos. Os reacionários de direita e de esquerda extrema adoram encontrar inimigos e declarar violência e repressão como forma de progresso.
É meio triste pensar que o culto às celebridades venha a ser o caminho para a falta de elaboração intelectual e com isso um retrocesso político e humano.
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