nelsonmarconi Um balanço da semana

O professor Nelson Marconi da Fundação Getúlio Vargas

Em um balanço da semana, a economia apresentou dados positivos. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,2% em relação ao primeiro trimestre deste ano, como informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, para 8,25%, menor desde maio de 2013. A inflação ficou em 0,19%. Os números foram comemorados, mas dá para ser otimista?

Não muito. Quando o olhar se desvia para a dívida pública, o desânimo bate. O rombo nas contas do governo é de R$ 159 bilhões. O déficit primário ocorre quando o governo não consegue pagar todas as suas despesas não financeiras com o dinheiro arrecadado com tributos.

Para entender melhor esse cenário, o Economia em 5 Minutos ouviu o professor da Fundação Getúlio Vargas, Nelson Marconi, sobre o cenário econômico atual.

- Não sou otimista. A economia está estável num patamar muito baixo. Não vejo uma recuperação muito grande. Os salários estão baixos e o desemprego alto. Até podemos ter algum resultado no fim do ano, mas será baixo.

Para Marconi, a exportação de automóveis e a produção agrícola tiveram impacto sobre alguns setores da economia.

- Se aumenta a safra é preciso de transporte para escoar os produtos, por exemplo. Isso ajudou na recuperação da economia, sem dúvida, no entanto, é volátil porque a safra depende de fatores externos como o clima.

A produção industrial está abaixo de sua capacidade. Os investimentos para a indústria caíram.

- O governo abusa da taxa de câmbio, não dá atenção devida ao preço das exportações o que dificulta a indústria ser mais competitiva. É preciso que o governo faça concessões de serviços públicos e vote as reformas o mais rápido possível. Mas acho muito difícil votar a reforma da previdência ainda este ano.

Uma saída apontada por Marconi para a situação atual está em derrubar rapidamente a taxa de juros, que ainda é muito alta no Brasil. O controle dos gastos é fundamental. Sem ajuste fiscal, o governo tem menos recursos para investir, o que prejudica a retomada do crescimento econômico.