dinheirospRafaelNeddermeyer Seu bolso: siga o passo a passo  de “Como Investir no Tesouro Direto”

Aprenda a investir no Tesouro (foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas)

O Tesouro Direto é uma das melhores alternativas para os investidores aproveitarem o patamar ainda elevado das taxas de juros.

Ele é democrático e permite aos pequenos investidores acesso a retornos atrativos. Antes, os investidores ficavam restritos a aplicações com fundos de investimentos e produtos bancários que exigem quantias maiores. Hoje, o Tesouro atrai cada vez mais adeptos.

Prova disso é o novo recorde registrado em julho, quando superou pela primeira vez a marca de 1,5 milhões de investidores cadastrados. Com 54.698 novos participantes, o programa chegou a 1,539 milhões de inscritos, o que representa um crescimento de 73,9% nos últimos 12 meses.

Mas, apesar dos recordes, este patamar ainda é baixo, perto do número de pequenos aplicadores que ainda optam pela caderneta de poupança. Fora aqueles que ainda não são investidores.

Para esclarecer as principais dúvidas, o Economia em 5 Minutos elaborou um pequeno guia do passo a passo para quem deseja investir no Tesouro Direto. Para quem já investe, veja dicas para aprimorar conhecimentos e estratégias.

O que é o Tesouro Direto?

É uma parceria do Tesouro Nacional e da BM&F BOVESPA para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas por meio da internet.

O que são títulos públicos federais?

São instrumentos de renda fixa emitidos pelo Governo Federal para cobrir o déficit orçamentário e/ou antecipar receitas. Em outras palavras: você está emprestando o seu dinheiro ao governo federal em troca de uma remuneração que dependerá do tipo de título e o prazo do título adquirido.

O que é preciso para investir no Tesouro Direto?

Basta ter um CPF e escolher uma instituição financeira que poderá ser um banco ou corretora. Esta instituição será o seu agente de custódia e vai intermediar suas compras e vendas com o Tesouro Nacional.

Quais são os custos para utilizar o Tesouro Direto?

São duas as taxas cobradas no Tesouro Direto:

1.Taxa de custódia da BMF&BOVESPA de 0,3% ao ano, referente aos serviços de guarda dos títulos e às informações e movimentações dos saldos;

2.Taxa das instituições financeiras que varia de 0% a 2% ao ano, independentemente do valor do seu investimento. Para consultas a lista das instituições habilitadas e a taxa que elas cobram acesse:

http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto-instituicoes-financeiras-habilitadas

 

Como escolher a melhor instituição financeira?

A melhor instituição financeira para a sua necessidade será a que oferecer uma taxa competitiva, um excelente departamento de atendimento ao cliente e uma parte educacional ativa e à disposição para enriquecer o repertório de conhecimento do investidor.

 

Qual é a aplicação mínima?

Quantidade mínima de compra é a fração de 0,01 de um título, ou seja 1% do valor de um título, desde que respeitado o valor mínimo de R$ 30.

Por exemplo, se um título está cotado no momento a R$ 2.900,00, a fração de 0,01 representaria R$ 29, o que não respeita o segundo critério de valor mínimo de R$ 30, portanto seria necessário comprar ao menos 2% do valor do título, ou seja R$ 58.

O valor máximo para aplicação é de R$ 1 milhão por mês, e não há limite financeiro no caso de vendas.

Em que horários posso comprar e vender os títulos?

O site do Tesouro Direto fica disponível para realizar consultas 24 horas por dia, 7 dias por semana. Nos dias úteis, das 9h30 às 18h, você poderá investir e resgatar com os preços e taxas disponíveis no momento da transação. Das 18h às 5h e ao longo de todo o fim de semana ou feriado, os preços e taxas exibidos no site do Tesouro Direto são apenas para referência. Você poderá realizar investimentos e resgates, mas serão considerados os preços e taxas de abertura do mercado do próximo dia útil. Nos dias úteis, das 5h às 9h30, o sistema fica em manutenção.

 

Quais são as modalidades de aplicação?

Investimento Tradicional

O investimento tradicional refere-se às operações de compras e vendas que podem ser realizadas a qualquer momento do dia, dentro do período de funcionamento do Programa. Após o acesso à área restrita ao investidor, por meio do site do Tesouro Direto ou do site da sua instituição financeira, é possível escolher, entre os títulos disponíveis para compra, aquele que melhor se encaixa em sua preferência. O valor da compra poderá ser ajustado pela quantidade de títulos desejada ou pelo montante total a ser investido.

 

Investimento Programado

O investimento programado contempla o agendamento de compras e vendas, a reaplicação automática dos juros semestrais (cupons) e do valor a ser resgatado nas datas de vencimento dos títulos. Representa, assim, mais uma conveniência para você planejar suas finanças.

 

Como funciona a tributação?

Os impostos cobrados sobre as operações realizadas no Tesouro Direto são os mesmos que incidem sobre as operações de renda fixa, como fundos de investimento e CDBs:

IOF (imposto sobre operações financeiras) regressivo cobrado somente em aplicações com prazo inferior a 30 dias e IR regressivo sobre os rendimentos, conforme prazo de permanência com o título abaixo:

Tabela do IR devido para determinado prazo de permanência:

22,5%            até 180 dias

20%               de 181 a 360 dias

17,5%             de 361 a 720 dias

15%                acima de 720 dias

O Imposto de Renda só é cobrado no vencimento do título, no recebimento de juros semestrais ou em caso de venda antecipada.

 

Quais são os tipos de títulos e qual devo investir?

A primeira coisa a fazer é definir o horizonte de investimento, pois existem títulos com vencimento no curto (1 ano ou mais), médio (3 anos ou mais) e longo prazo (10 anos ou mais).

O ideal é casar o horizonte de investimento com o vencimento do título, caso contrário o investidor estará sujeito às flutuações nos preços dos títulos ao longo do tempo.

O Tesouro Direto lançou no dia 21 de setembro um simulador para que cada investidor descubra o título mais indicado aos seus objetivos financeiros e, de uma maneira inovadora, compare a rentabilidade desse título com as principais alternativas de renda fixa disponíveis no mercado

Link para o Simulador: http://www.tesouro.gov.br/simulador-td

Mas em relação aos títulos temos basicamente dois tipos, os prefixados e pós-fixados.

 

Prefixado:

No prefixado é possível saber a rentabilidade nominal que receberá se mantiver o título até a data do vencimento.

Exemplo: Um título prefixado que pague 12% ao ano pelos próximos 2 anos.

Os títulos disponíveis nessa modalidade são: Tesouro Prefixado (LTN) e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F).

O momento ideal para investir: quando a expectativa é de queda para a taxa básica de juros (Selic) no futuro. Justamente por isso estamos investindo em um título com uma taxa de juros predeterminada e que julgamos que no futuro não estará mais disponível.

Pós-fixados:

Neste caso só conhecemos a rentabilidade nominal na data do vencimento ou na venda antecipada.

Os títulos disponíveis nessa modalidade são

a) Tesouro Selic (LFT) que acompanha a evolução da taxa básica de juros, a taxa Selic.

O momento ideal para investir é quando nossa expectativa é de alta para a taxa básica de juros no futuro e para horizontes de investimento de curto prazo.

b) Tesouro IPCA + Juros Semestrais (NTN-B) e Tesouro IPCA (NTN-Principal) que oferecem uma taxa de juros predefinida no momento da compra do título mais a variação da inflação, apurada pelo IPCA.

Nestes títulos o investidor no momento da aquisição sabe qual será a taxa de juro real, ou seja, já descontada a inflação do período, se mantiver o título até a data do vencimento.

Por exemplo, um título Tesouro IPCA que foi comprado com uma remuneração de 6,5% ao ano + IPCA com vencimento em 2019, significa que o investidor vai receber até o vencimento uma taxa de juro real (descontada a inflação) de 6,5% ao ano.

O momento ideal para investir é quando nossa expectativa para a taxa de juro real (taxa básica de juros descontada à inflação) no futuro é de baixa, e, portanto, estamos aproveitando elevadas taxas de juro real e que julgamos que no futuro não estarão mais disponíveis.