Publicado em 23/05/2013 às 06h55
Somos iguais perante a lei?
Todos os dias, pelos mais diversos motivos, lamento a nossa falta de compromisso no cumprimento das leis, mas principalmente sinto-me perturbado pelo artigo 5º da Constituição Federal de 1988: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade...”
Beira a indecência a gente ter essa afirmação entre os princípios fundamentais e tolerar as diferenças diariamente estampadas na nossa cara. Quem quiser um exemplo pode dar um pulo na nossa Assembleia Legislativa e comparar a diferença de sonhos e reivindicações entre pessoas que estão debaixo do mesmo guarda-chuva – o serviço público.
Vejamos o caso da profissão de jornalista. Dependendo de onde ele trabalha, é o tamanho do salário. Não faz muito tempo, foi divulgado que uma assessora do Ministério Público ganha mais de R$ 34 mil por mês. Por outro lado, nos últimos dias, dez dos 37 jornalistas da Imprensa Oficial estão fazendo vigília na Assembleia para tentar emplacar uma emenda ao projeto que o governo mandou para ajustar carreiras. Sabe o que eles querem? Que os jornalistas encarregados de redigir o Diário Oficial do Estado possam trabalhar 40 horas por semana e não as 30 atuais. Se conseguirem, a partir do ano que vem, vão ganhar não apenas pouco mais de R$ 1 mil, mas poderão sonhar com o dobro...
É isso. No mesmo serviço público, pago com o mesmo imposto nosso, tem gente ganhando R$ 34 mil e outros sonhando com R$ 2 mil por mês. Fazendo o mesmo serviço. E se algum de nós for questionar a colega que ganha muito, ela dirá que está dentro da lei. E é verdade. O que me machuca é: quando vamos corrigir isso? Que governante terá coragem de enfrentar a desumana desigualdade?
No começo da carreira, fiz concurso para o Estado. Queria repetir alguns colegas mais espertos, acumular funções no público e no privado, aproveitar a proximidade com os poderosos e arranjar um salário de marajá para o resto da vida. Um dia, quando já era possível viver com apenas uma fonte, saí do Estado para ser profissional de um lado só. Que dia abençoado! Olhando de fora, as diferenças me bastam. E enojam.
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