gas de cozinha 13102015 001 850x565 O gás está mais caro e deve aumentar ainda mais

Gás de cozinha está mais caro (Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília/Foto Públicas - 13.10.2015)

Já está valendo, desde o último domingo (5), o aumento anunciado pela Petrobras de 4,5% no preço do gás de cozinha para uso residencial (GLP 13). Se o reajuste for repassado integralmente ao consumidor final, o botijão pode chegar a aumentar em média 2%, uma alta de R$ 1,21, segundo os cálculos da companhia — mantidas as margens de distribuição e de revenda e as alíquotas de tributos. No ano, o preço médio do gás já acumulava, antes deste novo reajuste, alta de 15,84%, quando o preço médio saltou de R$ 55,61 em janeiro para R$ 64,42 em outubro. Este foi o quinto reajuste, desde a adoção da nova política de preços iniciada em junho que considera a média mensal dos preços do butano e propano no mercado europeu, mais uma margem de 5%.

Confira os cinco reajustes e a única redução anunciada pela Petrobras desde junho:

•          4/07:    -4,5%

•          4/08:    +6,9%

•          5/09:    +2,2%

•          25/09:  +6,9%

•          10/10:  +12,9%

•          3/11:    +4,5%

Mas, por que o preço precisa acompanhar o mercado internacional? Podemos esperar novos aumentos? O Economia em 5 Minutos responde e antecipa uma nova mudança na política de preços que está sendo proposta e que pode acarretar no curto prazo em novos aumentos.

Por que acompanhar os preços internacionais?

Infelizmente, o país não é autossuficiente na oferta de gás e é obrigado a importar. E mesmo que não fosse, há o custo de oportunidade de se produzir e vender no exterior pela paridade internacional.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia projetou para os próximos 10 anos que a partir de 2020 o déficit de produção tende a diminuir, no entanto o país seguirá importador pelo menos até 2026.

Projeções oferta e demanda do GLP até 2026.

Oferta e Demanda O gás está mais caro e deve aumentar ainda mais

O preço internacional tem subido nos últimos meses?

Sim, tanto butano e propano se valorizaram significativamente desde julho, pressionando o preço internacional do gás e até o momento em clara tendência de alta.

Preço Butano desde janeiro de 2017

Butano O gás está mais caro e deve aumentar ainda mais

Fonte: Argue / Platts / Ino.com

 

Preço Propano desde janeiro de 2017

Propano O gás está mais caro e deve aumentar ainda mais

Fonte: Argue / Platts / Ino.com

 

E como funcionava a política de preços anterior? Ela causou prejuízos?  

Até junho deste ano, mesmo sendo um importador líquido, a Petrobras não acompanhava o mercado internacional, sendo que de janeiro de 2003 a 2015 a empresa não reajustou o preço uma única vez, o mantendo congelado.

Esta prática de preços médios no mercado nacional abaixo da paridade internacional foi utilizada com argumento de política social e para segurar a inflação, mas acarretou em perdas bilionárias para a empresa e seus acionistas. De acordo com o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo - Sindigás as perdas de 2006 a 2015 podem ser estimadas em US$ 12 bilhões, algo em torno de R$ 40 bilhões se considerarmos a taxa de câmbio atual.

Vendas Abaixo da Paridade O gás está mais caro e deve aumentar ainda mais

Fonte: Sindigás / ANP/ Petrobras

 

Além desta nova política de reajustes, o que mais pode mudar?

Somada a prática de preços abaixo da paridade internacional, a partir de 2005 a Petrobras passou a vender o GLP com dois preços diferentes, um para o produto envasado em botijões de 13 kg, para uso residencial e outro para vasilhames maiores ou a granel, mais usado por comércio e indústrias.

Atualmente, o preço do gás industrial/Comercial é cerca de 40% maior que o dos botijões de 13 Kg e também bem acima da paridade internacional! Uma grande distorção que penaliza a atividade produtiva no país.

O diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) defende o fim da diferenciação de preços para atrair mais investimentos ao setor, estimulando o aumento da oferta futura de GLP com a entrada de novos participantes na produção e na importação, atraídos pelo fim da distorção.

Mas, no curto prazo, quais impactos podemos esperar?

Negativos:

- Um aumento de preços para o consumidor do gás de cozinha (GLP13), já que hoje a diferença de preços chega a 40%!

- Redução da demanda, com maior influência sobre as famílias de classes menos favorecidas.

-Impactos inflacionários

-Impactos ambientais e de saúde negativos em caso de substituição por fontes mais poluentes.

Positivos:

-Possível redução no preço do gás para indústria e comércio

-Aumento da atratividade do setor e maior transparência de preços no mercado

-Aumento das receitas para a Petrobras

-Simplificação da fiscalização

Assim, como o setor elétrico, já passou da hora de corrigirmos todas as distorções deste setor que a cada ano se tornam mais caras de serem revertidas. Mas, para que as mudanças propostas não penalizem ainda mais as famílias de baixa renda é necessária uma política de mitigação dos impactos no curto prazo, mas de forma transparente e com os recursos explicitamente definidos no orçamento do Governo.