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Investigação de 230 crimes em Minas pode estar comprometida

A investigação de 230 crimes em Minas pode ficar prejudicada. Isso porque as amostras de DNA que estavam na geladeira do Instituto de Criminalística em Belo Horizonte fora perdidas por causa de uma pane elétrica. Vai ter uma análise para ver se salva alguma coisa, mas a Polícia Civil já reconheceu que o freezer ficou desligado por dois dias.

Um dos motivos que pode explicar o problema é a falta de investimentos na Polícia Civil ao longo das últimas décadas que hoje tem uma estrutura arcaica e apodrecida, enquanto a Polícia Militar tem recursos muito maiores.

Outro ponto é que a perícia funciona em um prédio antigo e sem qualquer estrutura. Nós não priorizamos o que é prioridade e o diretor informou que já enviou mais de 30 ofícios pedindo manutenção na rede elétrica. No tempo que nós estamos você consegue imaginar que tenham amostras de DNA guardadas em um freezer conectado em um sistema todo cheio de gambiarra igual nós estamos mostrando? Mas ainda que seja assim, você consegue entender que não tenha um sistema de alarme para avisar quando tem algum problema? Você acha que a central de operações da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) funciona assim? Não, eles têm uma sala onde se vê tudo e agora um freezer fica dois dias desligados e ninguém vê?

 

Como é difícil explicar o “Simples”

Ajudem-me, por favor, no diagnóstico se estou estressado ou o Brasil é que não me compreende. Lembram-se da festa que o governo federal fez em agosto para anunciar que uma nova lei estaria universalizando, a partir de 2015, o acesso ao Simples Nacional. Ou seja, estava aprovada a unificação do pagamento de oito tributos cobrados pela União, estados e municípios das micro e pequenas empresas. Com a universalização, 142 atividades poderiam aderir a esse modelo de tributação, desde que o faturamento da empresa não ultrapasse 3,6 milhões de reais por ano.

Fiquei muito feliz. Afinal, pelo novo formato do programa, que concentra atualmente 27 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), 52% dos empregos formais e mais de 40% da massa salarial do país, passariam a ter direito a aderir consultórios médicos e odontológicos, escritórios de advocacia, corretores de imóveis e de seguros, representantes comerciais e empresas jornalísticas. Tenho uma empresa para dar nota fiscal quando de uma palestra, participação em debates, etc. Agora, quando a data de vigência da lei se aproxima, fui conversar com o contador, José Mayrink de Lima e a Marilene, estudiosa do assunto no escritório dele. Quase caí da cadeira ao descobrir que, por trás da bondade do governo, há um malfadado “Anexo VI” que estraga tudo. Acreditem prezados leitores: ele estabelece que profissionais como médicos, dentistas, enfermeiros, representantes comerciais e jornalistas entram no Simples com alíquota de 16, 93%. Ou seja, quando tínhamos a expectativa de que pagaríamos nos mesmos moldes do Simples anterior, que tem alíquota de entrada de 6%, vem a informação de que a tungada do governo começa 11% acima. Exemplo, no meu caso: até aqui, a empresa que presta serviços de forma legal e decente, enquadrada no lucro presumido, me custa de impostos mensais 14,59%... Se fizer a adesão ao novo Simples festejado pelo governo vou pagar, no mínimo, 17,34%.

E não é só. Está escrito na nova lei que prestação de serviços decorrentes de atividades intelectuais, de qualquer natureza está na tabela que começa com 16,93%. Há explicação ou devo concordar com uma das acusações mais frequentes nas brigas de coxinhas e petralhas (como eram chamados tucanos e petistas, respectivamente, nas redes sociais na última eleição presidencial) de que os “vermelhos” odeiam quem trabalha, pensa ou estuda...

Além da decepção, a conversa com o contador me trouxe uma dúvida danada. Por que os advogados têm outra tabela, no Anexo IV, com alíquota diferenciada, que começa com 4 por cento e só chega aos quase 17 de outros profissionais depois que o “doutor do Direito” faturar 3 milhões e 3600 mil num ano? Será que não se trata de trabalho intelectual? É porque a maioria dos congressistas é formada por advogados – que, no caso, agiram em causa própria ou será por que muitos deputados e senadores vão precisar de um advogado para ir à Polícia Federal brevemente, quando o caso Petrobrás andar?

Mãe agride filho com chapinha de cabelo em Minas

Rio Piracicaba, na região central de Minas Gerais, deve estar assustada com um caso de agressão de uma adolescente contra o filho de apenas dois anos de idade. A jovem teria queimado a criança com uma chapinha de cabelo porque o menino teria urinado na perna dela. Após o fato, a adolescente foi detida e a criança socorrida para um hospital da cidade e depois transferida para o Hospital de Pronto-Socorro João 23 em estado grave. A polícia também deve investigar o namorado da jovem, com quem ela mora e teria outra filha.

 

 

Renovar as alianças é preciso

Quero dividir hoje com o maior número possível de pessoas o texto do meu amigo Luís Borges, publicado em seu blog “Observatório e Análise”. É um lenitivo para os que – como eu – já passam de três décadas no casamento e se sentem dinossauros diante da facilidade com que as pessoas casam e separam num mundo marcado pelo excesso de intolerância:

“Na semana passada me encontrei com Azarias Pedro, um antigo colega do início da minha carreira, que eu não via há muito tempo. Fizemos o clássico cumprimento, carregado de satisfação pelo reencontro. Depois dele, Azarias disparou a falar. Em resumo, seu casamento de 30 anos com Ana Telma acabou. Foi ela quem pediu a separação, irrevogável, alegando que não aguentaria mais esperar pelo dia em que a morte os separaria. Meu colega estava queixoso. Contou que hoje mora num pequeno barracão, nos fundos da casa do filho mais velho, vive do salário de professor aposentado pelo INSS. Foram muitas informações em poucos minutos. Tentei respirar, perguntei pelas causas. Ele disse que era complicado, que fora engolido pela mesmice, pela escassez de diálogo, acentuada com a passagem do tempo. Tentei continuar a conversa, compartilhar algo sobre a minha trajetória, mas meu colega estava sem tempo e partiu. Azarias me deixou pensando na história dele, no conjunto de causas que fizeram parte do processo que levou o casal àquele resultado. Indagava-me sobre quais poderiam ser as causas fundamentais, mesmo não tendo fatos e dados para alimentar minhas ilações. Foi aí que me lembrei do sermão feito pelo padre durante a cerimônia religiosa do casamento de Thais e Thiago, em setembro, na Catedral da Boa Viagem, em Belo Horizonte. Essencialmente, o padre se referiu ao tema do Evangelho, que tratava da transformação da água em vinho nas Bodas de Caná. O padre aproveitou para reiterar que, atualmente, vivemos numa sociedade epidérmica onde a profundidade está fora de moda. Arrematou lembrando a importância das alianças entre as pessoas e a essencialidade da sua permanente renovação. Se for bom aprendermos com os erros e acertos, de preferência dos outros, me pergunto e te pergunto caro leitor: como estão as nossas alianças? Será que estamos praticando verdadeiramente o que significa uma aliança para fazer a união harmoniosa de seres e coisas diferentes entre si e que são muito valiosas para todos os envolvidos no processo? Surge aqui uma oportunidade para a reflexão, que deve ser seguida pela ação, tendo como foco as alianças no amor, na família, nos negócios, no associativismo… Sempre lembrando que não existe processo sem cooperação e sem participação. Infelizmente, se as nossas conclusões nos informarem que estamos omissos e que nossas alianças estão perdendo o sabor, fica o desafio da mudança de atitude enquanto há tempo. Espero que, doravante, os gestos sejam maiores que as intenções, pois o isolamento é tão triste no palacete quanto no barracão”.

Vida

Quando a gente pensa que tá difícil seguir, eis que um pequeno gesto enche nossa alma de combustível para não desistir. Há uma professora, de prenome Jaqueline, do Colégio Padre Eustáquio, se tratando de um câncer de mama. Com a coragem dos grandes mestres, confidenciou a seus alunos que fizera uma cirurgia e, agora, iniciaria o tratamento de quimioterapia. A intenção, seguramente, era de preparar as crianças e os adolescentes para o fato de que passaria a lecionar com um lenço na cabeça – a queda de cabelos é consequência muito provável das drogas – mas, como há muita gente de bom coração, as alunas de Jaqueline decidiram usar o lenço na cabeça para tornar o ambiente mais natural.

Ontem, depois de conversar com o grupo e entrevistar o médico Enaldo Lima confirmar que cresce espantosamente o número de cânceres em nosso país, fiquei a pensar se a gente não dá importância demais ao que pesa menos e não perde muito tempo com conversas que nada acrescentam. E, ainda sob o impacto do estresse positivo, me deparei com outros alunos, de escola pública em Venda Nova. A simpatia é a mesma, a alegria espalha coisa boa do mesmo jeito, mas, infelizmente, a verdade é que, embora a faixa etária seja a mesma, a escolaridade (quinta e sexta) a mesma, há diferenças visíveis entre os dois grupos. Os que estão na escola pública são mais pobres, desprotegidos, e isso tem de mudar. Em médio e longo prazo a tarefa é melhorar as redes estadual e municipal e, se você quer saber como, visite a página da Conspiração Mineira pela Educação na internet. Mas, enquanto a gente não faz a necessária e urgente revolução, temos de aceitar as cotas, ainda que haja ampla discussão sobre como implantá-las. É necessário, para um mundo melhor, educar de verdade e, hoje, quando ouço dizer que nove milhões farão provas do Enem, tenho a impressão de que, na disputa, estão uns 500 mil... Os outros são os excluídos, que não podem parar de sonhar.  Pensava nisso tudo, num dia chuvoso, vi texto do cantor, compositor e maior violeiro do país, Renato Teixeira, sobre o suicídio de um filho. No último parágrafo ele diz:

“...Sugiro com meu coração partido e visivelmente sob o domínio dessa emoção indesejável, que cada um de vocês que me leem perdoe seus inimigos, se os tiver, e se proponha a ser mais generoso com a vida. .Divirtam-se mais, amem mais, deixem-se estar expostos as brisas frescas, saboreiem as frutas da terra, sintam o gosto da água matando sua sede.

Ouçam música! Não se deixem sofrer pelas coisas que não são vitais em suas vidas. E que Nossa Senhora Aparecida ilumine nossos corações e acaricie nossas almas...”

Jovem faz reféns e rouba carro de policial na Grande BH

Uma adolescente foi detida com dois comparsas após fazer reféns roubar o carro de um sargento reformado da PM (Polícia Militar) na Grande BH. Durante toda a ação, a jovem ficou de arma em punho fazendo ameaças contra as vítimas. Segundo a PC (Polícia Civil), ela seria a mentora do crime.

 

Somos sobreviventes

Às vezes, você não se surpreende ao ouvir alguém dizer que nunca foi assaltado? E quando uma mãe lamenta que o filho saia de casa e ela não tem certeza de sua volta? Você fica meditando um pouco a respeito ou simplesmente inclui a fala no rol do descartável dentro da memória seletiva que a vida nos exige? Mais e mais fico me perguntando o quanto viver é uma permissão divina quando vejo, ouço e leio as notícias. Ontem mesmo fui procurado por uma senhora da cidade de Mário Campos que tem cinco filhos, quatro deles bem empregados e um que é exceção de toda regra: há 10 anos vive entre as ruas, drogado e o xadrez, para onde já foi levado sete vezes depois de furtar para manter o vício. E ela procura por internação, pede ajuda, e nada. O que ouve é desaprovação entre vizinhos; o que a machuca ainda mais.

É nesse quadro que recebemos o 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública com uma estatística que, lamentavelmente, não nos assusta: só no ano passado 53.646 pessoas foram mortas no Brasil. Foi o terceiro ano seguido de alta (coincidindo com Minas Gerais, que também viu a violência aumentar, recentemente). Taxas acima de 10 homicídios por 100 mil habitantes são consideradas pela ONU (Organização das Nações Unidas) de violência em nível epidêmico e, no nosso caso, a taxa é mais que duas vezes e meia – 26,6%. Os Estados que mais se aproximaram da meta civilizada foram São Paulo e Santa Catarina, com taxa de 10,8 homicídios por cada 100 mil habitantes. A maior queda foi no Paraná, onde a taxa passou de 31,1, em 2012, para 24,5 para cada 100 mil habitantes. Já o Rio Grande do Norte teve a maior alta, mais que dobrando dos 12 para 24,3 por cada 100 mil.

Mas, há um detalhe: com décadas de experiência na cobertura policial, tenho dificuldades para acreditar que esses números sejam os reais, considerando o tamanho do país, as carências de algumas regiões, a falta de capilaridade da polícia, da justiça e da saúde pública e o fato de que, muitas vezes, uma pessoa é ferida, internada e morre tempos depois sem que aja acompanhamento oficial para anotação do óbito. Um bom exemplo é um jornalista, mineiro, amigo meu, ferido com um tiro desferido por um maluco e que, em consequência, ficou com os pulmões fracos e, anos depois, morreu brincando numa piscina de criança. Lá, no atestado de morte deve estar escrito afogamento. Além do mais, os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Norte estão na lista dos sete que têm dados considerados "pouco confiáveis" pelos pesquisadores.

O que importa é a gravidade do assunto. Ou o país faz um pacto pela vida ou estamos perdidos. Alagoas já tem índices similares a El Salvador e

Honduras – países mais violentos do mundo. Ah, se pesquisarem para valer o número de assassinatos sem apuração o mundo vai ficar mais assustado. O que tem de mãe chorando a morte do filho sem saber que dia alguma testemunha vai depor numa delegacia é algo espantoso...

Outro dado que apresentou alta em 2013 foi o número de encarcerados. No Brasil, o total de presos atingiu 574.207 --27 mil a mais que ano anterior--, com destaque para o número de presos que ainda aguardam julgamento, que chegou 215.639, ou seja, 40,1% do total --contra 37,2% em 2012. Com isso, a relação presos/quantidade de vagas cresceu de 1,6 para 1,7.

Apesar de não recomendado, as delegacias ainda mantêm 36.237 pessoas detidas em pelo menos 14 Estados e Distrito Federal. Somente no Paraná são 10.450.

Mais uma vez, os negros representam a maioria e têm taxa de encarceramento 18,4% maior que os brancos.

Vereadores discordam de projetos já aprovados na CMBH

Projetos já aprovados no Legislativo municipal estão sendo alvo de discussão entre os parlamentares de Belo Horizonte. Entre as propostas está o aumento do ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza), já sancionado em outra situação e considerado ilegal pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

 

A eleição não acaba

Talvez não tenha assimilado até hoje a essência da democracia. Afinal, os mais animados (ou demagogos?) dizem que eleição só faz bem, devia ter todo ano etc. Mas, ainda que procure insistentemente, não vejo razões para essa história de irmos às urnas ano sim, ano não. O problema não é só essa rotina, mas, seus efeitos cascatas. Agora mesmo acabamos de sair de uma eleição renhida, que mobilizou o país, mexeu com nossos nervos e nossas neuras e, quando a gente acha que os nossos representantes vão trabalhar, eis que a reeleita vai descansar na Bahia não antes de ser contrariada pelo presidente da Câmara dos Deputados que, irado pela perda da eleição em seu Estado, resolve derrubar a proposta de conselhos populares que era, no mínimo, uma experiência de democracia participativa. A propósito, depois desse voto de vingança, sabe qual é o assunto principal na Câmara e no Senado? Eleição das mesas diretoras.

Sabe qual é o assunto reinante na nossa Assembleia Legislativa? A eleição da mesa diretora... Aí, os partidos que ganharam - PT e PMDB - brigam como urubu na carniça pelos melhores cargos... Aliás, essa é a hora mais perigosa naquela Casa, pois, os que perderam vão tentar passar os projetos mais esquisitos ao apagar das luzes... Um dos inexplicáveis já chegou: o governo está reduzindo o número de praças para criar mais cadeiras de oficiais. Tanto na PM como nos Bombeiros. É isso mesmo! A gente já não tem soldado em lugar nenhum, os bombeiros não estão em mais que 20 cidades de Minas e o governador quer aumentar o número de chefes... É ou não é brincadeira?

Mas, voltemos às eleições. Sabe o que a Câmara Municipal está discutindo com mais vontade? Eleição da mesa. Eles ficam agora até o Natal entre as conversas sobre quem fica com os melhores cargos (e o direito de nomear mais afilhados) e a votação de projetos perigosos... Um deles é do prefeito, aumenta as alíquotas do ITBI – Imposto de Transmissão de Bens Intervivos e do ISS – Imposto sobre Serviços... Quer dizer, o cidadão não dá conta de pagar tanto imposto, tem de bancar a própria saúde, educação, segurança e tudo o mais e o que faz a prefeitura? Mais imposto. Aliás, a PBH está fazendo outra coisa que me dá coceira: essa iniciativa de isentar multas, juros e correção para os devedores é prêmio para os maus pagadores, infelizmente uma de nossas históricas mazelas. O que fazem os vereadores? Nada. São incapazes de pensar, por exemplo, em projeto que transfira o recebimento do IPTU para outros meses do ano, para não arrebentar o cidadão em janeiro. Até o fim do ano o Congresso espera aumentar os salários de seus eleitos, no que será seguido pelas assembleias e câmaras municipais do país inteiro. Depois, todos eles vão pensar na eleição de 2016... A reforma política? Bem, a Dilma quer plebiscito, o Renan quer referendo e, de verdade, nada vai mudar pra valer porque não convém a essa turma que está no poder, de pai pra filho, neto e genro desde 1500.

Você entende?

Fim de ano me mata de medo. É a época em que os governos resolvem aprovar aumento de impostos e outras medidas impopulares porque as pessoas estão envolvidas com as festas, exauridas das emoções de muito trabalho e chateação até não poder mais. Para aprovar as maldades, quem governa conta quase sempre com maioria nas casas legislativas e, como o mal feito é contagiante, não é raro que também os parlamentares apresentem “Frankenstein” – como são chamadas emendas sobre determinado assunto colocadas em projetos que tratam de outros absolutamente diferentes. Podem esperar para os próximos dias a notícia de que o Congresso Nacional aprovou, à noite, aumento de salário (deles) para vigorar a partir de 2015. E, como há o efeito cascata, salários de deputados estaduais e vereadores do Brasil inteiro vão junto.

Mas, nem sempre os governos disfarçam matérias que contrariam interesse público ou, no mínimo, são ininteligíveis. Há uma proposta do governo de Minas tramitando na Assembleia que cabe nesta caixa. Depois que critiquei no rádio, o assessor do comando geral da Polícia Militar, coronel Alberto Luís, teve a gentileza de me ligar para explicar, mas, deixei claro que continuava sem entender. O que quer o governo? Aumentar o número total de oficiais, na PM, de 2.318 para 3.348 e, concomitantemente, reduzir o de praças de 45.190 para 45.160. Em sua exposição de motivos, o comandante-geral repete as explicações do assessor de que a ideia é adequar a quantidade de cargos por postos e graduações da atual estrutura, principalmente em vista das promoções a serem realizadas anualmente. A mesma intenção inclui o Corpo de Bombeiros que, aprovada a proposta, terá mais 109 oficiais e menos 208 praças. Na prática, hoje, as mudanças não significam retirada de soldados das ruas porque há uma defasagem entre o efetivo previsto em lei e o real em mais de 11 mil homens, na PM, o que se repete com os bombeiros.

A questão é simples: estamos tão carentes de polícia na rua que, nesta semana, como viram mais soldados nas esquinas, centenas de pessoas comentaram a sensação de proteção, perguntando se os tempos da Copa haviam voltado; se era algo para valer e durar... Engano. Na verdade, perto de 2 mil soldados que estão formando foram chamados a um estágio em Belo Horizonte, porém, a partir desta sexta-feira (31), estão seguindo seu rumo para batalhões do Estado inteiro. Se o povo quer polícia e não tem, se o repórter cobra e o secretário de Defesa Social admite que o número de soldados deixe a desejar; se o debate eleitoral aperta e o governador diz que não há recursos, como aceitar que aumentem o número de chefes em detrimento dos que pegam o boi com o chifre. Não entendi. Aliás, tem muita coisa que não entendo como, por exemplo, os tucanos dizendo que a culpa de Aécio perder a eleição é dos mineiros, que não souberam reconhecer o trabalho de 12 anos. Como assim?