minas gerais

Crime e política

Duas frases que tenho ouvido com insistência irritante: judicialização da saúde e criminalização da política. Primeiro, tratemos da saúde onde a prosa revela um enorme prejuízo para os brasileiros, mas, infinitamente menor que no caso da política.

Prefeitos incompetentes, gastadores, muitos deles defensores daquela farra de emancipações que tivemos, com a criação de milhares de municípios sem condições de sobrevivência, vivem a reclamar do que chamam de judicialização... É quando um advogado ou promotor pede e o juiz defere, determina alguma providência como comprar um medicamento ou pagar uma cirurgia, às vezes até no exterior. Dizem que tais ordens estão abalando as finanças e quebrando administrações. Para justificar a grita, costumam afirmar que ricos estão se tratando com recursos dos cofres públicos graças a ações judiciais. Ora, primeiro pergunto: então, se o cidadão está doente, não recebe o remédio, não faz a cirurgia, o juiz não pode mandar o prefeito cumprir a lei? Se há irregularidades, abusos, por que não denunciá-los, em separado? Se rico está usando a saúde pública – e isso é verdade, pois, conheço abastados que buscam remédio no posto – qual o problema se o SUS foi criado para ser universal? Deve, portanto, atender a todos os brasileiros, desde os mais miseráveis até os que pagam muitos impostos, por terem mais.Os prefeitos, no lugar de diminuir cargos em recrutamento amplo, evitar as safadezas nas licitações e falar sério ficam buscando desculpas nesta palavra bonita: judicialização.

Agora, começaram a falar na criminalização da política. Ora, seria leviano dizer que todo político é criminoso, mas, com certeza, é pueril, para não dizer imbecil, ignorar que a prática da política no país é sim criminosa e, por tanto, deve ser criminalizada. Ou o que as oligarquias fazem em Brasília há décadas e décadas, séculos, é a boa política? O melhor exemplo ocorreu na noite de segunda-feira quando queriam, na calada da noite, aprovar um projeto indecente com dupla finalidade: acabar com a proibição de doação de empresas para as campanhas (que, com muito custo, conquistamos e agora vivemos a primeira eleição nesta nova realidade) e anistiar, isso mesmo, perdoar todos os que praticaram o chamado crime do Caixa 2, ou seja, receberam “por fora” para fazer campanha. São indecentes demais. E aí estão parlamentares do PSDB, do PT, do PMDB, todos eles... Foram uns dez deputados, da Rede e do PSOL, que barraram a tramoia lá no Congresso. As velhas raposas que mandam na nação não têm limites. E nos fazem de idiotas ao garantirem que, recebendo uma fortuna de uma construtora ou de um banco, depois não vão retribuir com afagos que custam nosso dinheiro.

Por isso, insisto, sabendo ser um chato: se não fizermos uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva, com pessoas que não têm e não pretendem ter cargo político, ou não vamos acabar com a indecência nunca.

Brasil

Não sou do tipo ufanista, que vibra com tudo e acha nosso país o melhor do mundo. Faço manutenção preventiva do “desconfiômetro” e sofro com nossas mazelas. Mas, não admito baixa estima nem gente de fora falando mal. Todo mundo tem problema; toda nação seus dramas. Ou um pai de criança norte-americana não sofre com a possibilidade de um maluco entrar atirando na escola? Viste Paris, Madri ou Lisboa e descuide de sua bolsa no Mercado ou no metro por alguns instantes e depois me diga se não perdeu a alegria de turista. Tudo aqui parece pior, mal feito, corrupto ou de baixa qualidade… Para nós! Agora, que as Olimpíadas já acabaram, foram um sucesso, deixaram legado material e emocional inquestionáveis ainda tem gente resmungando… É verdade que nao resolveram nossos problemas de saúde, segurança e educacão, mas, e daí, não podemos ser felizes três semanas? Os problemas verificados não foram menores que nossa capacidade de solução? E o Rio de Janeiro, que continua lindo, não ficou melhor?

 
Minha colega Jacqueline Moura lembrou-me de um texto, atribuído à escritora holandesa Aliefka Bijlsma. Não tenho certeza da autoria (a internet é um perigo) e o relato não é novo, mas, sem dúvida é uma vacina contra nosso complexo de vira-latas:

 
"Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil, realmente parece que é um vício falar mal do Brasil. Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos, enquanto no Brasil se maximizam os negativos. Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoram horrores porque não há nada automatizado. Só existe uma companhia telefônica e pasmem: Se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado.
Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo - ou de lavar as mãos antes de comer. Nas padarias, feiras e açougues europeus, os atendentes recebem o dinheiro e com mesma mão suja entregam o pão ou a carne.
Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas em folhas de jornal - e tem fila na porta.
Na Europa, não-fumante é minoria. Se pedir mesa de não-fumante, o garçom ri na sua cara, porque não existe. Fumam até em elevador.
Em Paris, os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria e qualquer garçom de botequim no Brasil podia ir pra lá dar aulas de ‘Como conquistar o Cliente’.
Você sabe como as grandes potências fazem para destruir um povo? Impõem suas crenças e cultura. Se você parar para observar, em todo filme dos EUA a bandeira nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos emotivos...
Vocês têm uma língua que, apesar de não se parecer quase nada com a língua portuguesa, é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de software a chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros através da língua Portuguesa. Os brasileiros são vitimas de vários crimes contra a pátria, crenças, cultura, língua, etc… Os brasileiros mais esclarecidos sabem que temos muitas razões para resgatar suas raízes culturais.
Os dados são da Antropos Consulting:
1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.
2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma.
3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.
4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.
5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.
6. No Brasil, há 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.
7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão estudando.
8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês.
9. Telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas..
10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO-9000, maior número entre os países em desenvolvimento. No México, são apenas 300 empresas e 265 na Argentina.
11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos.
Por que vocês têm esse vício de só falar mal do Brasil?
1. Por que não se orgulham em dizer que o mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?
2. Que têm o mais moderno sistema bancário do planeta?
3. Que suas AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?
4. Por que não falam que são o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?
5. Por que não dizem que são hoje a terceira maior democracia do mundo?
6. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?
7. Por que não se lembram que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem? Por que não se orgulham de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando.
É! O Brasil é um país abençoado de fato. Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos. Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques. Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente. Bendita seja, querida pátria chamada BRASIL!

O WhatsApp é meu atestado de modernidade

Os leitores mais assíduos desse espaço sabem que o escriba se preocupa em evitar a síndrome da velhice precoce. Gosto dos jovens, de escutá-los, admirá-los na sua volúpia e especialmente aprecio os que creem na possibilidade de mudar o mundo. Também procuro entender as novidades, adaptar-me aos avanços estupendos da tecnologia, mas, por outro lado, os que me conhecem mais de perto sabem das dificuldades com que me relaciono com ferramentas modernas. E, convenhamos, há manifesta falta de desejo de aprender. No campo da comunicação, demorei três anos para me render à TV a cabo, uso o celular só no básico (falar, ouvir e ler mensagens) e nunca quis conhecer Orkut, facebook, twitter e outras redes sociais que prefiro chamar de mídias. Tem agora tal de Linkedim para a qual me convidam todo dia; topo não. Não discuto a importância; afinal, diariamente minhas filhas ou colegas de redação me ajudam a encontrar alguém, resolver algum assunto urgente, encontrar a foto de um criminoso, enfim, são infinitas as possibilidades na “rede”.

 
O homem tem competência sem limites para criar coisas fantásticas e mais talento ainda para estragar... Então, faltam-me tempo e paciência para, quando de um passeio único, em lugar dos sonhos e momentos exclusivos, em vez de celebrar a vida ficar tirando fotos para enviar aos outros. Recentemente, estava em uma cidade espetacular, uma Ouro Preto plana, cheia de flores, de vida, de paz, chamada Guimarães, em Portugal, arrepiado com tudo e todos a minha volta, e era ladeado por uma mulher que fotografava freneticamente enquanto dizia à colega que não via a hora de chegar em casa para “postar”. Tudo bem, a vida é dela, mas, duvido que tenha observado detalhes de praças inesquecíveis e de banheiro público tão limpo como o da nossa casa.

 
Por pensar assim, ter dificuldades em acreditar que as pessoas estejam felizes como aparecem nas “postagens” que tenha tanto jovem correndo na Praça da Liberdade caçando Pokémon, fico preocupado: será que preciso de uma reciclagem? Ah, lembro-me de dois anos atrás quando realizei o sonho de levar a Sara para passar o réveillon na praia... De trem! Para animá-la, sugeri que convidasse uma coleguinha. Foi prazer inenarrável, excetuando-se o fato de que ela passou 90 por cento do tempo ao celular... Pior, ela no dela e a colega no outro! Tudo bem, de vez em quando a gente tomava um lanche no vagão restaurante e, enquanto elas navegam, eu viajava no minério de Itabira, no verde do Caraça, nas águas de Aimorés... Foi bom, mas, voltou a dúvida de sempre na minha cabeça: por que tem de ser assim, as pessoas, pior, os jovens, o futuro, só olhando para as maquininhas, no trem, no restaurante, na cozinha... A prosa está com os dias contados e isso me perturba.

 
Mas, como não há doença sem remédio, eis que apareceu o WhasApp! Já gostei do nome porque há anos e anos, minha Fernanda me perguntava de vez em quando: WhatsApp? Ao que indaguei e ela explicou que era uma gíria americana que queria dizer “e aí?” ou “qual é?”, “qual o problema?.” Quando conheci o funcionamento do aplicativo, me apaixonei, por muitos motivos, mas, sobretudo dois: posso responder quando possível e bloquear os chatos. Com o tempo descobri o óbvio dada a qualidade maior dos brasileiros que é o bom humor: as piadinhas fracas, a molecagem do bem, a gozação que não ofende me prendem para sempre a essa modernidade.

 
Um ano atrás, quando já apreciava os filmes que telespectadores da Record enviavam com suas queixas, pedindo respostas das autoridades, ouvi, numa madrugada, em rádio de São Paulo, um cidadão falando sobre problema de trânsito. Pela manhã disse a minha diretora na Itatiaia, Maria Cláudia, que pretendia utilizar no aplicativo no cotidiano. E fui convincente: com o “Zap” teríamos qualidade de som, controle do tempo e de conteúdo porque haveria necessidade de receber as mensagens, levá-las para apreciação de nossa Central Técnica para aprovação. Uma semana depois começamos. Dois dias depois meu colega João Vitor Xavier avisou que iria usar, o Robson Laureano foi também e virou rotina em outras emissoras. Hoje, na Itatiaia, por causa dos cuidados com o período eleitoral e a lei que impõe limites para a mídia eletrônica, há uma determinação da diretoria que todos os programas só coloquem ouvintes no ar pelo aplicativo. Podem dizer que, assim, sem o telefone, ao vivo, no ar, podemos fazer uma censura... Mas, o que fazer se a emissora pode até ser fechada caso um ouvinte desatento ou apaixonado anuncie seu voto? É controlar ou se explicar na Justiça Eleitoral.

 
Dia desses, um ouvinte querido, o José Teixeira, Mutum, do Barreiro, escreveu para lembrar que no sábado, dia 20, faz um ano que o WhatsApp entrou para a história do programa.
Quero comemorar com os ouvintes e leitores. Quantas emoções!
No nosso Chamada Geral de toda tarde, a repercussão do WhasApp é emocionante. São mil exemplos. Ficarei em dois, da semana passada: quando pedimos comentários sobre o fato de uma americana ter sido levada ao altar pelo homem que recebera o coração do pai, um mineiro já transplantado ligou para agradecer; um dia antes, quando a pergunta era sobre sucesso e felicidade, um rapaz simples mandou mensagem que, para ele, felicidade é levar remédio e café para a mãe, todas as manhãs, na cama. O WhatsApp salva vidas, chama policia, pede SAMU, dá o resultado do jogo, combina o encontro, transmite a música, anima a família, alerta contra o crime e não nos obriga a nada. Grupo, por exemplo, eu saio na hora. O “Zap” é tão bom que, quando um juiz manda bloquear porque não está cooperando contra bandidos, o Brasil fica “p” da vida... Com o juiz! Enfim, como a moda é americanizar nosso dia a dia e quero ser moderno, encerro com afirmando: “I love WhatsApp!”.

A política não combina com a moral

Ao tomar conhecimento das reviravoltas na corrida eleitoral em Belo Horizonte, tive de voltar a um livro da época do descobrimento do Brasil e é, pelo menos na minha visão, indispensável para quem quer entender a política: O Príncipe. Afinal, a sua principal lição é a de que o poder político não combina com a moral. Hoje, atribui-se a seu autor, Nicolau Maquiavel, a frase “os fins justificam os meios” quando, na verdade, ele não teria dito isso; diz-se de “maquiavélico” o que é mal, planejado para prejudicar, quando, até onde consigo visualizar, não era essa a intenção que o poeta queria nos transmitir, ao contrário, ele estava na era do Renascimento e procurava abrir nossos olhos para uma verdade cristalina: a política não é a arte do bem comum, como acreditava Aristóteles ou “a arte de governar os homens e administrar as coisas, visando o bem comum, de acordo com as normas da reta razão”, como disse Tomás de Aquino.

 
Os homens são como são e não como deviam ser, ensinou Maquiavel para, a partir daí, escancarar as verdades que movem a sede do poder.

 
A partir do século XVI a igreja católica já não reinava absoluta com as verdades que lhe interessavam. Maquiavel ensinou que o governante tem de ser prático, calculista, fazer o bem devagar e o mal de uma só pancada; se esforçar para ser amado, mas, se impossível, que seja temido... Odiado não, porque, nesse caso, os governados já não têm nada a perder e partem para o confronto. Hoje, a gente sabe que a sorte de muitos políticos tupiniquins é essa característica pacata dos brasileiros - não vivemos momentos sangrentos que forjaram grandes nações.

 
Outra lição maquiavélica: todo político tem de saber definir a hora de agir como homem e como animal, neste caso forte como leão ou esperto como raposa. Esperto para, por exemplo, fazer uma aliança hoje e amanhã, se ela não mais convier, romper sem constrangimentos e seguir adiante. Cabe lembrar que O Príncipe não sugeria a prática rotineira da esperteza: naquele tempo, as questões em jogo eram mais sérias, como segurança e manutenção do território... Ainda assim, advertiu ele, só se pode ser imoral quando não há alternativa.

 
Impressionante como Maquiavel era um visionário. Seu principal livro foi publicado depois de sua morte e hoje, 484 anos depois, explica a sucessão em Belo Horizonte como nenhum cientista político seria capaz: temos um príncipe, que mora no Rio, decide em Brasília e manda em Minas e um monte de vassalos que, por amor ou temor, obedecem. Claro que, como em toda regra, há raríssimas exceções. Uma delas, Alexandre Kalil, parece único com coragem para dizer a verdade: “Eles vão passando rasteira um no outro para, depois, juntos, passarem a rasteira na cidade”.

 
E a gente ainda pergunta por que não tem metrô, anel, saúde, cidade grande...
Da vontade de ouvir Zé Ramalho:
“Êh, ô, ô, vida de gado
Povo marcado
Êh, povo feliz!”

 Quem quer meu voto?

Sou do time que leva o voto a sério por acreditar que não há outro caminho conhecido para a mudança da vida hoje e, principalmente, para o futuro. Isso não quer dizer que não erre; ao contrário, as decepções são recorrentes nas minhas escolhas como acontece com todos os eleitores em determinadas votações. Agora, me preparo para escolher o futuro prefeito de Belo Horizonte e não vejo um candidato natural. Então, quero tornar públicas as minhas condições para escolher um dos inúmeros pretendentes.

Inicialmente, tem de ter coragem o bastante para exigir – essa é a palavra – logo depois da posse mais respeito do governo federal para com a capital dos mineiros. Isso inclui enquadrar os 53 deputados e mais três senadores por Minas que têm se revelado omissos, descomprometidos e indiferentes às nossas grandes causas como anel rodoviário e metrô. O futuro prefeito tem de dizer, respeitosa e claramente ao presidente da República que a capital dos mineiros só quer dez por cento do que tem sido levado para o Rio de Janeiro ou São Paulo nos últimos dez anos.

Além disso, o futuro prefeito tem de prometer que não terá a arrogância de Márcio Lacerda, ou seja, vai conversar com a cidade, respeitando os legítimos representantes dos segmentos econômicos, sociais e culturais, mas, se comprometer a continuar com os projetos bem resolvidos da atual administração. Precisamos fechar o ciclo dessa prática horrenda de não dar ênfase a determinadas ações porque elas remetem a outros governantes... Caso do próprio Lacerda, que não tratou como deveria o excelente projeto do Vila Viva, de erradicação das favelas. No entanto, o atual prefeito merece respeito por várias razões e uma delas é a excelência das unidades municipais de educação infantil.

No entanto, no entender desse cronista da vida urbana, nem sempre sensato, mas, repleto de amores pelo mais belo horizonte do mundo, o grande mérito de Lacerda é a elaboração de um programa chamado Plano Estratégico 2030. São desafios e metas que podem fazer a diferença, nos entregar uma cidade mais saudável, com mobilidade, segura, próspera, moderna, compartilhada, enfim, sustentável. Nunca é demais lembrar que nossa capital tem 2,5 milhões de habitantes, é nave mãe da terceira maior região metropolitana do Brasil, com 5,2 milhões de pessoas e carências que vão de falta de terreno para novas habitações a um transporte coletivo mais humano.

Não vou descer a detalhes porque as metas dizem respeito a todas as mazelas por nós conhecidas e todos já podem imaginar: erradicar a extrema pobreza, melhorar o produto interno bruto, melhorar a qualidade de vida urbana, aumentar a oferta e esgoto e manter o atendimento com água tratável, reduzir a mortalidade por doenças crônicas, viabilizar o acesso universal à educação infantil, reduzir a taxa de crimes violentos...

Continuo convencido de que o Brasil não aguenta eleição ano sim ano não... Quem ganhar esse ano, passará 2017 conhecendo a estrutura e, em 2018 já terá de cuidar da eleição para governador, presidente e deputados. Acho um crime contra a administração publica. Se a gente conseguir obrigar os políticos a seguirem uma cartilha, um programa, a ter continuidade, há esperança... E enquanto há esperança, a gente respira!

Falta de respeito!

Quando menino, ouvia com atenção a uma advertência costumeira de meu pai: “Respeito é bom e conserva os dentes”. Estivesse ele no plano em que vivemos e dissesse isso em lugar público e seria repreendido, talvez até ameaçado de processo por estar pondo a integridade física dos filhos. Esse exagero do politicamente correto, misturado com um vale tudo na vida nacional estão nos afastando de um dos pilares indispensáveis à boa convivência: o respeito aos outros.

 
Não vou discorrer sobre o que escrevem nas mídias sociais, mesmo aqui nos comentários de determinados leitores... Vamos a fatos. Comecemos pelo desabamento de um Viaduto na Avenida Pedro I que faz aniversário neste domingo. Meus amigos, está escrito lá no Ministério Público que começaram a obra sem o projeto pronto, pagaram o projeto antes que fosse concluído, fizeram a obra sem fiscalização qualificada, puseram um engenheiro agrônomo para “acompanhar”, usaram menos ferragem que deveriam, colocaram concreto vencido e retiraram todo o escoramento antes da hora, contra o palpite de operários... E caiu aquele monte de entulho, matou duas pessoas, feriu dezenas, envergonhou a cidade, manchou a Copa, e, dois anos depois, apesar dos esforços de alguns não há sequer alguém responsabilizado pela tragédia. Há de se ressaltar o trabalho do delegado Hugo, que indiciou várias pessoas por homicídio, o que foi desclassificado pelo MP; há, na área cível, um esforço do promotor Eduardo Nepomuceno, para que o Município receba pelo menos o dinheiro de volta, mas, diante de tantos recursos, tantos pormenores, tudo continua no plano da conversa.

 
Vejamos o caso Samarco, que completa sete meses nesta terça. O Ibama diz que ela não pagou uma multa sequer, relacionada com o meio ambiente; os promotores dizem que não cumpriu nada até hoje, o prefeito da cidade reclama falta de atenção e não há força que consiga fazer andar o processo de reparação dos danos. A empresa trata o desastre, a cidade, seus trabalhadores e a opinião pública em geral de forma distante, seus principais líderes não aparecem, não mostram a cara para dizer que há um esforço de recuperação, não conversam, não assumem... Fica a sensação de que esse é mais um caso dentro da nova técnica do Direito brasileiro: não é provar a inocência, mas, protelar, enrolar, deixar o tempo passar... Ou não é isso que os irmãos lá de Unaí, que mandaram matar os quatro servidores federais conseguiram? Ou não é o que está acontecendo com os principais líderes do mensalão mineiro, completando 70 anos e saindo à francesa?

 
A indecência está disseminada. Tem sujeito ganhando eleição para vereador com o prestígio de funções que exerce e que não vai trabalhar, tem artista famoso metendo a mão no dinheiro que deveria incentivar a cultura, a gente não respeita o hino nacional, não respeita autoridade, não respeita pai, mãe, irmão, colega de trabalho, vizinho... Vivemos um vale tudo assustador! Repare!

O anonimato é uma bênção!

Dia desses, estava com o humorista Geraldo Magela em uma festa junina e, após apresenta-lo a um cidadão, este pediu imediatamente que o “ceguinho” mais famoso do Brasil contasse uma piada. Não é a primeira vez. Como nos encontramos pelo menos uma vez por mês, já o vi passar por outros momentos de constrangimento. Na mesma semana, liguei para o deputado João Vitor, estranhando que ele não estivesse nas imagens de uma reportagem sobre audiência pública na Assembleia quando trataram da duplicação da BR 381. Este é um dos temas preferidos do parlamentar, filho de Caeté, mas, naquela tarde, ele não bateu ponto no plenarinho por motivo justo: discutia, no plenário, como oposição, minucias da reforma administrativa proposta pelo governo de Minas. E, quando liguei, João aproveitou para desabafar: “Passei o dia inteiro no assunto, agora, fui a um canto do café para trocar ideias com o deputado Ulysses e eis que aparecem dois repórteres do jornal O Tempo me fotografando e perguntando por que estava assistindo o jogo pela TV em vez de estar no plenário”.

 
Quando fui ao computador para escrever essas linhas, vi notícia de que Antônio Fagundes desistiu de almoçar com a namorada no Rio por causa da tietagem exagerada dentro do restaurante. E, vi, também, o vídeo em que um brasileiro esculhamba com o senador Humberto Costa e o deputado Jean Wyllys, em um restaurante de Montevidéu, acusando-os de serem pró Dilma e contra o Brasil.

 
Até dois, três anos atrás eu dizia que Deus é tão bom para mim que até fama ele me deu na medida certa, ou seja, era um cara reconhecido em alguns ambientes, sempre bem tratado o que, claro, não deixa de ser bom para a autoestima. Só que a aparição diária na TV está mudando os tempos e, de vez em quando, já me sinto incomodado. Não por minha causa. Quando só, estou sempre disposto a fotos, abraços, pedidos de reportagem e um sem número de outras manifestações, considerando todas como privilégio de quem é conhecido, querido e respeitado. Quando um ou outro é mais chato logo lembro que tolerá-lo é o preço por tantas coisas boas que a profissão me dá. O diacho é quando estou com familiares. As vezes quero comer um peixe com minhas filhas e o cara que nunca vi quer conversar comigo, num domingo, uma da tarde, me falar de um estupro da prima da tia dele no interior; em outras ocasiões, a telespectadora quer uma foto, mas, enquanto pede, se aproxima, abraça e, sem cuidado com a empolgação, empurra a minha mulher. De outra feita, no estádio, o cidadão sacou o celular da calça e o entregou a minha esposa ordenando: “Faça uma foto com o Eduardo, não posso perder a chance”. Diante da informação de que ela não sabia manusear o aparelho, reclamou: “Como assim? Você, mulher do Eduardo, não sabe tirar uma foto?”

 
Voltemos aos famosos de verdade. Pior que o incomodo sofrido no restaurante, foi a repercussão para o Fagundes lá no Rio. Mesmo tendo saído sem reclamar, sem má educação, foi alvo das maiores grosserias nos comentários da noticia dada, na internet, por um destes repórteres que cobrem celebridades. No caso dos parlamentares, eles exerceram o direito ao voto, estavam no Uruguai a trabalho, foram agredidos verbalmente e até ameaçados, sem direito de reação. No caso do João Vitor, o deputado de Minas, muito provavelmente dirão os que lerem essas notas “ah, ele trabalha com futebol no rádio, estava mesmo vendo jogo em vez de trabalhar”. É assim. Com as tais redes sociais, todo mundo diz o que pensa (ou sem pensar) e os que são pessoas públicas sofrem mais. Se o deputado vai mal, é só trabalhar para derrota-lo porque de 4 em 4 anos ele precisa de recondução; se quer ouvir uma boa piada do Ceguinho, é só ir a um show dele... E ele não é afetado, ao contrário, já me disse que quando uma pessoa trabalha para ficar conhecida, depois não pode reclamar do assédio. Mas, cuide-se, pois, certa vez, após fazer um show no Teatro Dom Silvério e ir jantar, já de madrugada, na Avenida Uruguai, o saudoso Rogério Cardoso foi importunado por um inconveniente que queria – porque queria – ouvir uma piada as 2 da madrugada. Rogério perguntou qual a profissão dele e, ouvindo ginecologista, propôs: “Você faz um exame ginecológico aqui, em cima da mesa, na sua mulher, e, em seguida, conto”.

 
Então, encerrando a prosa, repito: sou muito agradecido a Deus por tudo, até pela fama... Que me deu em escala menor... Mas, quando mais vejo a proliferação da agressividade, o apreço à má educação e a facilidade com que as pessoas julgam, condenam e execram as outras, mais concordo com o João que, sem entender o “flagrante” de nossos colegas jornalistas, comentou: “O anonimato é uma benção.

 

A era do faz de conta

Este é um daqueles textos cuja publicação irá contrariar muita gente, pode provocar reações iradas e até causar nos leitores mais apressados a sensação de que repórter é insensível ao sofrimento dos mais humildes. Mas, se o profissional quer respeitar a própria história, ele precisa dizer o que sente e acordar as autoridades para providencias indispensáveis à ordem pública, da qual estamos tão carentes neste começo de século.
Nesta segunda-feira, 20, três exemplos me levaram à reflexão que faço agora, na esperança de que você, leitor, possa também discutir, em casa, na escola, no trabalho, questões que estão aí, latentes, a exigir uma atitude nossa.
Exemplo 1 – Mais de 300 policiais militares, oficiais de justiça, agentes da Defesa Civil, técnicos da Prefeitura e dezenas de outros servidores públicos colocaram-se em posição de ataque para desocupar uma área pública no Bairro Copacabana, região Norte de Belo Horizonte. E eu, vendo a imagem pela TV, disse aos colegas: “Não haverá desocupação”. É que, antes de os tratores avançarem, haveria a tradicional parlamentação e, claro, chegariam a um consenso de adiar. Não sei se é certo ou errado, não estou discutindo... Conheço a tristeza dos que não têm um teto para os filhos, a indignação dos que se vêm cercados por ocupações desordenadas que pioram a qualidade de vida em bairros consolidados e, principalmente, conheço a indiferença de nossas autoridades. Elas não têm planos de habitação, não impedem as invasões e não aparecem na hora de resolver... Não têm coragem, não querem resolver. Mandam a polícia. Se der certo, tudo bem; se der algo errado, a culpa é do tenente que está lá, na ponta.
Exemplo 2 – A Rede Record mostrou mais uma interdição de rodovia em Minas. Desta vez, foi no trevo do Bairro Água Branca, perto do Bairro Pindorama. Pelas imagens aéreas contamos 27 pessoas. Vinte e sete pessoas fecharam uma rodovia que liga Belo Horizonte à região Central, aí incluídas cidades como Pedro Leopoldo, Esmeraldas, Sete Lagoas, Curvelo, Corinto, mais o Norte, o Jequitinhonha, o Noroeste, a capital Brasília... A indignação dos manifestantes é compreensível – uma senhora foi atropelada e morta no local; a revolta deles é humana, afinal, se não gritarem não serão ouvidos... Ou alguém acha que o DNIT, responsável pela rodovia, está preocupado? Mas, insisto, 27 pessoas não podem fechar uma rodovia, impedindo a chegada de alimentos à Ceasa, levando pessoas a perderem voos, trabalho, escola, gente doente que perde exame, consulta, não é aceitável que algumas dezenas parem centenas de milhares... Afinal, a democracia não é do povo, para o povo e com o povo? E a nossa liberdade não termina onde começa a dos outros?
Exemplo 3 – A Rádio Itatiaia fez matéria com denúncia de moradores em situação de rua de que a Prefeitura está tomando seus cobertores. Eu não sou insensível para ignorar o quão desumano é alguém ficar na rua nestas noites de inverno. Mas, no lugar da simplicidade de exigir respeito ao pobre, por que não discutimos seriamente o assunto? E isso inclui levar essas pessoas para os abrigos... É isso! A prefeitura tem abrigos, tem restaurante popular, então, não devemos dar cesta básica, cobertor ou qualquer coisa que estimule a vida na rua. Ah, mas todo mundo tem direito de ir e vir... É verdade; dormir não! Se instalar, com fogão, barraca, colchão; fazer sexo, xixi e coco não! Há de se respeitar o direito deles e o de todos os outros cidadãos, especialmente os que querem usar as praças, as calçadas e só encontram dissabores... Um amigo, recém-chegado de São Paulo, foi comer um sanduíche na lanchonete mais famosa da Savassi e, lá dentro, na boca do caixa, se sentiu intimidado por um marmanjo que queria forçá-lo a pagar um lanche. Diante da insistência, perguntou ao segurança da loja se não tomaria providência. E o guarda respondeu: “Não posso fazer nada”. Se o cliente fosse reclamar na rua, com polícia, encontraria a mesma resposta.
Quem aguenta? Por que há tanta omissão? Por que nossas autoridades só pensam nos efeitos de suas ações e o que elas podem repercutir nas eleições, ano sim ano não? Estou politicamente incorreto, sou um filhote da ditadura ou vivemos um vale tudo na cidade? É terra sem lei? Ou não?
Por que ninguém quer perder voto, ainda que o imobilismo destrua todas as nossas noções de ordem publica?

Que venha o Museu do Sexo!

Que me perdoem os de diferentes opiniões, mas, saúdo a chegada do Museu do Sexo, por uma série de razões. A primeira delas é que sexo é vida, dizem todos os médicos, espiritualistas e curandeiros do mundo inteiro. Como, no caso, há intima ligação entre o ato e a prostituição, a primeira profissão, segundo todos os historiadores populares que já ouvi, então, o museu há de ajudar na desmistificação do tema, no inexplicável preconceito para com os profissionais e aproximar a tradicional família mineira da Rua Guaicurus. Na verdade, uma série de eventos já ajuda nessa aproximação e basta lembrar o recente sucesso do bloco de carnaval “Então Brilha” cujo charme está exatamente no local de concentração.

Outras ações têm feito o papel de aproximar as pessoas que não vivem naquela rua, conhecida historicamente por abrigar atacadistas e pelo “baixo meretrício”. Claro que o papel maior está com gente como a Cida Vieira, que preside a Associação dos Profissionais do Sexo, mas, cada um de nós, a seu feitio, tem ajudado. E me orgulho e contar minha parcela: certa noite escrevia minhas matérias na redação do Diário da Tarde quando chegou o Roberto Drumond perguntando se era eu que estava fazendo uma serie sobre crimes praticados por um assassino na zona boêmia da cidade. Respondi afirmativamente, ele quis saber se poderia levá-lo lá, combinamos para o dia seguinte e fomos. Ele ficou fascinado com a rua, os hotéis, as estórias, e escreveu um texto, transformado em videopeça por Breno Milagres, denominado “O Estripador da Rua G”, do qual participei. Mas, o melhor é que a partir daquele dia Roberto ficou meu amigo.

Há outros fatos que me ligam ao reduto do sexo. Por exemplo: fiquei intrigado quando, em entrevista, anos atrás, ouvi do psicólogo e criminalista Emerson Tardieu Júnior, que aqueles hotéis de alta rotatividade são importantes na estabilidade de muitos lares. A justificativa é simples: boa parte do público daquelas casas de cama quente é composta por homens de baixa instrução, trabalhadores braçais, sem muita paciência para TPM e outras peculiaridades femininas, ou seja, querem sexo com mais frequência que a parceira pode oferecer e, não existindo aquela válvula de escape, as agressões poderiam ser mais frequentes. Alguém vai dizer que é conversa fiada, que não se justifica ir para a zona ou querer sexo todo dia, mas, enfim, ele é profissional, estudou o tema e eu o respeito.

Outra coisa: há alguns anos, fui convidado a lecionar em curso de pós-graduação em Rádio e TV no Uni-BH e minha missão seria uma oficina... Fiquei pensando no que ensinar, considerando que a teoria, as regras básicas e o que há de essencial na graduação os alunos já haviam apreendido. Foi então que tive a ideia de levá-los para as ruas, cadeias, praças, rodoviária, shopping popular, mostrando-lhes como a notícia está em toda parte, como desenvolvê-la e como ter compromisso com a cidade. Acabei com eles no Hotel Brilhante onde, graças à boa relação com o gerente, fizemos uma visita e eles conversaram com duas das profissionais. Sucesso. Nos semestres seguintes, vinha a cobrança de novas turmas para visitar a zona boêmia e eu sempre me impressionava com a distância entre os profissionais da comunicação – aqueles que têm de produzir notícias, comerciais, enfim, ajudar a opinião pública a interpretar os fatos – e uma das atividades mais antigas da cidade.

Poderia continuar enumerando aqui uma relação infindável de razões, mas, penso que o leitor concordará quando lembrar que o mundo anda tão desumanizado e há tanta notícia ruim que falar de sexo pode ser terapia. Como? O massacre de Orlando, os estupros, o ex-marido que falsificou um atestado médico acusando a mãe de seus filhos de doente mental e fugiu com as crianças, os golpes que estão por toda parte...

Quer mais um exemplo de como a Zona da Guaicurus merece ser tratada com respeito em relação a outras praças desse país? O meu colega Eustáquio Ramos consultou junto à secretária-geral da Câmara Municipal a relação de vereadores faltosos durante as 40 reuniões entre os meses de fevereiro e maio. Só as sem justificativa. Daniel Nepomuceno faltou 16 vezes, Alexandre Gomes 12, Tarcisio Caixeta 11, Leo Burguês 10 e tem mais uma sequência que inclui Valdivino (9), Junhinho Los Hermanos (8), Pablito (8), Elaine Matozinhos (7), Preto do Sacolão (6)... Se não pode, não quer ser vereador, por que não renunciar- abrir espaço para um suplente, que quer trabalhar?

Contra a chateação, que venha o Museu do Sexo, temporariamente instalado debaixo do Viaduto de Santa Tereza e onde ontem houve um troca-troca, isto é, quem tinha determinado objeto ligado ao sexo podia trocá-lo por outro…

Discutindo a relação

Se existe uma pessoa sem autoridade para anunciar ruptura com os estádios de futebol sou eu. Já o fiz mais de uma vez. Então, agora, quero dividir contigo é a decisão de dar um tempo – ou, como se diz entre os apaixonados, uma DR, a sigla que significa discussão em torno da relação, quando as partes colocam suas queixas, ouvem argumentos e tentam reconstruir alianças.

Não há a menor chance de torcer para outro time, pois, quem é atleticano nasce; não se torna nem desiste. Aliás, minhas tristezas não estão diretamente ligadas ao clube, mas, ao esporte, aos que o fazem, ao jeito de se lidar com o dito profissionalismo. Sempre achei que os jogadores ganham demais, os técnicos têm prestígio indevido, os cartolas são tratados como se fossem empresários vitoriosos e o torcedor (eu, também, claro) o bobo da corte. De uns tempos para cá aumentou minha sensação de estupidez por ainda me interessar, às vezes sofrer, sabendo tratar-se de um grande circo. Vivo a incomodar os colegas que trabalham com futebol, “cornetando” no ouvido deles, tocando no assunto no rádio e na TV sem que seja essa a minha área de atuação, enfim, tenho dedicado tempo demais para falar do mesmo – dificuldade de aceitar fatos envolvendo o mundo da bola.

Pior é que, quando converso com gente de minhas relações, pessoas das quais gosto e que considero de bom senso, elas estão do outro lado... Assim, preciso rever conceitos, e, como não tenho disposição para esforços no sentido de reciclar, vou me ater ao jornalismo no qual atuo, já repleto de injustiças e barbaridades, e priorizar os livros nos quais estão viagens mais interessantes. Tenho comigo que os ímpetos da juventude autorizam bravatas, exageros, equívocos e até deslizes... A gente acha que sabe tudo, que tem a menina mais bonita, o partido político mais honesto, o time imbatível... Depois dos 50, quando se descobre a verdade socrática de que nada sabemos é hora de por a bola no chão e priorizar o que de fato importa.

Recentemente, vivi momentos dos mais felizes como atleticano, com a chegada de Marcelo Oliveira. Fui para o estádio, animado, desci do táxi na Silviano Brandão, tomei cerveja no meio do samba, subi como adolescente as ladeiras do Independência e experimentei as delícias da Rua Pitangui. Hora do jogo. E não é que ele, Marcelo, meu Telê Santana moderno, manteve Patric no time, exercendo funções de armador e goleador? O time estava perfilado para o Hino Nacional e, antes que me recuperasse do susto de saber que Marcelo, assim como Levir e Aguirre, insistiam no que considero ofensa ao futebol-arte, eis que outra tristeza profunda invadiu minha alma: a torcida atleticana, uma das maravilhas brasileiras, cantou o hino do galo o tempo todo, em cima do hino do Brasil... Mas, como? Me disseram depois que é uma forma de a massa protestar contra aquela frase “... A imagem do Cruzeiro resplandece...” Meu Deus! Quanta bobagem! Como pode se misturar uma coisa com outra? Então, comecei a mobilizar colegas para que iniciassem uma campanha, falassem da importância de gostar do hino, disseminar a ideia de pátria! E não vi qualquer empolgação em meus pares. Alguns disseram que concordam com o protesto, outros não querem o hino nacional no campo de futebol... Que desolação! No auge de minha desilusão assistia pela TV um clássico e, diante da queda de um jogador do América, o técnico do Cruzeiro mandou o jogo continuar... Como? O tal Paulo Bento vem do outro lado do oceano para dizer que fair play não existe mais em gramados mineiros e não reagimos? Alguns disseram que ele tem razão, que tem muita cera em nome dos “machucados”... Mas, então, lutemos para punir os estelionatários! Mas, não, a gente, para evitar que um espertalhão ganhe tempo, decreta que os atletas devem seguir o jogo, ainda que um colega esteja com a perna quebrada...

Definitivamente, eu preciso ouvir mais música, ler mais, prosear sempre e deixar o futebol para quem entende...