banco central 5 3 O Banco Central e o seu emprego

Banco Central divulga a ata do Copom (Agência Brasil)

O Banco Central divulgou nesta terça (12) a Ata da reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, realizada nos dias 5 e 6 de setembro. Neste documento são apresentados os argumentos para a tomada de algumas decisões como a redução de um ponto percentual da taxa básica de juros, para 8,25% ao ano, além de indicações do que esperar para as próximas reuniões que ocorrem em outubro (24 e 25) e dezembro (5 e 6).

Mas, antes de comentar a Ata um fato curioso que diferencia a forma de comunicação e prioridades do nosso Banco Central em relação ao norte-americano, o Federal Reserve (FED).

Sabe quantas vezes a palavra “emprego ou desemprego” foi mencionada na Ata divulgada hoje? Apenas 2 vezes.

E na do FED divulgada em 16 de agosto? 27 vezes. Isso mesmo, você leu certo: vinte e sete vezes! Para ilustrar a realidade, a taxa de desemprego nos Estados Unidos é de 4,4%, enquanto no Brasil ela está em um patamar elevado, 12,8%.

Este é mais um exemplo de como precisamos repensar o nosso modelo de Banco Central, também incorporando um mandato para o emprego e não apenas o controle da inflação – questão que comentaremos em outro post.

Retomando a Ata divulgada hoje, os membros do Copom sinalizaram que o ritmo de cortes na taxa Selic deve ser menor na reunião de outubro, possivelmente 0.75 ponto percentual, com a taxa sendo reduzida para 7,5% ao ano. E para a última reunião do ano, em dezembro, deve chegar a 7% ao ano.

Destaco o trecho da Ata com essa indicação:

Os membros também debateram o ritmo de flexibilização adequada para o atual estágio do ciclo. Concluíram por sinalizar de forma condicional que, caso a conjuntura evolua conforme o cenário básico do Copom, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, uma redução moderada na magnitude de flexibilização na próxima reunião parece adequada sob a perspectiva atual.

Outro ponto que vale a menção foi a defesa do COPOM pelo programa de desestatização em curso:

Por fim, os membros do Copom destacaram a importância de outras iniciativas (como os recentes anúncios de privatização e concessões) e investimentos em infraestrutura que visam aumento de produtividade, ganhos de eficiência, maior flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de negócios. Esses esforços são fundamentais para a retomada da atividade econômica e da trajetória de desenvolvimento da economia brasileira