O Ministério Público Federal está devolvendo ao governo do Rio 250 milhões de reais que foram recuperados em bancos e têm origem nas safadezas do ex-governador daquele Estado Sérgio Cabral. O dinheiro será usado para pagar o décimo terceiro salário de 146 mil aposentados e pensionistas que ganham até 3.200 reais por mês e que são 57 por cento dos servidores com rendimentos em atraso. Nota 10 para o juiz Marcelo Bretas, pela luta contra a roubalheira e a sensibilidade de fazer ligação direta entre o dinheiro roubado e quem precisa dele.

Há muito tempo defendo a tese de que o mais importante na corrupção é reaver o dinheiro. Prender o ladrão (ou os ladrões, o que dá a propina e o que recebe) é importante, condenar também, mas, não tenho dúvidas, duas coisas doem mais que o resto: a exposição e a pobreza. As pessoas têm o hábito de reclamar quando alguém famoso fica preso determinado tempo e consegue sair... Muitas vezes, isso não me machuca porque o estrago feito na vida do famoso já é punição que não tem preço. Imagine a mulher do Sérgio Cabral, advogada, poderosa, tratada com joias milionárias, viagens suntuosas a Paris, bajulada pela “alta” sociedade carioca e, de repente, condenada a ficar em casa, sem internet e sem telefone. Os mais rigorosos dirão que é pouco, ela mereceria continuar no xadrez de Bangu, etc. e eu, sem negar a razão que estes têm, em razão de tantos exemplos de impunidade, advogo que dona Adriana já recebeu um castigo do tamanho do Rio de Janeiro. Terá de se disfarçar para ir à padaria e isso, para quem está acostumado ao poder, não tem preço.

A outra coisa que faz mal a uma dondoca como a primeira dama é ficar sem o dinheiro. Penso que cada centavo constante no patrimônio de Sérgio Cabral e seus anexos (a polícia tem como rastrear filhos, noras, genros e outros agregados) deve ser tomado e entregue ao Estado com recomendação expressa de pagar salário de quem está atrasado. E isso deveria valer para todo tipo de roubalheira do dinheiro público. Vale, por exemplo, para os casos em apuração nas Minas Gerais, que envolvem nomes de Aécio, Pimentel, todo mundo...