minas gerais

O Papa é o cara!

Sua Santidade, o Papa Francisco, vai me permitir a intimidade. Estou lendo a Carta Encíclica “Laudato Si”- Louvado sejas, meu senhor - sobre o cuidado com a “casa comum” e confirmando todas as impressões que tive já nas suas primeiras aparições como chefe da Igreja Católica. O documento assinado por ele no dia 24 de maio não oferece nada que não tenhamos ouvido, nas últimas décadas, mas, considerando quem o diz e como o diz é o chamamento de Deus para que tenhamos juízo.

Para aqueles que ainda não leram, apenas um trecho do apelo de Francisco:

“O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar; o Criador não nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem se arrepende de nos ter criado. A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum. Desejo agradecer, encorajar e manifestar apreço a quantos, nos mais variados setores da atividade humana, estão trabalhando para garantir a proteção da casa que partilhamos. Uma especial gratidão é devida àqueles que lutam, com vigor, por resolver as dramáticas consequências da degradação ambiental na vida dos mais pobres do mundo. Os jovens exigem de nós uma mudança; interrogam-se como se pode pretender construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos. Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos construindo o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental que vivemos e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós. O movimento ecológico mundial já percorreu um longo e rico caminho, tendo gerado numerosas agregações de cidadãos que ajudaram na conscientização. Infelizmente, muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustrados não só pela causa dos poderosos, mas também pelo desinteresse dos outros. As atitudes que dificultam os caminhos de solução, mesmo entre os crentes, vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas. Precisamos de uma nova solidariedade universal. Como disseram os bispos da África do Sul, “são necessários os talentos e o envolvimento de todos para reparar o dano causado pelos humanos sobre a criação de Deus”. Todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades”.

O Papa é o cara!

Sua Santidade, o Papa Francisco, vai me permitir a intimidade. Estou lendo a Carta Encíclica “Laudato Si”- Louvado sejas, meu senhor - sobre o cuidado com a “casa comum” e confirmando todas as impressões que tive já nas suas primeiras aparições como chefe da Igreja Católica. O documento assinado por ele no dia 24 de maio não oferece nada que não tenhamos ouvido, nas últimas décadas, mas, considerando quem o diz e como o diz é o chamamento de Deus para que tenhamos juízo.

Para aqueles que ainda não leram, apenas um trecho do apelo de Francisco:

“O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar; o Criador não nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem se arrepende de nos ter criado. A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum. Desejo agradecer, encorajar e manifestar apreço a quantos, nos mais variados setores da atividade humana, estão trabalhando para garantir a proteção da casa que partilhamos. Uma especial gratidão é devida àqueles que lutam, com vigor, por resolver as dramáticas consequências da degradação ambiental na vida dos mais pobres do mundo. Os jovens exigem de nós uma mudança; interrogam-se como se pode pretender construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos.

"Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos construindo o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental que vivemos e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós. O movimento ecológico mundial já percorreu um longo e rico caminho, tendo gerado numerosas agregações de cidadãos que ajudaram na conscientização. Infelizmente, muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustrados não só pela causa dos poderosos, mas também pelo desinteresse dos outros. As atitudes que dificultam os caminhos de solução, mesmo entre os crentes, vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas. Precisamos de uma nova solidariedade universal. Como disseram os bispos da África do Sul, “são necessários os talentos e o envolvimento de todos para reparar o dano causado pelos humanos sobre a criação de Deus”. Todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades”.

Aonde vamos parar?

O Brasil inteiro está assustado com as notícias que chegam dos bastidores do poder. E eu não sou diferente. O país custa a acreditar que um partido que sempre se apresentou como dos trabalhadores, cuja ética incluía patrulhar jornalistas, dizendo que fulano era isto, beltrano era aquilo, e que tinha em seus quadros alguns mais entusiastas que chegavam a desancar profissionais da imprensa em publico, esteja hoje tão chafurdado na lama. Eu também olho com nojo para pessoas que considerava sérias, tenho desprezo por outros nos quais muito acreditei e aí não me refiro apenas ao PT, mas, a partidos coligados, ditos de esquerda (falar mal do PMDB é chover no molhado), como, por exemplo, Jô Morais que, além de apoiar a lambança, reclama com o chefe se o repórter fala mal dela.

O que me preocupa, no meio do lamaçal, são os excessos. No ultimo domingo, o ex-ministro Guido Mantega foi escorraçado de um restaurante… Não o conheço, não gosto dele nem do que fez, mas, daí a aceitar como normal que seja esculhambado em avião, na rua ou na hora de almoçar com a família é torcer por um mundo não civilizado. Dia desses liguei para o ministro Patrus para falar sobre lei que ele assinou quando prefeito de Belo Horizonte sobre aquela área polêmica do Izidoro. Ao final, o convidei para vir ao programa que apresento no radio, falar do plano da safra agrícola, da agricultura familiar e do estudo que está fazendo sobre a reforma agrária. A entrevista rendeu repercussão, mas, causou-me enorme pesar, por um e-mail, daqueles que não costumo responder, pela agressividade, pela falta de respeito do ouvinte. Disse o enfurecido: “... estava sintonizado no programa boa tarde, e quando voce foi digamos conversar com o patrus, notou-se claramente que era materia comprada, a dilma viajou e deixou os acessores incubidos de te comprar pra voce ficar falando bem e o nome da dilma a todo momento, e foi isto que aconteceu hoje… é sabido que este horario tem grande audiencia nas mais diversas classes sociais…”

O moço errou o nome do programa, atropelou o português, mas, a pergunta é como pode alguém falar assim dos outros? Será que o cidadão tem prova de alguma sujeira que envolva o Patrus? Como ele diz que fui comprado, se acompanha meu trabalho, sinal de que acredita em mim? Que democracia é esta que você chama qualquer um de safado, sem medo de levar um processo ou um soco na cara? Será que vamos ter de pedir licença prévia para sair de casa? Ou trabalhar?

Casas santas

Durante nossas caminhadas, o amigo Ricardo falava exultante sobre a chegada do netinho o que, convenhamos, mata aos poucos todos os homens com mais de 50 anos... Ou de alegria, como no caso dele, ou de ansiedade, caso dos que estão na fila. Mas, se é que há inveja boa, Deus perdoa. De repente, Ricardo abre parênteses para falar de uma experiência que possivelmente guardará pelas próximas décadas, especialmente quando ele estiver apreciando o desenvolvimento do recém-nascido. É que o parto da filha foi em hospital particular, de qualidade indiscutível, mas, por detalhes, faltou leite e então, os pais foram orientados a pedir ajuda em outra casa de saúde não muito distante dali. Foi aí que Ricardo conheceu a Odete Valadares.

Incrível, mas, provavelmente, todos os que ganham mais de 20 salários mínimos nunca passaram pela Maternidade Odete Valadares que, assim como a Sofia Feldman, no bairro Tupi, e a Hilda Brandão, na Santa Casa, atende primordialmente quem não tem dinheiro, convênio ou conhecidos de posse... Ricardo ficou impressionado com a gentileza dos servidores, o pronto atendimento do pedido, apenas com a ressalva de que “temos um limite de leite para fornecer porque não podemos ficar sem estoque, considerando outras crianças necessitadas”.

O que mais incomodou meu companheiro é que aquelas pessoas atenciosas com aquele espírito de solidariedade e um pronto-socorro com letras maiúsculas estavam cercadas por paredes descascadas, aparência de abandono... Falta de reformas. Eu perguntei se ele havia visto uma linha amarela. Respondeu que sim. Expliquei que é a linha que guia as parturientes dentro do hospital, considerando que a maioria tem dificuldades até para compreender espaço e circulação... Assim, vão caminhando e resolvendo as etapas, antes da internação; etapas que incluem a entrega de objetos pessoais e um belo banho, com o objetivo de evitar e controlar infecções hospitalares.

É a vida como ela é em alguns estabelecimentos que não podem ser chamados de hospitais. São casas santas. Assim é a Santa Casa, o Hospital das Clínicas, o João Paulo II (antigo CGP), o Universitário Ciências Médicas (antigo São José), Odilon Bherens, Risoleta Neves, João XXIII... Hoje, 100 dessas instituições estão fazendo um movimento nacional por mais verba. Denunciam o apagão na saúde e preveem que o que está ruim vai piorar... Apesar dos esforços de anônimos, como os que encantaram Ricardo.

A luta pela terra

A reintegração de posse naquela área conhecida como Isidoro, no limite de municípios de Belo Horizonte e Santa Luzia, está suspensa e promete mais emoções. Agora, o advogado Obregon Gonçalves está juntando documentos a uma ação civil pública de três promotoras para ver a prova de propriedade dos terrenos. Está seguro de que a lei, de 1914, cedendo o imóvel para instalação de um hospital (sanatório) foi revogada; portanto, o dono é a Prefeitura. Sem falar que o prefeito Célio de Castro decretou, em 2001, parte dos lotes como Zona Especial para Fins Sociais... Então, as famílias já estariam ocupando o que lhes pertence.

Há mais perguntas: quantos terrenos existem lá no Isidoro, uma área tão grande que é considerada a décima regional de Belo Horizonte? Há informações de que uma área de 657 mil metros quadrados hoje pertence a empresa de pessoas da família do ex-presidente da Assembleia, Diniz Pinheiro... Foi vendida à família Pinheiro pelos Werneck, por R$ 1,969 milhão, mas, para fins de ITBI, foi avaliada em R$ 3 milhões... Detalhe, a venda foi feita parcelada, e o pagamento das parcelas não foi registrado em cartório, o que, segundo advogados, impede a contratação de financiamento pela Caixa Econômica Federal, a exemplo do que está sendo cogitado no Isidoro, em área da Família Werneck.

Outro terreno pertence a uma empresa que tem na direção pessoa da família de José Geraldo Ribeiro, aquele que foi secretário de ações rumorosas nos governos de Hélio Garcia, virou deputado federal e foi cassado por ser um dos anões do orçamento... Gente que roubava o dinheiro da União, através de emendas... Detalhe é que a área foi utilizada como garantia em execução da União, contra a empresa filantrópica chamada Associação Cultural Caldas da Rainha, que não aplicou recursos federais como devia, tendo a Justiça Federal determinado o leilão da área dada em garantia. Na hora H, agora em 2013, alguém pagou R$ 1,5 milhão e suspendeu o leilão. É o caso então de a Justiça Federal investigar quem fez o depósito e, dependendo do resultado, até impedir que o terreno seja alvo de financiamento federal, caso a área esteja incluída no projeto em curso na Caixa Econômica.

Sobre as empresas encarregadas de construir os prédios, está no negócio a Construtora Bela Cruz Empreendimentos Imobiliários Ltda., pertencente ao Grupo Direcional. A Bela Cruz tem capital de R$ 1 mil e foi criada em agosto de 2013, quando estavam em andamento as negociações com a Caixa Econômica Federal para financiamento do Projeto Isidoro. O endereço da Construtora Bela Cruz é o mesmo endereço comercial das controladoras, integrantes do Grupo Direcional. E criaram outra, a Direcional Participações, com capital social também de R$ 1 mil... Então, como entender que a Direcional Participações seja a segunda garantidora de um negócio de R$ 1 bilhão, com financiamento de R$ 756 milhões do governo federal e aporte complementar de R$ 177 milhões por parte da Prefeitura? São perguntas...

Moradores ou criminosos de rua?

Tenho insistido, até com certa chatice, que o Brasil não aguenta eleição ano sim, ano não. Primeiro porque nós todos sabemos que as campanhas custam caro e o dinheiro não cai do céu – que o digam os escândalos que pipocam no país, todos eles com claros indícios de que os poderosos da política trocam obras, contratos e simpatia por dinheiro de caixa 2; também porque, quando acaba uma eleição, quem ganha começa a trabalhar não no cumprimento de suas obrigações para com os eleitores, mas, na retribuição aos apoios, isto é, tem de fazer sua parte para eleger os amigos no ano seguinte.

O resultado é que questões graves não são resolvidas. Tudo que é polêmico ou dá trabalho, empurram para debaixo do tapete. Foi assim com essa ocupação da região de Izidoro, nos limites de municípios entre Belo Horizonte e Santa Luzia, é assim na cansativa discussão sobre se os táxis da capital podem ou não pegar passageiros no aeroporto internacional; e não resolvemos anel, BR 381, metrô, nada que exija posições claras e gere dividendos de um lado e ônus do outro. O melhor exemplo é o tratamento que damos aos moradores de rua na nossa cidade. Oscilamos entre a omissão e a demagogia, a fraqueza e falta de autoridade, permitindo que marginais se misturem aos mendigos e tenhamos a lei do vale tudo nas ruas de Belo Horizonte.

Confundimos o direito de ir e vir com a permissão para morar em praças, cozinhar, lavar, passar, transar, atender as necessidades fisiológicas e, muitas vezes, assaltar. É só pegar as imagens feitas por telespectadores e disponibilizadas para emissoras de TV. Eu mesmo já mostrei na Record ladrão fingindo ser morador de rua, “dormindo” em cima de um porrete que, mais tarde, serviria para arrombar loja; outros destruindo carros; muitos ameaçando transeuntes, especialmente senhoras, e até aquele caso do Padre Eustáquio quando um homem ficou “deitado” na rua até que seu alvo chegasse para então cometer um assassinato.

A Polícia Militar não pode agir. Sofre intimidação do Ministério Público. Agora, graças a Deus, há uma funcionária chamada Romina na Prefeitura que está costurando grande acordo, na tentativa de separar os que precisam de ajuda – para os quais a PBH já oferece alimentação e abrigo com cama e banho – e os bandidos, que devem ser contidos.

Vergonha de ser brasileira

Esse é o título de um texto escrito por uma mineira, cujo marido é nosso leitor. Ela estava viajando pelo exterior, até que...

“... No quinto dia de viagem, já saindo da Armênia a caminho da Geórgia, sofri um acidente ao descer do ônibus. Bati a cabeça numa pedra, e o corte foi horrível. Nunca vi tanto sangue em mim e em quem me socorreu. Um senhor que passava pelo local me levou ao hospital acompanhado de uma colega e da guia local. Era o interior do interior de um país de que poucos brasileiros já ouviram falar. Chegamos ao pequeno hospital, já acompanhados da polícia local, e fui atendida imediatamente. Parecia que só existia eu. E não há que se falar em seguro assistencial, que achamos por bem não acionar para não atrasar o atendimento, pois eu estava perdendo muito sangue. Em menos de uma hora eu já havia sido socorrida, os pontos dados, curativos feitos, RX realizados, consulta com o médico com a assessoria e tradução da guia local. Após o atendimento, fui prestar esclarecimentos à polícia, que precisava descartar um possível ‘crime’, caso eu houvesse sido empurrada na descida do ônibus. O mesmo senhor que me levou ao hospital estava lá me esperando. Levou-nos à sua casa, onde troquei de roupa, bebemos um café e ele ainda me ofereceu três garrafas do famoso conhaque armênio de presente. Nos dias seguintes, era preciso fazer curativos, assepsia e, já na Geórgia, eu continuei indo aos hospitais para tais atendimentos. Tanto em Tblisi, a capital, quanto em Kasbegi, no interior do interior, fui atendida prontamente, sem pagar absolutamente nada. No destino final, depois de dez dias do acidente, fui ao hospital de Baku, capital do Azerbaijão, para tirar os pontos. O atendimento foi tão bom quanto os anteriores, mas o médico achou melhor que eu voltasse ao Brasil com os pontos, pois temia novo sangramento em uma viagem aérea tão longa. Fiquei preocupada, pois sabia o que me esperava no Brasil. O médico me receitou quatro remédios, que eu comprei lá, ao preço total de US$ 7,80 (analgésico, antisséptico, uma espécie de mercurocromo e uma pomada). Pelo primeiro atendimento, eu paguei US$ 30,00.No dia seguinte à chegada ao Brasil, procurei o hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte e fui informada de que eles não tiravam pontos (deveria ter procurado um açougue?). Telefonei ao departamento médico do TJMG, onde trabalho, e uma colega me disse que, caso os pontos não estivessem muito agarrados, devido à demora, ela mesmo tiraria, porque numa UPA (em greve), eu passaria o dia sem ser atendida. Assim fiz, e a enfermeira fez o grande obséquio de retirar os pontos e, desde então, eu estou às voltas com exames neurológicos, para descartar possíveis sequelas, enfrentando toda a costumeira burocracia do sistema de saúde brasileiro. É muito triste relatar tudo isso, principalmente tendo a certeza de que, se tivesse acontecido no Brasil, eu ainda estaria esperando para ser atendida. Qual será a razão?

Reajuste ou subsídio?

Nós sabemos, “não há almoço grátis” e o prefeito Márcio Lacerda está diante de um daqueles momentos difíceis entre autorizar um reajuste nas tarifas de ônibus ou colocar dinheiro da Prefeitura no sistema. É que os números não mentem e os empresários apresentaram relatório da mesma auditoria internacional que estudou a viabilidade do BRT, em 2010, apontando que, agora, o Move não corresponde às expectativas e gera prejuízo mensal de 12 milhões de reais, que se acumulam a 80 milhões de saldo negativo do ano passado. Há discordâncias em torno das razões – a Prefeitura entende que é a diferença entre a inflação dos últimos seis anos, da ordem de 50 por cento, e o percentual de aumento das passagens, 37, mas, no que é essencial, concorda que os donos de ônibus têm suas razões.

O certo é que a velocidade do Move está aquém da sonhada, até porque fizeram pista exclusiva nas avenidas Cristiano Machado e Antônio Carlos, mas, quando se chega ao Complexo da Lagoinha, o progresso não chegou... Além disso, há a crise, com redução do número de passageiros (tem muita gente fazendo pequenos deslocamentos a pé), tem a venda absurda de motos em até 100 pagamentos, mais o volume crescente dos idosos, portadores de deficiência e outros públicos não pagantes. Assim, depois de investimentos da ordem de 500 milhões, os empresários achavam que poderiam retirar 400 ônibus de circulação, mas, até agora, apenas 80 veículos estão na garagem.

Sabedores da histórica desconfiança da população, da ação cada vez mais ativa dos movimentos populares e dos aspectos políticos que o assunto envolve, os dirigentes do Sindicato das Empresas contrataram a Ernest & Young, a mesma empresa que fez o estudo da viabilidade do sistema e, ao que parece, sensibilizaram o prefeito. O que fazer e quando é o dilema do prefeito. Até porque os empresários deveriam ter pago a participação nos lucros no último dia 5, não o fizeram, houve greve de três dias, a quitação foi adiada para o mês que vem, mas, segundo suas alegações, não terão o dinheiro... E nem para o décimo terceiro salario.

Uma das hipóteses aventadas dentro da PBH é o subsídio, que pode causar espanto, mas, não seria novidade considerando que outras cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Florianópolis já colocam dinheiro no sistema. No caso de São Paulo não fosse o subsídio e a tarifa média que hoje é de R$ 3,50 seria de 4,63.

Ainda bem que eu não sou o prefeito.

A realidade é ainda pior

A notícia é de anteontem, mas, repete o que ouvimos já no ano passado: a cada 15 minutos, uma pessoa perde algum bem sob a mira de um revólver, de uma faca ou sendo intimidada por assaltantes nas ruas de Belo Horizonte. Apenas de janeiro a abril deste ano, mais de 12 mil pessoas foram vítimas de roubos na capital, o tipo de ocorrência em que há abordagem do criminoso e agressão ou ameaça. A média mensal de roubos em 2015 é de 3.184 ocorrências, 11% a mais do que a média mensal de 2014. Se a comparação retroceder até 2012, os números mostram que o crescimento desse tipo de delito é uma realidade há pelo menos três anos. A sensação entre moradores de BH é de que a situação está fugindo ao controle.

Eu não queria parecer sensacionalista, terrorista, mas, como há o risco de estar equivocado, prefiro dividir com os senhores o sentimento de que o quadro é ainda pior. E o faço porque vivo nesta cidade, caminho por suas ruas, converso com sua gente, desde os mais simples até os mais abastados. O pavor está em todo lugar. Na região da Lagoinha, perto do Centro Universitário UNI-BH e da Igreja Batista, não há quem caminhe sossegado; situação idêntica em Venda Nova, no Barreiro, na Ressaca, no Jardim Laguna, em Contagem, Betim, Ribeirão das Neves, Sete Lagoas, Itajubá, Varginha, Montes Claros, enfim, por todos os lados, nas áreas urbanas e rurais há gente com medo. Contra os dados oficiais pesa o fato de que pesquisas já indicaram o tamanho da subnotificação: mais da metade das pessoas que são vítimas de violência no meio da rua deixam de fazer a queixa.

O pior é a falta e perspectivas. A Polícia Civil sabe que suas limitações esmagam todos os sonhos operacionais: a Polícia Militar não pode contar a verdade sobre a diferença entre efetivo previsto e número de policiais nas ruas e este governo, de Pimentel, tem uma realidade de caixa que aponta para riscos de não poder pagar o funcionalismo mais adiante. Sem falar na falta de vagas nos presídios o que, em última análise, significa falta de estímulo a quem tem a obrigação de prender e depois fazer via-crúcis atrás de alguém que queira receber.

Mais do que nunca, sigamos o preceito bíblico “orai e vigiai”.

Especialistas

Vez por outra passa por minha cabeça a ideia de procurar alguns colegas e formar com eles uma espécie de Conspiração Mineira pela Notícia. A gente teria reuniões mensais (reunião todo dia é obrigação de grandes executivos ou coisa de quem quer masturbar a gramática ao invés de resolver) para traçar planos de ações em comum. Ou seja, somos de veículos diferentes, temos projetos e pautas diferentes, mas, poderíamos firmar uma carta de princípios que definiria atitudes coletivas... Exemplo: se as estações do Move são inseguras, acertamos matérias simultâneas, como forma de maior pressão. Assim poderia ser para as obras do metrô, duplicação da BR 381, etc...

Se tivéssemos esse grupo – despreocupado com a concorrência diária, natural e salutar – fechado em favor da cidade, do dinheiro e do interesse público poderíamos, em médio e longo prazo, melhorar muito a qualidade do noticiário. Por exemplo: acho que somos extremamente negativistas, quase nunca abrimos espaço para a boa notícia... Primeiro, porque não “vende;” depois, fica parecendo que quem elogia uma ação da Prefeitura está “levando um por fora”... É triste, mas, verdade! Assim, se fosse pauta combinada, vários veículos elogiando ao mesmo tempo as unidades de educação infantil, por exemplo, ou o acordo para pagamento do piso salarial ao Magistério, pelo Governo do Estado, ficaria algo mais institucional... Profissional... Longe do Departamento Comercial.

Se tivéssemos a “conspiração” eu imediatamente abriria uma guerra contra alguns “especialistas” que dão entrevista todo dia no rádio, na TV e no jornal como se estivessem dando a última palavra para determinada necessidade da população. Quando o cidadão entende, nós percebemos não apenas pelo discurso – sempre mais conciso, contundente, que de fato acrescenta – mas, principalmente, porque já é alguém “do ramo”, conhecida. Assim, quando Ozias Batista Neto fala de mobilidade urbana, a gente respeita porque o currículo dele recomenda; o mesmo vale para Boris Feldman se o assunto é carro; Paulo Cesar de Oliveira no mundo dos negócios, Nelinho com o futebol ou Bernardinho com o vôlei. Enfim, a quem entende caminhão é quem põe o pé na estrada, o traseiro na boleia ou a mão na máquina. Digo isto porque me incomoda profundamente a repetição de entrevistas com palpiteiros que falam sobre tudo sem compromisso com o tema... Não têm profundidade, às vezes sempre estiveram restritos ao mundo da teoria, de outras não leram mais que dois livros a respeito. É triste, por exemplo, ver alguém que nunca construiu uma ponte falando de engenharia de tráfego ou o cidadão que nunca pegou um ônibus escolhendo o melhor modal de transporte coletivo para a cidade.

O pior é que quanto mais fraco é o “especialista” mais ele se aparece com aquele líder comunitário ou sindical de ocasião: aparece, ganha projeção e lança candidatura, sempre com a justificativa de que “é o meio de fazer a mudança”. E eu me sinto culpado, com remorso, afinal, o Pequeno Príncipe ensina que ˜tu te tornas responsável por tudo aquilo que cativas”.