minas gerais

Por que faltam policiais nas ruas?

A Polícia Militar de Minas Gerais é, historicamente, sinônimo de eficiência e profissionalismo. Mas, é feita de homens. E alguns dos que chegam a seus postos mais altos deixam de dar explicações que tornem a corporação transparente e digna de ainda mais respeito dos mineiros. Sempre questionei, por exemplo, por que a PM insiste em não informar o número de seus efetivos afastados por problemas de saúde, especialmente psiquiátricos. Outra coisa que sempre cobrei é a publicação, rotineira, dos policiais que estão em funções não diretamente ligadas ao exercício do combate ao crime. Preferencialmente, nas ruas. Quem devia cobrar, em nosso nome, é a Assembleia Legislativa. Mas, como, se ali está um mau exemplo de como desviar da função o policial que nos faz falta?

A nossa Assembleia oficializou, no mês passado, por meio da Deliberação da Mesa Diretora nº 2619/2015, o seu Gabinete Militar. Assim, a casa passa a contar com um tenente-coronel, um major bombeiro militar, um capitão em exercício, um tenente em exercício, um sargento bombeiro militar, dois cabos em exercício e um soldado. Até o momento, todos esses policiais estão à disposição da presidência da Casa. Todas estas informações são oficiais. Extraoficialmente, há notícias de que mais 9 novos policiais estão sendo treinados no Mega Espace, em Santa Luzia, em parceria com a FIAT automóveis e todos passam a ocupar seus postos no próximo sábado.

Além de esses policiais serem retirados de suas atribuições de origem em suas companhias, das ruas, eles terão 40 por cento de acréscimo nos vencimentos, mais auxílio alimentação e transporte, custeados pela Assembleia. O autor dessas linhas não tem nada contra os policiais escolhidos; ao contrário, quer é defender os que não têm as mesmas regalias nas ruas, no combate direto ao crime. Sem contar que a Assembleia já conta com a “Polícia Legislativa” que tem mais de 150 servidores muitíssimo bem remunerados... Ah, o presidente também tem à sua disposição uma delegada e um investigador, da Polícia Civil, ambos também com salários superiores aos colegas em 40 por cento.

Será que o tenente Lúcio, o sargento Rodrigues, o cabo Júlio e o Durval dos Direitos Humanos concordam?

 

“Efeito manada”

Imagina uma boate, à meia luz, lotada com milhares de pessoas e, de repente, alguém grita “fogo” e as pessoas se desesperam, procurando a saída de emergência que, muito provavelmente não caberá todos, sobretudo porque ninguém admite esperar sua vez. Da mesma forma, um campo de futebol, com arquibancadas entupidas de gente e, de repente, um maluco resolve quebrar o alambrado, invadir o campo e bater no juiz... Em momentos assim, o risco de uma tragédia é gigantesco porque há estudos e pesquisas indicando que muitos de nós temos o hábito de nos deixar levar pela multidão, além do que há sempre um ambiente de envolvimento emocional quando se está em ambientes coletivos.

Pior que o “lado mau” de cada um, a hipótese de deixarmos nossas reações ao sabor da massa é o que deve merecer análises rigorosas e exigir reflexões “em tempos de paz”. Chamo a atenção para o que chamamos de “efeito manda” - que significa um processo em que a multidão em pânico, de forma irracional e num efeito dominó, busca, ao mesmo tempo, uma porta de saída emergencial”. Em artigo recente, o psiquiatra Eduardo Aquino faz uma pergunta contundente com foco nessas preocupações:

“E quando uma nação inteira perde a confiança em suas instituições políticas, jurídicas, sociais?”. Ele mesmo dá alguns exemplos: Venezuela, Síria, Iraque, Iêmen, Grécia...

O Brasil vive um momento muito especial. Os que já torceram por Rui Barbosa e Tiradentes, em passado recente vibraram com Joaquim Barbosa e agora têm um ídolo: Sérgio Moro, o juiz que, apesar das pressões, ameaças e toda sorte de obstáculos está colocando poderosos atrás das grades. Isso é bom. Mas, devemos deixar a Justiça agir. Como me assustam os casos de linchamento e hostilidades, a sede de vingança. Também sei que há o sentimento de impunidade, etc., mas, se quisermos viver em mundo civilizado, temos de ter juízo. Se cada um resolver acertar as contas com o outro na próxima esquina, vamos descambar para um buraco cujo término ninguém conhece... E nunca é demais lembrar que, se hoje ajudo uma multidão a apedrejar um suposto ladrão, estarei abrindo as portas para a oportunidade de, quem sabe, amanhã ou depois, fazerem o mesmo com um irmão meu simplesmente porque alguém, por brincadeira ou maldade, falou “pega”, ou “mata que é ladrão”.

Mitos e verdades no etanol

A cana-de-açúcar está intimamente ligada ao nosso dia-a-dia desde os primórdios da economia brasileira. Com a expansão das plantações para fins de produção do álcool para automóveis, brasileiros ficaram muito preocupados. Eu inclusive. Assim, é honesto publicar estudo elaborado pelo sindicato que reúne as empresas produtoras mostrando o que afirmam serem “mitos e verdades” e que, com certeza, contribuem para um debate mais aprofundado até porque, na minha cabeça, vem uma multinacional, aluga terras, planta cana enquanto for interessante e, depois, se manda e deixa um solo prejudicado, imprestável para outras culturas.

De acordo com o documento, o primeiro mito é exatamente o de que a cana-de-açúcar vai se tornar uma monocultura e impactar curós de água, o solo e o meio ambiente em geral. Diz a indústria que o Brasil possui hoje 6,5 milhões de hectares ocupados com a cana, 50 por cento para etanol e 50 por cento para açúcar. Ou seja, 0,5% da área total e menos de 1% da área agricultável do país, sete vezes menos que a soja e 65 vezes menos que as pastagens e a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) garante que não há impacto na qualidade da água. O mesmo documento também afirma que não há risco de a cana se expandir a ponto de dificuldade para a produção de alimentos, “porque com 850 milhões de hectares, o Brasil tem todas as condições de sustentar economicamente a produção agrícola, mantendo ainda grandes áreas de florestas com diferentes biomas”. Os produtores negam que a expansão da cana pode ameaçar áreas de biomas importantes – “principalmente porque ela se deu nos últimos 25 anos no Centro-Sul, muito distante dos biomas atuais da Amazônia, Mata Atlântica e Pantanal” – e que não há risco de perda de solos, pelo fato de que a cana tem sido plantada em áreas mais pobres, principalmente cerrados fortemente “antropizados”, na sua maioria pastagens extensivas. Ela contribui para a recuperação desses solos, com adição de matéria orgânica e fertilização químico-orgânica. Utiliza menos defensivo e fertilizante, além de contar com a reciclagem de subprodutos como a vinhaça e torta de milho. Os produtores também garantem que não há condições impróprias de trabalho no setor e que respeitam as legislações trabalhistas.

Como a humanidade não vive sem açúcar e o etanol parece irreversível, é bom saber. E debater. E fiscalizar.

O cavalo arreado passou…

O surrado ditado de que um “cavalo arreado não passa duas vezes” é atribuída a Maquiavel, mas, pode perfeitamente ser mais uma dessas frases geniais que surgem no meio do povo e ficam para sempre na nossa memória. Afinal, no campo objetivo da vida, todos os que têm o mínimo de contato com a roça sabem que quem pretende montar tem de buscar o animal no pasto, preparar os arreios e só então tomar as rédeas e o assento. E, se o olhar é filosófico, de buscar o sentido figurado das palavras, fica ainda mais fácil afirmar que, estando o cavalo já domado, preparado e, melhor ainda, “passando”, montar é seguramente mais fácil... Muito provavelmente, oportunidade idêntica (se vier) será rara e imprecisa.

Então, aquele beijo que a gente não deu ou aquela ou aquela viagem não realizada, enfim, aquela oportunidade perdida dói muito... Dar-lhe-ei um exemplo bem pessoal: em 2003, o então presidente Lula foi visitar Fidel Castro em Havana. Por razões políticas e históricas, fui fazer a cobertura. E levei minha mulher junto. Ao término da missão, na escala de volta ao Brasil, fui procurado por funcionários da empresa aérea no aeroporto da capital o Panamá explicando que havia excesso de passageiros e que me ofereciam 200 dólares (100 por pessoa), mais hotel e um passeio ao Canal do Panamá para que eu viesse no outro dia. Disse não, motivado pelo fato de que teria de trabalhar no outro dia. Nem o olhar de fuzilamento de minha mulher me fez recuar. Viemos embora, mas, o fantasma daquela oferta me incomoda... Arrependimento? Não; graças a Deus não me arrependo das coisas que fiz... Embora, se houvesse chances, faria diferente em determinados casos. Tanto que, hoje, estou voltando de Cuba, onde fui para mensurar como a população está recebendo a iminente retomada de relações diplomáticas com os Estados Unidos e, no meu plano de viagem, na volta, ficarei um dia no Panamá... Para visitar o canal!

Dei essa volta toda para dizer por que o PT me decepciona tanto. No poder, desde o começo do milênio, o partido teve uma oportunidade única de levar para o presente o “país do futuro”... O Brasil conquistou a tão sonhada estabilidade da economia que, somada a uma serie de vantagens estratégicas, poderiam nos levar ao efetivo desenvolvimento. Aqui, não temos problemas de raça ou religião, não temos guerras de fronteiras, terras férteis, sol e água em abundância para produzir alimentos, não temos terremotos ou outros desastres naturais e, se ninguém quiser importar nossos produtos, somos tanta gente que podemos nos entender no chamado mercado interno.

Enfim, temos a faca e o queijo, o cavalo passou arreado e o PT mostrou-se igual aos outros partidos brasileiros – feitos de uma maioria que quer é cuidar da própria despensa, ainda que à custa da fome dos outros. Que pena!

O fim da guerra fria

Deve começar hoje o último capítulo de seis décadas de hostilidades, consequências da divisão ideológica do mundo pós Segunda Guerra e que tinha Estados Unidos e União Soviética como representantes do capitalismo e do comunismo (sou socialismo), respectivamente. O muro de Berlim caiu, as tensões foram superadas, mas, falta remover o bloqueio econômico, financeiro e comercial dos Estados Unidos a Cuba, já condenados por todos os integrantes da ONU, exceto o Estado de Israel. Quando esse bloqueio acaba ninguém sabe, até porque o presidente Barack Obana terá que vencer as resistências dos republicanos, sabidamente mais bélicos que os democratas e maioria no Congresso Americano. Mas, a reabertura das embaixadas, em Washington e Havana, prevista para hoje, é um passo concreto rumo ao reatamento das relações diplomáticas.

Cuba está se recuperando de uma séria recessão econômica que se seguiu à retirada dos subsídios da antiga União Soviética (cerca de 4 a 6 bilhões de dólares anuais em 1990). Só em 2006, o povo cubano conseguiu recuperar quase o mesmo padrão de vida do final da década de 1980. Apesar disso, o índice de pobreza de Cuba era o sexto menor em 2004 dentre os 102 países em desenvolvimento pesquisados (de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento,)86 e Cuba está entre os 83 países do mundo que ostentam um alto Índice de Desenvolvimento Humano. Mais: Cuba tem uma taxa de alfabetização de 99,8%, 910 uma taxa de mortalidade infantil inferior até mesmo à de alguns países desenvolvidos,11 e uma expectativa de vida média de 77,64.9 Em j2006, Cuba foi a única nação no mundo que recebeu a definição da WWF – principal ong de meio ambiente do mundo - de desenvolvimento sustentável; ter uma pegada ecológica de menos de 1,8 hectares per capita e um Índice de Desenvolvimento Humano de mais de 0,8 em 2007. Sem falar que a medicina de família em Cuba é exemplo mundial e, neste momento, exporta médicos para o Brasil... Médicos que são odiados por seus colegas e pela classe média brasileira, mas, caíram no gosto de quem precisa de assistência nas periferias.

Embora os cubanos sejam muito parecidos com os brasileiros, especialmente na alegria, hoje são afetados, ainda que de longe, pela nítida divisão em nosso país onde parte da população não quer saber de PT, de Dilma ou Lula e, por extensão, vê nos conterrâneos de Fidel sugadores das parcas economias tupiniquins.

Governo faz mal à saúde

Provavelmente por conta de minhas origem de roça, um assunto que me seduz é a agropecuária. Especialmente o universo dos pequenos e médios produtores, os que precisam ter estratégias para sobreviver e os que vivem de pé no chão, quase sempre sem muita instrução e perspectivas na vida. Dia desses conversava com o amigo Flávio que herdou do pai o gosto pela fazenda e cria gado de corte no Norte de Minas. Ele falava da venda de 200 bezerros porque o capim não cresceu o bastante e veio a preocupação de não ter como alimentar todo o plantel.

Como você vende? Há segurança no negócio? E a estrutura de leilões? Fiz um tanto de perguntas para o caro Flávio que, na medida do possível e do que a minha ansiedade permitiu, deu explicações. Quando o produtor quer vender ele vai aos leilões, normalmente realizados pelo sindicato rural, porto quase seguro para interessados se encontrarem e realizarem seus negócios. Quase porque, me disse o amigo, “se o comprador resolver dar o cano, ninguém segura”. Ainda assim é um mundo relativamente seguro, para profissionais. Aliás, esse é outro aspecto sobre o qual quis saber porque, afinal, não vêm do campo as maiores queixas, historicamente? Flávio me contou que o fazendeiro é mais ou menos como o proprietário de uma loja do Mercado Central... “Está sempre reclamando que as vendas estão ruins, que o comércio piorou...”. Se você disser que quer comprar a loja dele muda de assunto na hora. Não é a toa que o Brasil tem o maior plantel e o segundo maior mercado de produção de carne do mundo, perdendo apenas para a Austrália. O que me chamou a atenção mesmo foi quando perguntei ao Flávio se não há uma intervenção maior do governo no comércio, incentivos fiscais, apoio técnico considerando que a agropecuária é o motor do nosso já combalido desenvolvimento... Ele até se benzeu, dizendo que tudo o que o produtor rural quer no país é que o governo continue longe, para não atrapalhar.

Ai, me lembrei de dados recentes que li sobre a produção do leite: Minas Gerais é o maior estado produtor do Brasil, com participação de 27,2 por cento na produção nacional, ou seja, 9,3 bilhões de litros de leite por ano. Detalhe: se fosse um país, Minas seria o décimo segundo maior produtor, gerando 25 mil empregos diretos nos campos e currais. Apesar de uma frase que o ex-presidente da Federação da Agricultura, Gilman Viana, adora repetir: “Na Europa, um pecuarista compra um freezer para o neto pagar; aqui, se ele comprar, os juros deixam o neto sem fazenda”.

Por que parou?

Se você é um observador mais atento da paisagem das cidades ou mesmo das estradas que cortam os municípios já deve ter percebido que existem muitas obras inacabadas, em diferentes estágios de paralisação. Um bom exemplo está na BR 381, a “rodovia da morte”, que liga Belo Horizonte a Governador Valadares.

Agora, que o governo do Estado está retomando obras de estações do Move Metropolitano, peço atenção para o espaço multiuso que começou a ser construído no Parque Municipal em 2013 após a demolição do tradicional Colégio Imaco. Os recursos para o empreendimento são originários de um convênio assinado entre o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, e o então governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia.

Em janeiro deste ano a obra foi totalmente paralisada e assim permanece até o momento. O valor do empreendimento é de R$16 milhões, dos quais já foram gastos algo em torno de R$8 milhões. A empreiteira que prestou os serviços ainda tem pouco mais de R$2 milhões a receber. Aliás, essa empreiteira já recebeu ordem de paralisação dos serviços emitida pela Sudecap e também já dispensou os trabalhadores que atuavam na obra. Enquanto isso, o que já foi feito continua exposto à ação do tempo e do vandalismo de pessoas. Até elevadores estão no local aguardando o dia em que serão instalados.

Em tempos de recursos escassos temos aí um bom exemplo da falta que a gestão faz. Será que o Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado e a Câmara de Vereadores de Belo Horizonte estão atentos ao que está acontecendo?

Por que a crise é mais séria no Brasil

A crise que vivemos no nosso país é mais séria que a de outros povos. Na Grécia, por exemplo, falta dinheiro, mas, o primeiro-ministro tem a confiança das pessoas, está fazendo – certo ou errado – o que prometeu na eleição. A nossa crise é financeira, política e de confiança. Ai é mais difícil mobilizar para vencer. Vejamos o trecho de um leitor que se chama Leandro, tem 40 anos e não aguenta mais a cultura de sobrevivência na da esperteza pela qual todos se iludem bom “bons negócios“:

”Sou mais um dos trabalhadores que acorda cedo todos os dias para trabalhar, que educa os filhos dentro dos bons costumes e dos valores de ética e responsabilidade social, que paga seus impostos em dia, e que infelizmente estão incrédulos e desacreditados com o nosso País. Bom, na verdade não é necessariamente com nosso País, e sim com os corruptos, ladrões que infelizmente colocamos para governar. No último sábado fui com minha esposa e filhos a uma festa junina na Rua Juiz Aquiles Lobo, no bairro Estoril e infelizmente ao sair, por volta de 22 horas encontrei o meu carro e mais alguns que estavam estacionados danificados e, pasme, sem os dois retrovisores.

Pelo que pude notar, a ultima moda deve ser roubar retrovisores de carro porque foram roubados todos os retrovisores de 08 carros estacionados no local. Confesso que já tinha sido assaltado a mão armada na rua, já furtaram dois carros meus, já invadiram a minha casa mas o ultimo acontecido com o roubo dos retrovisores me afetou profundamente me deixando com a sensação de impotência perante a bandidagem. Não somente pelo prejuízo financeiro, mas pela tristeza que me causou, ou seja, não poder sair de casa. Outro fato assustador e que escutei de varias pessoas a frase : “VÁ A PEDRO II NA SEGUNDA CEDO QUE VOCE VAI ENCONTRAR SEUS RETROVISORES EM ALGUMA LOJA E AI VOCE COMPRA MAIS BARATO”.

Se isso acontece é porque tem lojas que compram, pessoas que compram e alimentam esse mercado sujo; onde estão nossas autoridades, policia, que não enxergam tal fato e investigam essa situação? Apesar de não poder ter este gasto no momento, me recuso a comprar coisas roubadas ou alimentar esse mercado que existe e que todos preferem não enxergar. Vou comprar retrovisores novos e dormir com a consciência tranquila”.

Pobre assaltando pobre

O Diagnóstico de Incidência de Roubos em Belo Horizonte, que a Secretaria de Defesa Social divulgou ontem não deixa dúvidas: a capital tem menos de seis por cento do território e pouco mais de 11 por cento da população mineira, mas, concentrou nada menos que 36 por cento dos registros de roubos consumados e tentados em todo o Estado, no período de janeiro do ano passado a maio último. Outro dado importante para a polícia ostensiva trabalhar é o de que, dentro de Beagá, 24 por cento dos roubos foram cometidos em nove áreas geográficas que, juntas, abrangem apenas 6 por cento do território da cidade. E, acreditem, o hipercentro, que não chega a dois por cento do território, concentra quase a metade dos tais 24 por cento... Ou seja, o fato de que a Sexta companhia da PM ter hoje menos da metade dos homens que tinha 30 anos atrás está pesando, os trombadinhas estão voltando e é preciso agir.

O Centro Integrado de Informações de Defesa Social analisou os REDs, Registros de Eventos de Defesa Social, que a gente conhece como BOs e chegou a informações valiosas, como, por exemplo, aque as zonas quentes de criminalidade, isto é, onde acontece a maior parte dos roubos, são, pela ordem, o Hipercentro, disparado, Shopping Estação em Venda Nova, a Avenida Nossa Senhora do Carmo, o Minas Shopping no Bairro União, a região do Bairro Nova Suissa, o Via Shoping no Barreiro, a Cidade Nova, os bairros Floramar e Tupi e o Coração Eucarístico. No Hipercentro, quase 60% dos roubos ocorreram, pela ordem, na Praça Rio Branco (Rodoviária), Praça Sete de Setembro e Praça Rui Barbosa (da Estação).

Outra informação importante: principal alvo dos roubos na cidade, o transeunte foi atingido de modo ainda mais predominante no Hipercentro. Nada menos do que 73% dos casos foram de roubo consumado e tentado a transeunte. Somando-se todos os roubos a pessoas, como motorista ou passageiro de ônibus ou táxi, por exemplo, o percentual chegou a 85%. Então, a realidade é que pobres, marginais ou usuários de drogas desesperados, estão tomando dinheiro de pobres, na rua, no ponto de ônibus, no meio da praça.

O recado é simples: estratégia, tecnologia, estatísticas, discursos, disque denúncia, tudo é válido para diminuir a enorme insegurança que nos angustia, mas, o carro-chefe, o que produz resultados concretos e aumenta a segurança subjetiva é polícia na rua.

Que dia!

É verdade que não há preço para certas coisas. A primeira vez a gente nunca esquece. Mas, os vexames também ficam! O 8 de julho de 2014 é como ex-mulher ou ex-marido... Para sempre! Na véspera, eu tinha certeza de que não iria ao Mineirão; aliás, desde que a Copa do Mundo foi anunciada para o nosso país, não passou por minha cabeça ir ao campo. Pela televisão é mais cômodo, sossegado, é mais prudente considerando que a violência insiste em nos tirar da rua, da festa.

Na noite anterior, o amigo João Vitor Xavier me ligou perguntando se estava interessado em ir. Disse que seria um presente e tanto porque minha mulher havia manifestado interesse exatamente na véspera. Lá fomos nós, ela e eu e mais algumas dezenas de milhares de mineiros, baianos, ingleses, argentinos, alemães... O mundo estava representado! Prometi que esqueceria minha decepção (que não cessa) com aquela obra de reforma do estádio, linda por dentro e de péssimo gosto por fora, com concreto desértico, difícil acesso a tudo, sem área de estacionamento... Uma fortuna gasta para piorar o ambiente da Pampulha. Prometi que perdoaria qualquer falha de organização, algum exagero de torcedor, afinal, era um dia especial, daqueles que têm de ficar no lado bom da memória.

E tudo corria bem, muita alegria, confraternização, felicidade padrão Fifa!

Então, o jogo começou. E era um gol atrás do outro, ninguém entendia, parecia brincadeira, sonho, surreal... Menos de 30 minutos, 5 a zero para eles e as brigas pipocaram entre gente até então bem comportada. Minha mulher entrou em pânico – “vamos embora”- deixamos o estádio às pressas, sem esvaziar a bexiga que a cerveja preenchera, encontramos uma fuga em massa nas ruas mais próximas e, já chegando à Antônio Carlos, policiais repreendiam com o vigor necessário um desses arruaceiros travestidos de torcedores. Felizmente havia táxi à vontade.

No carro, o motorista estava espantado, a cidade silenciosa, em casa comecei a voltar ao normal... as redes sociais já repercutindo com a rapidez e a crueldade que lhe são peculiares... Então, revendo lances, entendendo melhor, aqueles 7 a 1 eram verdadeiros... E, pior, não saía da minha cabeça a sensação de que os alemães tiraram o pé para não ampliar a surra. Fim de Copa. Então, aquelas manifestações violentas de um ano antes, o viaduto que caiu, tudo era só preparação para o pior. Um ano depois, fico pensando se aquela derrota nos pênaltis para o Paraguai não evitou o pior na Copa América... Fico pensando muita coisa, mas, com certeza, esquisito igual aquele 8 de julho nunca mais... Que dia!