Publicado em 20/05/2013 às 12h25
Quem avalia a BHTrans?
Depois do que escrevi na sexta-feira, recebi do amigo Luís Borges um e-mail cuja íntegra é a seguinte: “O tempo passou na janela e só Carolina não viu”, diz Chico Buarque em sua obra imortal. Tenho a percepção de que a BHTrans é outra ‘Carolina’, que nos últimos 16 anos não percebeu o aumento da quantidade de veículos de maneira exponencial, enquanto as vias públicas permaneceram quase que intactas. Agora, praticamente chegamos ao juízo final, com 1,5 milhão de veículos só na capital, que é cercada por 34 municípios integrados à metrópole.
E o que foi feito concretamente? Qual é o resultado do planejar, que é pensar antes, e a visão de sistema, que é um conjunto de partes interligadas? Diante do autoritarismo do conhecimento técnico daqueles que têm a missão de gerenciar o sistema viário e que deveriam olhar para fora e para frente, buscando ter uma visão de futuro, e diante do imobilismo urbano de todos os dias úteis, só me resta comparar a BHTrans a um sapo. É clássica a história mostrando que ele morreu cozido numa água, aquecida lentamente até cozinhá-lo, mas que não percebeu nada. Seu mecanismo termorregulador não permitiu que ele percebesse a mudança da temperatura.
Com a BHTrans acontece a mesma coisa, pois ela não se posiciona, nem se reposiciona estrategicamente diante dos cenários que se modificam rapidamente. E o que é pior. Flagrada sem calças, como no caso dos veículos abandonados nas ruas, demonstra que não conhece suas atribuições e, na cara de pau, diz que vai pesquisar, sem nenhum senso de urgência. Quem avalia o desempenho da BHTrans?”.
Consultor de empresas, Luís é daqueles que têm a sensibilidade para perceber o sistema nervoso da cidade. O que ele diz, em outras palavras, é: por que, em outras cidades, como no Rio, algumas vias têm mão de direção trocada dependendo do horário ou do dia e isso aqui nunca acontece? Por que a nossa empresa de engenharia, tráfego e trânsito é tão ausente diante de um cenário tão grave?
Outra pergunta muito interessante que ele faz: quem avalia o desempenho da empresa? Ou, quem pode acordar a BHTrans? E eu, que nunca fiz campanha contra, não comemorei quando ela foi impedida de multar, sinto que a chapa vai esquentar se a empresa não mostrar que precisamos dela.
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