MercadoMunicipadeCuritibaJAELSON LUCAS SMCS 1024x682 Inflação baixa, mas por que os preços não caem?

Avalie a média de preços para calcular a inflação (Foto: Jaelson Lucas/Divulgação SMCS)

O IBGE divulgou nesta sexta-feira (8) que a inflação oficial, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 0,28% em novembro, resultado abaixo de outubro (0,42%). Já a inflação acumulada no ano está em 2,5%, o menor patamar desde novembro de 1998.

Porém, a maioria dos brasileiros discorda destes dados e afirma que pelo contrário, o custo de vida tem, sim, subido, principalmente com reajustes constantes na gasolina, gás de cozinha e energia elétrica. Mas, então por que o índice de inflação não está refletindo a percepção das pessoas?

O que ocorre é uma confusão em relação ao próprio conceito de inflação de preços e a metodologia de cálculo dos índices. Para esclarecer de uma vez essas dúvidas, o Economia em 5 Minutos preparou um pequeno guia sobre inflação.

O que é inflação?

É um aumento no nível geral de preços. Na média o preço dos produtos e serviços está subindo, mas como se trata de uma média, alguns produtos e serviços podem estar subindo, caindo ou estáveis.

O preço de determinado produto subir é inflação?

Não, a inflação como já foi dita não é medida de forma isolada em um produto ou serviço, mas considerando a variação média de uma cesta de produtos e serviços.

Eu li que a inflação foi baixa, por que não estou vendo o preço dos produtos caírem?

A inflação baixa significa que na média o nível geral de preços subiu, mas a uma velocidade menor, na média os preços continuaram subindo, mas a uma taxa de variação menor. Para que na média os preços dos produtos e serviços estivessem caindo seria necessário o índice registrar a chamada deflação.

Na prática, a inflação está baixa, mas saiba que isso não significa que na média os preços dos produtos e serviços estão caindo, na verdade, estão subindo em um ritmo mais comportado.

Como é calculada a inflação oficial, o IPCA?

O IBGE definiu uma cesta de produtos e serviços e considerou um peso para cada despesa no índice, por exemplo, despesas com alimentação representam 25,21% do índice total, habitação 10,91% e assim por diante. E como população-objetivo para acompanhamento foram selecionadas famílias com rendimentos mensais entre 1 e 40 salários mínimos, residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Brasília e o município de Goiânia.

A cada mês são comparados os preços desta cesta de produtos e serviços em relação ao mês anterior, para desta forma se obter o índice do nível geral de preços.

Portanto, a inflação pessoal de cada brasileiro pode divergir (e muito) do índice de inflação oficial, já que cada pessoa ou família tem um grupo de despesas diferentes. Por exemplo, um solteiro tem despesas diferentes de alguém casado e com dois filhos pequenos, por isso cada um deve monitorar sua própria inflação pessoal – avaliar se o custo de vida está subindo ou caindo em relação ao mês anterior, para um mesmo grupo de despesas.