minas gerais

A luta é contra as drogas!

Por tudo o que já li a respeito, tenho comigo que as leis surgiram para regular a vida dos homens em sociedade. Assim, quando alguém urinou pela primeira vez em praça pública (ou na ágora da Grécia Antiga), outros se sentiram desrespeitados e resolveram estabelecer cuidados que devessem ser tomados no atendimento das necessidades fisiológicas. Por isso mesmo, o Direito é a garantia de boas relações entre as pessoas durante um tempo e num espaço.

Também concordo com a sabedoria popular de que fazer um cômodo hoje, um puxadinho amanhã e uma gambiarra mais adiante vai custar caro, não trará conforto e será mais complicado que construir a casa por inteiro... Ainda que, não podendo fazê-la toda de uma só vez, tenhamos um projeto que será executado por partes. Partes de um todo, fique bem claro!

O que quero dizer é simples: enquanto a gente não juntar o nosso saber jurídico, organizado por pessoas qualificadas, burilado por um grande debate nacional e elaborar um novo Código Penal nós não teremos rumo para combater a violência que só faz aumentar. Alguém pode dizer que temos leis e novas diretrizes que minimizam os estragos, mas, não resolve a questão de forma mais global, dentro dos princípios de novos tempos.

Como compreender que se assaltam um ciclista e levam sua bicicleta a queixa é registrada como assalto à pessoa? Podia até ser assim em 1890, quando fizemos um Código Penal, ou, em 1941, quando tivemos o último Código de Processo Penal. Hoje, não! Existem bikes custando até 40 mil reais, que atraem os olhares alheios. Outra coisa impressionante é a nova discussão sobre armas brancas. Não há dispositivo legal dizendo que portar faca ou punhal é crime e, se movidos por um clamor nacional de momento, inventarmos de radicalizar, vai ter blitz na beira da estrada de terra para tomar o canivete do agricultor...

O que está matando não é a faca, que sempre existiu, mas, o desespero do usuário que precisa de uma pedra de crack a qualquer custo! Os que têm revolver assaltam com ele; os que não têm, usam réplicas... Como, em algumas cidades, as armas de brinquedo também são proibidas, passaram a cortar pescoços com facas enferrujadas... Se a gente ficar discutindo isso, vão nos matar com pedradas...

Deus dá o frio conforme o cobertor

Era só mais um acidente, destes estúpidos que matam jovens por conta da mistura de madrugada, álcool e volante. Mas, quando os repórteres chegaram à Avenida Antônio Carlos e encontraram aquele ambiente de destruição e desolação, uma surpresa os aguardava: não tardou em aparecer um senhor que se apresentou como pai da vítima fatal. E não se revoltou contra os jornalistas, brigou com o policial ou chamou socorro para esconder o que sobrou do veículo e “preservar a memória” do filho.

Ao contrário, o pai usou os microfones para aconselhar: “Queria dizer que os jovens devem aproveitar a vida, mas, sem tanta pressa; meu filho tinha muita pressa, eu já fui jovem, já tive pressa de viver e não é assim...”. O pai não negou que o filho de 27 anos tivesse bebido, não brigou contra as evidências de alta velocidade, nem reclamou de Deus. Apenas, lamentou a perda do caçula, com a tranquilidade de quem sabe, bem lá no fundo da alma, bem lá onde a carne encontra o osso, que sua missão foi bem cumprida. Não havia nas palavras do pai aquela perplexidade prima do remorso, nem a revolta própria dos que não aceitam os desígnios de forças maiores.

A BMW tinha todos os equipamentos de segurança que a indústria alemã exige, incluindo airbags, mas não foi o bastante. Para o motorista. Os outros três ocupantes sofreram ferimentos sem maior gravidade. Dá para dizer que chegara a hora do representante comercial que morava na Cidade Nova e voltava de um bar na Pampulha, onde assistira ao jogo do Cruzeiro pela TV com amigos. Alguém pode ponderar que a bebida e a velocidade abreviaram e eu não discutirei. Não faltarão os que dirão coisas do tipo “ainda bem que foi e não levou ninguém inocente junto”. Até mesmo um “bem feito” é capaz de escreverem nas redes sociais. Elas, eu repito, mostram cada vez mais o brasileiro como ele é - nada cordial, apenas irado, com tudo à sua volta, pronto para prender, julgar, condenar e executar.

Quero encerrar como comecei: com a agradável surpresa da reação do pai. Isso é que faz a diferença, nos anima seguir andando, aumenta a certeza de que o todo poderoso só põe nas nossas costas um peso que aguentamos. Afinal, Deus é pai.

Defunto do barulho

Embora, na prática, tenha cuidado do pé de meia de parentes, um líder religioso de Belo Horizonte costuma dizer ”caixão não tem gaveta” e eu faço questão de manter a assertiva nas ondas da consciência, como prevenção a tentações. A propósito, meu irmão ouviu de um padre que tentação e problema a gente tem do dia que nasce ao que morre. Pois, é exatamente a indiferença de pessoas supostamente esclarecidas a estas máximas que me perturba. Como pode um homem como o José Janene ter sido tão louco por dinheiro a ponto de agora, quatro anos depois de sua morte, muita gente ainda duvidar que seja de verdade.

Ele estava envolvido no “mensalão” e só não foi para a cadeia porque morreu no meio do processo. Do coração. Antes, teve um acidente vascular cerebral e tratou de arranjar uma aposentadoria por invalidez. Depois, reza a lenda, levou Paulo Roberto Costa para a Petrobras e foi um dos mais entusiastas pilantras na roubalheira que assolou a maior empresa brasileira. Agora, o presidente da CPI que promete e não convence que vai apurar, falou na exumação do corpo de Janene. É que ele foi enterrado em urna lacrada – “o que não é comum quando se morre do coração”- e existiriam informações de que o ladrão famoso estaria bem vivo. E morando em país da América Central.

É ou não é demais para nossa capacidade de assimilação? A filha de Janene disse que é um desrespeito para com a família. Até convenceu os deputados a esperarem um pouco antes de desenterrar. E essa moça, será que dorme em paz sabendo que o pai era tão sem limites para por a mão em dinheiro sujo? E os deputados “apuradores”, será que não temem a acusação de que estão procurando um defunto para assumir a culpa, resolvendo assim todos os problemas? A propósito, quem naquela comissão tem coragem de sentar ali depois que o Paulo Roberto Costa foi lá e, dedo em riste, avisou que os culpados são eles, políticos, que querem fazer campanha, precisam de dinheiro, arranjam as maracutaias, caixa 2, essas indecências todas.

Vamos combinar uma coisa: a safadeza está tão impregnada na nossa vida pública, a maioria dos que dizem nos representar tem a ficha tão suja e as promessas de reformas, mudanças soam tão falsas que só faltava mesmo a exumação do Janene. Eu não duvido que ele esteja vivo. Não duvido que a mãe do menino Bernardo – aquele anjo assassinado pelo pai e a madrasta no Rio Grande do Sul – tenha sido também morta pelos que amava; não duvido que o FMI vai voltar, que o Lula quer voltar, não duvido de mais nada. Afinal, minha mãe, na virada do milênio já me avisara: “O mundo acabou... Você É que não viu”.

A vaidade é irmã gêmea do atraso

Com tristeza, li ontem no Hoje em Dia que o circuito cultural da Praça da Liberdade está ameaçado. Perto de completar 4 décadas como repórter, acompanhando a vida da cidade e as mudanças no poder, com consequências diretas nas instituições, confesso enjoo diante de boa parte do que tenho de ouvir, ler ou, principalmente, relatar. Por que tem de ser assim? Por que um governante, se não sucede alguém do mesmo partido, tem de desfazer coisas importantes para (imaginam as mentes pobres) não colocar empada no pastel do inimigo político. Quando digo mentes, no plural, estou lembrando que um governo não é feito de um homem só, de ação solitária, mas, fruto de equipe, na qual existem os eficientes, os necessários, os suportáveis e os bajuladores, sendo que é entre os últimos que florescem ideias do tipo “vamos acabar com isso”.

Eu já vi Hélio Garcia acabar com o Carnaval de rua com desfiles nunca antes vistos em Belo Horizonte porque era um esforço de Maurício Campos; a mesma equipe de Hélio mudou o nome do Forró de Belô para Arraial, atrasando o brilho da festa, só para espezinhar o adversário. Já vi massacrarem o Francelino Pereira porque ele construiu o Aeroporto Internacional em Confins e agora vejo que o circuito cultural, ideia dele transformada em realidade pela dupla Aécio-Anastasia é alvo da ação de petistas mal resolvidos jogando por terra conteúdos acima de qualquer suspeita que deram aos prédios históricos mais importantes de Belo Horizonte um ambiente de primeiro mundo.

Mais, proibiram as visitas ao Palácio da Liberdade. E, acreditem, foi o Partido dos Trabalhadores. Na minha cabeça, não pode ser assim. Os governos existem para consertar o que está errado. Ignorar ou destruir o bem feito só por picardia é sair pela porta dos fundos da história antes de entrar. Assim como os tucanos fizeram um grande avanço no salário de policiais civis e militares, agora Pimentel está de parabéns por ter conseguido um acordo que respeita e dignifica os professores. Mas, mesmo no campo da educação, enquanto, de um lado, foi suspensa a escola integral, sob pretexto de “estudo de programas”, concomitantemente foi criado um projeto de valorização da cultura afro. Uma coisa não impede a outra, ora bolas!
Tomara que os de bom senso ajudem o governador e o impeçam de acabar com o pouco de cultura que estamos construindo.

Quem os compreende?

Está de volta um dos assuntos mais inacreditáveis da história do Brasil. Quando Fernando Henrique era presidente e o mineiro Roberto Brant ministro da Previdência inventaram o fator previdenciário, um jeito burocrático e matemático de retirar descaradamente do trabalhador a poupança pela qual ele pagou a vida inteira, através da contribuição “obrigatória” para a Previdência Social. A alegação era a de que o INSS não aguentaria pagar todo mundo do jeito que estava... O Lula gostou, a Dilma amou e o fator continua... Agora, uma fórmula que estabelece a soma de idade mais tempo de trabalho foi aprovada na Câmara Federal, mas, como ainda tem de passar pelo Senado e ganhar o “de acordo” da presidente, tenho minhas dúvidas.

De qualquer forma, vários deputados mineiros votaram contra a alteração e a relação deles é a seguinte: Marcelo Aro (PHS), Laudívio Carvalho (PMDB), Mauro Lopes (PMDB), Newton Cardoso Júnior (PMDB), Rodrigo Pacheco (PMDB), Saraiva Felipe (PMDB), Dâmina Pereira (PMN), Luiz Fernando Faria (PP), Aelton Freitas (PR), Bilac Pinto (PR), Marcelo Álvaro Antônio (PRP), Diego Andrade (PSD), Adelmo Carneiro Leão (PT), Gabriel Guimarães (PT), Leonardo Monteiro (PT), Margarida Salomão (PT), Padre João (PT), Reginaldo Lopes (PT), Brunny (PTC), Pastor Franklin (PTdoB), Delegado Edson Moreira (PTN) e Fábio Ramalho (PV).

Como todo eleitor deve fazer, reclamei do deputado em que votei - Laudívio Carvalho, e ele, meu amigo, respeitosamente me ligou para dizer que pensou na nação, que se não houve um freio haverá um rombo tal nas contas que o país não vai aguentar. Discordei veemente por algumas razões que quero dividir com os senhores: primeiro que não dão a quem se aposenta qualquer benefício, apenas deveriam repor o que foi depositado, obrigatoriamente... Então, se paguei sobre 10 salários, deveria receber R$ 7.880,00... Ademais, se a Dilma está em apuros no caixa, por que não nos diz quantos garçons, motoristas e mordomos o governo federal já diminuiu? Por que vão fazer um anexo da Câmara dos Deputados? Por que eles, os deputados, não cassam a própria aposentadoria com apenas 8 anos de mandato? E as altas aposentadorias integrais de servidores... Enfim, por que os políticos fazem de tudo para serem detestados?

Eu acredito!

Cada minuto que vivo mais gosto da frase do mestre Ariano Suassuna: “Todo pessimista é um chato, todo otimista é um bobo; eu sou é um realista esperançoso”. Se tivesse de me definir em uma sentença, com certeza seria esta. Todo dia, toda hora, lembro-me da sabedoria do irmão nordestino. Agora mesmo, diante da repercussão da tal solenidade que marcou a devolução de 157 milhões de reais aos cofres da Petrobrás, ouvi todo tipo de comentário e fiquei com a sensação de que escolher um dos extremos é incorrer em erro. Grave.

Se ficar muito festivo, soltando foguetes, estarei no cordão dos que ignoram a mais sofrida das verdades: não recuperamos sequer um por cento do que foi roubado – melhor, do que dizem ter sido levado pelos ladrões engravatados porque, no duro, no duro, quanto foi tirado da empresa ilegalmente nas últimas décadas só Jesus na causa.

Se, de outro lado, me colocar entre os que dizem que é um absurdo, que esse dinheiro é nada perto do que foi levado, que festejar é corroborar a safadeza, etc., estarei aderindo ao bloco do quanto pior melhor, dos que nunca vêm luz no fim do túnel e não acreditam que haja futuro para o nosso país.

Sou é brasileiro, não desisto nunca! Costumo dizer que o tempo da história é diferente do nosso, daí nossa ansiedade, o sentimento de que a melhor saída é o aeroporto. Não é assim! O fato de termos recuperado 157 milhões de reais é motivo de animação sim! Festa não, mas, esperança de que estamos no caminho... Temos uma banqueira presa na Estevão Pinto há tanto tempo que poucos se lembram... Os mais poderosos da indústria mais poderosa do Brasil – a da construção – foram presos e agora estão em casa, com tornozeleira... Marcados feito boi no pasto e sem poder ir à rua... Zé Dirceu, que poderia ser hoje nosso presidente, teve de pedir licença à Justiça para visitar a mãe domingo passado... A delação premiada levou os políticos safados ao estresse total. Os corruptores (essa raça que finge de elite, mas não consegue esconder o próprio fedor) estão com as barbas de molho. Enfim, posso não ver, minhas filhas podem não desfrutar, mas, um neto, um dia viverá num lugar em que roubar é crime. Independentemente da vestimenta e do “modos operandi” do ladrão. Eu acredito!

Vamos canonizar o Galo?

A ideia não é minha, mas, definitivamente, quero defendê-la: precisamos canonizar o Atlético Mineiro. E não é porque sou torcedor, ao contrário, não sou do time dos fanáticos. Tomei a decisão na última sexta-feira, dia de São Vitor e da Vitória. Rendo-me aos fatos. Afinal, sabemos que, depois de esforços dos que “acreditam” o Vaticano decide pela beatificação, que é o primeiro passo de um santo. E os fiéis partem para a mais difícil das tarefas que é provar milagres. Bom, no caso do convencimento, não é preciso ir muito longe é só perguntar a qualquer sul-americano que goste de futebol, more em Belo Horizonte, na cidade do México ou Buenos Aires... Como já temos São Judas e Santo Expedido cuidando das causas impossíveis, o Galo seria o “santo das noites mal dormidas” ou o protetor dos que têm coração fraco.

Mas, passemos à fase das provas. Perguntem aos meus irmãos, que já não sabem mais o que fazer para secar; pergunte ao Dailton, filho de Capelinha, gerente de banco em Belo Horizonte, que, na segunda, ressabiado, viu os “melhores momentos” e só esboçou uma reação: “O beque ainda tinha de dar um totó na bola, para ajeitar para o Jô...”. Ah, Jô? Tem base um negócio desses, o homem que gosta de baladas, afastado, humilhado, ignorado, de repente volta e faz o gol do título, no mais puro estilo Dario Peito de Aço, empurrando a bola com joelho, coxa e todo o corpo para as redes? Sem falar na polêmica do impedimento... Logo o assistente que, no ano passado, não errou sequer uma marcação...

O Atlético é um negócio do outro mundo. O mascote é “Galo Doido”, a torcida é “Galoucura” e o técnico um burro com sorte... Um cara que insiste com Emerson Conceição e ganha títulos... O Atlético consegue o inacreditável na cidade excludente: une o aglomerado e a mansão na vibração... O Nepomuceno toca a bola hoje, mas, o cara que deu a virada no Galo, que o levou ao ápice nas Américas, é um doidão... Ou alguém me diz que o Kalil é bom da cuca? E não digo por mal, gosto dos loucos, acho que são os malucos que mudam o mundo... É só reparar Einstein, Raul Seixas, Jesus Cristo... Falar em loucura, o ET de Varginha deve estar até agora sem entender a torcida da Caldense gritando “Eu acredito!”. Mas, não era bordão do Galão da Massa? Eu, hein... Esquenta não; procure resposta nos céus... De preferência, nos do mais Belo Horizonte.

Eu tenho a solução

Parece filme repetido, vinte anos depois: faltam vagas nas penitenciárias, presos são liberados antes das vítimas e as delegacias, que já não dão conta de seu trabalho mais básico de investigação são o alvo dos que precisam encontrar solução de emergência. Sempre funcionou assim, no círculo vicioso: indiferença, omissão, superlotação, improvisação, tragédias...

Vamos ao passado para refletir no presente: nos anos 70, 80 e 90 do século passado, o Governo de Minas tinha uma secretaria de segurança, que geralmente abrigava um general aposentado encarregado de impor a ordem entre as polícias e uma secretaria de justiça, quase sempre entregue a deputados federais em fim de carreira que, além de homenageados, abriam sua vaga para suplentes que interessavam aos arranjos partidários. A Justiça não cuidava dos presos, os resquícios da ditadura alimentavam a frase fácil de que preso merece é morrer; a Polícia Civil, ao invés de cuidar da investigação, gostou da ideia de cuidar de presos. O resultado foi um caos absoluto, com cadeias que pareciam masmorras, algumas delas famosas como “os infernos da Furtos e Roubos, da Furtos e Veículos e a do Departamento de” Investigações, essa chamada (vejam só) de “Depósito de Presos”- onde os encarcerados faziam sorteios para ver quem iriam matar de dia e aumentar o espaço para dormir à noite.

Quando Aécio Neves assumiu, em 2003, criou uma Secretaria de Defesa Social, determinou a integração das polícias e construiu presídios o bastante para esvaziar as delegacias. Mas, a partir de 2009, ainda com os tucanos, os ânimos arrefeceram e hoje o quadro é, de novo, assustador.

A minha receita é simples, manjada e não tem nada de genial: criar 853 APACS (Associações de Proteção e Assistência aos Condenados), uma para cada município, para cuidar dos criminosos, ou seja, os que cometeram crimes e são plenamente recuperáveis. Ficariam com o Estado os bandidos, os que precisam de xadrez e trabalho, sem mordomia. Paralelamente, um grande mutirão para albergar os presos (só dormiriam na cadeia) e penas alternativas para todos os delitos menos graves. É só querer. De verdade.

Vexame tem preço

“Todo ato tem de ter consequência”. A frase, do psicanalista francês Jacques Lacan, deveria ser estampada numa faixa bem na esquina de avenidas Pedro I e General Olímpio Mourão Filho. Afinal, não se pode admitir a queda de um viaduto em pleno século 21, no meio de via das mais movimentadas, que o acidente mate duas pessoas, deixe dezenas de feridos, envergonhe a cidade e o país e fique tudo por isso mesmo. A Polícia Civil cumpriu seu papel e deu resposta à altura: o ex-secretário de Obras da Prefeitura, Josè Lauro Terror, e outras 18 pessoas foram indiciadas por homicídio por dolo eventual, 23 tentativas de homicídio e crime de desabamento. O prefeito Márcio Lacerda escapou, mas, se o Ministério Público assim entender, poderá ser responsabilizado na area civil.

O delegado Hugo e Silva confirmou algumas informações veiculadas neste espaço semanas atrás: “Os acusados tiveram conhecimento prévio, foram avisados sobres falhas graves no projeto inicial, mas, havia a pressa para cumprir o cronograma da Copa do Mundo”. O inquérito é apresentando cerca de 300 dias após a abertura dos trabalhos; tem mais de 1.200 páginas; mais de 80 pessoas foram ouvidas. O material para o Ministério Público de Minas Gerais, que irá analisar o caso e decidir se apresenta o caso à Justiça ou arquiva. Portanto, devagar com o andor porque o que temos agora é um relatório apontando culpados que somente serao condenados após longo processo, que começa com a denúncia, pelo Ministério Público, o acolhimento pela Justiça e todo o rito de audiências, acusação, defesa e julgamento. Que, com quase toda certeza, vai se dar no Tribunal do Juri, dada a acusação de homicídio.
O que importa, nesse momento, é que as famílias dos dois mortos e dos feridos vejam a Justiça agindo e nós outros possamos acreditar que essa história de construer viaduto com pouca ferragem, sem projeto, sem fiscalização, de qualquer jeito, para depois escorar (se não cair antes), é coisa do passado. Inesquecível passado.

As ações criminais são apenas parte das consequências. É preciso cobrar o prejuízo, com juros, multa, correção e rigor… E aplicar o dinheiro em algo mais útil que construer uma trincheira naquele local, levando mais desassossego para os moradores e sangrando a ferida da nossa dignidade. Vamos virar a página, sem esquecer a lição… Que deverá ser ensinada aos filhos, com o lembrete de que o mal feito sempre manda a fatura.

Primeiro de maio

Algumas datas nos lembram de como o tempo passa depressa. Parece que foi há cinco ou seis anos que o radialista sequer podia falar a palavra greve no dia dedicado ao trabalhador. Aliás, afinal, é Dia do Trabalhador ou do Trabalho? Acho que a segunda hipótese tem sido fortalecida de propósito porque, convenhamos, se tem uma coisa que a gente faz o tempo todo nesse país é diminuir a importância de quem produz no chão de fábrica, quem limpa o banheiro na TV, enfim, quem realmente rala, mas, na tal pirâmide social nunca sai da base.

Sabe o que é mais triste? O tempo me mostrou que os defensores dos que labutam não são – na sua esmagadora maioria – verdadeiramente representantes... Digamos que são os mais espertos que descobrem o quanto pode ser bom falar em nome da massa e, literalmente, meter a mão na massa... Pergunte quantos dirigentes que chegam ao topo no sindicato gostariam de passar o bastão dois ou três anos depois... Veja o passaporte do companheiro diretor para conferir se ele não conhece a metade do mundo? E confirme com o departamento de pessoal da empresa quantas faltas tem no ano... Cadê? Reunião. De novo? É, reunião. Não me coloco entre os que desconsideram a importância da representação. Minha tristeza é a falta de mobilização de quem trabalha para não dar boa vida a malandros.

Parafraseando o companheiro mais famoso, “nunca, na história desse país”, os trabalhadores tiveram uma chance tão concreta de mudar a própria história e fazer do Brasil uma grande nação como em 2003 com a chegada de Lula ao Palácio do Planalto. O ex-metalúrgico foi tratado como estadista no mundo inteiro, tomou medidas corretas na economia e no combate à fome, mas, no quesito que mais importava aos humildes, na luta mais antiga contra a roubalheira, fingiu-se cego, mudo e surdo. Abriu mão de usar o prestígio para enfrentar os “300 picaretas do Congresso” e mudar as coisas, de fato. Seus companheiros de primeira hora foram se afastando; os que ficaram estão constrangidos com tantos escândalos e, do outro lado, os antes chamados pelegos, continuam por aí, agora pondo a culpa do PT, apoiando ajuste fiscal, terceirização, controle no seguro desemprego, menos pensão para as viúvas... O fator previdenciário continua... A luta continua, companheiro é companheiro e f.. é f.. Do jeito que a coisa vai, vamos transferir a comemoração para 2 de novembro.