caixa Como as mudanças na Caixa podem afetar seu bolso

O governo estuda transformar a Caixa Econômica Federal em uma empresa de sociedade anônima, modelo pelo qual o capital será dividido em ações, similar ao do Banco do Brasil. A notícia tem gerado muita controvérsia e questionamentos quanto aos possíveis impactos as linhas de crédito do banco e ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

Por que o governo estuda esta possibilidade?

A Caixa está perdendo a capacidade de emprestar recursos, cancelando linhas de crédito e reduzindo limites para o financiamento imobiliário e se aproxima do limite para o cumprimento do acordo internacional de Basileia 3, que fixa um patrimônio mínimo sobre o volume de seus ativos, de maneira a proteger os depositantes e evitar quebras. Para ser considerada uma instituição financeira sólida, o índice de Basileia deve ser cumprido e de preferência com certa folga.

A partir de 2019, as instituições do porte da Caixa devem ter pelo menos um índice de 14%, ou seja, para cada R$ 100 emprestados, o banco terá que ter pelo menos R$ 14 de capital dos sócios (próprio). Em agosto, o índice do banco foi de 14,85%, acima deste patamar, mas bem próximo do limite.

Portanto, para a Caixa manter e ampliar o ritmo de concessão de crédito precisa aumentar o seu patrimônio líquido e reduzir a inadimplência que tem afetado sua rentabilidade, com o aumento de despesas com provisões para créditos duvidosos.

Em relação ao aumento do patrimônio, a crise fiscal atual não permite qualquer aporte do Tesouro Nacional. Resta a Caixa, como opção, buscar outras fontes de captação, como uma abertura de capital similar a feita com o Banco do Brasil, cujo acionista majoritário ainda é a União, mas parte das ações foram negociadas no mercado.

A adoção deste modelo de economia mista também pode contribuir para a uma melhor gestão e redução da inadimplência da carteira de crédito, uma vez que decisões de investimento e desembolsos que coloquem em risco a saúde financeira da instituição seriam contestadas pelos acionistas minoritários, o que não ocorre hoje, já que o único acionista é a União.

Enfim, não há atalho ou um caminho fácil para a Caixa. Ou levanta capital e reforça seu patrimônio ou perderá ainda mais a capacidade de emprestar, sem falar no risco de descumprimento do acordo de Basileia.

A conta dos anos de forte influência política chegou, mas ainda há tempo para uma drástica mudança de rota.