minas gerais

Abandonados

Tenho insistido nesse espaço sobre a falta de atendimento, por parte dos que administram nossa cidade; respostas simples às agruras diárias dos cidadãos. Nesta sexta-feira (19), tenho dois exemplos. O primeiro é relatado por José Antônio Soares:

“Como nossa cidade se encontra desprotegida! Os flanelinhas estão cometendo verdadeiro assalto contra nós, pobres cidadãos, que pagamos impostos e não temos nada em troca. Dias atrás fui em um casamento na igreja de Lourdes. Como éramos 6 pessoas, fomos em dois (carros) e tivemos que pagar R$ 20 de cada carro para deixá-los na rua, sem nenhuma segurança e garantia por esses bandidos na pele de flanelinhas. No último domingo, passei pela mesma situação na Pampulha, mais precisamente no parque Guanabara, que já é um local caro... Tive que pagar R$ 20 e quando questionei o infeliz ainda me disse: ‘Melhor pagar R$ 20 do que (sic) perder o carro ou ter rodas roubadas’. O pior é que a poucos metros dos locais em que fui roubado vi carros da BHTrans circulando, fazendo não sei o quê. Também me chamou a atenção o fato de que nos dois casos dei uma nota de R$ 50 e fiquei impressionado com a quantidade de dinheiro que o rapaz tirou do bolso na hora de voltar o troco; ou seja, muito mais do que ganho no mês inteiro trabalhando dentro das regras. Socorro, não temos a quem reclamar!”.

A outra queixa vem do servidor público John Santos:
“Sou ciclista e motociclista, sofro com as tampas de bueiros e bocas de lobo nas avenidas da nossa cidade e agora venho percebendo os riscos das faixas pintadas de sinalização de pedestres e das ciclovias de BH, e identifiquei algumas falhas nas mesmas; gostaria que fosse divulgado e que a BHTrans ou os órgãos responsáveis buscassem alguma forma de corrigir os erros, pois, com a chegada das chuvas os riscos de acidentes irão aumentar e muito. As faixas, ao serem molhadas com as irrigações dos canteiros centrais ou até mesmo com águas jogadas a ermo pela população, tornam-se perigosas por não serem antiderrapante, causando quedas e até mesmo colisão graves entre veículos. Não sei se isso já foi percebido pelo órgão responsável, mas essas novas faixas estão em diversos corredores de trânsito da cidade e com a chegada das chuvas esses corredores se tornarão fatais. Venho informar que na segunda-feira foi registrado um acidente sem vítima em frente ao Shopping Diamond Mall, no cruzamento da Gonçalves Dias com Av. Olegário Maciel, onde o canteiro é normalmente molhado duas vezes ao dia”.

São ações simples que os habitantes da cidade pedem para que ela seja mais humana, que tenhamos o prazer de sair de casa. É certo que um ministro da mais alta corte da Justiça brasileira já decidiu a favor do jovem que fica na rua, sem autorização, fingindo tomar conta de carros, mas, não podemos desistir. Também evitar acidentes é um dever das autoridades. Não é pedir muito. Se tiverem um pouco de boa vontade, dá pra fazer... Como diria um candidato que quase chegou lá.

Não haverá outro viaduto

Não haverá reconstrução do viaduto Batalha dos Guararapes. Pelo menos enquanto Marcio Lacerda for prefeito. Está claro, também, que Lacerda pretende apresentar faturas pelos prejuízos. Na verdade, já começou a cobrar porque os hotéis para moradores vizinhos, a retirada de escombros e o custo da implosão – R$ 1,2 milhão – foram bancados pela Construtora Cowan. Aquele baque no calor da Copa do Mundo doeu, porque a cidade estava repleta de gente que viera das mais diversas partes do planeta, havia manifesta alegria dos estrangeiros com a cidade, a polícia trabalhava a contento, enfim, eram dias felizes, até a tragédia estragar tudo. E gerou mal-estar na direção da Sudecap, especialmente o chefão José Lauro Terror. Escolha pessoal de Marcio Lacerda, Terror não tem hoje boa cotação nem com os colegas da Superintendência de Desenvolvimento da Capital. Ninguém sabe se ele está na marca do pênalti. Mas, uma coisa é certa: depois das eleições o prefeito fará mudanças no time de assessores.

Quanto a reconstruir ou não, se estivesse no lugar do prefeito, também não faria nada no local além de remover o entulho e reorganizar o tráfego de veículos – com a criação de alternativas para quem desce do Planalto e Itapoã. Afinal, aqueles moradores e comerciantes da região já tiveram muito aborrecimento, enormes prejuízos... Havia muita gente chorando durante a implosão, comemorando o fim da era do medo. Seria cruel mandar máquinas para bater estaca de novo, levantar pilares e torturar a vizinhança. Então, deixemos como está, vamos lamber as feridas, nos esforçar para que o BRT/Move dê certo e diminua o sofrimento dos que precisam do transporte coletivo e restabelecer a ligação do Centro com o vetor Norte. O que pode surgir é alternativa criativa para não deixar de fazer a ligação entre o coração do Planalto e a parte baixa da Pedro I. Quem sabe uma ponte mais simples, que não fique a poucos metros das janelas dos prédios, quem sabe uma passarela para pedestres. Por que não pensar até em trincheira, modesta, só para passagem de trabalhadores e estudantes? Em médio e longo prazos dá até para perguntar se havia mesmo a necessidade de tanto concreto naquele cruzamento.

São perguntas que devem ser feitas com mais calma, depois que a poeira baixar. Literalmente. Agora, é hora de fazer o estudo de caso, como acontecem com as corporações policiais depois de algo muito desgastante. Onde erramos? Quem? Por quê? Como evitar a repetição? Como garantir que o aprendizado seja inscrito na história da cidade.

Ah, e é claro, acompanhar com atenção a conclusão do inquérito policial, a tramitação do processo na Justiça e cobrar, dos responsáveis por esse desassossego, a devida indenização. Com dinheiro e, se a Justiça assim o decidir, também com cadeia. Estamos todos exaustos dessa Batalha dos Guararapes do século XXI.

Falta de educação… financeira!

Existem algumas notícias muito importantes para as quais não damos a devida importância. Um bom exemplo é o resultado de pesquisa com 2.002 pessoas maiores de 16 anos de idade em 140 cidades brasileiras, incluindo grandes centros, a periferia e o interior. Numa escala de 0 a 10 a checagem sobre educação financeira ficou com a média 6 e apenas 3% dos entrevistados atingiram pontuação maior que 8. Se a população não tem a informação esperada sobre a economia, mais assustador é que o grupo de 16 anos apresentou queda em relação à nota do ano passado, de 5,9 para 5,5. E mais: também o índice dos brasileiros que têm entre 18 e 24 anos caiu em comparação com 2013. Por que os números incomodam? É muito triste que nossos jovens não tenham preocupação com a economia, pois, em consequência não terão o compromisso suficiente para defender a estabilidade e enfrentar o dragão da inflação que infernizou a vida dos brasileiros nas últimas décadas do século passado.

Quem viveu com a inflação a 80, 90% por mês, quem viu aquelas máquinas de remarcar funcionando o dia inteiro dentro dos supermercados, quem conheceu o investimento bancário que tinha o nome de “over night” – exatamente porque protegia o dinheiro dos mais abastados durante a noite – sofre ao saber que a nova geração não tem ideia da importância de se viver em ambiente de tranquilidade econômica. O indicador de educação financeira é composto por três índices referentes a finanças pessoais e familiares dos brasileiros: o conhecimento, a atitude e o comportamento.

A maior nota é para o comportamento (50%) que avalia o entendimento de conceitos financeiros. O economista Carlos Eduardo Costa tem uma definição para essa tristeza: “É lamentável que os jovens de hoje não tenham consciência da importância de planejar porque as gerações anteriores não tinham espaço para tal; o mais importante era sobreviver”.
Outra questão levantada pelo economista é a inserção dos jovens no mercado de consumo. Pela pouca maturidade, eles são mais sensíveis aos apelos pueris, como usar roupas da marca X, calçar tênis da marca Y e comprar smartphones da marca Z, como forma de afirmação. As transformações nas famílias brasileiras guardam uma relação com o resultado da pesquisa. Antes, elas tinham um caráter autoritário, onde todas as decisões eram centralizadas no pai ou na mãe.

O que se percebe atualmente é que os ares democráticos chegaram também nos núcleos familiares e muitos estão se perdendo nesta transição. O educador Içami Tiba diz que esta geração de pais é aquela que está deixando de ter medo de seus pais para passar a ter medo dos seus filhos. Ou, se antes, aos domingos, quando a mãe fazia o frango todos, os filhos já sabiam que a coxa era do pai, hoje não costuma sobrar nem uma asa para o velho.

Suicídio: falar ou não?

Um assunto proibido na maioria das rodas ficou em destaque nas principais publicações durante esta semana. Na quarta-feira, o mundo respeitou um Dia de Prevenção ao Suicídio e não faltaram discussões sobre o tema, especialmente por causa de pesquisa recém-divulgada pela Organização Mundial da Saúde, segundo a qual mais de 800 mil pessoas morrem por ano e 75% dos casos são registrados em países emergentes e pobres. É o primeiro estudo da OMS em mais de 50 anos de história, coincidentemente mais ou menos o mesmo tempo em que nosso Brasil discute se a não divulgação dos casos de suicídio é resultado de determinação legal ou acordo de cavalheiros de jornalistas para evitar estimular os que têm tendências ao autoextermínio.

De minha parte, não tenho a menor dúvida há muito tempo. É uma discussão tão importante quanto aquela sobre quem nasceu primeiro – o ovo ou a galinha. O que importa é que uma pessoa se mata a cada 40 segundos no mundo e, pior, o estigma, o silêncio consentido faz com que só um pequeno número de países colete dados sobre o fenômeno. Dos 194 países da OMS, apenas 60 mantêm informações sobre o assunto. Trata-se de tema tão desconcertante que a organização vai lançar campanha para ajudar governos a desenhar programas de prevenção e reduzir a taxa em 10% até 2020. Hoje – acredite – apenas 28 países pelo mundo têm estratégias nacionais de prevenção. O Brasil, em termos absolutos, é o oitavo país do mundo com maior número de casos, mas, em proporção ao tamanho da população, a taxa é inferior à média mundial. O problema é saber quem acredita em nossas pesquisas; afinal, por ser tabu, o assunto nunca foi tratado seriamente. A fonoaudióloga Janaína Passos de Paula defendeu recentemente dissertação de Mestrado na Faculdade de Medicina da UFMG sob o título “Perfil das tentativas de suicídio por intoxicações exógenas em Minas Gerais”. Na verdade, ela queria conhecer era detalhes sobre as intoxicações provocadas por causas externas, como medicamentos e venenos, mas, ao se deparar com o fato de que 54% dos casos eram apontados como tentativa de suicídio, resolveu aprofundar-se no assunto. Descobriu coisas interessantes como o fato de que 70% dos casos eram de mulheres e 29% tinham entre 20 e 29 anos. Ela se limitou a verificar números. No entanto, ouso dizer que é gente muito nova, vítima da depressão, de um vazio enorme na alma e que muitas vezes sequer consegue ser ouvida.

Para Janaína, a identificação da predominância de certos perfis mais propensos à tentativa de suicídio é essencial para que órgãos públicos proponham medidas de prevenção direcionadas aos grupos de maior vulnerabilidade. Desde o dia 6 de junho deste ano, por meio de portaria do Ministério da Saúde, as tentativas de suicídio precisam ser notificadas, o que, para a pesquisadora, possibilitará aos governos dispor de estatísticas mais precisas sobre o assunto. Que bom que estamos acordando para a gravidade do tema.

Não quero ser prefeito!

Sempre digo que não queria ser professor ou soldado. Professor ganha pouco, precisa conviver com pais irresponsáveis que não cumprem seu papel e exigem soluções na escola e, claro, não tem o menor respeito por parte dos governos para tão nobre missão. Soldado nunca é lembrado na hora das decisões e, se der algum palpite, é convidado a se recolher à sua insignificância, mas, quando dá errado, mandam-lhe ir lá e resolver, seja desobstruir uma via, retomar a posse de um imóvel ou pegar o bêbado incontrolável... Ah, se tudo der certo, ninguém nota o soldado, porém, se algo fugir ao controle, pau nele!

Agora, agradecido a Deus por nunca ter tido a coragem de me candidatar a cargo eletivo, anuncio oficialmente minha recusa a um das funções públicas de maior visibilidade que é a de prefeito. Como é difícil ser administrador de uma cidade! Sobretudo quando a terra é como nossa amada Belo Horizonte onde tudo é alvo de muitas polêmicas. Essa decisão da Superintendência Regional do Ministério do Trabalho de embargar a demolição do que sobrou no viaduto da Pedro I é demais para meu fígado! Podem dizer que a antiga DRT está apenas cumprindo seu papel e eu digo ok. Podem ponderar que a própria construtora Cowan anunciou, depois de um laudo preparado em São Paulo que, retiradas as estacas, a outra parte cai, o que significa risco de morte para funcionários encarregados de retirar o escoramento. Tudo bem. Não importa o que me digam, quero saber é por que essa mesma repartição do Ministério do Trabalho não fiscalizou antes e evitou a queda do viaduto. Que matou dois e poderia ter atingido dezenas de trabalhadores. Ah, mas não têm fiscais... Já ouvi isso um milhão de vezes. Para mim, o que acontece agora é aborrecimento gratuito, pois, afinal, a empresa encarregada de demolir tem histórico de capacidade, é responsável por seus técnicos e vai receber nada menos que R$ 1,2 milhão pelo serviço.

Mais importante que a burocracia da SRT – que desde os tempos de DRT tem sempre um chefe indicado pelo PDT ou outro partido que controle o ministério, dentro da distribuição indecente de cargos – é resolver logo o drama de milhões que moram ou trabalham no vetor norte e estão sofrendo com a interdição da Pedro I. Sem falar nos comerciantes, nos moradores e tanta gente cuja vida virou de cabeça para baixo nos últimos 70 dias. Eu não quero ser prefeito. Não posso. Se fosse, duraria uma semana no cargo. Aguentar repórter cobrando, vereador fisiológico extorquindo, promotor ameaçando, juiz determinando e burocrata complicando é demais... O sujeito é eleito para mandar na cidade, mas, até para tirar capivara ou jacaré da lagoa tem de pedir bênção... E, insisto: se não acabarmos com essa estória de eleição ano sim, ano não, caminharemos para cidades inviáveis, paralisadas por chatos, infelizes, aparecidos e autoridades com medo de perder voto. Cruz credo!

Como explicar?

Paulo César Silva Chaves enviou-me o seguinte e-mail: “Moro em Sete Lagoas, trabalho em Belo Horizonte e sempre estou deslocando utilizando a BR-040 para chegar ao trabalho. Quando tem acidente ou manifestações, ficamos presos no congestionamento por aproximadamente quatro horas ou mais, considerando que a referida 040 não tem outras saídas. Agora, para minha surpresa, estão construindo um parque de pedágio no trecho Sete Lagoas a Belo Horizonte; as placas já estão no local avisando das obras. Sou a favor a pagar pedágio quando a via oferece boas condições de trânsito e segurança, o que não é o caso da referida BR-040, até porque o asfalto está cheio de remendos e rachaduras. Onde estão os nossos políticos?”

Sinceramente, gostaria de ter respostas para o Paulo. Aliás, seria um comunicador mais feliz se pudesse atender pelo menos a metade dos questionamentos que me fazem. O problema é que, na maioria das vezes, eu também não compreendo. Poderia apenas cumprir o papel de repórter, buscando a informação na fonte e transmitindo-a, mas, em certas ocasiões, ninguém quer explicar. Ou, sabe explicar.

Permita-me, caro Paulo, acrescentar perguntas às suas: como pedir ao cidadão mais dinheiro sem oferecer o mínimo de respeito? Quem explica como, só na semana passada, esta mesma 040 sofreu sete interrupções, sendo que, na última quinta-feira, um caminhão ficou dependurado perto da capital e o trânsito só foi restabelecido nove horas depois? Por que, no caso desse acidente, o guincho iniciou a retirada do veículo quatro horas depois do tombamento? Por que uma estrada tão longa não tem, pelo menos nas imediações das grandes cidades, recursos disponíveis para remoções urgentes? Aliás, por que não temos um guincho de plantão pelo menos no Anel Rodoviário de Belo Horizonte para atender ocorrências mais próximas? Como é possível que o Paulo esteja reclamando da qualidade do asfalto depois do tanto que gastamos nesse trecho Sete Lagoas – Belo Horizonte nos últimos dez anos?

Eu poderia elencar mais 500 perguntas, mas, como usuário da Fernão Dias por duas décadas, antes e depois da privatização, e como observador das mazelas do serviço público, digo ao Paulo e a todos os mineiros que o pedágio – embora inexplicável para cidadãos que já entregam ao governo perto de 40% de tudo o que conseguem trabalhando – ainda é o melhor remédio. Pelo menos dentro de mais alguns anos, o proprietário de veículo terá piso decente, sinalização razoável e assistência de emergência. DNER e DNIT são duas siglas que já nos fizeram sofrer muito nos últimos 70 anos. Enquanto a gente não votar melhor, enquanto não tivermos pelo menos um caminhão parado por dia para verificação de suas condições de trafegabilidade, neste Estado, enquanto tivermos 200 patrulheiros (no turno) para 10 mil quilômetros de rodovias é melhor privatizar. Aliás, dando um trato na sentença, é pagar ou morrer. De acidente ou de raiva.

Há esperanças

Quem ouviu Dilma e Aécio alertarem Marina, no debate desta semana, sobre a distância entre sonhar e fazer – especialmente quando se senta na cadeira de presidente da República – sabe do que estão falando: o sistema não permite arroubos como enfrentar banqueiros, empreiteiros e outros históricos privilegiados por uma série de motivos, mas, sobretudo, por aquele que destaquei há poucos dias em texto neste espaço: dentro dos princípios da Constituição, o que o (a) presidente quiser fazer tem de ser aprovado por um Congresso sabidamente viciado, cheios de outros interesses que não os nacionais.

No entanto, não devemos jogar a toalha. Afinal, “o sonho que se sonha só é só um sonho; o que se sonha junto é realidade”. E só quem não quer ver não enxerga que os brasileiros estão fartos das armações e exige mudanças substanciais, a começar pela reforma política. Tanto que muita gente está se mexendo. Um bom exemplo é o repórter-fotográfico Nélio Rodrigues, que criou a serie “retratos de atitude” com personalidades brasileiras e lançou o “Chute da Revolta”, um ensaio-documentário em foto, texto e vídeo no qual artistas, intelectuais, músicos, lideranças empresariais e religiosas, profissionais liberais, sociedade, atletas, jornalistas e todos que estão revoltados com a atual situação do Brasil emprestam suas imagens e mostram atitude segurando e chutando uma bola branca. Cada um dos fotografados escreve uma mensagem que será levada ao futuro presidente.

Outra iniciativa animadora é o site projetobrasil.org, que vem em duas etapas: a primeira já está no ar, oferecendo aos eleitores informações sobre as propostas dos candidatos à presidência; depois do pleito, os usuários poderão acompanhar a execução de cada proposta de governo prometida pelo candidato eleito. A plataforma pretende ainda ser um importante gerador de conhecimento para os políticos e poder público na hora de direcionar projetos e investimentos, uma vez que irá reunir um vasto banco de dados sobre os anseios da população.

Há outro projeto, que pode ser acessado no site www.rpj.org.br e já tem mais tempo de maturação, no qual os responsáveis convidam o país para uma reforma política imediata e convida a todos para uma mobilização pela cidadania, dia 28 de setembro, a partir de 10h30, na Praça do Papa em Belo Horizonte, quando algumas propostas serão defendidas.

Por fim, há também esse movimento que reúne dezenas de entidades e está coletando votos (assinaturas) para um documento que pretende exigir do Congresso uma reforma política urgente. Até domingo, você pode aderir na Praça 7 ou em mais de outros 100 postos, incluindo igrejas. Portanto, não faltam sinais de que a paciência chegou ao limite e algo terá de mudar. Nossos filhos e netos agradecem nossos esforços. Já!

Somos racistas!

Definição mais usual de racismo: “É a convicção sobre a superioridade de determinadas raças, com base em diferentes motivações, em especial as características físicas e outros traços do comportamento humano; consiste em uma atitude depreciativa não baseada em critérios científicos em relação a algum grupo social ou étnico”. Quem de nós pode dizer em alto e bom som que nunca vivenciou uma experiência cabível dentro deste enorme guarda-chuva? Com outros adjetivos, tais como xenofobia, homofobia e preconceito, o racismo está impregnado em nós, desde os primórdios da humanidade. O que é, senão racismo, o tratamento recebido por imigrantes como turcos na Alemanha, latinos na América do Norte, ciganos na Espanha e africanos na França? Quando, em São Paulo especialmente, chamam um nordestino de paraíba é um elogio? Agora inventaram mais uma palavra chique, estrangeira, o “bullying”...

É só a gente dar uma conferida na história, se lembrar do nazismo e de tantas outras manifestações, segundo as quais grupo de pessoas se julga superior a outros humanos. Durante um congresso de jornalismo anos atrás, um poderoso chefão da comunicação no país foi aplaudido quando disse não entender como um representante do Maranhão “Estado menor que várias cidades de São Paulo”, presidia o Congresso Nacional. Um preconceito gratuito de um mal informado, considerando-se que o nosso Legislativo é composto de duas casas e, no Senado, cada Estado brasileiro tem três representantes exatamente para o equilíbrio da Federação. Por isso, temos de pensar em vários tipos de racismo, que incluem o individual, mas, também, institucional, cultural, primário, comunitário e até ambiental.

Aquela moça flagrada pelas câmeras gritando impropérios para o goleiro Aranha merece toda a reviravolta que aconteceu na própria vida e na dos familiares. Mas, vamos ser honestos, ela não está sozinha. Quantas vezes, consciente ou não, cometemos faltas no trato aos irmãos? E, no caso brasileiro, é mais grave, porque disfarçamos tudo com brincadeiras, fofocas... Se um colega tem orientação sexual diferente da nossa, pode ser o mais educado, prestativo e competente que vamos lembrar-nos dele sempre como “aquela bichona”, por exemplo. Francamente, achei ótima a repercussão dessa lambança porque é hora de dizer um basta. Com todas as letras!

E, considerando que nos falta educação, no sentido mais amplo, de escola, informação e solidariedade, para perceber o quanto somos pequenos individualmente e como um grupo pode nos reforçar, estou entre os que declaram tolerância zero a qualquer forma de racismo. Contando, é claro, com essa parafernália de câmeras e outras novidades tecnológicas porque, se dependesse do árbitro da partida – um negro – era mais fácil Aranha ser expulso do que desabafar diante de tão grave perturbação de seu trabalho.

Patrícia que tem a pele branca, mas, há uma semana, seu emocional oscila momentos de amarelo, vermelho, branco e, sobretudo, vazio. . . A gente aprende pela dor ou pelo amor. Ah, sempre é bom lembrar aos racistas e aos políticos arrogantes a frase estampada no Cemitério das Paineiras, na bela Araxá: “Tu és pó e ao pó voltarás”.

Sede de atitudes

Depois que inventaram o Google, não há necessidade de qualquer esforço para se confirmar o óbvio: embora estejamos no Estado que é a caixa d´água do Brasil e habitemos o planeta água, esbanjar é burrice, para não dizer falta de humanidade. A porção de água doce realmente disponível para consumo, em todo o mundo, representa 13 gotas em um balde de 10 litros. Para os que duvidam a ONU avisa: se não mudarmos os hábitos no curto prazo, até 2030 quase metade da população global terá problemas de abastecimento, sem contar que perto de 800 milhões de pessoas já não possuem acesso a água potável.

O Benjamim Guimarães, o barco a vapor mais famoso do mundo, construído há mais de um século e sinônimo do São Francisco – o rio da integração nacional – está há meses sem sair do lugar porque não há como navegar. Mais: para se recolocar o sistema que abastece São Paulo no nível ideal, teremos de torcer por muitas chuvas pelos próximos dois anos. E fazemos de conta que não é conosco.

Pior mesmo é a ausência de políticas públicas. A serra do Rola Moça pega fogo seis, sete vezes ano e a gente não faz nada; a destruição da flora é cruel e da fauna indescritível, ficamos com cara de paisagem. A Copasa, nosso sinônimo de água, continua credenciando empreiteiras que demoram mais de 24 horas para corrigir um vazamento; como aconteceu na semana passada no Bairro Monte Castelo, em Contagem. O que mais me impressiona na empresa – e disse isso a seu presidente e ao coordenador de comunicação social – é a falta de campanhas, simples, porém efetivas, de conscientização sobre a necessidade de reduzirmos o consumo. Falo de recados diretos, objetivos, avisando sobre hábitos que precisam mudar. Exemplos que estão em todos os manuais de responsabilidade social e sustentabilidade:

Não escove os dentes com a torneira aberta; feche bem a torneira; canos furados e vazamentos desperdiçam água e dinheiro; coloque o aerador, ou “peneirinha”, ou camisinha no bico da torneira; limpe as louças antes de lavar; Depois de molhar o corpo, feche a torneira, ensaboe e, depois, enxague; limpe a calçada com a vassoura e evite papos intermináveis com a vizinha, se a torneira estiver aberta; escolha sanitários com caixa acoplada, que gastam menos água; economize pelo menos uma descarga por dia fazendo xixi durante o banho; evite lavar roupa todo dia; seu carro não precisa de banho toda hora; molhe suas plantinhas com regador; jogue o lixo no lixo para não ter que lavar pias e vasos e, por fim, cuidado com a água que você não vê: Tudo a nossa volta - alimentos, roupas, eletrodomésticos... - precisa de água para ser produzido. É a chamada “água virtual”, que consumimos sem ver. Um litro de cerveja, por exemplo, precisa de 5,5 litros de água para ser fabricado, enquanto uma calça jeans demanda 11 mil litros e um celular, 16 mil. Por isso, quando o assunto é a economia de água, o consumo consciente de qualquer produto é importante.

Parece que foi ontem

Leia estas “dicas eleitorais” que, depois, te conto quem as escreveu e quando:

“Trate de se apresentar muito bem preparado ao discursar. Em campanha eleitoral, você precisa obter o apoio dos amigos e o apreço do povo. Faça amizades de todo tipo: para ter uma boa imagem, com homens de carreira e nomes ilustres (os quais, mesmo se não têm interesse em declarar seu voto, ainda assim conferem prestígio ao candidato). Três coisas levam os homens a dar apoio eleitoral: favor, esperança ou simpatia espontânea. Graças aos mais insignificantes favores, as pessoas são levadas a julgar que há motivo suficiente para declarar seu apoio.
Quanto aos que são atraídos pela esperança, aja de modo a parecer disposto a prestar ajuda, e também de forma a perceberem que você é um observador cuidadoso das tarefas executadas por eles.

O terceiro tipo é o apoio espontâneo, que será preciso consolidar expressando agradecimentos, adaptando os discursos aos argumentos que parecem sacudir cada adepto isoladamente, dando mostras de retribuir-lhes a mesma simpatia, sugerindo que a amizade pode transformar-se em íntima e habitual. Volte sua atenção para a cidade inteira, todas as associações, todos os distritos e bairros. Se atrair seus líderes à amizade, facilmente terá nas mãos, graças a eles, a multidão restante. Habitantes de cidades pequenas e da zona rural, se os conhecemos pelo nome, acham que privam de nossa amizade. Agora, cuidado com o seguinte: se alguém lhe prometeu fidelidade e você descobrir que tem duas caras, finja que não ouviu ou percebeu, se alguém, julgando que você suspeita dele, quiser atestar inocência, garanta com firmeza que nunca desconfiou do apoio que recebe nem tem por que desconfiar. Você deve ensaiar, até que pareça agir naturalmente; é preciso certa bajulação, a qual, mesmo sendo viciosa e torpe no restante da vida, é imprescindível na campanha eleitoral.

Outro conselho diz respeito a um pedido ao qual não seja capaz de atender: nesse caso, negue de modo simpático ou não, então, não negue de jeito nenhum; a primeira atitude é de um bom homem; a segunda, de um bom candidato. Todas as pessoas, no íntimo, preferem uma mentira a uma recusa. Cuide para que sua campanha seja brilhante, esplêndida e popular, que tenha uma imagem e um prestígio insuperáveis”.

O texto acima foi escrito por Cícero, em Roma, há 2077 anos, para seu irmão, Marco Cícero, candidato, em 63 a.C., ao mais alto cargo da República, o de cônsul, equivalente, atualmente, ao de presidente.

Então, amigos, podemos nos relaxar: enquanto o mundo for habitado por nós, humanos, vai ser esse faz de conta em que a gente tem dificuldades para identificar o que é pior: o candidato mentiroso ou o eleitor cínico, muitas vezes preocupado apenas com o próprio umbigo. O problema desse último é que posa de honesto, fala mal dos políticos e ainda estufa o peito para dizer que odeia a política. É o analfabeto político. Ufa!