minas gerais

A seca e a hipocrisia

Eu queria sugerir que a gente fizesse um paralelo entre os discursos e a prática dos nossos governantes em relação à escassez de água. É de doer o quanto são cínicos ao pedir compreensão da população e, paralelamente, continuarem a ameaçar o que ainda temos de nascentes. No caso da capital, o prefeito reenviou à Câmara Municipal projeto que autoriza a construção em até 15 por cento das nossas áreas de lazer, parques, praças, etc. Quem conhece minimamente Belo Horizonte sabe da dificuldade de se encontrar terrenos e pode contribuir com Márcio Lacerda na busca de espaços para construir escolas, postos de saúde e outros equipamentos. Eu já dei algumas sugestões e uma delas é exigir dos empreendedores que deem contrapartida de verdade. Exemplo: para se construir 700 novas lojas na já saturada Raja Gabaglia, a construtora deveria criar alternativas de trânsito e ainda doar uma creche ou uma escola àquela comunidade tão carente da região.

Mas, pior mesmo aconteceu em Nova Lima, na semana passada quando, atendendo a um pedido do prefeito Cassinho, os vereadores aprovaram em cinco minutos a construção de mais prédios no Vale do Sereno. Dizem que serão mais 50 torres... Em frente ao Vale dos Cristais e ao lado da estação de tratamento de esgotos da Copasa, que já está sendo ampliada porque não cabe mais de tantas fezes que descem desde as “seis pistas”. Como querem nossos líderes que acreditemos em seu apelo para economizar hoje se continuam ignorando o amanhã.

Por seu turno, o governador Fernando Pimentel reafirmou ontem a ameaça de racionamento num futuro próximo e prepara o ambiente para uma nova taxa. Ou seja, no fritar dos ovos, a gente economiza, a gente sofre a ameaça, a gente paga a conta e os juros... Mas, quando vão autorizar a ocupação das últimas áreas verdes que temos não somos consultados, não nos consideram parceiros e nem ouvem nossos alertas. Essa é a democracia representativa... Depois, fazem seminários, gastam fortunas com pesquisas para entender porque aumenta assustadoramente o número dos que não querem votar, têm raiva de políticos e estão com sede... De Justiça!

O menino e o deputado

Um deputado mineiro me contou que sua rotina sofreu alteração neste ano. Pelo menos uma vez por semana acompanha o filho, de 10 anos, à escola. Não, ele não o fez por livre e espontânea vontade ou por perceber que isso é fundamental na formação do filho. Ele tenta evitar a repetição do que aconteceu em setembro do ano passado quando, na reta final da disputa eleitoral, o filho perguntou à mãe se o deputado tinha chances de reeleição. A mãe, surpresa, disse que sim, quer dizer, que o pai tinha alguns mandatos e estava trabalhando em várias regiões, portanto, havia sim chances reais de mais um mandato. O menino não ficou feliz e explicou à mãe:

“Não quero que ele ganhe. Eu queria que o meu pai fosse um advogado porque tenho um amigo cujo pai é advogado e todo dia ele leva o filho ao colégio; o meu pai nunca me levou”.

O deputado sentiu o golpe e jura que agora, “pelo menos uma vez por semana”, vai acompanhar o pimpolho ao colégio. Divido com vocês esse fato na esperança de que outros pais descubram a tempo a importância de pequenos gestos na criação dos filhos. E dou um depoimento pessoal. Há uma diferença de idade considerável entre minhas duas filhas. Quando a Fernanda era criança, sempre que possível ia com ela e a mãe para colônias de férias do Sesc, hotéis-fazenda, esses lugares nos quais os pais descansam e as crianças se divertem. Ela cresceu; muitos anos depois repeti os mesmos programas com Sara. Fiquei espantado com a diferença de comportamento dos pais de agora. Eles trabalham a semana inteira e, quando há espaço para um programa de família, vão para esses hotéis. Só que o pai fica no churrasco, no futebol ou na sinuca e a mãe na espreguiçadeira, com o bumbum ao sol, óculos escuros e lendo revista de fofocas. De vez em quando a babá traz a criança, a mãe dá um oi muito rápido e diz: “Leva”. Há também os casos em que as crianças ficam o fim de semana inteiro com a equipe de recreação do hotel.

Por isso é que temos jovens tão desajustados, em todas as classes sociais e econômicas. E os pais não percebem que perdem a melhor fase de contato intenso porque, depois, como diz a canção, os filhos são como passarinhos – criam asas e querem voar. A filha de 13 anos do deputado já não quer que ele a acompanhe à escola. “Que mico, pai”, disse ela quando ele tentou recuperar o tempo perdido. É a vida!

Você poupa seus atletas?

Faço parte do time cada vez maior dos que não têm aquela vontade incontrolável de ir ao campo de futebol. Fizeram de tudo para acabar com meu fanatismo: tiraram estacionamento, proibiram a cerveja, implicaram com a bandeira, fizeram do Mineirão um deserto concretado, venderam ingressos para cadeira de onde não se vê o jogo no Independência... Sem falar na violência, nos chatos que querem te contar um caso enquanto a bola rola e dos inconvenientes – tipo aqueles que fazem xixi no copo e jogam nos outros ou os que insistem em fumar maconha ao nosso lado.

Mas, francamente, o que mais espanta torcedor é o comportamento dos boleiros. Técnico de futebol virou sinônimo de divindade no Brasil: podem tudo, são teimosos, não aceitam críticas, dão chilique se a pergunta não agrada e fazem cada coisa. O que está me irritando neste momento é um senhor digno de respeito, gente boa, daqueles que a gente gosta de ouvir. Tem bom senso, tanto que admite ser “um burro com sorte”. Mas, por que o Levir Culpi tem proporcionado tanta tristeza aos atleticanos neste ano de 2015? Ele está conseguindo devolver ao Atlético aquele ar de time derrotado de anos atrás, inventando cada uma! Levou o time para Santiago e perdeu um jogo relativamente fácil. Queixou-se de “falta de espírito de Libertadores” e, ao invés de punir a turma, obrigando todo mundo ficar na concentração até enfrentar o América, no domingo, liberou geral, para “poupar” os titulares. Os cronistas apoiaram, pois, afinal, Marcos Rocha e Prato já tinham machucado em outro jogo do Mineiro. Ora, o lateral Pedro machucou num treino... Essa bobagem de poupar jogador vinte dias depois de iniciada a temporada é absolutamente inaceitável. Pensei que era só eu, mas, ao consultar com o doutor Claudio Junqueira, atleticano que vai aonde o time está, ele queixou-se da mesma coisa, acrescentando que, além de atividades administrativas, atende 35 consultas por dia e, quando está muito cansado, costuma aparecer uma cirurgia, de quatro, cinco horas... De retina!

Jogador tem de jogar. Existem fisiologistas bem pagos para poupar um ou outro, até porque as pessoas são diferentes. O Levi deve nos poupar de ouvir essa história de “poupar”, mas, se fizer muita questão, pode poupar (para sempre), Conceição, Ed Carlos, Maicossuel, Jô, André e mais meia dúzia.

O mundo surtou de vez!

Dá uma reparada nas últimas notícias e me diz se o mundo não está maluco. Aqueles mascarados cortando o pescoço dos outros do outro lado do planeta, países respondendo com execução de presos, o aquecimento global, o calor, a chuva no Amazonas, a seca no Sudeste, o cão da PM mordendo o jogador no campo, o Emerson Conceição escalado de novo...

Aonde vamos parar? Essa do juiz que apreendeu o carro de luxo do Eike Batista e foi para casa nele passou de todos os limites. Diz o doutor Flávio Roberto Batista que não havia vagas para todos os veículos no pátio do tribunal; então, escolheu os dois mais chiques e levou para a própria casa, ou melhor, a garagem do prédio em que mora. O juiz foi fotografado ao volante do Porsche Cayene, entrando por porta lateral do prédio em que trabalha. É ou não é Armageddon?

Mas, não é só. Em Monte Carmelo, no interior de Minas, um jovem revoltado porque o papai foi denunciado por safadeza resolveu matar o promotor e, não bastante a insanidade, ainda planejou o atentado para a porta do fórum... Isto depois de desfilar por ali, deixar-se ver rondando a área e esperando o momento exato.

E se você pensa que na Assembleia Legislativa é diferente, está enganado. Enquanto denuncia os tucanos, que “deixaram um rombo de 5 bilhões de reais no orçamento”, o líder do novo governo, Durval Ângelo, diz que o auxílio moradia para os deputados é outra coisa. E que a imprensa deveria questionar é o mesmo benefício para juízes, promotores e outros diferenciados. Fora dos microfones, Durval e os “velhos da casa” estão passando por uma pressão inacreditável dos novos: é que agora, para fazer jus a 75 por cento de tudo o que levam os federais, os deputados mineiros querem aumentar a verba de representação... E os recém-chegados, com a cara vermelha, estão pedindo calma, com medo de não conseguirem andar nas ruas do Estado.

E todo mundo tem sempre uma resposta, uma explicação. O Collor diz que não recebeu 3 milhões, Agripino diz que não levou 1 milhão... Até o infeliz que mandou matar a amante e seus dois filhos, bebês de dois meses de idade, negou, transferindo a culpa para o matador que, como bom brasileiro da era da pedra lascada, perguntou: “A mulher é sua, os meninos são seus e o problema é meu?”.

Vamos trabalhar?

Agora sim. Acabou o Carnaval, as aulas vão engatar, o horário de verão se foi e a gente vai trabalhar. Trabalhar? É, sim, essa é a palavra, lembrando que, se por um lado teremos oportunidades de emendar alguns feriados ao longo do ano, em 2015 não há nem eleição e nem Copa. Então, vamos arregaçar as mangas e ir à luta. Estou sinceramente preocupado com o clima no país. Não há uma só pessoa com a qual converso que não fala de pessimismo. E as transações paradas. O mercado imobiliário vive esperando a reação. Nas revendas de veículos o clima é de desolação. Sem falar nos tradicionais setores como comércio e indústria. Até na comunicação tem veículos passando aperto neste começo de ano.

Se eu fosse você evitaria dívidas, faria um orçamento conservador e cuidaria do que não pode ficar para depois, como as despesas pessoais, a educação dos filhos, o plano de saúde e os impostos básicos. O chefe da família e o líder da pequena empresa devem fazer a mesma coisa: pedir a colaboração de todos e de cada um para que juntos, muito unidos, possamos vencer os desafios de 2015 que não serão pequenos. Agora é hora de pedir o máximo de cada um para enfrentar todos os baques que virão - da energia, da água, do aumento de impostos, dos escândalos públicos, da crise externa, etc. Agora também é hora de mostrar que, por maior que seja a crise, com certeza sairemos dela e precisaremos estar mais fortes do que nunca.

Mas, não é com desespero e alarme que vamos tocar a bola. Até porque até maio a gente trabalha mesmo é para entregar ao governo. É preciso lembrar que dificuldade sempre foi uma palavra comum na nossa rotina, infelizmente. Tivemos algum período de bonança, mar calmo e céu de brigadeiro, mas, não tínhamos capitães e pilotos capazes de fazer o barco e o avião seguirem no rumo certo. Então, é enfrentar as dificuldades com coragem e determinação, lembrando sempre que a crise é o momento ideal para quem é criativo. Assim, pego emprestado o nome do bloco de minha preferência entre os do Carnaval de Belo Horizonte – aquele, rosa, da Rua Guaicurus – para fechar: “Então, brilhe”!.

Ainda sobre o Carnaval

Continuo impressionado com a multidão que tomou conta das ruas de Belo Horizonte no começo da semana e com a escassez de análises sobre o fenômeno que assistimos. Por isso, corri atrás do Rudá Ricci, ontem, para ver se eu estava viajando ou se, de fato, a explosão de alegria do Carnaval tem a mesma origem que as manifestações de 2013. E ele também pensa assim, o que me libera para dividir minhas impressões.

Primeiro, é preciso lembrar que Rudá fez a melhor avaliação sobre aquelas manifestações que sacudiram o Brasil porque ele viveu de perto todas as emoções e escreveu um livro cujo nome diz tudo: “Nas ruas”. Desde então, ele vem repetindo que aquelas pessoas não tinham líderes, não tinham bandeira... Ao contrário, estavam – e estão – cansadas de partidos, discursos, as instituições de hoje não as representam. Agora, Rudá está concordando que a multidão que tomou conta de Belo Horizonte no Carnaval também não tem segundos interesses ou questões de ordem a levantar... Apenas, quer ser feliz, ocupar a cidade que é sua.

Foi um momento único, uma virada de página. Existem aspectos de difícil abordagem como, por exemplo, o fato de que algumas pessoas acharam as outras muito bonitas. Explico: os que têm mais poder econômico, usam cremes de qualidade, se cuidam melhor, geralmente ficam enfurnados em condomínios horizontais e shoppings centers... Agora, abandonaram os clubes, deixaram sua zona de conforto e foram para as ruas, se sentiram à vontade e aconteceu o que devia ser rotina na vida da cidade: todos os cidadãos juntos. Só os inocentes ou demagogos não percebem que moramos numa cidade hipócrita, na qual as pessoas ficam uma vida inteira segregadas... Ou alguém me diz que o mineiro que nasce no Belvedere, estuda na Escola Americana, tem casa no Morro do Chapéu e passa as férias em Miami vai se encontrar um dia com o filho de Venda Nova, que só passeia no Parque Municipal?

É um papo cabeça, perigoso, mas é preciso tê-lo. Afinal, quem mora na Pedreira Prado Lopes continua mudando o endereço na hora de procurar emprego. Quem vai ao Mineirão continua usando de transporte diferente, entrando por portões diferentes e ficando em espaços diferentes. Somos uma cidade excludente, que tem de se assumir e buscar fórmulas de virar o jogo.

A solução é o povo nas ruas

De novo, o Carnaval mostrou que a solução para alguns dos males recorrentes de Belo Horizonte é a ocupação das ruas pela população. O que se viu nos últimos cinco dias foi algo realmente arrebatador e definitivo: se a gente quiser, vira o jogo e vive mais feliz nesta cidade. Não foi preciso ordem por ofício, reuniões intermináveis de gabinetes ou pronunciamentos pomposos. As pessoas simplesmente foram para a rua, se encontraram, felizes, não houve violência, nem trânsito engarrafado e nem queixas contra nosso jeito de ser.
Há décadas que defendo um modelo diferente para o nosso Carnaval. Essa história de fazer desfiles das escolas e dos caricatos na Afonso Pena está superada há 30 anos. Não que os sambistas ainda resistentes não mereçam nosso respeito; ao contrário, é em homenagem a eles e à inteligência que precisamos acabar com a conversa de quando todos já estão na avenida, esperando algo pelo menos razoável e vem a justificativa esfarrapada de sempre: “Não foi possível fazer melhor, a verba só foi liberada pela Prefeitura há 3 dias...”
É simples. Quem quiser sair com um bloco só precisa avisar, por escrito, à Prefeitura. Importante frisar que alguns grupos se recusaram a fazê-lo este ano, o que não é cidadão, não contribui para a ordem pública e não devia ser permitido. Avisada, a Prefeitura se limitaria apenas a fornecer a estrutura básica, com fechamento de vias e instalação de banheiros. Por sua vez, a Polícia Militar garante a segurança. Não precisa gastar dinheiro público nem criar burocracias irritantes. Ninguém discorda de que se as ruas são ocupadas elas naturalmente se tornam mais seguras e a ausência de brigas ou vandalismos nos três primeiros dias me autorizaram a escrever essas linhas antes mesmo do término da folia.
O apelo é no sentido de que não tentem capitanear em cima das “Baianas Ozadas” ou de qualquer um dos blocos. Ano que vem tem eleição e, claro, vai aparecer um monte de espertalhão querendo assumir o filho bonito. Que a cidade não permita retrocessos! Que a turma da tristeza não vença de novo! Que não seja necessário impor término da festa as 7 da noite! Que os mais cansados fiquem em casa (como eu), descansando, sem atrapalhar! E que os chatos viagem nos próximos carnavais, de preferência onde serão bem recebidos... Como em Guarapari, por exemplo!

Temos o que merecemos

O velho taxista, de olhar distante e barba por fazer, desabafou enquanto o sinal vermelho não dava passagem: “Nós não merecíamos isso, não me conformo porque, depois de muito tempo, os mais pobres tinham alguma coisinha, estavam sonhando, os preços acomodados, a gente comendo melhor e agora tudo indo por água abaixo”. Compreendo a tristeza dele, mas, peço vênia para discordar. Cada dia acredito mais que cada um de nós tem exatamente o que merece e, se estamos vivendo dias acinzentados, não devemos transferir responsabilidades, culpar Deus ou o vizinho, o Nordeste, os analfabetos...

Primeiro, é preciso deixar claro para tucanos e petistas que, à luz da razão, da experiência de governos e equívocos, Luciana Genro tem muita razão quando os chama de primos: o sujo e o mau lavado. Dito isso, para não ficarmos polarizando a última disputa para a presidência, vamos esquecer a ação partidária e fazer, para nossa consciência, algumas perguntas, como as sugeridas por José Antônio Soares em seu face book: votou nesse ou naquele candidato porque ele iria facilitar sua entrada ou de um parente num emprego publico? Seu candidato lhe prometeu regularizar a situação daquele terreno que você invadiu a vários anos? Ele lhe prometeu um meio de você se aposentar antes do seu tempo de contribuição? Esse candidato por acaso é bonito ou bonita e você ficou atraído pela sua beleza durante a propaganda eleitoral? Você trabalhou para sua campanha e agora espera colher os frutos com um belo emprego de assessor parlamentar? O contemplado com seu voto é um artista de televisão, ex-jogador de futebol ou radialista famoso? Ele é um sindicalista, pastor, padre, pai de santo, guru e prometeu lutar pela classe? Seu patrão, gerente ou chefe pediu que votasse em fulano, pois, os negócios iriam melhorar e seu emprego estaria garantido? Se a sua resposta for sim a uma das perguntas, a culpa é sua.

Mas, independentemente do seu comportamento eleitoral, faça uma análise do seu dia a dia e confira se não gosta de estacionar em fila dupla, furar fila, roubar sinal de TV a cabo, compra recibo para abater no imposto de renda, compra produto pirateado em shopping popular, traz produto sem pagar impostos do exterior ou coisas desse tipo, pense na velha e surrada frase de que cada povo tem o governo que merece.

Horário de verão

O governo federal anuncia amanhã se prorroga o horário de verão nas regiões onde a mudança nos relógios já acontece desde o dia 19 de outubro. Quer que, em vez de terminar no dia 22 deste mês, seja prorrogado até março. Já ouvi que tal prorrogação vai ajudar pouco pela estimativa de que seriam economizados 0,4 por cento dos reservatórios de hidrelétricas — cifra que, embora pareça pífia, é importante, diante do cenário de crise hidrológica na região Sudeste. Ocorre que a justificativa de aproveitar a luz do dia e, assim, economizar energia elétrica parece sem sentido, considerando que o pico está acontecendo por volta de 2 da tarde quando ventiladores e aparelhos de ar condicionado estão à toda.

Mas, não sou técnico e nem quero discutir o assunto nestes termos, até porque haverá sempre um bom argumento dos bem pagos para criar um, dependendo da necessidade.

Eu quero é filosofar. Quero é saber por que quando se tem algo dessa natureza para discutir, o governo só chama meia dúzia de iluminados? Você pode ponderar, pois, se a cada decisão o governante tiver que consultar a nação inteira, não teremos resultados a tempo e hora. Só me pergunto é por que neste tipo de assunto, não chamam um operário que mora três horas distante do serviço, a enfermeira que precisa se deslocar as 4 da madrugada na escuridão para salvar vidas ou a dona de casa que, com o coração doendo, é obrigada a insistir com os filhos para levantar e ir para a escola. Será que os técnicos de Brasília sabem que aumenta o número de assaltos em pontos de ônibus nesta época? E que as vítimas – na maioria – sequer registram queixas, por não acreditar em apuração? Será que o ministro das Minas e Energia costuma sair de casa antes das 6?

Nessas horas, lembro-me de Jean-Jacques Rousseau e de uma de suas eternas afirmações: “"O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer 'isto é meu' e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: 'Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes de que os frutos são de todos e de que a terra a ninguém pertence.'"

O prefeito e o Carnaval

A propósito da última coluna publicada neste espaço, o Assessor de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Régis Souto, enviou-me e-mail fazendo ponderações que merecem publicação não apenas porque representam o contraditório, mas, especialmente porque ele respeita os jornalistas. Inicialmente, Régis lembra que, desde 2012, a PBH desburocratizou a vida dos blocos, bastando apenas o preenchimento de um cadastro na Belotur com informações básicas sobre dia, hora, local de concentração e roteiro do desfile para que tenham o apoio necessário e possam festejar de forma alegre, saudável e segura.

O secretário acrescenta:

“Além da simplificação de procedimentos, houve um significativo aumento nos investimentos para o Carnaval. Em 2009, primeiro ano de gestão, eram aproximadamente 1,3 milhões de reais. Hoje, já são quase 5,5 milhões, inclusive contando com aportes de patrocinadores que até bem pouco tempo atrás simplesmente desprezavam o Carnaval de Belo Horizonte. Esta expressiva ampliação dos recursos permitiu, por exemplo, que a Prefeitura planejasse o carnaval com 13 palcos em todas as regiões da cidade, descentralizando e democratizando a folia com mais de 90 shows, todos de artistas mineiros, prestigiando e reconhecendo os talentos da nossa terra.

Por outro lado, também há o apoio financeiro a eventos carnavalescos por toda a cidade, por meio do Edital de eventos da Belotur. Contam com o apoio da Prefeitura, por exemplo, o desfile da Banda Mole, a quem você se referiu, o Concurso de Marchinhas Mestre Jonas, o Baile dos Artistas, entre outros. Lembro também que há o apoio indireto. A Prefeitura disponibilizou para os Blocos de Rua um local privilegiado para os ensaios, que é o Largo da Saideira, tradicional espaço de eventos da Avenida Cristiano Machado.

Poderia citar uma série de outros fatos concretos, mas quero finalizar com um que é bastante simbólico. Nosso desfile das escolas de samba e blocos caricatos, que estava desprestigiado e distante da maioria da população lá na Via 240, na região Norte, finalmente voltou para o centro da cidade. Em 2011 foi na Avenida dos Andradas, às margens da Praça da Estação. E no ano passado conseguimos atender por completo a reivindicação dos carnavalescos das escolas e blocos. Voltamos com os desfiles para a Avenida Afonso Pena, algo que não acontecia desde l990. Daquele ano até hoje nada menos que seis prefeitos ouviram fervorosos apelos dos carnavalescos para que isso acontecesse. E aconteceu na gestão de Marcio Lacerda”.