minas gerais

Vamos dizer a verdade aos taxistas?

A inabilidade da presidente Dilma Roussef com as palavras está entrando para nosso folclore. Anteontem, ainda que por linhas tortas, ela deixou escapar o que todos os políticos pensam, mas, por conta de seus interesses eleitorais, ainda não disseram claramente: esse aplicativo, Uber, que tanto desassossego trouxe aos motoristas de taxi, veio para ficar. É melhor gastar as energias tratando de uma regulamentação que preserve a atividade dos profissionais da praça que alimentar esse discurso de ilegalidade e indecência. Não apenas pelo fato de que o Uber já está em 57 países e ninguém sabe como combate-lo, mas, sobretudo, principalmente porque contra o novo não há argumento que prevaleça.

Um dia já tivemos flanelinha no cinema, lambe-lambe reinava no Parque Municipal, brasileiros ganhavam a vida enchendo isqueiro a gás; leite era na garrafinha, os leiteiros (meu pai um deles) pegavam os latões nas fazendas, o telefone fixo era um sonho, o telex a oitava maravilha... Outro dia mesmo havia Orkut (que acabou sem que eu o entendesse) e a gente não podia imaginar que a imagem da TV ficaria tão nítida. Por falar em televisão, imagine o susto de nossos pais quando apareceu um aparelho que, além de prosear, também tinha feição. E mais atrás, a geladeira, o fogão a gás, o rádio, o telegrama, o antibiótico, o carro...

Quando menino, pensei em dar aula de literatura portuguesa, mas, alguma voz me contou que professor nunca seria bem tratado; fui ser ascensorista de hotel e os elevadores logo deixaram de ter porta de açougue, não precisavam mais de mim... Por sorte, havia aprendido datilografia, fui para o banco... Três anos depois disseram que nossa seção de bater títulos de cobrança estava acabando porque o computador faria tudo, mais rápido e seguro... Por sorte, havia aprendido a trabalhar na compensação de cheques que, anos depois, foi toda para o computador... Por sorte, virei caixa; por sorte virei procurador... Passei a odiar banco, mas, por sorte, estava cursando jornalismo, por sorte, tratei bem um cliente no banco que abriu as portas da Rádio Guarani para mim... Acabaram com a Guarani, por sorte a Itatiaia me ouvira, me chamou, por sorte, lá, na Itatiaia, há 30 anos, tenho trabalhado muito, estudado mais...

Sorte? Só se sorte for sinônimo de labuta, perseverança e empenho. O que garante o frango lá em casa é adaptar e enfrentar... É o que precisamos fazer com os taxistas, que lutaram muito para ter seu carro, sua placa, seu ganha-pão. Vamos regulamentar permitindo a convivência do novo com o tradicional... Ou alguém acha que caixa eletrônico dentro do Mercado Central não gerou polêmica?

A inabilidade da presidente Dilma Roussef com as palavras está entrando para nosso folclore. Anteontem, ainda que por linhas tortas, ela deixou escapar o que todos os políticos pensam, mas, por conta de seus interesses eleitorais, ainda não disseram claramente: esse aplicativo, Uber, que tanto desassossego trouxe aos motoristas de taxi, veio para ficar. É melhor gastar as energias tratando de uma regulamentação que preserve a atividade dos profissionais da praça que alimentar esse discurso de ilegalidade e indecência. Não apenas pelo fato de que o Uber já está em 57 países e ninguém sabe como combate-lo, mas, sobretudo, principalmente porque contra o novo não há argumento que prevaleça.

Um dia já tivemos flanelinha no cinema, lambe-lambe reinava no Parque Municipal, brasileiros ganhavam a vida enchendo isqueiro a gás; leite era na garrafinha, os leiteiros (meu pai um deles) pegavam os latões nas fazendas, o telefone fixo era um sonho, o telex a oitava maravilha... Outro dia mesmo havia Orkut (que acabou sem que eu o entendesse) e a gente não podia imaginar que a imagem da TV ficaria tão nítida. Por falar em televisão, imagine o susto de nossos pais quando apareceu um aparelho que, além de prosear, também tinha feição. E mais atrás, a geladeira, o fogão a gás, o rádio, o telegrama, o antibiótico, o carro...

Quando menino, pensei em dar aula de literatura portuguesa, mas, alguma voz me contou que professor nunca seria bem tratado; fui ser ascensorista de hotel e os elevadores logo deixaram de ter porta de açougue, não precisavam mais de mim... Por sorte, havia aprendido datilografia, fui para o banco... Três anos depois disseram que nossa seção de bater títulos de cobrança estava acabando porque o computador faria tudo, mais rápido e seguro... Por sorte, havia aprendido a trabalhar na compensação de cheques que, anos depois, foi toda para o computador... Por sorte, virei caixa; por sorte virei procurador... Passei a odiar banco, mas, por sorte, estava cursando jornalismo, por sorte, tratei bem um cliente no banco que abriu as portas da Rádio Guarani para mim... Acabaram com a Guarani, por sorte a Itatiaia me ouvira, me chamou, por sorte, lá, na Itatiaia, há 30 anos, tenho trabalhado muito, estudado mais...

Sorte? Só se sorte for sinônimo de labuta, perseverança e empenho. O que garante o frango lá em casa é adaptar e enfrentar... É o que precisamos fazer com os taxistas, que lutaram muito para ter seu carro, sua placa, seu ganha-pão. Vamos regulamentar permitindo a convivência do novo com o tradicional... Ou alguém acha que caixa eletrônico dentro do Mercado Central não gerou polêmica?

O orçamento da verdade

Com certeza, os prezados leitores já leram tudo o que os analistas da política e da economia acharam do orçamento do governo federal para 2016, com a inusitada projeção de um déficit superior a 30 bilhões de reais. Peço vênia para apresentar algumas reflexões de palpiteiro, com a autoridade de quem paga muitos impostos, em dia, e está com o embornal cheio de ouvir discursos, mais que isso difundi-los nas últimas décadas. A minha corneta acusa que este orçamento, entregue pelos ministros Joaquim e Nelson ao Congresso, é o mais honesto dos quais já tive notícias.

Primeiro, preciso esclarecer que não conheço orçamento honesto. A prática profissional me autoriza a dize-lo porque em todas as ocasiões que cobri solenidades de entrega das propostas de receita e despesas, havia sempre alguém da oposição para acusar o calhamaço de papel de fictício ou, no mínimo, dossiê de boas intenções. Ora, se agora, os ministros avisam que, se tudo der certo, Deus ajudar, o que se espera receber vier e o gasto não for maior que o previsto, ainda assim teremos um rombo de 30 bilhões é sinal de que, no mínimo, há transparência. Dirá alguém que transparência é obrigação... Concordo. Dirão outros que é a declaração de incompetência do governo Dilma... Concordo plenamente!

Mas, o melhor do orçamento é que ele chama para a rinha o Congresso Nacional... Diz algo como “venha, vamos discutir, conter gastos, fazer a coisa mais decente, encontrar saídas...” Se tiver coragem de aceitar o convite, Renan Calheiros vai cortar na carne e diminuir as exorbitâncias da casa que preside; seu colega, Eduardo Cunha, não terá coragem de repetir viagens como a que está fazendo, aos Estados Unidos, para um desses seminários de faz-de-conta no qual gasta 199 mil reais, incluindo hotel e passagens na classe executiva para ele e mais seis nobres deputados... Se fizerem sua parte, ele e Renan poderão exigir de Dilma corte de ministérios, cargos, garçons, jantares... Por exemplo, da próxima vez que for a San Francisco, nos Estados Unidos, não gastar quase 400 mil com aluguel de veículos... E ainda atrasar o pagamento! Quem sabe se a presidente para com esse absurdo de torrar 200, 300 mil numa viagem com aviões, helicópteros e um monte de gente para vir a Contagem entregar uma máquina agrícola que custa menos da metade? Quem sabe se o Judiciário não toma juízo, se concede aumentos mais compatíveis com nosso Brasil e diminui os “auxílios”?

Resumindo a prosa: se todo mundo põe reparo quando o cidadão mora em área invadida e tem carro na porta, por que o governo não aceita que quebrou e começa a luta para evitar o SPC?

A política não tem porta de saída

A entrevista que minha colega Edilene Lopes fez com o Luís Inácio, sexta-feira última em Montes Claros, confirma a tese dos que classificam a política – leia-se também poder – como uma droga que, experimentada pelo homem, dificilmente será abandonada. Quando o ex-presidente Lula confirmou que é sim candidato em 2018 agradeci a Deus pela lucidez que me deu, vinte anos atrás, quando decidi que os acenos de partidos políticos não deveriam ser considerados, posição que mantenho até hoje. É que, de repente, vereador por um ou dois mandatos, realizando um sonho, poderia ser uma ideia. Mas, uma fez eleito, o sujeito só se aquieta quando as urnas dizem não. Com raras exceções.

Examinemos o caso desse nordestino, de origem pobre, sem um dedo, fala arrastada, pouca escola, barba mal feita (no passado) e que reunia inúmeras outras características para ser discriminado, como o foi no país. E ele realiza não apenas o seu o intento, mas, o sonho de milhões de brasileiros sofridos e chega à Presidência da República. Abandona convicções ideológicas em favor do bom senso, aproveita a política econômica do antecessor, melhora a vida dos pobres, faz história, ganha o reconhecimento do mundo, elege a sucessora e...

No lugar de curtir a aposentadoria, colher os frutos de tanta luta e se tornar uma espécie de conselheiro da República, isto é, aquele sujeito que não se mete no varejo da política, mas, convidado, em horas difíceis, pode dar uma contribuição, faz exatamente como FHC, Sarney e tantos outros... Fica por aí, como um fantasma, querendo ser lembrado, palpiteiro de plantão... Agora, quer voltar para, muito provavelmente, estragar a biografia... Que, aliás, já está arranhada com tanta safadeza que ele insiste em não ver, não ouvir, não saber...

Lula é o símbolo da arrogância - comum à maioria dos poderosos. Acha que o Brasil foi descoberto em 2003, que o PT é diferente dos outros partidos e até que Dilma vai colher no futuro o que planta hoje... Mas, como, se o que ela plantou no primeiro mandato o povo está colhendo agora e não gosta nem um pouco.

Um dia ainda conto para o Lula como consegui deixar de fazer reportagens externas no rádio, depois de 30 anos. Disse ao patrão:

“Chefe, ontem, lá na porta da Assembleia, um lambe-lambe atrevido me perguntou se não vou morrer ou aposentar e abrir espaço para os outros... O mandei para aquele lugar, mas, pensando bem, acho que tem lá suas razões”.

Por que não, secretário?

Essa semana, com muita alegria, lançamos – a Editora Terceira Visão e eu – um livro com seleção de crônicas publicadas em diversos veículos, incluindo o Hoje em Dia, nos últimos cinco anos. O mais motivador no trabalho foi permitir a comparação dos artigos com sua data de publicação e os dias atuais. O primeiro, por exemplo, de 2004, tratava de uma situação de tensão extrema na Pedreira Prados Lopes, a ponto de as crianças não soltarem papagaios; hoje, felizmente, o quadro é melhor. O segundo tratava, em 2012, da luta dos professores por um piso salarial que, graças a Deus, conseguiram. Já o terceiro, de 2013, que refletia sobre as manifestações e suas consequências na mobilidade urbana continua um desafio. E é sobre isso que quero falar de novo.

Hoje, vou estar com o secretário de Estado de Direitos Humanos, Nilmário Miranda e, no lugar de pergunta, farei um apelo para que ele lidere um esforço no sentido de regular a relação entre o direito sagrado de protestar e a necessidade humana de ir e vir. Não seria inteligente reclamar das manifestações, especialmente num momento em que estamos tão indignados. Mas, como repórter – que frequenta as ruas e se sente obrigado a relatar o que vê e ouve mais que opinar – não me conformo com a facilidade com que fecham a Praça Sete, quase sempre as seis da tarde e preferencialmente nas sextas-feiras.

Assim, insisto na tese de que é possível construir uma mesa de negociação que contemple a livre expressão e, ao mesmo tempo, a ordem, o livre trânsito de pessoas, de sorte que trabalhadores possam voltar para casa, estudantes cheguem à escola e doentes sejam levados ao hospital. Não me convence a estória de que é necessário parar o trânsito e criar a confusão para ter repercussão. Mentira. É possível sim criar acordos que garantam a manifestação, pedindo a seus organizadores apenas que avisem com antecedência data, lugar e hora e que ajam com bom senso, de sorte que 30 pessoas fiquem no passeio, 300 caminhem por uma faixa e, se forem 5 mil, que possam então causar efetivos transtornos ao tráfego.

Tenho certeza que, juntos, Direitos Humanos, Defesa Social, Defesa Civil, Prefeitura, Assembleia Legislativa e Câmara Municipal podem conversar com a cidade e garantir o exercício da cidadania em ferir os direitos dos vizinhos. Afinal, se Democracia deve contemplar a maioria, por que desrespeitar os que só querem (ou precisam) ir e vir?

O pior pode estar por vir

Não consigo conversar com uma pessoa ou caminhar dez metros sem ouvir que a situação está horrorosa. O pior é que ninguém ousa prever para quando podemos esperar dias melhores. E o que vem de Brasília é cada dia mais assustador. Não bastasse tanta roubalheira, sempre acompanhada de desfaçatez da parte dos que deviam se envergonhar, algumas atitudes dos nossos congressistas só colocam mais pulga atrás das nossas orelhas. A última é essa “reforma política” que não muda nada, ou, pior, produziu uma mudança que considero muito perigosa. Essa estória de proibir a reeleição nos cargos executivos pode parecer maravilhosa, sinônimo de renovação, democracia, mas, a meu ver vai nos encaminhar de vez para a falta de foco e o imobilismo no serviço público.

Hoje, já temos um quadro terrível, com eleições ano sim ano não. Quem ganhou para governador ou deputado ano passado este ano está cuidando dos amigos que vão se candidatar a prefeito e vereador no ano que vem... Estes, por sua vez, assim que tomarem posse em 2017 vão trabalhar para a retribuição em 2018... E assim caminha a rotina, na qual ninguém ousa contrariar interesses nem mexer em grandes polêmicas... Por isso, a gente tem metrô de mentira, anel rodoviário assassino e BR 262 inacreditável... Não resolve Izidora, não tem guarda de trânsito...

Já imaginaram, quando nenhum governador ou prefeito ficar mais que quatro ou cinco anos no cargo? Qual obra estruturante o administrador vai planejar, buscar recursos, fazer projeto e executar? Um bom exemplo da administração Márcio Lacerda são as Unidades Municipais de Educação Infantil (mais de 100 já construídas) que exigiram esforço de dois mandatos... O Hospital Célio de Castro, do Barreiro, nem com sete anos ele conseguiu fazer funcionar... O governo do Estado pensa em privatizar o João Paulo II porque não consegue colocar pediatras no único hospital que atende criança pobre numa região metropolitana de 5,6 milhões de habitantes.

Tomara que esteja errado, pois, penso que teremos o prefeito bancando o síndico e administrando coleta de lixo e o governador mandando ambulâncias com no de deputados para o interior.

Ah, sem falar que vão gastar os dois primeiros anos para “colocar a casa em ordem” e os dois últimos cuidando do próprio destino político...

Vamos falar de pum?

Embora esse minifúndio não seja um espaço dedicado à moda ou a inovações nos relacionamentos, penso ser importante, como prestação de serviço, difundir notícia que saiu apenas em canto de pé de página em jornais brasileiros: o lançamento, por uma empresa britânica, de um pijama à prova de pum... Melhor, uma roupa de dormir capaz de conter o mau cheiro provocado pelo pum.

Há mais tempo a “Shreddies” já fabrica roupas de baixo que segura os odores naturais da flatulência e agora também lançou um pijama que promete o mesmo resultado. E não é brincadeira ou artigo nascido do acaso – há muita tecnologia por trás das roupas. Os tecidos das calças de pijama e os jeans lançados pela empresa incluem um material à base de carbono chamado de Zorflex, que segura gases e líquidos em uma de suas camadas. Na verdade, é a extensão de uso de uma roupa já frequente entre as pessoas que necessitam de proteção especial contra produtos químicos. Os técnicos dizem que é capaz de conter odores 200 vezes mais fortes do que os flatos de uma pessoa normal.

Você pode dizer que eu estou é sem assunto. Pois, vos digo que precisamos dar mais espaço nos veículos de comunicação para assuntos que realmente mexem com nossa rotina e podem nos fazer mais felizes, relaxados. Para estressar, basta a violência, a corrupção, discursos, essas estórias que a gente conta todo dia. Converse com três amigos com mais de 30 anos e pergunte se nunca passaram um enorme sufoco por não conseguir segurar um pum diante da moça que queriam tanto conquistar. Ou, pergunte a três senhoras se há algo mais desagradável que a flatulência do marido nas horas impróprias.

E não estamos falando de má educação ou desleixo. É humano. Para uns, assunto sério de saúde. Tanto é que a fabricante disse ter recebido muitos pedidos de pessoas que precisavam de proteção para dormir, especialmente quando se está em novo relacionamento, no mesmo quarto de um colega de trabalho ou na casa de amigos.

Infelizmente, o pijama britânico ainda não consegue sufocar o barulho – que é o aviso, mas, promete segurar o efeito – que é o pior. Não é a toa que o slogan da companhia é “Peide sem medo”.

 

Vamos direto ao ponto?

Como cansa essa lenga-lenga que é a corrupção no país... O que impressiona é como a gente perde tempo nos “entretantos” e não vai direto “aos finalmente” como dizia Odorico Paraguaçu… Alguém tem dúvidas de que as campanhas eleitorais no Brasil são bancadas por dinheiro que vem dos contratos assinados por estatais dirigidas por gente indicada pelos políticos? Por que algumas figuras medonhas como Sarney, Renan, Lobão e tantos outros sempre brigam por postos-chave na Petrobrás, Eletrobrás? Por que o marco mineral, que vai melhorar a compensação aos estados do Pará e de Minas e aos municípios onde a mineração gera fortunas nunca é aprovado em Brasília? Aliás, quem indica os dirigentes do órgão que controla novos registros de áreas para a mineração? E essas agências reguladoras, quem indica seus dirigentes? E no futebol, por que a CBF fica mais na página policial que na esportiva? E a relação de políticos com bancos, construtoras, empresas de ônibus? Lojas de peças usadas e outros tipos de comércio frequentemente relacionados com receptação? Por que a Ordem dos Advogados do Brasil está tão irritada com a convocação de uma associada para dizer de onde veio o dinheiro que recebe de seus clientes envolvidos em sujeira? Não devia a OAB, a Federação dos Jornalistas e a massa crítica do país estar aplaudindo o juiz Moro e todas as outras formas de apuração, mesmo as vindas de gente altamente suspeita como esse brucutu chamado Eduardo Cunha?

Francamente... Vamos aproveitar essa chance única de colocar freios, ainda que tímidos, na safadeza. A corrupção é histórica, endêmica, agora – para alguns – também uma septicemia ou metástase, ou seja, doença que se espalhou, está fora de controle... Por que a gente não acaba com aposentadorias especiais, buscam de volta os militares que ficam à disposição de autoridades? Puxa vida!

É verdade que o conhecimento liberta, mas, seguramente quando se sabe sobre as engrenagens é preciso pegar com Deus para não surtar... Como tem faz de conta... Agora, os prefeitos anunciam fechamento das portas em protesto contra falta de recursos... Ah, se eles soubessem gastar!

Vamos direto ao ponto?

Como cansa essa lenga-lenga que é a corrupção no país... O que impressiona é como a gente perde tempo nos “entretantos” e não vai direto “aos finalmente” como dizia Odorico Paraguaçu…

Alguém tem dúvidas de que as campanhas eleitorais no Brasil são bancadas por dinheiro que vem dos contratos assinados por estatais dirigidas por gente indicada pelos políticos?

Por que algumas figuras medonhas como Sarney, Renan, Lobão e tantos outros sempre brigam por postos-chave na Petrobrás, Eletrobrás? Por que o marco mineral, que vai melhorar a compensação aos estados do Pará e de Minas e aos municípios onde a mineração gera fortunas nunca é aprovado em Brasília? Aliás, quem indica os dirigentes do órgão que controla novos registros de áreas para a mineração? E essas agências reguladoras, quem indica seus dirigentes? E no futebol, por que a CBF fica mais na página policial que na esportiva? E a relação de políticos com bancos, construtoras, empresas de ônibus? Lojas de peças usadas e outros tipos de comércio frequentemente relacionados com receptação? Por que a Ordem dos Advogados do Brasil está tão irritada com a convocação de uma associada para dizer de onde veio o dinheiro que recebe de seus clientes envolvidos em sujeira? Não devia a OAB, a Federação dos Jornalistas e a massa crítica do país estar aplaudindo o juiz Moro e todas as outras formas de apuração, mesmo as vindas de gente altamente suspeita como esse brucutu chamado Eduardo Cunha?

Francamente... Vamos aproveitar essa chance única de colocar freios, ainda que tímidos, na safadeza. A corrupção é histórica, endêmica, agora – para alguns – também uma septicemia ou metástase, ou seja, doença que se espalhou, está fora de controle... Por que a gente não acaba com aposentadorias especiais, buscam de volta os militares que ficam à disposição de autoridades? Puxa vida!

É verdade que o conhecimento liberta, mas, seguramente quando se sabe sobre as engrenagens é preciso pegar com Deus para não surtar... Como tem faz de conta... Agora, os prefeitos anunciam fechamento das portas em protesto contra falta de recursos... Ah, se eles soubessem gastar!

Por que faltam policiais nas ruas?

A Polícia Militar de Minas Gerais é, historicamente, sinônimo de eficiência e profissionalismo. Mas, é feita de homens. E alguns dos que chegam a seus postos mais altos deixam de dar explicações que tornem a corporação transparente e digna de ainda mais respeito dos mineiros. Sempre questionei, por exemplo, por que a PM insiste em não informar o número de seus efetivos afastados por problemas de saúde, especialmente psiquiátricos. Outra coisa que sempre cobrei é a publicação, rotineira, dos policiais que estão em funções não diretamente ligadas ao exercício do combate ao crime. Preferencialmente, nas ruas. Quem devia cobrar, em nosso nome, é a Assembleia Legislativa. Mas, como, se ali está um mau exemplo de como desviar da função o policial que nos faz falta?

A nossa Assembleia oficializou, no mês passado, por meio da Deliberação da Mesa Diretora nº 2619/2015, o seu Gabinete Militar. Assim, a casa passa a contar com um tenente-coronel, um major bombeiro militar, um capitão em exercício, um tenente em exercício, um sargento bombeiro militar, dois cabos em exercício e um soldado. Até o momento, todos esses policiais estão à disposição da presidência da Casa. Todas estas informações são oficiais. Extraoficialmente, há notícias de que mais 9 novos policiais estão sendo treinados no Mega Espace, em Santa Luzia, em parceria com a FIAT automóveis e todos passam a ocupar seus postos no próximo sábado.

Além de esses policiais serem retirados de suas atribuições de origem em suas companhias, das ruas, eles terão 40 por cento de acréscimo nos vencimentos, mais auxílio alimentação e transporte, custeados pela Assembleia. O autor dessas linhas não tem nada contra os policiais escolhidos; ao contrário, quer é defender os que não têm as mesmas regalias nas ruas, no combate direto ao crime. Sem contar que a Assembleia já conta com a “Polícia Legislativa” que tem mais de 150 servidores muitíssimo bem remunerados... Ah, o presidente também tem à sua disposição uma delegada e um investigador, da Polícia Civil, ambos também com salários superiores aos colegas em 40 por cento.

Será que o tenente Lúcio, o sargento Rodrigues, o cabo Júlio e o Durval dos Direitos Humanos concordam?

 

“Efeito manada”

Imagina uma boate, à meia luz, lotada com milhares de pessoas e, de repente, alguém grita “fogo” e as pessoas se desesperam, procurando a saída de emergência que, muito provavelmente não caberá todos, sobretudo porque ninguém admite esperar sua vez. Da mesma forma, um campo de futebol, com arquibancadas entupidas de gente e, de repente, um maluco resolve quebrar o alambrado, invadir o campo e bater no juiz... Em momentos assim, o risco de uma tragédia é gigantesco porque há estudos e pesquisas indicando que muitos de nós temos o hábito de nos deixar levar pela multidão, além do que há sempre um ambiente de envolvimento emocional quando se está em ambientes coletivos.

Pior que o “lado mau” de cada um, a hipótese de deixarmos nossas reações ao sabor da massa é o que deve merecer análises rigorosas e exigir reflexões “em tempos de paz”. Chamo a atenção para o que chamamos de “efeito manda” - que significa um processo em que a multidão em pânico, de forma irracional e num efeito dominó, busca, ao mesmo tempo, uma porta de saída emergencial”. Em artigo recente, o psiquiatra Eduardo Aquino faz uma pergunta contundente com foco nessas preocupações:

“E quando uma nação inteira perde a confiança em suas instituições políticas, jurídicas, sociais?”. Ele mesmo dá alguns exemplos: Venezuela, Síria, Iraque, Iêmen, Grécia...

O Brasil vive um momento muito especial. Os que já torceram por Rui Barbosa e Tiradentes, em passado recente vibraram com Joaquim Barbosa e agora têm um ídolo: Sérgio Moro, o juiz que, apesar das pressões, ameaças e toda sorte de obstáculos está colocando poderosos atrás das grades. Isso é bom. Mas, devemos deixar a Justiça agir. Como me assustam os casos de linchamento e hostilidades, a sede de vingança. Também sei que há o sentimento de impunidade, etc., mas, se quisermos viver em mundo civilizado, temos de ter juízo. Se cada um resolver acertar as contas com o outro na próxima esquina, vamos descambar para um buraco cujo término ninguém conhece... E nunca é demais lembrar que, se hoje ajudo uma multidão a apedrejar um suposto ladrão, estarei abrindo as portas para a oportunidade de, quem sabe, amanhã ou depois, fazerem o mesmo com um irmão meu simplesmente porque alguém, por brincadeira ou maldade, falou “pega”, ou “mata que é ladrão”.