minas gerais

Nada será como antes

A condenação de Gustavo Bitencourt a 6 anos e 3 meses de prisão, em regime semiaberto, vai dividir opiniões: muitos dirão que é absurdo o moço chegar ao tribunal sem a roupa de presidiário e voltar para casa com o direito de recorrer em liberdade; outros, demonstrarão toda a sua indignação pela condenação de alguém por acidente que pode acontecer a qualquer um de nós. A mim, só interessa o mais importante, que foi a realização do julgamento.

O que tivemos hoje, no fórum de Belo Horizonte, é mudança de paradigma, do modo de pensar, ser e agir de uma sociedade. Não importa se o Tribunal de Justiça vai anular o processo ou revê-lo, de modo a tornar Gustavo responsável apenas por crime culposo – aquele quando não se tem a intenção de matar. Não sofro se, ao final, ele pagar algumas cestas básicas, cumprir um período de reclusão voluntária e seguir dirigindo... Tudo o que acontecer para abrandar a pena do jovem é a prática, é a ladainha que nos contam doutos de notório saber jurídico e, claro, será a argumentação da defesa no recurso que certamente virá. O novo, nesse julgamento, é que a sociedade venceu a principal barreira – o moço foi a júri popular, ficou diante de nossos representantes e estes, os jurados, consideraram-no culpado. De homicídio. Crime contra a vida. Ora, se a lei nasceu para regrar hábitos e costumes, se ela deve se adequar às mudanças e ir aonde o povo está, normatizando do jeito que a gente vive de fato, é claro que chegou a hora de passarmos a tratar como crime o que efetivamente foge do habitual na condução de um veículo.

O que é acidente, na cabeça de qualquer mortal? É a gente descuidar um segundo, bater na traseira de outro ou, ao sair de casa, ainda sonolento e no horário de verão, atropelar um cachorrinho que apareceu de repente na garagem.

Pode-se chamar de acidente quando um jovem, já envolvido em ocorrência negativa no trânsito, dirige embriagado, em alta velocidade, na contramão de uma das principais avenidas da cidade e mata um pai de família que estava a caminho do trabalho, em plena madrugada? Ainda que o motorista no caso seja de família abastada, capaz de garantir o melhor (ou mais caro) advogado é difícil acreditar que não há crime doloso – isto é, quando a pessoa age sabendo que pode matar.

Não tenho nada contra o Gustavo. Acho até que seu purgatório dos últimos 9 anos já o fez pagar pela irresponsabilidade. O que não o desobriga de se apresentar a justiça, obedecer o monitoramento e pagar a indenização à família destroçada de Fernando Paganelli.

Não discuto tamanho e forma da pena. Só estou feliz porque a decisão foi colegiada, várias cabeças nos representaram e disseram: chega desse morticínio criminoso no trânsito.

Viva o promotor Francisco Santiago, viva a justiça, viva a vida!

“PORTUGUÊS”

Eu também não sabia que português é o único idioma em que se pode escrever um texto só com a letra P, mas, com o autor autoriza a publicação, vamos relaxar:

Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir. Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.

Pálido, porém perseverante, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris. Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas. Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se. Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo… "Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses".

Passando pela principal praça parisiense, partindo para Portugal, pediu para pintar pequenos pássaros pretos. Pintou, prostrou perante políticos, populares, pobres, pedintes. - "Paris! Paris!" Proferiu Pedro Paulo. -"Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir".
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: -Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias? -Papai, proferiu Pedro Paulo, pinto porque permitiste, porém preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal. Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus. Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro.

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A Justiça tarda… E falha!

No dia 28 de janeiro de 2004 uma camionete do Ministério do Trabalho percorria a zona rural de Unaí, noroeste de Minas, quando o veículo foi fechado, homens armados prostraram-se à frente e um deles anunciou assalto. O motorista preparava-se para descer quando recebeu o primeiro tiro na cabeça. Seus três colegas, auditores fiscais federais, tiveram o mesmo fim. Treze anos depois, os mandantes do crime continuam soltos e a autoridade que cuida do caso acaba de avisar que vai demorar até que os irmãos Mânica paguem pela chacina.

Na verdade, queriam matar Nelson José da Silva e, para tal, contrataram os pistoleiros. Quando dos preparativos, descobriram que dois outros fiscais estavam também na cidade e mais o motorista – este, aliás, dirigia para o delegado regional da época, Carlos Calazans, e pediu para fazer a viagem porque precisava do dinheiro da “diária”. Ligaram para os mandantes e a resposta foi “tora tudo”. Em 2013, os executores do crime foram condenados por homicídio triplamente qualificado. Rogério Alan Rocha Rios foi condenado a 94 anos de prisão, Erinaldo de Vasconcelos Silva, a 76 anos de reclusão e William Gomes de Miranda, a 56 anos de prisão.

Em outubro de 2015, a Justiça Federal de Minas Gerais condenou Antério Mânica, Norberto Mânica, Hugo Alves Pimenta e José Alberto de Castro. Os condenados receberam penas próximas a 100 anos de reclusão em regime fechado. Hugo Alves Pimenta, na condição de réu delator, teve sua pena atenuada, recebendo uma sentença de 46 anos, 3 meses e 27 dias de reclusão. Os quatro entraram com recursos protelatórios no Tribunal Regional Federal 1ª Região – TRF 1, em Brasília, com pedido de desaforamento do julgamento realizado em Belo Horizonte (MG). Com esse recurso, os condenados tentam anular a decisão do júri popular realizado na capital mineira, transferindo o caso para a Vara Federal de Unaí, Minas Gerais, para terem direito a um novo julgamento.

Em outubro do ano passado, Carlos Calazans procurou a Justiça Federal em Belo Horizonte para saber da juíza responsável a razão na demora da execução. Não acharam o processo. Agora, nesta semana, esteve em Brasília, em companhia das viúvas, para uma visita ao presidente do Tribunal Regional Federal, Ilton Queirós. Foram bem recebidos, mas, o que queriam saber - quando haverá julgamento do recurso, não conseguiram... O desembargador disse aquelas coisas de sempre... Muitos processos, outras prioridades... Calazans lembrou então que um dos advogados dos Mânica, Antônio Carlos de Castro, o Kakay, logo após o julgamento em Belo Horizonte, foi jantar com os clientes e falou em voz alta: “Fiquem tranquilos que agora é Brasília e lá é minha praia”. Segundo ele o presidente do TRF reagiu com tranquilidade: “Advogado é assim mesmo, fala, fala...”.

Resumindo: quatro mortos, chacinados, em crime premeditado, cuidadosamente planejado, desafiando a Justiça Federal, e, 13 anos depois, quatro viúvas, nove órfãos ficam com o sentimento de Calazans de que, de fato, no Brasil, quando se tem advogado influente a Justiça tem ritmo diferente, indecente, favorável aos endinheirados.

Eu tenho a solução

O Brasil está horrorizado com as notícias do sistema penitenciário e eu tenho uma péssima notícia: assim que a poeira baixar, não teremos medidas eficientes, capazes de mexer na estrutura dos presídios e mudar a nossa realidade. Falo com a experiência de 40 anos cobrindo os discursos e a inoperância das autoridades, sentindo de perto a situação só piorar. Quando ouço um “especialista” prever a possibilidade de as facções criminosas tomarem conta das cadeias, me pergunto onde ele se especializou que só sabe disso agora.

Aliás, por falar em “especialistas” – nome comumente dado a palpiteiros no país de hoje, quero jogar a modéstia de lado para dizer que tenho a solução para o problema. Na verdade, as soluções. E quem ouve a Itatiaia há mais tempo sabe que tenho repetido insistentemente o caminho. Primeiro, é preciso diferenciar quem é criminoso e quem é bandido... Ora, crime, eu, você, qualquer humano pode cometer, movido por emoção, falta de juízo ou soberba; o bandido é outra coisa, ladrão incorrigível, estuprador cruel, assaltante frio, político corrupto...

Vamos tratar primeiro do criminoso, que é a maioria esmagadora dos 700 mil presos brasileiros. Para este, temos de ter penas alternativas, com monitoramento do Estado: brigou no estádio, vai ficar lá, na porta, com colete amarelo (ou de outra cor que o identifique como pagador de dívida) ajudando a organizar fila, auxiliando pessoas com deficiência, etc.; ameaçou a mulher, vai dormir na delegacia e, depois, durante um período, por algumas horas diárias, ajudar num asilo. Outra infração digna de pena alternativa é o pichador... Esse vai lavar defuntos no IML. O cara que briga no trânsito vai passar por reciclagem e depois fazer palestras para crianças sobre paz na cidade... Enfim, todo mundo que sair da linha vai trabalhar com algo que remeta à necessidade de ser fraterno, educado, gentil... Nos casos graves, como homicídio, tem de ter a privação de liberdade. Na APAC! Já falei um milhão de vezes que, se fosse governador, chamaria juízes, promotores e prefeitos para construirmos uma APAC em cada município. Teríamos então 853 presídios onde a ressocialização é de fato possível; cada preso custa menos de mil reais por mês (três vezes menos que qualquer outro sistema) e tem 90 por cento de chances de não voltar ao crime... Precisa mais argumento?

Para o bandido, as cadeias estaduais e federais (estas em locais secretos e destinados aos líderes) com uma rotina simples: acordar as 6 da manhã, ducha fria ( não estou falando em chuveiro, mas, apenas, um cano com água fria), pão com manteiga e café, subir no caminhão, ir até a pedreira, quebrar pedra de 7 as 11hs, para almoço (arroz, feijão e verdura porque carne só domingo )... Ah, enquanto trabalham, os presos estarão com barras de chumbo presas aos pés e observados por agente armados e autorizados a atirar. Sem tortura, sem privilégio, sem rádio, sem TV, com visitas limitadas e sem contato físico.

Poderia escrever mais cinco laudas, mas, para quê se o básico é isso?

Alegria e trabalho

Na última semana do ano, no rádio e na TV, pedi às pessoas que falassem sobre a expectativa de ganhar a mega sena da virada, estimada em 250 milhões de reais, e fiquei impressionado com as respostas, por um detalhe: o quanto as pessoas sonham com a aposentadoria... Ou, pior, em deixar de trabalhar. Nunca consegui me imaginar sem labuta, seria difícil suportar meses a fio sem ocupação e, confesso, tenho preferência sempre por parcelar minhas férias, ou seja, 15 dias duas vezes ao ano e não 30 dias corridos. Não sou dos que só pensam em trabalhar, amo minha casa, minha família e meus momentos de lazer, de cerveja gelada, prosa à toa e piada ruim.

Trabalhei como boy e adorava, enfrentava a rotina de bancos e ruas centrais, com a alegria de quem descobria a cidade e o ápice da felicidade era tomar uma vitamina de abacate; como ascensorista de hotel, me divertia por perder a melhor parte da conversa (às vezes, o casal entrava no elevador brigando e, no melhor do quebra pau, descia); em anos de banco, como contínuo, escriturário, caixa e procurador sempre era um prazer ir para a agência, atender os clientes, ir para o bar depois do expediente com os amigos (que saudades do Tristão!) e, nos últimos 39 anos trato as dificuldades do jornalismo como desafios, instigantes, e, se não faço tudo o que quero, quando sinto estar de fato contribuindo para um mundo melhor esqueço os aborrecimentos.

Então, mesmo já aposentado há alguns anos, continuo levantando as 4 ou 5 da manhã com prazer, para o batente. Alguém dirá: você ganha bem, vive o glamour da mídia... É assim, todo mundo vê as pingas que a gente bebe, mas, ninguém liga para os tombos que a gente leva... Tudo tem um preço e só quem tem o dedão sabe onde o calo dói. O que importa é o prazer do trabalho e agradeço a Deus por tê-lo. Queria de coração, desejar a você em 2017 essa alegria, de fazer o que gosta, e encorajá-lo a mudar de rumo se está infeliz. Não é possível imaginar alguém saindo de casa para um dia inteiro de ralação sem motivação.

Aprendi recentemente que três palavras aparentemente sinônimas são, na verdade, complementares entre si: objetivo, meta e propósito. Vamos tomar como exemplo uma viagem. O destino é o objetivo, a meta é o plano de direção, com possíveis paradas, e o propósito é a razão da viagem. Assim, se você trabalha com algo que não lhe agrada, pense nisso: de repente, você quer vencer (objetivo) não tem um horizonte sólido em longo prazo (propósito) e se mata nas metas (trabalhando, economizando) o que vai transformá-lo, no máximo, em acumulador de riqueza – não trará realização, felicidade... Quantos não estão por aí, famosos, endinheirados e infelizes.

E para fechar, divido contigo, caríssimo leitor, texto de Luiz Marins que vale a leitura:

“Como será 2017? Quem terá medo desse novo ano? O que fazer? Terá medo de 2017 aquele empresário ou empreendedor que não entender que as vantagens comparativas do Brasil ainda são muito atraentes para os investidores. O mundo está a cada dia mais complexo. Ninguém sabe como será o governo Trump nos Estados Unidos. Ninguém consegue prever as consequências reais da saída da Grã-Bretanha da União Européia, nem do crescimento dos partidos radicais de direita na Europa e no resto do mundo. Ninguém pode prever o que acontecerá com a Síria, com a Turquia, com o Oriente Mé- dio, com a China, com a Rússia e com o Sudeste Asiático ou com a Venezuela. O mundo nunca esteve tão conturbado afirmam os mais abalizados analistas internacionais das grandes universidades de todo o mundo. O Brasil tem um estoque genético riquíssimo que estimula a adaptação e a tolerância, temos a maior população de alemães fora da Alemanha; japoneses fora do Japão; italianos fora da Itália. Temos mais libaneses no Brasil que no Líbano! Isso nos faz um país tolerante e quase imune a fundamentalismos. Não temos problemas étnicos ou religiosos sensíveis no Brasil. Temos um território de mais de oito milhões de quilômetros quadrados falando um único idioma e não temos problemas de fronteira. Estamos entre as cinco maiores democracias do mundo, com instituições consolidadas e com independência e mais do que isso temos terra, sol, água e tecnologia para abastecer um planeta cada vez mais faminto. Além disso, sabemos de forma clara as reformas que temos que fazer - previdência, trabalhista, política - e temos um povo que acordou do seu torpor de décadas e que aprendeu a exigir seus direitos e não permitirá mais os engodos do passado, desde a corrupção desenfreada até o populismo inconsequente. Assim, terá medo de 2017 aquele empresário que ficar esperando e não se preparar para a retomada do crescimento que começará neste novo ano. Terá medo o profissional que não se preparar se tornando mais competente e comprometido; o político corrupto; o executivo pouco ético e corruptor; a empresa que ficar esperando que o governo a socorra, enfim aquele brasileiro que não acreditar que o mundo mudou, que o Brasil mudou e que agora é hora de começar a mudar. Enfim, terão medo os mesmos que sempre ficaram parados no acostamento torcendo para que a nebline não baixe e que o Brasil não dê certo”.

A justiça tarda, mas… não (Será?) falha

No dia 28 de janeiro de 2004 quatro servidores do governo federal foram executados numa estrada de terra em Unaí, município do nordeste mineiro. Quase treze anos depois, os dois mandantes do crime continuam livres, embora condenados a mais de 100 anos de reclusão e, acreditem, quando foi buscar informações do processo na Justiça Federal, o ex-delegado do Ministério do Trabalho em Minas, foi informado de que “está desaparecido”. A colega Alessandra Mendes conseguiu uma nota da Justiça que não consigo ler para entender o que está acontecendo.

 
Meus amigos, os dois pistoleiros estão presos e prestaram depoimentos ricos em detalhes, permitindo completo entendimento da chacina, que foi cuidadosamente planejada. Os irmãos Norberto e Antério Mânica são grandes plantadores de feijão e se sentiam muito incomodados com a ação de um fiscal do Trabalho, de pré-nome Nelson. Decidiram matá-lo. Pediram ajuda aos cerealistas Hugo e Zé que, como capatazes, trataram de contatar Chico Pinheiro que, por sua vez, contratou os dois matadores no interior de Goiás. Valor da empreitada: R$ 45 mil.

 
Quando preparavam os últimos detalhes da execução, os pistoleiros descobriram que Nelson estava acompanhado de mais dois auditores fiscais e motorista, recém-chegados da capital e ligou para os contratantes. A resposta foi: “Tora tudo”. Dois tiros na cabeça de cada um. Não conseguiram sequer sair do banco do carro.

 
Treze anos depois, os pistoleiros estão presos. Quem os contratou, Chico Pinheiro, morreu na prisão. Zé e Hugo estão soltos, aguardando os intermináveis julgamentos. Os irmãos Mânica foram condenados a mais de 100 anos de prisão no dia 15 de outubro do ano passado e, até hoje, continuam em Unaí. Aliás, vale lembrar que o Antério, quando esteve preso (depois foi solto pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal) foi eleito prefeito da cidade. Isso mesmo, preso, acusado de mandar matar quatro servidores federais, foi escolhido no voto direto pelos conterrâneos.

 
Não bastasse tanta perplexidade, a pior notícia é que Carlos Calazans, delegado do Ministério do Trabalho à época e que continua brigando por uma condenação compatível com a crueldade, esteve recentemente na Justiça Federal e foi informado pelos juízes do caso que o processo estava “sumido”. A Itatiaia cobrou e, horas depois, veio uma nota que eu não consigo entender. Veja:
“Prezado Repórter,

Recebemos da 9ª Vara Federal a seguinte resposta:

No TRF/1ª Região tramitam as apelações dos seguintes processos:
2004.36647-4 (que recebeu o n. 36441-22.2004.4.01.3800) – concluso para relatório e voto,
8946-85.2013.4.01.3800 – concluso para relatório e voto,
36888-63.2011.4.01.3800 – recebido hoje neste Juízo; foi mantida a sentença de Rogério Allan.

Para informações detalhadas sobre esses processos que correm no Tribunal, pode-se entrar em contato com a assessoria de comunicação através do telefone (61) 3314-5379.

O processo 26932-52.2013.4.01.3800 já havia retornado com provimento parcial da apelação.

Aos condenados Rogério Alan, William Gomes de Miranda e Erinaldo de Vasconcelos Silva foi negado o direito de recorrer em liberdade e eles cumprem pena na Vara de Execuções Penais da Comarca de Contagem, onde poderão ser obtidas informações mais detalhadas.

Aos réus Norberto Mânica, Hugo Alves Pimenta, Antério Mânica e José Alberto de Castro foi concedido o direito de recorrer em liberdade, de modo que aguardam soltos o julgamento da apelação.

Atenciosamente,

Seção de Comunicação Social
Justiça Federal de Primeiro Grau em Minas Gerais
(31) 3501-1358/1402”

Eu amo meu quintal

Nos Estados Unidos, há um movimento que chamam de “I love my backyard” que significa, em tradução mais rápida e descomplicada, gostar da casa da gente, sentir o cheiro da varanda, criar galinha ou cultivar orquídeas nas árvores... Ser caseiro! Impressionante como cada vez mais eu quero ficar em casa, tenho preguiça da noite, dos eventos, de multidão e de agito. E me pergunto se não é a má velhice, rabugice, mas, imediatamente me tranqüilizo, pois, graças a Deus, continuo adorando a rua, caminhar na Praça da Liberdade ou no Parque Municipal, visitar o Catatau no Distrital do Cruzeiro e, principalmente, sentir cheiros e cores do Mercado Central.

 
Na verdade, estou mais recluso porque o mundo está mais chato. Não eu. Claro que a idade pesa. A paciência até aumenta com o tempo, só que a sabedoria de evitar a chateação atinge níveis divinos. Anos atrás encontrei o Nelinho – aquele mesmo, jogador raro, gente boa; bem casado com dona Wanda – e disse a ele que um dos meus sonhos era comprar uma casa nos morros de Novo Lima, para sentir o vento da montanha e, se possível, ver o sol nascer atrás da Serra do Gandarela. Ele advertiu: “Você corre o risco de ficar anti-social”. Fui e fiquei. Sair de casa, na sexta a noite, no sábado pela manhã ou a qualquer hora no domingo só se for por motivo muito especial, como comprar canjiquinha para os canários no Mercado.

 
Essa divagação resulta de uma experiência na última quarta-feira. Realizei um antigo sonho de minha mulher de ver Messi e Neymar. Os preparativos começaram 45 dias atrás quando pedi ao colega Mateus Castanha para comprar os ingressos. Especialista em internet, ele precisou de cinco horas para conseguir, depois de adiamentos, indefinições e uma canseira da CBF. Depois, teve de ir ao posto fixo retirar o ingresso. Não bastasse, ainda pagou 40 reais a mais por entrada a título não sei do quê. Quando falamos de sonho, superamos a extraordinária capacidade nossa de complicar as coisas simples. Detalhe: depois de anunciar por dias a fio que só teriam acesso ao Mineirão torcedores com ingresso, a entidade que comanda nosso futebol abusou das rádios para insistir, horas antes da partida, que 3 mil ingressos estavam encalhados. Mesmo assim, 53 mil foram e a renda superou 12 milhões de reais. Dinheiro que a gente não sabe se será utilizado para melhorar o esporte, dada a história da entidade.

 
Pior que a CBF, só a Bhtrans. Na verdade, ambas têm algo em comum: estão desmoralizadas. A nossa empresa de trânsito e transportes perdeu o direito de multar e passou a fazer de contas. Amigos, quantas vezes fui ao estádio com público de 80, 90, até 120 mil pessoas e, embora mais demorado, o tráfego fluía. Agora, depois da Bhtrans, impossível. Nesta quarta, sai as 7 da noite no Bairro Funcionários, esperei o táxi por 20 minutos na porta, consegui chegar as 8 na Avenida Carlos Luiz e, com a dica da repórter no rádio, resolvi sair do atoleiro mudando o curso, pelo Caiçara, Pedro II, Avenida Tancredo Neves, Bairro Ouro Preto e Avenida Fleming. Dali, minha mulher e eu corremos até o estádio aonde chegamos pouco depois das 9...
O tropeiro não é mais aquele, a couve das antigas tinha molho de tomate por cima que fazia a diferença... Ah, antes de o jogo começar, o arroz já tinha acabado. Tristeza. Dentro do estádio, não adianta ter cadeira numerada se o infeliz que está à frente insiste em ficar em pé. Tome bolinha de papel nele! E minha mulher apavorada – “Confusão não, é um jovem, de braços fortes, se resolve te bater...”. Na boa, como estragaram o estádio depois de gastar uma fortuna! Diminuíram o estacionamento pela metade, derrubaram árvores, fizeram um deserto de concreto e até a ventilação piorou... Lá dentro tá um calor danado!

 
E começa o jogo. Espetáculo. Tite é do ramo, Felipe Coutinho e Gabriel Jesus nasceram pro campo e Neymar é coisa do outro mundo. Espetáculo. Alegria pura! Vale a pena!

 
E, 3 a 0, fatura liquidada, 35 do segundo tempo, chamei minha mulher para irmos embora. Ela nem se mexeu, apenas resmungou: “Vou só quando acabar, sem pressa”. Advinha se, depois, caminhamos até a Antônio Carlos e tomamos táxi em cima de um viaduto, no meio de um monte de alucinados, disputando uma corrida? Enfim, uma da madrugada, em casa. Para quem precisava levantar as cinco e só conseguiu dormir as duas, esse jogo será mesmo inesquecível. Já avisei a patroa que sonho desses agora só daqui a dez anos!

 
E vou dizer uma coisa para o futuro: como sonhar com metrô na porta dos estádios, como no mundo inteiro, é demais, pelo menos, caro Kalil, faça alguém da Bhtrans pensar dois minutos sobre os eventos... Ah, peça também à companhia, a Guarda Municipal, a Polícia Militar, quem puder ajudar para colocar pelo menos um agente a cada dois quilômetros... Afinal, não há nada pior que estar encurralado, absolutamente abandonado, pensando no arrastão e não ver um funcionário público por perto…

 
Mas, faça isso para os outros, meus amigos, minhas filhas, pois, eu, cada vez mais, vou amar meu quintal, sem flanelinha, sem maus educados, sem incompetentes, sem aborrecimentos. A rua, atualmente, me lembra uma frase bem humorada: “O mundo é bom, está é mal habitado”.

O voto do desespero

Concordo com meu amigo Rodrigo Ferraz: o Kalil é personagem, maluco e inteligente. Agora, é saber qual dos três vai governar Belo Horizonte. Na primeira entrevista depois da vitória o inteligente já prevaleceu, quando acenou com o diálogo para a Câmara dos Vereadores e diminuiu o tom do discurso, sem, todavia, perder a contundência – e exemplo disso foi falar que pretende conversar com Alkmin... Aécio não. Ele deixa transparecer – embora eu não tenha dados concretos para dizê-lo – que o governador paulista deve sim ter agido na campanha do atleticano em Belo Horizonte sabendo que, com mais essa derrota, Aécio fica fragilizado. E como ficou.

 
Mas, por que Belo Horizonte escolheu Kalil? Por conta do desespero. De cada dez pessoas com as quais conversei, sete diziam que queriam Kalil porque cansadas das mesmas figuras, com os mesmos discursos. Os taxistas, por exemplo, acreditam que ele vai segurar o UBER, liberar o tráfego dos veículos na pista do “Move” e abrir a caixa preta da Bhtrans. A propósito, o futuro prefeito tem promessas que prometem barulho no cumprimento e uma delas diz respeito ao transporte por ônibus; afinal, as empresas que prestam o serviço passaram por licitação, têm seus direitos. Kalil também promete retirar as pessoas de áreas de risco, convencer os servidores a tratarem bem as pessoas e mais, muito mais. Até governar sem oferecer cargos a políticos ele prometeu. Aí, o presidente da Câmara, Wellington Magalhães, se antecipou e propôs a extinção dos 4 mil cargos comissionados que a PBH tem, o que, claro, inviabiliza qualquer governo.

 
Acho sinceramente um salto no escuro o que Belo Horizonte vai dar em janeiro do ano que vem. Nunca imaginei que pudéssemos escolher alguém com IPTU atrasado, 38 processos e uma condenação por não recolher encargos sociais dos trabalhadores para nos governar. Mas, quem sou eu para dizer que a maioria dos eleitores está errada. Na verdade, a maioria simplesmente não decidiu, pois, juntando abstenção, nulos e brancos os que não escolheram ganharam no primeiro e no segundo turno.

 
Agora, fazer o quê? Torcer contra, espalhar o apocalipse? Não, é torcer por Kalil. E pegar no terço, pois, com um presidente que muita gente não considera legítimo e um governador cheio de problemas com a justiça, se o prefeito for aquele que prefere taça a mulher e acha que igreja só serve para levar 10 por cento, estamos “no do zé esteves”.

Belo Horizonte não merece!

Este espaço tem o poder de diminuir minha frustração por não poder dizer ao vivo, no rádio e na TV, da minha tristeza com a tragédia que é a campanha neste segundo turno para a Prefeitura de Belo Horizonte. Impedido pela legislação eleitoral, estapafúrdia, grotesca e antidemocrática – por impedir que profissionais da mídia eletrônica se posicionem em relação aos candidatos exatamente às vésperas do pleito – sinto-me em dívida com a cidade que me abraçou, me viu crescer, me ajudou a ter emprego, amigos, família, vida digna. A capital de todos os mineiros vai se desintegrando aos poucos, sofre com administrações incapazes e o que vem por aí beira o desespero.

 

Belo Horizonte está se tornando a cidade proibida. Se chove, você não deve sair de casa, mas, se não tiver outro jeito, fique atento às placas e jamais se aproxime das áreas baixas, sob pena de morrer afogado; se morreu um parente, programe o velório para as 7 da manhã seguinte, sob pena de ser assaltado durante a noite, enquanto chora o ente querido; se quer evitar apuros, tenha sempre dinheiro vivo no bolso, pois, depois das 8 da noite – quando é importante existir caixa eletrônico – você não deve procurar as máquinas 24 horas porque poderá ser assaltado; a cidade tem mais de 100 parques, porém, convém evita-los, a maioria tem problemas sérios de conservação e segurança e o que é chamado de ecológico tem carrapato, que transmite a maculosa e mata; por falar nisso, o nosso patrimônio cultural da humanidade continua a selva das capivaras, dos jacarés, de eventos inapropriados e palco do faz-de-contas das autoridades; a briga de taxi x uber não teve solução; sequer a polêmica mais antiga, entre os taxistas de Confins e os de Belo Horizonte foi resolvida, assim, se você chega no nosso aeroporto internacional e a quer tomar o veículo credenciado pela empresa, não pode... Enfim, em Belo Horizonte os relacionamentos estão cada vez mais esgarçados, os vizinhos cada vez mais distantes e, quando um político quer aparecer, ainda vai aporrinhar os comerciantes do Mercado Central, último reduto da felicidade na antiga Curral Del Rey.

 
O pior, meus amigos, é que a campanha não nos deixa otimistas em relação ao futuro. Os dois candidatos não nos convencem porque não têm propostas, na verdade não puderam explicitá-las... Temos um festival de baixarias no rádio e na TV... Vamos acabar votando no Seu Geraldo, aquele que segundo um o outro não pagou, mas, segundo o outro, foi comprado pelo um. Consigo compreender a indisposição de muitos em votar no afilhado de Aécio Neves – também estou cansado do príncipe. O problema é o diálogo que tem ouvido com muita insistência. Um eleitor pergunta o outro como pode votar em alguém com tantas denúncias, tantos processos e o outro responde coisa do tipo “azar, se der errado, a gente tira...” O impeachment da Dilma parece ter desobrigado as pessoas da escolha consciente.

 
Sinto que temos duas opções tristes. E percebo que a maioria vai ficar com a mais arriscada. Não vou votar em branco, nem anular e muito menos bandear para o lado que vai vencer só para não perder. Me dá uma saudade danada do brasileiro que mais admirei – Darcy Ribeiro. E das frases maravilhosas que disse, a mais profunda me consola nas horas de angústia:
“Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.

Sexagenário

Estou chegando aos 60. E quero dividir com vocês. Com alegria. Verdadeiramente. Até por que sexagenária é aquela pessoa ou coisa que completa o interregno de sessenta anos de existência ou de utilidade. A certidão confirma e sinto-me útil. Com certeza, cheio de equívocos, tanto que a única certeza hoje é a de que muito ainda irei aprender. Não me sinto velho, doente, acabado, mas, aceito pacífica e honrosamente a condição de idoso. Afinal, só quem viveu 60 anos sabe o que isso significa de desgaste dos neurônios, dos olhos, dos joelhos, da coluna, da virilidade… Mas, há o lado de melhor idade que é pensar duas vezes antes de errar, administrar os obstáculos, considerar a diversidade uma bênção e não um imbondo e, claro, comemorar o fato de que muitos ficaram pelo caminho. Ora, se Riobaldo tem razão – “o que a vida quer da gente é coragem doutor”- emplacar seis décadas merece velas, fogos e graças.

 
E, embora esteja aberto a um novo olhar sobre limites da velhice, considerando a longevidade cada vez maior dos humanos, passo, imediatamente, a exigir meus direitos. Não vou me constranger com as prioridades na fila, no transporte, no estacionamento… Fiz por merecer, trabalhei desde os 11, paguei impostos, respeitei o direito dos outros, nunca chamei aposentado de pé na cova e não devo nada a ninguém, exceto obrigações e o reconhecimento aos que contribuíram para para que o 26 de outubro de 2016 fosse possível.

 
Chegar aos 60 implica em aumentar um quilo a cada ano, um novo comprido também; olhar com mais cuidado onde pisar, sobretudo se temos a companhia dos bi-focais; sentar com jeito, deitar com leveza, levantar com cuidado, beber com moderação e rir de máximas como a que diz “não neglicencie um pum, não recuse um banheiro e jamais desperdice uma ereção”. Aos 60, temos maturidade suficiente para escutar (de verdade) quando interessa e fazer cara de paisagem na prosa ruim. Se o cara acha que Pelé não jogou muito, Roberto Carlos não tem valor e o Papa não é diferenciado a gente simplesmente diz “tá certo, amigo, desculpa, estou atrasado, fui”. Mesma coisa com o empolgado que quer te converter e o vizinho sabichão de mil ideias. Quando se tem 60, aquela colega de trabalho que fez pacto com a infelicidade já não lhe incomoda mais… Graças a ela, você valorize a esposa.

 
Não faço a menor ideia de até quando estarei neste plano. E – o que é melhor – isso não me incomoda nem um pouco. Se tiver de ficar por mais 30 anos, vou adorar, continuarei sofrendo para o Galo e rindo de piada ruim. Se amanhã for o meu dia, sigo feliz, absolutamente convencido de que dei o melhor de mim, tenho muitos acertos a fazer e, depois do umbral, virão dias ainda melhores que os de hoje… Que já são ótimos.
Se você leu até aqui é porque tem muita paciência ou quer ficar meu amigo… Então, vou lhe avisar: sou da civilização do oi, não tenho lealdade e persistência como Lúcio Braga; sou espalhafatoso, não tenho discrição como Célio Marcos; vejo três fatos ao mesmo tempo, posso até não ver, mas estou ligado como Geraldo Magela, o ceguinho; e um de meus defeitos é não ter o hábito da leitura, como Luis Borges. A propósito, agora vou lhe dar mais pistas, com três textos que Luis me mandou… O primeiro é o teste de DNA – Data de Nascimento Antiga. Vê se você é do meu tempo, respondendo com sinceridade:

01. Você já tomou Q-Suco?
02. Você bebia Grapette?
03. Sua primeira bebida alcoólica foi Cuba Libre?
04. Já comeu goiabada cascão?
05. Você tomou leite que vinha em garrafa de vidro com tampinha de alumínio?
06. Já tomou Cibalena?
07. Tomou Biotônico Fontoura?
08. Você cuidou de suas espinhas adolescentes com pomada Minâncora?
09. Sua mãe usava Violeta Genciana para cuidar de seus machucados?
10. Seu pai usava aparelho de Gillete com lâminas removíveis?
11. Sua mãe tinha secador de cabelos com touca?
12. Sua mãe usava Leite de Colônia?
13. Você jogava bilboquê?
14. Usava tampinha de guaraná para fazer distintivo de polícia?
15. Soltava bombinha de quinhentos em época de festa junina?
16. Você andou de carrinho de rolemã?
17. Brincou de queimada?
18. Você lembra quando o Ronnie Von jogava a Franjinha de lado, Meu Bem?
19. Você assistia Perdidos no Espaço?
20. Você sabia de cor a música de Bat Masterson?
21. Sabe quem foi Phantomas?
22. Quem foi Ted Boy Marino?
23. Você assistia ao Repórter Esso?
24. Assistia ao Toppo Giggio?
25. Assistia Vila Sésamo?
26. Você sabe quem foi Johnny Weissmüller?
27. Assistiu ao Vigilante Rodoviário?
28. Sabe quem foi Odorico Paraguassu?
29. Você se lembra o que era compacto
simples e o que era um compacto duplo?
30. Você já teve um Bamba?
31. Se lembra do Vulcabrás 752?
32. Você usava japona?
33. Quando estudava, os graus eram: primário, admissão, ginásio e científico?
34. Você chamava revista em quadrinhos de gibi?
35. Sua mãe tinha caderneta no armazém?
36. Usou bomba de flit?
37. Já andou de Simca Chambord?
38. Conheceu o Aero Willys?
39. E o Kharman Guia?
40. Já andou de Vemaguete?
41. Já usou gasolina azul no seu carro?
42. Sua mãe usava cera Parquetina?
43. Você se lembra do sabão em pó Rinso?
44. Da televisão com seletor de canais rotativo?
45. Sua mãe usava bombinha de laquê de plástico?
46. Ela chegou a usar meia com risca atrás?
47. E anágua?

Agora, se você quer saber para quem darei mais atenção depois dos 60, vou lhe contar um segredo: há dois anos pedi aos chefes na Itatiaia para sair da cobertura diária… Me afastei da Prefeitura, do Palácio, da Assembleia… Quero distância dos poderosos, o máximo que puder… E conviver com gente simples, fundamental no dia a dia, como o Reginaldo, motorista da Itatiaia e meu companheirão de duas décadas. Aos simples como ele gostaria de lembrar um texto maravilhoso. Veja só:
Charles Plumb era piloto de caça dos EUA e serviu na guerra do Vietnã. Depois de muitas missões de combate, seu avião foi derrubado por um míssil.
Plumb saltou de pára-quedas, foi capturado e passou seis anos numa prisão norte-vietnamita.
Ao retornar aos Estados Unidos, passou a dar palestras relatando sua odisséia e o que aprendera na prisão.
Certo dia, num restaurante, foi saudado por um homem: “Olá, você é Charles Plumb, era piloto no Vietnã e foi derrubado, não é mesmo?” “Sim, como sabe?”, perguntou Plumb. “Era eu quem dobrava o seu pára-quedas. Parece que funcionou bem, não é verdade?” Plumb quase se afogou de surpresa e com muita gratidão respondeu: “Claro que funcionou, caso contrário eu não estaria aqui hoje.”
Ao ficar sozinho naquela noite, Plumb não conseguia dormir, pensando e perguntando-se: “Quantas vezes vi esse homem no porta-aviões e nunca lhe disse Bom Dia? Eu era um piloto arrogante e ele um simples marinheiro.” Pensou também nas horas que o marinheiro passou humildemente no barco enrolando os fios de seda de vários pára-quedas, tendo em suas mãos a vida de alguém que não conhecia.
Agora, Plumb inicia suas palestras perguntando à sua platéia:
Quem dobrou teu pára-quedas hoje?
Todos temos alguém cujo trabalho é importante para que possamos seguir adiante. Precisamos de muitos pára-quedas durante o dia: um físico, um emocional, um mental e até um espiritual.
Às vezes, nos desafios que a vida nos apresenta diariamente, perdemos de vista o que é verdadeiramente importante e as pessoas que nos salvam no momento oportuno sem que lhes tenhamos pedido.
Deixamos de saudar, de agradecer, de felicitar alguém, ou ainda simplesmente de dizer algo amável. Hoje, esta semana, este ano, cada dia, procura dar-te conta de quem prepara teu pára-quedas, e Agradeça-lhe.
Ainda que não tenhas nada de importante a dizer, envia esta mensagem a quem fez isto alguma vez. E manda-a também aos que não o fizeram. As pessoas ao teu redor notarão esse gesto, e te retribuirão preparando teu pára-quedas com esse mesmo afeto.
Todos precisamos uns dos outros, por isso, mostra-lhes tua gratidão. Às vezes as coisas mais importantes da vida dependem apenas de ações simples. Só um telefonema, um sorriso, um agradecimento, um “Gosto de Você”, um parabéns…ou Simplesmente você é 10! Somos todos irmãos....voar é preciso....amizade é nescessária...o amor obrigatório.... Quem dobrou seu para-quedas hoje?

Por fim, como todo mundo tem de ter desconfiômetro, mas, especialmente os que falam muito como eu, faço minha a oração que circula nas redes sociais:

Ó Senhor, tu sabes melhor do que eu que estou envelhecendo a cada dia.
Sendo assim, Senhor, livra-me da tolice de achar que devo dizer algo, em toda e qualquer ocasião.
Livra-me, também, Senhor, deste desejo enorme que tenho de querer pôr em ordem a vida dos outros.
Ensina-me a pensar nos outros e ajudá-los, sem jamais me impor sobre eles, mesmo considerando, com modéstia, a sabedoria que acumulei e que penso ser uma lástima não passar adiante.
( Esta é ótima, não?)
Tu sabes, Senhor, que desejo preservar alguns amigos e uma boa relação com os filhos, e que só se preserva os amigos e os filhos...... quando não há intromissão na vida deles...
Livra-me, também, Senhor, da tolice de querer contar tudo com detalhes e minúcias e dá-me asas no assunto para voar diretamente ao ponto que interessa.
Não me permita falar mal de alguém.
Ensina-me a fazer silêncio sobre minhas dores e doenças..
Elas estão aumentando e, com isso, a vontade de descrevê-las vai crescendo a cada dia que passa.
Não ouso pedir o dom de ouvir com alegria a descrição das doenças alheias; seria pedir demais.
Mas, ensina-me, Senhor, a suportar ouvi-las com alguma paciência.
Ensina-me a maravilhosa sabedoria de saber que posso estar errado em algumas ocasiões.
Já descobri que pessoas que acertam sempre são maçantes e desagradáveis.
Mas, sobretudo, Senhor, nesta prece de envelhecimento, peço:
Mantenha-me o mais amável possível.
Livrai-me de ser santo.
É difícil conviver com santos!
Mas um velho ou uma velha rabugentos, Senhor, é obra prima do capeta!!!!!
Me poupe!!!
Amém!