frthaleruniversityofchicago O Nobel e os maus hábitos com o dinheiro

Richard H. Thaler ganha o Nobel por unir economia e comportamento (Foto: Universidade de Chicago)

Na manhã desta segunda (9) foi anunciado o Nobel de Economia 2017 para Richard H. Thaler por suas contribuições para a economia comportamental, com destaque para sua teoria da contabilidade mental que explica como as pessoas simplificam a tomada de decisões financeiras.

Como Thaler demonstrou, quando lidamos com o dinheiro nem sempre somos racionais e coerentes. Isso explica porque mesmo ganhando muito bem, algumas pessoas acumulam dívidas e não patrimônio. E por outro lado, pessoas com pouca renda, mas que evitam maus hábitos financeiros, conseguem prosperar ao longo dos anos.

Para ajudar nesta tarefa, o Economia em 5 Minutos listou maus hábitos que são os grandes sabotadores do sucesso financeiro e que devem ser evitados.

 Evite as contas mentais

Este é um dos hábitos mais perigosos porque a mente humana induz a cometer erros banais, sem nos darmos conta disso. O cérebro separa em nossa memória o nosso dinheiro e bens em compartimentos diferentes, com base na origem de cada um.

Desta forma, é muito comum observar pessoas utilizando o limite do cheque especial mesmo tendo dinheiro aplicado na poupança. Em poucas palavras, ela racionalmente aceita pagar 13% ao mês, enquanto recebe apenas 0,5% ao mês da mesma instituição.

Outro exemplo são as situações em que a sensação do gasto é diferente. O que ocorre quando utilizamos dinheiro em espécie ou cartão de crédito. No caso, a segunda dói menos no bolso, já que não estamos visualizando o dinheiro efetivamente sair do nosso bolso.

Fique de olho na inflação antes de achar que o seu dinheiro está rendendo muito.

Você já deve ter ouvido alguém se vangloriar de ter vendido um imóvel por um valor elevado, ou mesmo afirmar que investe na caderneta de poupança por ser seguro e não ter risco de perdas.

O hábito de não computar a inflação do período pode induzir a decisões equivocadas capazes de dilapidar qualquer patrimônio. O que adiante ter um rendimento de 6%, quando a inflação no período foi de 10%?  Ao final do investimento, nosso poder de compra é menor do que antes e somos capazes de comprar menos coisas do que antes.

Calcular o retorno real, isto é descontar a inflação do período, é a única forma de verificar se ocorreu ganho ou perda de poder aquisitivo em um investimento ou renda.

 Viver acima das possibilidades é o caminho para a falência pessoal

Não há mistério: os gastos devem sempre respeitar o limite da renda pessoal. Quem ignora isso apenas acumula dívidas e pode estar sedimentando o caminho para a falência pessoal.

Com o patamar atual nas taxas de juros em modalidades como cheque especial e cartão de crédito rotativo, uma pequena dívida se transforma em grande em pouco tempo.

Quem utilizar hoje R$ 1.000 no cheque especial estará com um saldo devedor de R$ 1.458,65 em apenas 3 meses (considerando a taxa de juros média, divulgada em setembro de 13,41% ao mês, ou equivalente a 352,70% ao ano).

Já em 6 meses, a dívida teria dobrado, com um saldo devedor de R$ 2.127,68.

No cartão de crédito, a taxa de juros do rotativo é ainda mais explosiva e em 6 meses o saldo devedor já seria de R$ 2.230,24 (considerando a taxa de juros média, divulgada em setembro de 397,4% ao ano).

Não acredite que poupar é o bastante

Sim, poupar não é suficiente. Com o efeito do fenômeno da inflação, o investidor precisa de investimentos que no mínimo superem a inflação do período, caso contrário, no melhor cenário estará mantendo o poder de compra e todo aquele esforço de se privar do consumo terá sido em vão.

Do início do Plano Real em julho de 1994 até setembro de 2017, a inflação oficial acumulou alta de 467,01% isto significa que o que comprávamos no início do plano com R$ 1 hoje precisamos de R$ 5,67 para comprar as mesmas coisas.

Para quem não se contenta em apenas manter seu dinheiro e almeja a independência financeira deve focar no crescimento da renda e no controle de despesas. O crescimento implica na busca constante de novas fontes de renda e investimentos que superem a inflação.